{"id":11613,"date":"2022-07-31T06:00:00","date_gmt":"2022-07-31T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=11613"},"modified":"2022-07-29T11:44:18","modified_gmt":"2022-07-29T14:44:18","slug":"sera-esta-uma-onda-esquerdista-fugaz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/sera-esta-uma-onda-esquerdista-fugaz\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 esta uma onda esquerdista fugaz?"},"content":{"rendered":"\n<p>A Am\u00e9rica Latina constitui hoje, provavelmente, a principal refer\u00eancia da esquerda no mundo. Mas \u00e9 incerta a dura\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 essa nova onda de governos identificados com esta perspectiva ideol\u00f3gica, que t\u00eam se sucedido nos \u00faltimos anos na regi\u00e3o, sobretudo em um mundo que avan\u00e7a ao autoritarismo. Portanto, a pergunta que caberia perguntar \u00e9: estamos diante de uma onda progressista ou est\u00e3o lan\u00e7ando as bases para um retorno retumbante da direita?<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018 Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador ganhou a Presid\u00eancia do M\u00e9xico com mais de 30 milh\u00f5es de votos, um n\u00famero que representou 53,2% dos votos em um pa\u00eds que n\u00e3o requer um segundo turno para tomar posse. Neste caso, n\u00e3o foi uma simples onda, tratou-se de um verdadeiro tsunami em termos eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, uma s\u00e9rie de pa\u00edses foram optando por governos de esquerda. Em 2019, embora com suas pr\u00f3prias reviravoltas, no Panam\u00e1 com Laurentino Cortizo Cohen e na Argentina com Alberto Fern\u00e1ndez, a esquerda chegou ao poder. Um ano depois o fez na Bol\u00edvia, com Luis Arce, e em 2021 no Peru, com Pedro Castillo, e em Honduras, com Xiomara Castro. Recentemente, Gabriel Boric triunfou no Chile e na Col\u00f4mbia, Gustavo Petro marcou um verdadeiro feito, pois a esquerda nunca antes havia triunfado a n\u00edvel nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>As mudan\u00e7as na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 claro, n\u00e3o s\u00e3o homog\u00eaneas. No Equador (Guillermo Lasso), El Salvador (Nayib Bukele) e Uruguai (Luis Lacalle Pou) os governos de direita se mantem, assim como no Brasil, embora aqui tudo aponte que Jair Bolsonaro ser\u00e1 substitu\u00eddo por Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que retornaria como presidente de esquerda, montado nesta nova onda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Remanescentes da primeira onda?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, os governos de esquerda foram se instaurando paulatinamente na Am\u00e9rica Latina a partir de 1998, quando Hugo Ch\u00e1vez se tornou Presidente na Venezuela. A partir de ent\u00e3o, a esquerda se expandiu rapidamente pela regi\u00e3o com l\u00edderes carism\u00e1ticos. Mas na segunda metade da d\u00e9cada anterior, sucessivos governos de direita foram retomando o poder. Em 2020 era poss\u00edvel contar 11 presidentes latino-americanos de direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ap\u00f3s a vit\u00f3ria de L\u00f3pez Obrador no M\u00e9xico, onde o epicentro da virada que significou o come\u00e7o de uma s\u00e9rie de derrotas do conservadorismo, pode-se afirmar que a onda atual apenas foi precedida por um ef\u00eamero giro \u00e0 direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, em que ciclo pol\u00edtico a Am\u00e9rica Latina se encontra atualmente? Estamos frente a uma forte onda de governos esquerdistas? Que dura\u00e7\u00e3o essa nova etapa ter\u00e1? Trata-se de perguntas relevantes, sobretudo quando na Europa as esquerdas parecem cada vez mais debilitadas. Por exemplo, a recente queda do primeiro-ministro italiano Mario Draghi, que abriu o caminho para a extrema-direita no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O espelho europeu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a Am\u00e9rica Latina vive um novo giro \u00e0 esquerda, na Europa os triunfos da extrema-direita s\u00e3o cada vez mais comuns. O pr\u00f3prio M\u00e9lenchon foi v\u00edtima da for\u00e7a da extrema-direita quando Marine Le Pen lhe arrancou o segundo lugar no primeiro turno e foi ao segundo competir contra Emmanuel Macron. Fran\u00e7a Insubmissa e sua proposta de \u201cOutro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d caiu para o terceiro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo, governos autorit\u00e1rios como China, Filipinas, R\u00fassia ou Turquia s\u00e3o cada vez vistos com maior normalidade. Enquanto isso, a extrema-direita ganha terreno na Europa, onde n\u00e3o apenas Le Pen, mas tamb\u00e9m o Partido da Liberdade na \u00c1ustria, o Partido Popular Conservador na Est\u00f4nia ou o Vox na Espanha ganham terreno. Chega! tornou-se a terceira for\u00e7a pol\u00edtica em Portugal em 2022 e o chamado para novas elei\u00e7\u00f5es na It\u00e1lia representa uma oportunidade para Giorgia Meloni.<\/p>\n\n\n\n<p>As expectativas que se tem sobre a esquerda latino-americana e seu desempenho no governo s\u00e3o altas. No entanto, este ser\u00e1 realmente o come\u00e7o de uma etapa de progressismo e de continuidade da esquerda na Am\u00e9rica Latina? Ou est\u00e3o assentando as bases para um regresso da direita que hoje parece um pouco abatida? Teremos que esperar, s\u00f3 o tempo dir\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica Latina constitui hoje, provavelmente, a principal refer\u00eancia da esquerda no mundo. 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