{"id":13403,"date":"2022-12-01T08:00:00","date_gmt":"2022-12-01T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=13403"},"modified":"2022-11-30T10:47:18","modified_gmt":"2022-11-30T13:47:18","slug":"a-relacao-entre-america-latina-e-uniao-europeia-em-tempos-de-confronto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-relacao-entre-america-latina-e-uniao-europeia-em-tempos-de-confronto\/","title":{"rendered":"A rela\u00e7\u00e3o entre Am\u00e9rica Latina e Uni\u00e3o Europeia em tempos de confronto"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 dif\u00edcil escapar da sensa\u00e7\u00e3o de que o mapa mundial est\u00e1 sendo redesenhado \u00e0 luz do confronto entre Estados Unidos e China. Na medida em que Pequim se posiciona como uma pot\u00eancia econ\u00f4mica, um gigante tecnol\u00f3gico e uma for\u00e7a militar, ningu\u00e9m quer ser for\u00e7ado a tomar partido entre as duas pot\u00eancias em uma l\u00f3gica bin\u00e1ria. Por esta raz\u00e3o, a Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 repensando seus v\u00ednculos internacionais e foi em busca de seus aliados, enquanto a Am\u00e9rica Latina esperaria de seu s\u00f3cio europeu um terceiro p\u00f3lo onde pudesse se apoiar. No velho continente, a ideia de &#8220;autonomia estrat\u00e9gica&#8221; est\u00e1 ganhando terreno, enquanto do outro lado do Atl\u00e2ntico est\u00e3o emergindo vozes de consenso sobre o &#8220;n\u00e3o-alinhamento ativo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de que os Estados devem procurar exercer uma pol\u00edtica externa independente, de acordo com seus pr\u00f3prios interesses soberanos, tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o no pensamento latino-americano de rela\u00e7\u00f5es internacionais. Na Europa, a no\u00e7\u00e3o de autonomia \u00e9 articulada como resposta \u00e0 sua perda de peso na redistribui\u00e7\u00e3o do poder global, diante da press\u00e3o exercida pelo desembarque chin\u00eas no continente e da retra\u00e7\u00e3o nacionalista dos Estados Unidos, seu principal aliado, especialmente ap\u00f3s a ascens\u00e3o de Donald Trump ao poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Ampliar a margem de manobra internacional n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil porque cada estado deve repensar os termos em que pretende se encaixar no novo tabuleiro geopol\u00edtico internacional que est\u00e1 cada vez mais interconectado em \u00e1reas sens\u00edveis. No caso da UE, esta depende militarmente de Washington, de insumos tecnol\u00f3gicos da China e da energia da R\u00fassia. Neste contexto, as alian\u00e7as tradicionais s\u00e3o essenciais, mas a lealdade e o apoio aos velhos amigos tem se debilitado e as rela\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o podem mais ser tomadas como garantidas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/brasil-a-uniao-europeia-e-o-acordo-com-o-mercosul\/\">rela\u00e7\u00e3o bi-regional entre a Uni\u00e3o Europeia e a Am\u00e9rica Latina<\/a>, esta foi tomada como certa durante mais de uma d\u00e9cada, o estancamento e a paralisa\u00e7\u00e3o dos encontros bi-regionais marcaram o ritmo dos relacionamentos. Enquanto a Europa estava preocupada com seus assuntos internos, a China multiplicou dez vezes seu com\u00e9rcio na regi\u00e3o entre 2008 e 2018, e se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, Chile, Peru, Uruguai e Argentina, deslocando o papel da Uni\u00e3o Europeia e superando os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a UE estava perdendo influ\u00eancia, a Am\u00e9rica Latina continuou sua constante busca por alternativas funcionais para impulsionar seu desenvolvimento e abra\u00e7ou abertamente alian\u00e7as alternativas com atores extra-hemisf\u00e9ricos, como a China ou a R\u00fassia. Agora, 21 dos 33 pa\u00edses da regi\u00e3o aderiram \u00e0 Iniciativa de Cintur\u00e3o e da Rota (BRI) da China.<\/p>\n\n\n\n<p>A China chegou para ficar, tamb\u00e9m na Europa. Este pa\u00eds se tornou a principal origem das importa\u00e7\u00f5es do bloco europeu. De acordo com o Observat\u00f3rio da Complexidade Econ\u00f4mica (OEC, pela sua sigla em ingl\u00eas), no ano de 2000, estas representavam cerca de 6%, enquanto que em 2020, aumentaram para 22%, os Estados Unidos representavam 16%, enquanto que em 2020 baixou para 12% e as cadeias de valor est\u00e3o cada vez mais interconectadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m n\u00e3o tem uma posi\u00e7\u00e3o coesa em seu relacionamento com Pequim. Por um lado, pa\u00edses como a Fran\u00e7a e a Alemanha &#8211; altamente dependentes da China &#8211; apostam em uma mudan\u00e7a mais assertiva na pol\u00edtica da UE em dire\u00e7\u00e3o ao gigante asi\u00e1tico. Sua principal preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a perda de competitividade de suas empresas frente aos gestores estrat\u00e9gicos de alto valor agregado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Alemanha acaba de permitir a compra de 25% do porto de Hamburgo \u00e0 China, mas sem ceder em decis\u00f5es estrat\u00e9gicas e de gest\u00e3o. Por outro lado, os pa\u00edses do sul e leste da Europa t\u00eam se mostrado mais receptivos a estreitar v\u00ednculos com o pa\u00eds asi\u00e1tico. A It\u00e1lia \u00e9 o primeiro pa\u00eds do G7 a assinar o acordo sobre a BRI, juntando-se a outros pa\u00edses da uni\u00e3o que j\u00e1 o tinham feito, como Hungria, Pol\u00f4nia, Rep\u00fablica Tcheca, Gr\u00e9cia e Portugal, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa de considerar a China como um &#8220;s\u00f3cio estrat\u00e9gico&#8221; foi descrita como &#8220;ingenuidade europeia&#8221; por Macron, e paulatinamente os r\u00f3tulos se tornaram mais ofensivos, apontando para Pequim como um &#8221; competidor econ\u00f4mico em busca de lideran\u00e7a tecnol\u00f3gica&#8221; e um &#8221; rival sist\u00eamico que promove modelos alternativos de governan\u00e7a&#8221;. Entretanto, a interdepend\u00eancia dos pa\u00edses europeus com a China permanece forte e sua gest\u00e3o \u00e9 fundamental para evitar cair em situa\u00e7\u00f5es politicamente conflitivas. Para isso, uma das apostas da UE \u00e9 fortalecer o multilateralismo. Mas esta \u00e1rea tamb\u00e9m est\u00e1 debilitada.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito multilateral, o \u00faltimo teste de alinhamentos pol\u00edticos &#8211; diante da como\u00e7\u00e3o mundial gerada pela invas\u00e3o da R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia &#8211; revelou que dezenas de pa\u00edses se recusaram a tomar um posicionamento claro com base nas regras do direito internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o houve unanimidade em nenhum dos pronunciamentos e pa\u00edses com forte lideran\u00e7a, como Brasil e M\u00e9xico, se abstiveram nas vota\u00e7\u00f5es da Assembleia Geral para suspender a R\u00fassia do Conselho de Direitos Humanos. Tampouco acolheram bem as san\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 R\u00fassia. Esta n\u00e3o \u00e9 a resposta que se esperava de uma regi\u00e3o que tradicionalmente apostou pelo apoio \u00e0s regras do direito internacional e ao multilateralismo como fundamentos centrais de sua pol\u00edtica externa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00e3o-alinhamento ativo pode ser um caminho para repensar o papel da regi\u00e3o latino-americana no mundo e tir\u00e1-la da marginalidade. Entretanto, nenhuma doutrina de pol\u00edtica externa ser\u00e1 efetiva enquanto n\u00e3o definir estrategicamente as dire\u00e7\u00f5es que deseja seguir como uma regi\u00e3o em um mundo cada vez mais interconectado. <a href=\"https:\/\/elpais.com\/planeta-futuro\/red-de-expertos\/2022-11-21\/las-relaciones-entre-la-union-europea-y-america-latina-un-debate-por-la-integracion-regional.html\">Revalorizar a rela\u00e7\u00e3o bilateral entre a Am\u00e9rica Latina e a Uni\u00e3o Europeia<\/a> torna-se um imperativo indispens\u00e1vel se a Europa quiser recuperar a lideran\u00e7a internacional como parceiro de valores e a Am\u00e9rica Latina n\u00e3o quiser acentuar sua situa\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica e evitar tomar partido entre posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revalorizar a rela\u00e7\u00e3o entre Am\u00e9rica Latina e  UE \u00e9 indispens\u00e1vel se nossa regi\u00e3o n\u00e3o quiser acentuar sua situa\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica ou tomar partido entre posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas.<\/p>\n","protected":false},"author":390,"featured_media":13395,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16832,16832,16949,16949,16762,16762,14507],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-13403","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-union-europea-es-pt-br","9":"category-politica-internacional-pt-br","11":"category-relaiciones-internacionales-pt-br","13":"category-relacoes-internacionais"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13403"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13403\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13403"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=13403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}