{"id":13332,"date":"2022-11-26T08:00:00","date_gmt":"2022-11-26T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=13332"},"modified":"2022-12-01T06:00:11","modified_gmt":"2022-12-01T09:00:11","slug":"se-restabelecem-as-relacoes-colombo-venezuelanas-levara-decadas-para-normaliza-las","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/se-restabelecem-as-relacoes-colombo-venezuelanas-levara-decadas-para-normaliza-las\/","title":{"rendered":"Se restabelecem as rela\u00e7\u00f5es colombo-venezuelanas; levar\u00e1 d\u00e9cadas para normaliz\u00e1-las"},"content":{"rendered":"\n<p>Assim que Gustavo Petro assumiu a presid\u00eancia da Col\u00f4mbia no m\u00eas de agosto, teve in\u00edcio <a href=\"https:\/\/elpais.com\/america-colombia\/2022-11-13\/100-dias-de-relaciones-con-la-venezuela-de-maduro-el-vecino-incomodo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o restabelecimento das rela\u00e7\u00f5es colombo-venezuelanas<\/a>, que haviam sido interrompidas em 2019. Este \u00e9 um primeiro passo, mas levar\u00e1 muito tempo at\u00e9 que as rela\u00e7\u00f5es possam retomar a normalidade pr\u00e9via e para isso certas din\u00e2micas devem ser levadas em conta: hist\u00f3ricas, institucionais, fronteiri\u00e7as, migrat\u00f3rias e comerciais. Estas din\u00e2micas significaram que a normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e1 sendo alcan\u00e7ada na velocidade desejada, apesar da vontade pol\u00edtica de ambos os governos e da identidade ideol\u00f3gica de Maduro com Petro.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, as rela\u00e7\u00f5es colombo-venezuelanas t\u00eam sido complexas, intermitentes e abrangentes. No melhor dos casos, t\u00eam se caracterizado por uma \u201ccoopera\u00e7\u00e3o vacilante\u201d. A disputa fronteiri\u00e7a sobre o Golfo da Venezuela ou de Coquivacoa \u00e9 uma \u201camea\u00e7a\u201d constante para os tomadores de decis\u00e3o em ambos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, tr\u00eas aspectos incidem na rela\u00e7\u00e3o bilateral entre Col\u00f4mbia e Venezuela: a ideologia e, portanto, o papel das elites pol\u00edticas, econ\u00f4micas e militares; a fronteira e a tens\u00e3o sobre a seguran\u00e7a fronteiri\u00e7a; e os atores externos como Estados Unidos, R\u00fassia e China. Deve-se lembrar que a Col\u00f4mbia tem sido uma grande aliada dos Estados Unidos e que sua pol\u00edtica externa deriva, em grande parte, desta alian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante anos, a Comiss\u00e3o de Vizinhan\u00e7a, criada em 1987, e a Comunidade Andina serviram de guarda-chuva para a rela\u00e7\u00e3o bilateral. Em 2006, a Venezuela se retirou da CAN, embora na recente visita de Petro a Caracas tenha anunciado sua reintegra\u00e7\u00e3o. E a Comiss\u00e3o de Vizinhan\u00e7a, COPAF, se dissolveu com a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana. A COPAF e a CAN haviam contribu\u00eddo para a coopera\u00e7\u00e3o e a gera\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>A normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es tem como antecedente um p\u00eandulo entre ideologiza\u00e7\u00e3o e pragmatismo, assim como uma Diplomacia Cidad\u00e3 que se desenvolveu entre os dois pa\u00edses. Os governos de \u00c1lvaro Uribe e Iv\u00e1n Duque ideologizaram a rela\u00e7\u00e3o com a Venezuela. Isto foi evidente atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es da Col\u00f4mbia no Grupo Lima em conjunto com Juan Guaid\u00f3 e a ajuda humanit\u00e1ria em fevereiro de 2019. O contr\u00e1rio acontece com Juan Manuel Santos e Gustavo Petro, cuja rela\u00e7\u00e3o \u00e9 mais pragm\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Com diversas \u00eanfases ideol\u00f3gicas, os candidatos presidenciais eram conscientes da necessidade de restabelecer as rela\u00e7\u00f5es com a Venezuela, um vizinho com o qual compartilham 2.219 quil\u00f4metros e uma balan\u00e7a comercial, at\u00e9 2007, de cerca de 8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em favor da Col\u00f4mbia.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de sua posse, Gustavo Petro iniciou conversas com a Venezuela e come\u00e7ou a trabalhar para normalizar as rela\u00e7\u00f5es bilaterais. Depois da posse, anunciou Armando Benedetti como embaixador em Caracas, enquanto a Venezuela designou F\u00e9lix Plasencia para Bogot\u00e1. Entretanto, setores da sociedade civil em ambos os pa\u00edses questionam essas nomea\u00e7\u00f5es. Benedetti n\u00e3o conhece a din\u00e2mica consular e diplom\u00e1tica. E, ao mesmo tempo, a diplomacia presidencial foi refor\u00e7ada, o que dificulta restabelecer a institucionalidade perdida.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/migracao-fronteiras-e-politica-fronteirica-na-colombia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">problem\u00e1tica da fronteira<\/a>, as elites pol\u00edticas, econ\u00f4micas e militares t\u00eam um imagin\u00e1rio da pr\u00f3pria fronteira. Devido \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 diversidade de atores no conflito, ao abandono do Estado e \u00e0 presen\u00e7a de grupos \u00e0 margem da lei, tende-se a estigmatizar este espa\u00e7o territorial. De fato, a fronteira colombo-venezuelana tem diferentes \u00e1reas territoriais como Norte de Santander-T\u00e1chira, Guajira, Arauca-Apure e Serran\u00eda de Perij\u00e1-C\u00e9sar, o que obriga a projetar e executar pol\u00edticas p\u00fablicas diferenciadas, embora existam temas comuns como a seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A fronteira tem a presen\u00e7a de atores ilegais, alguns deles relacionados ao crime transnacional, que t\u00eam controlado a fronteira, especialmente quando ela se encontra fechada desde 2015. Da mesma forma, o grupo guerrilheiro do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, ELN, que iniciou negocia\u00e7\u00f5es em Caracas com o governo colombiano, \u00e9 binacional. Apesar de ter nascido na Col\u00f4mbia, tamb\u00e9m tem presen\u00e7a na Venezuela. H\u00e1 tamb\u00e9m dissidentes das antigas FARC e criminosos comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>Em qualquer caso, as trochas ou travessias ilegais continuam funcionando, algumas controladas pelo crime transnacional ou pelo ELN. Ao mesmo tempo, o ex\u00e9rcito e a guarda civil venezuelana cobram para entrar legalmente na Venezuela, de modo que a popula\u00e7\u00e3o entra atrav\u00e9s das tradicionais \u201ctrochas\u201d, que representam um custo menor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O dilema da migra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na Col\u00f4mbia h\u00e1 mais de dois milh\u00f5es e meio de imigrantes venezuelanos, segundo dados da Migraci\u00f3n Colombia, e em 2021 o Estatuto Migrat\u00f3rio Tempor\u00e1rio foi formulado para proteger a popula\u00e7\u00e3o migrante em condi\u00e7\u00f5es de irregularidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Plataforma Interagencial de Coordena\u00e7\u00e3o para Refugiados e Migrantes da Venezuela (R4V), quase sete milh\u00f5es de venezuelanos abandonaram o pa\u00eds, 84% dos quais est\u00e3o concentrados na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, 38% deles na Col\u00f4mbia. A maioria deles est\u00e1 em Bogot\u00e1, regi\u00e3o fronteiri\u00e7a do Norte de Santander, Medell\u00edn e Cali.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem sempre foi este o caso. Durante as \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, os colombianos migraram para a Venezuela e muitos deles foram viver no pa\u00eds vizinho. Como acontece atualmente com os venezuelanos, eles eram de diferentes setores trabalhistas e condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, e buscavam suprir as car\u00eancias de suas fam\u00edlias. O boom do petr\u00f3leo foi um grande atrativo enquanto o conflito interno expulsou a popula\u00e7\u00e3o colombiana. Mas com a crise econ\u00f4mica no pa\u00eds vizinho, muitos retornaram for\u00e7adamente aos seus lugares de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, em termos de com\u00e9rcio e investimento, tem sido uma das principais motiva\u00e7\u00f5es colombianas para normalizar as rela\u00e7\u00f5es com a Venezuela, j\u00e1 que este pa\u00eds era o principal destinat\u00e1rio dos produtos colombianos, muitos deles com valor agregado. Durante v\u00e1rios anos, o pragmatismo e a autonomia comercial prevaleceram.<\/p>\n\n\n\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es em 2019, somado ao fechamento da fronteira, levou a uma queda no com\u00e9rcio, dificultou a conectividade e isto foi feito, em grande medida, de maneira ilegal. A diplomacia comercial e empresarial tem sido muito ativa. Por outro lado, os venezuelanos t\u00eam pouco poder aquisitivo e levar\u00e1 anos para reativar seu aparato produtivo. A produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo tamb\u00e9m diminuiu. Existe tamb\u00e9m uma desconfian\u00e7a do empresariado fronteiri\u00e7o e nacional colombiano devido \u00e0 falta de pagamento, raz\u00e3o pela qual \u00e9 necess\u00e1rio restabelecer a confian\u00e7a bilateral.<\/p>\n\n\n\n<p>Como podemos ver, a restaura\u00e7\u00e3o completa das rela\u00e7\u00f5es colombo-venezuelanas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, ser\u00e1 progressiva e exigir\u00e1 restabelecer medidas de confian\u00e7a m\u00fatua. H\u00e1 muitos aspectos que dificultam sua materializa\u00e7\u00e3o, e levar\u00e1 tempo para recuperar as rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e1 alcan\u00e7ando a velocidade desejada, a despeito da vontade pol\u00edtica de ambos os governos.<\/p>\n","protected":false},"author":169,"featured_media":13316,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16721,16721,16762,16762,16717,16717,14507,544],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-13332","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-venezuela-pt-br","9":"category-relaiciones-internacionales-pt-br","11":"category-colombia-pt-br","13":"category-relacoes-internacionais","14":"category-politica-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/169"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13332"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13332\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13332"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=13332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}