{"id":10207,"date":"2022-05-11T09:00:00","date_gmt":"2022-05-11T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=10207"},"modified":"2022-05-10T12:53:51","modified_gmt":"2022-05-10T15:53:51","slug":"quao-factivel-e-que-a-russia-use-armas-nucleares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/quao-factivel-e-que-a-russia-use-armas-nucleares\/","title":{"rendered":"Qu\u00e3o fact\u00edvel \u00e9 que a R\u00fassia use armas nucleares?\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>Depois de Putin ter feito em v\u00e1rias ocasi\u00f5es refer\u00eancias diretas ou veladas \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de armas nucleares para defender a seguran\u00e7a da R\u00fassia sem ser levado muito a s\u00e9rio, alguns observadores europeus come\u00e7aram a considerar que deveria ser dada mais aten\u00e7\u00e3o a essa possibilidade. Mas este pensamento vem principalmente da Europa, e n\u00e3o dos Estados Unidos, onde <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/es\/america-latina-y-la-guerra-en-ucrania-la-segunda-trampa-de-tucidides\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o Presidente Biden segue repetindo que a amea\u00e7a \u00e9 apenas um blefe de Putin<\/a>, que n\u00e3o se deve dar muita credibilidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Existe um consenso de que as probabilidades do uso de armas nucleares s\u00e3o inversamente proporcionais \u00e0 probabilidade de levar \u00e0 uma destrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua assegurada. Algo que aconteceria se a R\u00fassia iniciasse um ataque nuclear a n\u00edvel intercontinental. Este cen\u00e1rio \u00e9, portanto, pouco prov\u00e1vel. Aumenta o risco se, como aconteceu nos anos 80 do s\u00e9culo passado, se fomente uma guerra nuclear limitada (\u00e0 Europa naquela altura), mas parece pouco prov\u00e1vel que um interc\u00e2mbio nuclear sobre algum pa\u00eds europeu n\u00e3o acabe deslizando rapidamente para um conflito global. No entanto, esta situa\u00e7\u00e3o muda radicalmente se o cen\u00e1rio de conflito se reduz \u00e0 guerra da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 duas raz\u00f5es que poderiam favorecer o uso das armas nucleares por parte da R\u00fassia nesta guerra. Em primeiro lugar, porque n\u00e3o \u00e9 claro que o uso t\u00e1tico da arma nuclear sobre solo ucraniano ter\u00e1 uma resposta tamb\u00e9m nuclear de parte do ocidente. Se a R\u00fassia decidisse destruir uma pequena cidade ucraniana com um ataque nuclear limitado, n\u00e3o \u00e9 evidente que o ocidente responderia de forma igual, dando in\u00edcio a uma escalada que poderia levar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua global. O problema \u00e9 que Putin tamb\u00e9m sabe disto.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, tudo indica que o Kremlin estaria disposto ao uso t\u00e1tico da arma nuclear se se tornasse muito evidente que a R\u00fassia poderia perder a guerra na Ucr\u00e2nia. A derrota da R\u00fassia \u00e9 algo inaceit\u00e1vel para Putin porque significaria a sua morte pol\u00edtica. Por isso, \u00e9 muito prov\u00e1vel que opte pelo uso de armas nucleares limitado \u00e0 Ucr\u00e2nia. Como afirma o periodista do jornal El Pa\u00eds, Enric Gonz\u00e1lez, &#8220;\u00e9 demasiado perigoso encurralar uma pot\u00eancia at\u00f4mica e deix\u00e1-la sem outra op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja o bot\u00e3o vermelho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Aludindo \u00e0 possibilidade de que o apoio militar ocidental ao ex\u00e9rcito ucraniano seja t\u00e3o elevado que signifique uma derrota russa na atual batalha em Donb\u00e1s, Putin mencionou que a R\u00fassia responderia &#8220;de forma contundente e imediata&#8221;. E h\u00e1 um consenso de que estava aludindo de forma velada ao uso t\u00e1tico da arma at\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a \u00fanica alternativa real ao uso do armamento nuclear consiste em que a R\u00fassia obtenha uma vit\u00f3ria em Donb\u00e1s ou, ao menos, uma vit\u00f3ria aparente, ainda que na realidade signifique um impasse na guerra. Infelizmente, tal vit\u00f3ria parcial significar\u00e1 uma divis\u00e3o do territ\u00f3rio ucraniano, com o leste do pa\u00eds nas m\u00e3os de estados pr\u00f3-russos e o oeste sob a influ\u00eancia de pot\u00eancias ocidentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta perspectiva, o discurso de Washington de que a amea\u00e7a nuclear russa \u00e9 um blefe \u00e9 irrespons\u00e1vel e parece impulsionar o conhecido jogo estadounidense <em>Chicken,<\/em> no qual dois carros se enfrentam na estrada em alta velocidade para ver quem se afastar\u00e1 primeiro. Washington est\u00e1 aumentando poderosamente a press\u00e3o com o envio massivo de armas \u00e0 Ucr\u00e2nia para ver se derrota a R\u00fassia, convencido de que esta n\u00e3o se atrever\u00e1 a usar armas nucleares t\u00e1ticas e Moscou amea\u00e7a utiliz\u00e1-las caso o envio de armas conduzirem \u00e0 sua derrota em Donb\u00e1s. Quem sair\u00e1 primeiro da linha de fogo?<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo caso, o resto do mundo n\u00e3o pode ficar parado observando o resultado final desta corrida insana. Entre outras raz\u00f5es, porque isso significaria a desvaloriza\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o realizado at\u00e9 o momento pelas regi\u00f5es que se declararam livres de armas nucleares, como \u00e9 o caso da Am\u00e9rica Latina atrav\u00e9s do Tratado de Tlatelolco. \u00c9 necess\u00e1rio intensificar os esfor\u00e7os para alcan\u00e7ar um cessar-fogo o quanto antes. Os esfor\u00e7os das Na\u00e7\u00f5es Unidas para alcan\u00e7\u00e1-lo devem ter o intenso respaldo dos pa\u00edses que rejeitem a guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil compreender que Washington n\u00e3o aceitou o pedido de Kiev para neutralizar o espa\u00e7o a\u00e9reo ucraniano por medo de uma conflagra\u00e7\u00e3o direta, e agora esteja disposto a equipar at\u00e9 os dentes o ex\u00e9rcito ucraniano para possibilitar que derrote a R\u00fassia na batalha de Donbas. Para Moscou tanto faz se perde o combate no ar ou em terra, simplesmente considera essa op\u00e7\u00e3o inaceit\u00e1vel. E como Putin sabe que n\u00e3o est\u00e1 claro que o ocidente v\u00e1 responder a uma utiliza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica de armas nucleares em solo ucraniano, parece que est\u00e3o dadas as condi\u00e7\u00f5es para que isso possa acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, a utiliza\u00e7\u00e3o de armas at\u00f4micas n\u00e3o estaria isenta de inconvenientes para o Kremlin. Em primeiro lugar, o uso t\u00e1tico com &#8220;armas nucleares pequenas&#8221; n\u00e3o teria um efeito menor do que tiveram as bombas em Hiroshima e Nagasaki, algo que n\u00e3o cobriria precisamente Moscou de gl\u00f3ria. E, em rela\u00e7\u00e3o a isso, porque significaria reconhecer que teve de recorrer ao uso de armas nucleares porque a sua for\u00e7a militar convencional \u00e9 muito menos poderosa do que presumia.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante deste panorama, a \u00fanica estrat\u00e9gia respons\u00e1vel do ocidente \u00e9 a denominada de via dupla.&nbsp; Por um lado, o apoio a Kiev para evitar que o fim da guerra conduza ao esmagamento da Ucr\u00e2nia, mas, ao mesmo tempo, esfor\u00e7ando-se por conseguir um cessar-fogo o mais rapidamente poss\u00edvel. Na verdade, esta foi a op\u00e7\u00e3o da UE durante o primeiro m\u00eas do conflito, antes de abra\u00e7ar a perspectiva de uma poss\u00edvel derrota militar da R\u00fassia. Contudo, dado que tal cen\u00e1rio \u00e9 inaceit\u00e1vel para Moscou, come\u00e7aram a crescer as probabilidades de o impens\u00e1vel poder acontecer no cen\u00e1rio b\u00e9lico da Ucr\u00e2nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Giulia Gaspar.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s Vladimir Putin ter mencionado direta ou veladamente o uso de armas nucleares para defender a seguran\u00e7a da R\u00fassia sem ser levado muito a s\u00e9rio, alguns observadores europeus come\u00e7aram a considerar essa possibilidade. <\/p>\n","protected":false},"author":300,"featured_media":10216,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16976,544],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-10207","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-rusia-es-pt-br","8":"category-politica-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/300"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10207\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10207"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=10207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}