{"id":12091,"date":"2022-08-30T09:00:00","date_gmt":"2022-08-30T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=12091"},"modified":"2022-08-29T19:55:50","modified_gmt":"2022-08-29T22:55:50","slug":"a-mudanca-climatica-e-uma-das-principais-causas-da-migracao-nas-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-mudanca-climatica-e-uma-das-principais-causas-da-migracao-nas-americas\/","title":{"rendered":"A mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 uma das principais causas da migra\u00e7\u00e3o nas Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Coautora Anna Stewart-Ibarra<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cArrisco tudo porque j\u00e1 perdi tudo\u201d, disse uma vez uma mulher migrante no caminho da migra\u00e7\u00e3o em Oaxaca, M\u00e9xico. De fato, se a pobreza, a marginaliza\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia e a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o fossem suficientes, os fen\u00f4menos extremos relacionados com o clima \u2013 como secas, ondas de calor e chuvas torrenciais \u2013 est\u00e3o tornando a vida ainda mais prec\u00e1ria para muitas pessoas que vivem no limite da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Embora a conex\u00e3o entre mudan\u00e7a clim\u00e1tica e migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja determinista, dependendo de fatores relacionados \u00e0 vulnerabilidade, projeta-se que 17 milh\u00f5es de pessoas na Am\u00e9rica Latina poderiam migrar devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica entre agora at\u00e9 2050.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os impactos do clima na migra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os furac\u00f5es t\u00eam provocado a mobiliza\u00e7\u00e3o e a migra\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas no Caribe e na Am\u00e9rica Central e do Norte. Em vinte e dois anos (1998-2020), mais de 277 milh\u00f5es de pessoas na Am\u00e9rica Latina e no Caribe foram diretamente afetadas por eventos clim\u00e1ticos e geof\u00edsicos, que mataram 312.000 delas. O aumento resultante da inseguran\u00e7a alimentar e da pobreza s\u00e3o os principais motores da mobilidade. Cada vez mais, a Am\u00e9rica Central tamb\u00e9m sofre inunda\u00e7\u00f5es e tempestades, deslizamentos de terra e deslizamentos de terra e desabamentos, enquanto as zonas \u00e1ridas s\u00e3o afetadas pelas secas. Na Am\u00e9rica do Sul, as cat\u00e1strofes s\u00e3o importantes motores de deslocamentos internos, j\u00e1 que tanto as cat\u00e1strofes r\u00e1pidas e as lentas, como inunda\u00e7\u00f5es, deslizamentos de terra e secas t\u00eam um impacto generalizado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2020, novos deslocamentos internos na regi\u00e3o foram desencadeados por desastres: 937.000 deslocados em Honduras, 639.000 em Cuba, 358.000 no Brasil (75% deles devido \u00e0 temporada de chuvas extremas) e 339.000 na Guatemala. Em 2021, ap\u00f3s a temporada de chuvas come\u00e7ar antes do tempo no Brasil, uma tempestade subtropical na Bahia provocou inunda\u00e7\u00f5es e os consequentes deslizamentos de terra e colapsos de rochas, provocando a morte de ao menos 27 pessoas e ferindo 523. O ciclone afetou mais de 950.000 pessoas e fez com que 155 dos 417 munic\u00edpios da Bahia decretassem estado de emerg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Historicamente, a migra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o fluiu da Am\u00e9rica do Sul, Am\u00e9rica Central e M\u00e9xico para cidades estadunidenses como Miami, Nova Iorque, Houston e Los Angeles. Entretanto, as cidades estadunidenses que recebem migrantes tamb\u00e9m est\u00e3o expostas aos crescentes impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. As secas mais extremas, os inc\u00eandios florestais, as tempestades destrutivas e aumento do n\u00edvel do mar nos territ\u00f3rios estadunidenses est\u00e3o provocando um aumento de feridos, mortes e preju\u00edzos econ\u00f4micos. As comunidades vulner\u00e1veis, como os imigrantes indocumentados, correm o risco de sofrer danos devido \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a esses fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mudan\u00e7a clim\u00e1tica, migra\u00e7\u00e3o e doen\u00e7as infecciosas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os habitantes da Am\u00e9rica Latina e do Caribe j\u00e1 est\u00e3o experimentando os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica em sua sa\u00fade e, \u00e0 medida que esses impactos aumentam, haver\u00e1 mais incentivos clim\u00e1ticos para migrar. Um estudo recente realizado na regi\u00e3o constatou que o aumento das temperaturas aumentar\u00e1 o risco de mortes relacionadas ao calor, em sua maioria vinculadas \u00e0 insola\u00e7\u00e3o, e previu que esta tend\u00eancia continuar\u00e1 no futuro. Foi comprovado que os fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos desencadearam surtos de doen\u00e7as infecciosas sens\u00edveis ao clima, como as transmitidas por vetores, como dengue e mal\u00e1ria, e transmitidas pela \u00e1gua, como a c\u00f3lera. Com os deslocamentos humanos em grande escala, como a recente migra\u00e7\u00e3o em massa venezuelana, estas doen\u00e7as podem se propagar atrav\u00e9s das fronteiras ecol\u00f3gicas e pol\u00edticas, tornando a conten\u00e7\u00e3o de surtos ainda mais dif\u00edcil de administrar nas popula\u00e7\u00f5es migrantes e locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quem migra?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pessoas cujos meios de subsist\u00eancia dependem da \u00e1gua e do solo, como os pescadores e agricultores de pequena escala, podem ser as mais propensas a migrar por causas clim\u00e1ticas. Tamb\u00e9m suportam o impacto de outras mudan\u00e7as associadas ao clima, como as comunidades pesqueiras uruguaias que dependem da colheita de am\u00eaijoas, que foram drasticamente reduzidas como consequ\u00eancia do aquecimento das temperaturas oce\u00e2nicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aumento das temperaturas e a diminui\u00e7\u00e3o das precipita\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia est\u00e3o deslocando as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas de terras que fazem parte de sua identidade cultural, terras que j\u00e1 est\u00e3o sob press\u00e3o da ind\u00fastria e da urbaniza\u00e7\u00e3o. O menor acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos, como assist\u00eancia m\u00e9dica, \u00e1gua pot\u00e1vel canalizada e educa\u00e7\u00e3o, e emprego, os obriga ainda mais a se mobilizar. Em 2010, ao menos 50% da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da regi\u00e3o (cerca de 50 milh\u00f5es) tinha sido obrigada a abandonar suas terras ou tinha migrado intencionalmente para zonas urbanas, onde s\u00e3o vulner\u00e1veis \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o, enquanto se esfor\u00e7am para entrar na economia formal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Resposta \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e \u00e0 migra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A migra\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e no Caribe seguir\u00e1 aumentando sob a dupla press\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e das graves desigualdades sociais. Os governos precisam de informa\u00e7\u00e3o e ferramentas que lhes permitam prever e responder aos eventos migrat\u00f3rios internos e internacionais e adaptar-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em mudan\u00e7a. A informa\u00e7\u00e3o sobre o clima, como previs\u00f5es de fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos, pode ser usada pelos especialistas em migra\u00e7\u00e3o para planejar a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e resposta \u00e0s crises humanit\u00e1rias. Para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio reunir os setores da migra\u00e7\u00e3o e do clima com outros setores relevantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para responder \u00e0 necessidade de contar com ferramentas informadas sobre o clima, o Instituto Interamericano de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Globais (IAI), o Programa de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Globais dos Estados Unidos (USGCRP) e a AmeriGEO se associaram com pa\u00edses da regi\u00e3o para projetar conjuntamente uma Iniciativa para melhorar a capacidade de avalia\u00e7\u00e3o de riscos clim\u00e1ticos e catalisar as parcerias para informar as decis\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e no Caribe (LACI). Representantes dos Minist\u00e9rios do Meio Ambiente e outros setores est\u00e3o trabalhando para desenvolver avalia\u00e7\u00f5es nacionais de impacto clim\u00e1tico e para identificar a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como os sistemas de alerta precoce.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por \u00faltimo, os pa\u00edses devem somar esfor\u00e7os para buscar solu\u00e7\u00f5es que reduzam as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, sobretudo por parte dos pa\u00edses mais emissores, ao mesmo tempo que abordam as causas subjacentes da migra\u00e7\u00e3o, ou seja, a profunda desigualdade social e a governan\u00e7a fraturada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><sub>Anna Stewart-Ibarra \u00e9 Diretora Cient\u00edfica do Inst. Interamericano para a Investiga\u00e7\u00e3o do Cambio Global (IAI). Doutora em Ecologia pela Faculdade de Ci\u00eancias Ambientais e Florestais SUNY, Univ. de Syracusa (E.U.A.). Professora do Depto. de Medicina de SUNY.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coautora Anna Stewart-Ibarra<br \/>\nPrev\u00ea-se que devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, 17 milh\u00f5es de pessoas na Am\u00e9rica Latina poder\u00e3o migrar at\u00e9 2050.<\/p>\n","protected":false},"author":361,"featured_media":12088,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","podmotor_file_id":"","podmotor_episode_id":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[14475,14465,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":["post-12091","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mudanca-climatica","category-migracao","category-sociedad-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/361"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12091"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12091\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12091"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=12091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}