{"id":12120,"date":"2022-09-02T09:00:00","date_gmt":"2022-09-02T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=12120"},"modified":"2022-09-28T12:55:27","modified_gmt":"2022-09-28T15:55:27","slug":"tiktok-e-as-novas-cronicas-de-indias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/tiktok-e-as-novas-cronicas-de-indias\/","title":{"rendered":"TikTok e as novas cr\u00f4nicas de \u00cdndias"},"content":{"rendered":"\n<p>O que t\u00eam em comum os milhares de migrantes venezuelanos e o fidalgo espanhol Vasco N\u00fa\u00f1ez de Balboa? Ambos foram passageiros clandestinos na selva de Darien, entre a Col\u00f4mbia e o Panam\u00e1 (uma das \u00e1reas mais perigosas do mundo), com o objetivo de melhorar suas vidas. Enquanto<a href=\"https:\/\/www.dip-badajoz.es\/cultura\/ceex\/reex_digital\/reex_LXXI\/2015\/T.%20LXXI%20n.%202%202015%20mayo-ag\/79676.pdf\"> Balboa \u00e9 apreciado nos livros de hist\u00f3ria por escapar de suas d\u00edvidas em Santo Domingo e buscar ressarcir-se economicamente<\/a>, os migrantes s\u00e3o estigmatizados por deixarem seus pa\u00edses de origem em busca de um futuro melhor para suas fam\u00edlias. Do fidalgo, conhecemos suas ousadias pelas cr\u00f4nicas de \u00cdndias, e dos migrantes, a vivemos atrav\u00e9s de seus v\u00eddeos na plataforma TikTok. Esta rede social de origem asi\u00e1tica facilitou conhecer em primeira m\u00e3o como \u00e9 a travessia di\u00e1ria destes novos fidalgos para cruzar o Tamp\u00e3o de Dari\u00e9n em busca do sonho americano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>TikTok, al\u00e9m de viralizar coreografias e duetos ou rea\u00e7\u00f5es de <em>centennials<\/em>, tamb\u00e9m ganhou popularidade entre os migrantes da regi\u00e3o e do mundo para relatar suas hist\u00f3rias sobrevivendo ao Dari\u00e9n. Seja devido \u00e0 sua facilidade de edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos ou por sua curta dura\u00e7\u00e3o, este tipo de conte\u00fado \u00e9 preponderante no TikTok, e escasso em outras redes sociais, tais como Instagram, Twitter, YouTube ou Facebook. Este fen\u00f4meno social e digital \u00e9 relevante para a regi\u00e3o, pois as hashtags <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/tag\/selvadarien\">#selvadarien #selva #darien <\/a>foram utilizadas umas 1.900 vezes na Col\u00f4mbia, 1.737 no Chile, 1.368 no Peru, 312 no M\u00e9xico e 280 na Espanha nos \u00faltimos 120 dias, de acordo com o <a href=\"https:\/\/ads.tiktok.com\/business\/creativecenter\/inspiration\/popular\/hashtag\/pc\/en?rid=99seuvv6mdn&amp;from=001116\">centro de criatividade do TikTok<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno global do TikTok tem despertado todo tipo de controv\u00e9rsias. Entre elas, <a href=\"https:\/\/digitalcommons.law.ou.edu\/cgi\/viewcontent.cgi?article=2236&amp;context=olr\">a tens\u00e3o tecnol\u00f3gica e legal entre esta empresa de origem chinesa e os Estados Unidos<\/a>,&nbsp; sobre o suposto roubo de dados pessoais de usu\u00e1rios norte-americanos, <a href=\"https:\/\/elpais.com\/tecnologia\/2020-03-19\/tiktok-pidio-a-sus-moderadores-limitar-la-difusion-de-imagenes-de-feos-y-pobres.html\">assim como a natureza e o funcionamento do algoritmo junto a seus moderadores de conte\u00fado<\/a>, os quais supostamente discriminavam certos grupos minorit\u00e1rios. Na Am\u00e9rica Latina, a discuss\u00e3o tem sido matizada, pois n\u00e3o se concentrou exclusivamente em assuntos de seguran\u00e7a nacional ou no algoritmo, mas sim cobriu <a href=\"https:\/\/dspace.ups.edu.ec\/bitstream\/123456789\/21375\/1\/TIKTOK.pdf\">o fen\u00f4meno da desinforma\u00e7\u00e3o, entretenimento dos jovens, a pandemia, comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, particularmente no per\u00edodo das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, e a educa\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, at\u00e9 agora, n\u00e3o se abordou com profundidade o fen\u00f4meno migrat\u00f3rio nesta rede social, que, embora n\u00e3o seja o conte\u00fado mais viral, \u00e9 a compila\u00e7\u00e3o digital mais extensa desta dif\u00edcil realidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As novas cr\u00f4nicas de \u00cdndias do #darien<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A plataforma poderia ser considerada como um di\u00e1rio de viagem p\u00fablico em formato de v\u00eddeo que compila e retrata as travessias no Dari\u00e9n. O conte\u00fado produzido pelos migrantes pode ser categorizado em quatro grandes tem\u00e1ticas: sugest\u00f5es para as rotas de viagem, a descri\u00e7\u00e3o dos perigos desta selva, a busca de familiares desaparecidos e piadas ou par\u00f3dias dos migrantes. Todo este conte\u00fado \u00e9 acompanhado por um grande n\u00famero de coment\u00e1rios dos usu\u00e1rios que est\u00e3o em outros pa\u00edses, seja planejando iniciar sua travessia, compartilhando sua experi\u00eancia ou simplesmente enviando incentivo a seus compatriotas e compatriotas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0s sugest\u00f5es para as rotas de viagem, isto abrange uma s\u00e9rie de conte\u00fados. Em primeiro lugar, os lugares seguros que os migrantes devem procurar, inclusive alguns v\u00eddeos cont\u00eam mapas feitos a m\u00e3o dos caminhos, hor\u00e1rios e tempos de sa\u00edda. \u00c9 comum encontrar que a entrada ao Dari\u00e9n pela Col\u00f4mbia deve ser desde Capurgan\u00e1 e Banderas, o que levar\u00e1 aproximadamente 10 a 15 dias a p\u00e9 e o custo pode variar de US$50 a US$100. A outra rota sugerida \u00e9 por mar\u00edtima e \u00e9 presumivelmente mais segura. Deve-se pegar um servi\u00e7o de bote, chalupa ou iate desde Necocl\u00ed, Col\u00f4mbia at\u00e9 Carreto no Panam\u00e1. Tem uma dura\u00e7\u00e3o de 2 a 4 dias e seu pre\u00e7o pode chegar aos US$ 500 por pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos v\u00eddeos tamb\u00e9m sugerem aos pr\u00f3ximos migrantes como devem ir vestidos e o que levar em suas malas. Por exemplo, levar duas ou no m\u00e1ximo tr\u00eas mudas de roupas, botas de borracha, produtos enlatados e panelas para ferver \u00e1gua e evitar a desidrata\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As descri\u00e7\u00f5es sobre a selva e como esta afeta a sa\u00fade s\u00e3o reiteradas. Em alguns v\u00eddeos, o Tamp\u00e3o de Dari\u00e9n \u00e9 denominado como a entrada para o inferno. Algumas das preocupa\u00e7\u00f5es mais comuns s\u00e3o a inunda\u00e7\u00e3o dos rios devido \u00e0s fortes chuvas, as montanhas que eles devem escalar em grupos e as ferramentas arcaicas que utilizam para evitar estes acidentes geogr\u00e1ficos. Estes riscos resultam em acidentes, que, <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@milygkanzler\/video\/7119293939546328326?is_from_webapp=v1&amp;item_id=7119293939546328326&amp;web_id=7082950186008200710\">nos piores casos, causam a morte<\/a>. Por \u00faltimo, o conte\u00fado que se tornou mais viral no TikTok, pelo n\u00famero de visualiza\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios, \u00e9 o da <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@michelstf3\/video\/7079976806887017733?is_from_webapp=v1&amp;item_id=7079976806887017733&amp;web_id=7082950186008200710\">busca por pessoas que come\u00e7aram a rota e n\u00e3o se comunicaram com seus familiares<\/a> ou os que <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/login?redirect_url=https%3A%2F%2Fwww.tiktok.com%2F%40elizapt%2Fvideo%2F7120357598712302854%3Fis_from_webapp%3D1%26sender_device%3Dpc%26web_id%3D7082950186008200710&amp;lang=en&amp;enter_method=mandatory\">se perderam no meio da travessia<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Novos formatos, mais evid\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>TikTok tornou-se um <em>novo di\u00e1rio de \u00cdndias <\/em>que permite ao resto da sociedade ver este fen\u00f4meno migrat\u00f3rio quase ao vivo e contado em primeira pessoa por seus protagonistas. Anos atr\u00e1s, era imposs\u00edvel encontrar este tipo de conte\u00fado no Instagram ou no YouTube, j\u00e1 que seus formatos e algoritmos requerem que o material viral seja muito mais elaborado. Mas, na atualidade, gra\u00e7as a esta rede social, \u00e9 poss\u00edvel corroborar as cifras alarmantes que as organiza\u00e7\u00f5es internacionais como as <a href=\"https:\/\/news.un.org\/es\/story\/2022\/07\/1511982\">Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a> oferecem.&nbsp; Em julho de 2022, cerca de 50.000 pessoas haviam entrado no Panam\u00e1 atrav\u00e9s da selva do Dari\u00e9n. Destas, mais da metade eram migrantes venezuelanos; 7,9% haitianos, e 5,2% cubanos, entre cerca de 50 nacionalidades. Dadas estas circunst\u00e2ncias, esta rede n\u00e3o s\u00f3 permite termos uma ideia da quantidade de pessoas que se exp\u00f5em a essa travessia, mas tamb\u00e9m das duras condi\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Giulia Gaspar<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TikTok, al\u00e9m de viralizar coreografias, ganhou popularidade entre os migrantes da regi\u00e3o e do mundo para relatar suas hist\u00f3rias sobrevivendo ao Darien em sua rota para o norte.<\/p>\n","protected":false},"author":280,"featured_media":12116,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16764,14465,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-12120","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-migracion-pt-br","8":"category-migracao","9":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/280"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12120"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12120\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12120"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=12120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}