{"id":11460,"date":"2022-07-20T09:00:00","date_gmt":"2022-07-20T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=11460"},"modified":"2022-07-20T05:57:25","modified_gmt":"2022-07-20T08:57:25","slug":"novo-giro-a-esquerda-na-america-latina-qual-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/novo-giro-a-esquerda-na-america-latina-qual-esquerda\/","title":{"rendered":"Novo giro \u00e0 esquerda na Am\u00e9rica Latina. Qual esquerda?"},"content":{"rendered":"\n<p>O polit\u00f3logo brasileiro Francisco Weffort nos desafiou no come\u00e7o dos anos noventa do s\u00e9culo XX com uma reflex\u00e3o aguda sobre as democracias emergentes: <em>Novas democracias.<\/em> <em>Quais democracias?<\/em> era o t\u00edtulo de um sugestivo artigo no qual ele questionava a qualidade das novas democracias na Am\u00e9rica Latina e no leste da Europa. Parafraseando o autor, cabe perguntar se nos encontramos diante de um novo giro \u00e0 esquerda na regi\u00e3o e, em caso de uma resposta afirmativa, para qual(is) esquerda(s).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o (n\u00e3o t\u00e3o) \u201cvelho\u201d giro \u00e0 esquerda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os Governos emergentes da Am\u00e9rica Latina durante a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI foram manifesta\u00e7\u00f5es representativas do denominado \u201cgiro \u00e0 esquerda\u201d. Estes governos surgiram num contexto externo caracterizado por um \u201csuperciclo das mat\u00e9rias primas\u201d entre 2003 e 2011, uma relativa retirada dos Estados Unidos da regi\u00e3o e o aumento da influ\u00eancia de outros atores externos, em particular a China, e em menor grau, R\u00fassia e Ir\u00e3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Duas caracter\u00edsticas principais deste ciclo pol\u00edtico-ideol\u00f3gico: sua heterogeneidade ideol\u00f3gica e sua estabilidade pol\u00edtica. Em rela\u00e7\u00e3o ao ideol\u00f3gico, houve tr\u00eas variantes dentro do universo da esquerda pol\u00edtica na regi\u00e3o: radical (Venezuela, Bol\u00edvia, Equador e Paraguai), moderada (Brasil, Uruguai, Chile) e Argentina (mais moderada no in\u00edcio; mais radical em outros momentos). Esta diversidade foi marcada por tr\u00eas eixos: em primeiro lugar, o tipo de rela\u00e7\u00e3o com o mercado (mais amig\u00e1vel\/mais hostil); em segundo lugar, o papel do Estado (mais presente\/menos presente); e em terceiro lugar, as caracter\u00edsticas da democracia (incorpora\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de um formato participativo).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 estabilidade pol\u00edtica que viveu a regi\u00e3o, isto est\u00e1 respaldada pela evid\u00eancia. De 16 mandat\u00e1rios eleitos no per\u00edodo 2003-2015, nove deles finalizaram seus mandatos nos prazos estabelecidos; dois continuam em seus cargos at\u00e9 hoje (Daniel Ortega na Nicar\u00e1gua e Nicol\u00e1s Maduro na Venezuela), um morreu em seu quarto mandato (Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela), um renunciou ao final de seu terceiro mandato (Evo Morales na Bol\u00edvia), dois presidentes foram destitu\u00eddos por ju\u00edzo pol\u00edtico (Dilma Rousseff durante seu segundo mandato e Fernando Lugo no Paraguai) e um foi destitu\u00eddo pelo Poder Legislativo (Manuel Zelaya em Honduras).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Novo giro \u00e0 esquerda ou giro antioficialista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um novo ciclo pol\u00edtico chegou na regi\u00e3o. Se for confirmada a vit\u00f3ria eleitoral de Lula da Silva nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais do m\u00eas de outubro no Brasil, nos depararemos com um panorama no qual as cinco principais economias da regi\u00e3o ser\u00e3o governadas por partidos, frentes ou coaliz\u00f5es das diferentes express\u00f5es da esquerda regional: Argentina, Brasil, Chile, Col\u00f4mbia e M\u00e9xico. A isto se somam casos como Peru e Honduras, que n\u00e3o t\u00eam uma forte tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 esquerda, e os casos cr\u00f4nicos de Cuba, Nicar\u00e1gua e Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>Como no caso da onda anterior, desta vez o panorama da esquerda regional tamb\u00e9m \u00e9 heterog\u00eaneo. De um lado, se mant\u00e9m <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/o-dilema-nicaraguense-para-a-esquerda-latino-americana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o ramo bolivariano<\/a> (Cuba, Nicar\u00e1gua, Venezuela); de outro est\u00e3o os pa\u00edses onde h\u00e1 uma disputa entre mentores e sucessores (Alberto Fern\u00e1ndez e Cristina Fern\u00e1ndez na Argentina; Evo Morales e Luis Arce na Bol\u00edvia; Vladimir Cer\u00f3n e Pedro Castillo no Peru); que est\u00e1 longe de Deus e pr\u00f3ximo dos Estados Unidos (Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador no M\u00e9xico); as inc\u00f3gnitas quanto ao seu rumo (Lula da Silva no Brasil e Gustavo Petro na Col\u00f4mbia) ou a reformista (Gabriel Boric no Chile).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o \u201cnovo\u201d giro convive com um longo ciclo eleitoral caracterizado pelo castigo aos oficialismos de diferentes condi\u00e7\u00f5es. A exce\u00e7\u00e3o foi a de Daniel Ortega na Nicar\u00e1gua, em um contexto muito distante das garantias de um processo eleitoral livre, competitivo e transparente, pr\u00f3prias de uma democracia representativa. O clima antioficialista convive, al\u00e9m disso, com n\u00edveis decrescentes de toler\u00e2ncia social e \u201cluas de mel\u201d mais curtas para os novos oficialismos, e as experi\u00eancias de Pedro Castillo, no Peru, ou Gabriel Boric, no Chile, e a derrota do Frente de Todos nas elei\u00e7\u00f5es legislativas do ano passado na Argentina, s\u00e3o casos muito representativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, fragmenta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, castigo a velhos oficialismos e escassa toler\u00e2ncia a novos oficialismos parecem marcar o novo tempo pol\u00edtico na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a vit\u00f3ria eleitoral de Lula da Silva no Brasil for confirmada, estaremos diante de um cen\u00e1rio em que as cinco principais economias da regi\u00e3o ser\u00e3o governadas pela esquerda.<\/p>\n","protected":false},"author":235,"featured_media":11454,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16995,16727,14411,544],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-11460","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ola-rosada-es-pt-br","8":"category-izquierda-pt-br","9":"category-esquerda","10":"category-politica-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/235"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11460\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11460"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=11460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}