{"id":13272,"date":"2022-11-22T08:00:00","date_gmt":"2022-11-22T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=13272"},"modified":"2022-11-21T11:16:11","modified_gmt":"2022-11-21T14:16:11","slug":"uma-nova-unasul-o-regresso-de-um-zumbi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/uma-nova-unasul-o-regresso-de-um-zumbi\/","title":{"rendered":"Uma nova UNASUL: O regresso de um zumbi?"},"content":{"rendered":"\n<p>A cientista pol\u00edtica Julia Gray introduziu o conceito de \u201c<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/isq\/article\/62\/1\/1\/4946301\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">organiza\u00e7\u00e3o zumbi<\/a>\u201d no debate acad\u00eamico sobre a vida e a morte de organiza\u00e7\u00f5es internacionais. As opini\u00f5es est\u00e3o divididas sobre se a UNASUL est\u00e1 morta ou se \u00e9 um zumbi. Um <a href=\"https:\/\/cepr.net\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Long-Sune-2022-PDF.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo recente<\/a> com coautoria do ex-chanceler equatoriano (2016-2017) Guillaume Long afirma que a UNASUL segue existindo. E cada vez mais vozes pedem que se respire nova vida na UNASUL.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, em 14 de novembro, um grupo de sete ex-presidentes sul-americanos (Michelle Bachelet, Rafael Correa, Eduardo Duhalde, Ricardo Lagos, Jos\u00e9 Mujica, Dilma Rousseff e Ernesto Samper) acompanhados de v\u00e1rios ex-chanceleres, ex-ministros, parlamentares (antigos e atuais) e intelectuais enviaram <a href=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/descargables\/2022\/11\/14\/55676485efe8dd1cf9df992a98dab285.pdf#?rel=mas_sumario\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uma carta aos 12 presidentes sul-americanos<\/a> em exerc\u00edcio pedindo \u201ca reconstru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o efetivo de coopera\u00e7\u00e3o sul-americana\u201d com base em que \u201ca UNASUL ainda existe e \u00e9 a melhor plataforma para reconstituir um espa\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os signat\u00e1rios da carta tamb\u00e9m deixam claro que n\u00e3o se trata de uma reconstitui\u00e7\u00e3o nost\u00e1lgica da UNASUL, mas que uma nova UNASUL deve levar em conta, de forma autocr\u00edtica, as defici\u00eancias da atual UNASUL. Os ex-presidentes lamentam a aus\u00eancia de uma dimens\u00e3o econ\u00f4mica, comercial e produtiva na UNASUL e criticam o abuso do veto (pela regra do consenso na tomada de decis\u00f5es) para a nomea\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio geral. Isto levou no passado \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o da UNASUL quando os governos de Bol\u00edvia e Venezuela bloquearam a elei\u00e7\u00e3o de Octavio Bord\u00f3n que, como \u00fanico candidato, tinha o apoio de sete governos (outros teriam aderido).<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, o governo de Maduro vetou o candidato argentino, em linha com o projeto de Ch\u00e1vez de usar a UNASUL como trampolim para expandir a influ\u00eancia regional da Venezuela como pot\u00eancia regional, o que degenerou em um projeto para legitimar o regime e assegurar sua sobreviv\u00eancia. A estrat\u00e9gia do governo venezuelano se baseou em dois pilares: primeiro, o exerc\u00edcio do poder de veto para ocupar o cargo de secret\u00e1rio geral, de prefer\u00eancia promovendo algu\u00e9m simpatizante do regime; segundo, a neutraliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os regionais independentes de observa\u00e7\u00e3o eleitoral. Os estatutos do Conselho Eleitoral da UNASUL criados em 2013 legitimaram as \u201cmiss\u00f5es de acompanhamento\u201d que dilu\u00edram os padr\u00f5es de monitoramento eleitoral, j\u00e1 que \u201cacompanhar\u201d implica menos do que \u201cobservar\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua carta, os ex-presidentes prop\u00f5em substituir a regra do consenso na elei\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio geral, que n\u00e3o deve estar sujeita ao direito de veto de um pa\u00eds. Neste contexto, as assinaturas de tantos ex-presidentes e ex-ministros poderiam levantar suspeitas de que alguns queiram candidatar-se ao cargo de secret\u00e1rio-geral. A proposta em si parece uma rea\u00e7\u00e3o l\u00f3gica \u00e0 paralisia da UNASUL. Mas a quest\u00e3o \u00e9 o qu\u00e3o realista \u00e9 esta proposta.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo venezuelano estaria disposto a aceitar a elei\u00e7\u00e3o de um secret\u00e1rio geral que n\u00e3o se ajusta a suas prefer\u00eancias, mas que conte com o apoio da maioria dos demais governos? Provavelmente s\u00f3 se certos temas desaparecerem da agenda da UNASUL. Neste sentido, \u00e9 significativo que a declara\u00e7\u00e3o dos ex-presidentes n\u00e3o mencione a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e da democracia como tarefas priorit\u00e1rias de uma UNASUL renovada.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado, a UNASUL era uma organiza\u00e7\u00e3o intergovernamental cujos avan\u00e7os e retrocessos eram marcados pela l\u00f3gica da diplomacia interpresidencial. E devido aos conflitos entre os presidentes que a paralisaram, hoje a UNASUL \u00e9 uma marca desgastada. Portanto, cabe perguntar se n\u00e3o seria melhor reconstruir o espa\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul que a UNASUL representou de baixo para cima. Por exemplo, os conselhos setoriais exitosos da UNASUL, como o Conselho Sul-Americano de Sa\u00fade ou o Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento, poderiam ser restabelecidos (como institui\u00e7\u00f5es independentes).<\/p>\n\n\n\n<p>A imagem desses conselhos est\u00e1 menos \u201cdanificada\u201d do que a da UNASUL. Ademais, uma coopera\u00e7\u00e3o mais t\u00e9cnica em temas espec\u00edficos poderia evitar alguns dos problemas que inevitavelmente provocariam uma discuss\u00e3o de temas politicamente controversos, como a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, a garantia de elei\u00e7\u00f5es justas e transparentes, ou a posi\u00e7\u00e3o sobre certos temas de pol\u00edtica internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua carta, os ex-presidentes lamentam a aus\u00eancia de uma dimens\u00e3o econ\u00f4mica, comercial e produtiva na antiga UNASUL. Ao mesmo tempo, salientam que o com\u00e9rcio intrarregional na Am\u00e9rica Latina atualmente n\u00e3o ultrapassa 13%. Neste contexto, surge a quest\u00e3o do que uma UNASUL renovada pode conseguir economicamente que os sistemas de integra\u00e7\u00e3o existentes, como o Mercosul e a CAN, n\u00e3o podem conseguir por si mesmos ou em coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que no regionalismo latino-americano se repete um velho ritual. Em vez de consolidar e aprofundar as estruturas e organiza\u00e7\u00f5es existentes, s\u00e3o lan\u00e7ados novos projetos, muitas vezes principalmente declarat\u00f3rios. Com a <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/o-mexico-promove-um-novo-modelo-de-integracao-nas-americas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">consolida\u00e7\u00e3o da rec\u00e9m reativada CELAC<\/a> e um novo impulso aos processos de integra\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o regional <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/mercosul-momento-de-consolidar-a-integracao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dentro do Mercosul<\/a>, da Comunidade Andina e da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, a maioria dos governos sul-americanos j\u00e1 estaria suficientemente ocupados.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Karl Marx uma vez escreveu, a hist\u00f3ria se repete duas vezes, primeiro como trag\u00e9dia, depois como farsa. Um rein\u00edcio fracassado da UNASUL poderia combinar trag\u00e9dia com farsa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, um grupo de ex-presidentes sul-americanos, ministros e intelectuais enviou uma carta aos atuais presidentes para pedir &#8220;a reconstru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o eficaz de coopera\u00e7\u00e3o sul-americana&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":70,"featured_media":13255,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16801,16801,16762,16762,17037,17037,14441,544],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-13272","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-integracion-regional-pt-br","9":"category-relaiciones-internacionales-pt-br","11":"category-unasur-pt-br","13":"category-integracao-regional","14":"category-politica-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/70"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13272\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13272"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=13272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}