{"id":10140,"date":"2022-05-07T09:00:00","date_gmt":"2022-05-07T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=10140"},"modified":"2023-10-25T07:06:28","modified_gmt":"2023-10-25T10:06:28","slug":"qual-sera-o-papel-da-america-latina-na-nova-ordem-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/qual-sera-o-papel-da-america-latina-na-nova-ordem-global\/","title":{"rendered":"Qual ser\u00e1 o papel da Am\u00e9rica Latina na nova ordem global?"},"content":{"rendered":"\n<p>A agenda global dos \u00faltimos anos tem sido marcada por acontecimentos de grande magnitude que captaram a aten\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, dos cidad\u00e3os e das elites. A crise financeira de 2008, a pandemia de Covid-19 e, nos \u00faltimos dois meses, a invas\u00e3o russa \u00e0 Ucr\u00e2nia, ocuparam as agendas pol\u00edtica e medi\u00e1tica. Isto manteve a <a href=\"https:\/\/nuso.org\/articulo\/sobre-crescente-irrelevancia-da-america-latina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Am\u00e9rica Latina em um segundo plano e fora da \u00f3rbita do debate global<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste novo contexto mundial, reivindicar a relev\u00e2ncia da Am\u00e9rica Latina \u00e9 complicado por pelo menos duas raz\u00f5es. Em primeiro lugar, porque est\u00e1 sendo desenvolvida uma narrativa de bipolaridade, excessivamente simplista, que articula as rela\u00e7\u00f5es internacionais em torno de dois grandes colossos: a China e os Estados Unidos. E, neste cen\u00e1rio, atores como a Am\u00e9rica Latina ou a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia ficam relegados a serem atores perif\u00e9ricos e subordinados \u00e0s grandes pot\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, porque embora a regi\u00e3o conte com d\u00e9ficits estruturais e agendas pendentes, o fato de n\u00e3o gerar desequil\u00edbrios de impacto global a posiciona em um espa\u00e7o perif\u00e9rico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, existem iniciativas que continuam convidando a repensar o papel da Am\u00e9rica Latina na ordem mundial e sublinham a relev\u00e2ncia da regi\u00e3o. \u00c9 o caso do encontro de centros de investiga\u00e7\u00e3o e associa\u00e7\u00f5es de estudos dedicados \u00e0 an\u00e1lise sobre Am\u00e9rica Latina e Caribe e as rela\u00e7\u00f5es bi-regionais entre a Europa e a Am\u00e9rica Latina e Caribe, celebrado em Berlim nos dias 28 e 29 de abril.&nbsp; Este encontro, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o UE-ALC, o Instituto Ibero-Americano de Berlim e o German Institute of Global and Area Studies(GIGA), proporcionou um interessante f\u00f3rum de discuss\u00e3o sobre o estado da regi\u00e3o e gerou novas sinergias para repensar o papel da Am\u00e9rica Latina na nova ordem global.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo cen\u00e1rio \u00e9 especialmente cr\u00edtico porque muitos dos desafios globais s\u00e3o consequ\u00eancia de conjunturas sobrepostas. Quando o mundo ainda n\u00e3o havia conseguido se recuperar plenamente da crise financeira de 2008, chegou a pandemia e recentemente a invas\u00e3o russa. Estes acontecimentos, por sua vez, geraram distor\u00e7\u00f5es que transcenderam a esferas concretas e permearam muitas dimens\u00f5es da esfera p\u00fablica. Assim, consequ\u00eancias como as crises econ\u00f4micas, energ\u00e9ticas ou migrat\u00f3rias contam com numerosas ramifica\u00e7\u00f5es que implicam a atua\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos atores e desde diferentes \u00e2mbitos de atua\u00e7\u00e3o. S\u00e3o fen\u00f4menos complexos que requerem, portanto, atua\u00e7\u00f5es complexas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica Latina n\u00e3o pode permanecer \u00e0 margem da tomada de decis\u00f5es nem converter-se em um mero ator passivo. Por conseguinte, hoje, mais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1rio que os governos da regi\u00e3o desenhem uma agenda conjunta que rompa com qualquer l\u00f3gica bipolar e abra as portas ao multilateralismo.<\/p>\n\n\n\n<p>E, neste sentido, a Uni\u00e3o Europeia pode ser um grande aliado para a Am\u00e9rica Latina, porque possivelmente tamb\u00e9m est\u00e1 tratando de redesenhar o seu lugar na nova ordem mundial, afastando-se da longa sombra da China e dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro desta l\u00f3gica, \u00e9 necess\u00e1rio que a Am\u00e9rica Latina se dote dos meios para poder integrar-se no jogo da ordem mundial. Neste sentido, uma das medidas mais urgentes \u00e9 que, dentro da regi\u00e3o se retomem as c\u00fapulas de presidentes ap\u00f3s um hiato de sete anos. Hoje, mais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1rio recuperar o di\u00e1logo, ainda que n\u00e3o necessariamente se chegue a grandes consensos, e \u00e9 especialmente relevante que exista um f\u00f3rum de discuss\u00e3o independente que n\u00e3o conte com a tutela de pa\u00edses terceiros ou organismos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, \u00e9 importante repensar a narrativa dos acordos de integra\u00e7\u00e3o, uma vez que as experi\u00eancias anteriores s\u00e3o fruto de um contexto passado. Devem ser promovidos novos projetos que sejam entendidos como instrumentos de car\u00e1ter geopol\u00edtica com interdepend\u00eancia econ\u00f4mica, em vez de meros acordos comerciais. Por \u00faltimo, devem ser feitos esfor\u00e7os para implementar a\u00e7\u00f5es coordenadas, pelo menos nas principais agendas, apesar da manuten\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es bilaterais entre Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez fortalecido o di\u00e1logo dentro da regi\u00e3o, a Am\u00e9rica Latina poder\u00e1 situar-se numa posi\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida dentro da ordem internacional e encontrar aliados, como a Uni\u00e3o Europeia, para enfrentar os novos desafios globais e minimizar, na medida do poss\u00edvel, a preponder\u00e2ncia geoestrat\u00e9gica dos Estados Unidos e da China.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A crise da globaliza\u00e7\u00e3o, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e as crises migrat\u00f3rias n\u00e3o podem ser resolvidas eficazmente pensando em termos de uma l\u00f3gica bipolar ou sob agudas rivalidades geoestrat\u00e9gicas. Isto poderia conduzir a mais desequil\u00edbrios e \u00e0 persist\u00eancia de muitos destes problemas ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por este motivo, <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/as-implicacoes-economicas-para-a-america-latina-do-conflito-na-ucrania\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a Am\u00e9rica Latina deve aproveitar as oportunidades que o novo contexto oferece<\/a> e posicionar-se como ator-chave em processos t\u00e3o relevantes como a pol\u00edtica energ\u00e9tica ou o fornecimento de mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o tempos conturbados, nos quais as diferentes agendas necessitam de maior coes\u00e3o econ\u00f4mica, social e territorial. Inclusive, porque n\u00e3o conv\u00e9m renovar o contrato social. No entanto, isto j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel pensando unicamente em uma l\u00f3gica estatal ou bipolar. Face aos novos desafios, \u00e9 necess\u00e1rio que todas as pe\u00e7as encontrem seu lugar no tabuleiro. \u00c9 por isso que s\u00e3o t\u00e3o importantes as iniciativas como a que foi lan\u00e7ada na semana passada pela Funda\u00e7\u00e3o UE-ALC. Esperemos que venham muitas mais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Giulia Gaspar.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agenda global dos \u00faltimos anos tem sido marcada por eventos de grande magnitude que captaram a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, dos cidad\u00e3os e das elites. 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