{"id":11878,"date":"2022-08-16T15:00:00","date_gmt":"2022-08-16T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=11878"},"modified":"2022-08-19T11:48:20","modified_gmt":"2022-08-19T14:48:20","slug":"o-que-putin-nos-conta-midia-russas-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-que-putin-nos-conta-midia-russas-na-america-latina\/","title":{"rendered":"O que Putin nos conta: m\u00eddia russa na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Coautora<\/strong> <strong>Johanna Cilano<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas semanas, como resultado do conflito entre R\u00fassia e o Ocidente desencadeado a partir da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, <strong>o alcance das m\u00eddias russas como fonte de desinforma\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o latino-americana <\/strong><a href=\"https:\/\/medium.com\/dfrlab\/rt-and-sputnik-in-spanish-boosted-by-russian-embassy-tweets-and-suspicious-accounts-3a24ded7ef57\"><strong>atingiu novos marcos e elementos probat\u00f3rios<\/strong><\/a>. A presen\u00e7a desses meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa e de desinforma\u00e7\u00e3o permite ao Kremlin questionar o modelo democr\u00e1tico vigente na maior parte da Am\u00e9rica Latina e defender a posi\u00e7\u00e3o oficial do governo russo em v\u00e1rios temas, incluindo a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Am\u00e9rica Latina na mira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00edses como <strong>M\u00e9xico, Argentina e Col\u00f4mbia s\u00e3o parte dos objetivos estrat\u00e9gicos midi\u00e1tico-pol\u00edticos da R\u00fassia <\/strong>de acordo com um <a href=\"https:\/\/www.rt.com\/about-us\/press-releases\/ipsos-market-research-rt\/\">estudo<\/a> da Ipsos encomendado pela RT. \u00c9 significativo, de acordo com as conclus\u00f5es do DFR Lab, que 50% do tr\u00e1fego no site da RT em espanhol seja registrado nos pa\u00edses acima mencionados. Este comportamento reflete a influ\u00eancia que a m\u00eddia russa tem em um mercado onde compete com CNN, Voz da Am\u00e9rica e BBC, entre outras m\u00eddias internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante considerar o impacto que eles t\u00eam nas diferentes redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram e Youtube, bem como em seus canais de Telegramas e WhatsApp e seus websites.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em pleno desenvolvimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A penetra\u00e7\u00e3o de meios como RT e Sputnik no espa\u00e7o informativo latino-americano levou ao desdobramento do <a href=\"https:\/\/www.foreignaffairs.com\/articles\/china\/2017-11-16\/meaning-sharp-power\"><em>sharp power<\/em><\/a> russo, cuja narrativa est\u00e1 em sinergia com a dos governos aliados (Cuba, Nicar\u00e1gua, Venezuela) e daquelas vozes e redes intelectuais (como as que existem no CLACSO) que se veem como a \u201calternativa multipolar frente ao unipolarismo do Ocidente\u201d, cujas din\u00e2micas s\u00e3o orientadas, na realidade, para <strong>a consolida\u00e7\u00e3o de uma nova hegemonia geopol\u00edtica oposta \u00e0 democracia liberal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>R\u00fassia e v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina t\u00eam vivido processos paralelos de autocratiza\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XXI. Regimes iliberais personalistas, como os de R\u00fassia, Venezuela e Nicar\u00e1gua, estreitaram o di\u00e1logo, a colabora\u00e7\u00e3o e o apoio m\u00fatuo. Suas pr\u00e1ticas convergem na elimina\u00e7\u00e3o progressiva de institui\u00e7\u00f5es e atores democr\u00e1ticos (partidos de oposi\u00e7\u00e3o, meios de comunica\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil). Um caso paradigm\u00e1tico \u00e9 o nexo entre R\u00fassia e Venezuela. A Venezuela se posiciona como porta de entrada russa ao mercado e espa\u00e7o regional latino-americano, n\u00e3o s\u00f3 economicamente, mas acad\u00eamica, cultural e midiaticamente. Por sua vez, a R\u00fassia oferece um contrapeso diplom\u00e1tico como aliado global contra os Estados Unidos, contra outros aliados democr\u00e1ticos e contra os questionamentos e desaprova\u00e7\u00f5es da comunidade internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Venezuela: porta de entrada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es russo-venezuelanas n\u00e3o s\u00f3 diversificaram como se aprofundaram, como vimos ap\u00f3s a an\u00e1lise das distintas dimens\u00f5es onde operam as sinergias iliberais \u2013 ideol\u00f3gicas, geopol\u00edticas, de seguran\u00e7a, midi\u00e1ticas etc. \u2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Para explicar como a influ\u00eancia russa se projeta na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 poss\u00edvel identificar as sinergias do Kremlin com aliados autocr\u00e1ticos na regi\u00e3o nas posturas (diplom\u00e1ticas e midi\u00e1ticas) sobre democracia, direitos humanos e rela\u00e7\u00f5es internacionais. <a href=\"https:\/\/www.illiberalism.org\/illiberalism-conceptual-introduction\">Em uma an\u00e1lise recente da cobertura e de editoriais da m\u00eddia russa e venezuelana<\/a>, destacam-se elementos como <em>soberania, lealdade e resist\u00eancia<\/em>, interpretados a partir de um prisma soberanista iliberal, que delega ao Estado \u2013 e a seus altos funcion\u00e1rios \u2013 a encarna\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o, acima de qualquer outra considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00eddias de desinforma\u00e7\u00e3o russas s\u00e3o m\u00e1quinas de difus\u00e3o de propaganda, que promovem a agenda do Kremlin e buscam alimentar a desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es dentro das sociedades democr\u00e1ticas. Para esses meios de comunica\u00e7\u00e3o, os <em>ratings<\/em> ou a mera penetra\u00e7\u00e3o no p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 o mais importante, mas <strong>a possibilidade de que suas narrativas se tornem referenciais e seus conte\u00fados possam ser transferidos para outras plataformas mais confi\u00e1veis<\/strong>. Tudo isso representa um campo de luta adicional que requer maior aten\u00e7\u00e3o, pois <strong>\u00e9 eficaz em seu prop\u00f3sito de gerar desconfian\u00e7a na democracia<\/strong>. Isto representa um verdadeiro desafio para as for\u00e7as democr\u00e1ticas na regi\u00e3o, justamente quando a democracia liberal atravessa seu pior momento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Avan\u00e7o sem oposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/digitalcommons.fiu.edu\/cgi\/viewcontent.cgi?article=1012&amp;context=gsr\">O avan\u00e7o da <strong>comunica\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica da R\u00fassia na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/a><strong> encontrou relativamente pouca oposi\u00e7\u00e3o<\/strong>. Um dos fatores por tr\u00e1s do \u00eaxito da m\u00eddia na Am\u00e9rica Latina \u00e9 a falta de compreens\u00e3o do p\u00fablico acerca da natureza do interesse de Moscou no espa\u00e7o informacional regional. Muitos latino-americanos percebem a presen\u00e7a de ve\u00edculos de m\u00eddia como RT ou Sputnik como uma simples express\u00e3o do pluralismo informativo. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>No contexto latino-americano, h\u00e1 poucos debates p\u00fablicos sobre o papel da m\u00eddia russa, embora talvez a guerra na Ucr\u00e2nia tenha modificado um pouco essa situa\u00e7\u00e3o<\/strong>. A R\u00fassia tentar\u00e1 sustentar sua comunica\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica na vizinhan\u00e7a como uma ferramenta eficaz \u2013 por seu alto e imediato impacto e custos relativamente baixos \u2013 de sua pol\u00edtica externa, encontrando uma sintonia com os p\u00fablicos e discursos iliberais das sociedades, elites e campo intelectual latino-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>*Texto originalmente publicado em Di\u00e1logo Pol\u00edtico<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coautora Johanna Cilano<br \/>\nNas \u00faltimas semanas, como resultado do conflito entre a R\u00fassia e o Ocidente desencadeado pela invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, o alcance da m\u00eddia russa como fonte de desinforma\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o latino-americana teve novos marcos e elementos probat\u00f3rios. <\/p>\n","protected":false},"author":272,"featured_media":11871,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16976,16759,16794,16719,14458,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-11878","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-rusia-es-pt-br","8":"category-medios-de-comunicacion-pt-br","9":"category-desinformacion-pt-br","10":"category-debates-pt-br","11":"category-meios-de-comunicacao","12":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11878","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/272"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11878"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11878\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11878"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=11878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}