{"id":13639,"date":"2022-12-07T07:00:00","date_gmt":"2022-12-07T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=13639"},"modified":"2022-12-05T15:39:31","modified_gmt":"2022-12-05T18:39:31","slug":"a-presenca-armenia-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-presenca-armenia-na-america-latina\/","title":{"rendered":"A presen\u00e7a arm\u00eania na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Coautora J\u00falia Tordeur<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As tens\u00f5es entre Arm\u00eania e Azerbaij\u00e3o s\u00e3o hist\u00f3ricas, mas ap\u00f3s o fim da guerra de Nagorno Karabakh em 2020 e a crise fronteiri\u00e7a de 2021, os enfrentamentos em grande escala ocorridos desde setembro ceifaram a vida de centenas de pessoas. A gravidade da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 tal que o <a href=\"https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2022\/09\/1126721\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conselho de Seguran\u00e7a da ONU<\/a> celebrou recentemente uma reuni\u00e3o a portas fechadas para abordar o tema. O conflito, no entanto, tamb\u00e9m ecoa na Am\u00e9rica Latina, onde as <a href=\"https:\/\/www.diarioarmenia.org.ar\/protesta-de-la-comunidad-armenia-de-uruguay-frente-a-la-embajada-de-azerbaiyan-pedimos-condenar-de-forma-clara-la-invasion-del-territorio-soberano-de-armenia-por-parte-de-azerbaiyan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">comunidades de origem arm\u00eania condenaram \u201ca invas\u00e3o do territ\u00f3rio soberano da Arm\u00eania por parte do Azerbaij\u00e3o\u201d<\/a> e organizaram protestos em frente \u00e0s sedes das embaixadas deste \u00faltimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o seja a mais numerosa na Am\u00e9rica Latina, a comunidade de cidad\u00e3os de origem arm\u00eania destaca-se por ser <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/migracao-voto-e-participacao-politica-longe-de-casa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uma das mais ativas<\/a>, heterog\u00eaneas e influentes da regi\u00e3o. As diversas igrejas, escolas, clubes, jornais e r\u00e1dios de origem arm\u00eania, al\u00e9m de sua importante representa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica, neg\u00f3cios e artes latino-americanas, comprovam isso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As principais comunidades arm\u00eanias na Am\u00e9rica Latina est\u00e3o presentes em Argentina, Brasil, Uruguai, Venezuela, Chile, Honduras e M\u00e9xico, mas tamb\u00e9m existem grupos significativos desta comunidade em pa\u00edses como Col\u00f4mbia, Equador, El Salvador, Guatemala e Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a chegada dos arm\u00eanios est\u00e1 diretamente relacionada com os conflitos pol\u00edticos que come\u00e7aram durante o Imp\u00e9rio Otomano. A maioria dos arm\u00eanios que chegaram \u00e0 regi\u00e3o o fizeram escapando de massacres, persegui\u00e7\u00f5es e processos de deporta\u00e7\u00e3o durante a Primeira Guerra Mundial e os anos posteriores. Muitos s\u00e3o sobreviventes do <a href=\"https:\/\/www.genocidioarmenio.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Genoc\u00eddio Arm\u00eanio<\/a>, que ocorreu entre 1915 e 1923.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto de amplas migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, a migra\u00e7\u00e3o arm\u00eania e a forma\u00e7\u00e3o de uma di\u00e1spora global foram facilitadas pelo Passaporte Nansen, criado em 1921 pela Liga das Na\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do Alto Comissariado para os Refugiados. Entretanto, na chegada, os imigrantes arm\u00eanios n\u00e3o eram identificados como arm\u00eanios, mas como imigrantes da Europa ocidental, e muitas vezes foram confundidos com s\u00edrios e libaneses que tamb\u00e9m desembarcaram nas metr\u00f3poles latino-americanas.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a e o ativismo pol\u00edtico da di\u00e1spora arm\u00eania na Am\u00e9rica Latina tem sido especialmente evidente em rela\u00e7\u00e3o ao reconhecimento do genoc\u00eddio arm\u00eanio. Em 1965, o Uruguai foi o primeiro pa\u00eds a reconhecer oficialmente este fato, e hoje existem diferentes pa\u00edses na regi\u00e3o e entidades como o <a href=\"http:\/\/www.prensacentroarmenio.com.ar\/el-parlamento-andino-reconocio-el-genocidio-armenio-por-unanimidad\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Parlamento Andino<\/a> que o reconhecem e condenam.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, muitos latino-americanos de origem arm\u00eania mant\u00eam seu ativismo por esta causa, enquanto a Arm\u00eania tenta promover mais e maiores v\u00ednculos com esta popula\u00e7\u00e3o. Dois exemplos ilustram ambas as tend\u00eancias. Em 2021, ap\u00f3s a derrota da Arm\u00eania contra o Azerbaij\u00e3o no conflito de Nagorno Karabakh, <a href=\"https:\/\/www.efe.com\/efe\/america\/mundo\/el-peor-legado-del-genocidio-su-impunidad-dice-ministro-de-exteriores-armenio\/20000012-4527739\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o ministro arm\u00eanio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ara Aivazian<\/a>, convocou em uma entrevista os membros da di\u00e1spora arm\u00eania na Am\u00e9rica Latina para participar ativamente na reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, definida como sua \u201csegunda p\u00e1tria hist\u00f3rica\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, em abril de 2022, um dia antes de completar 107 anos do in\u00edcio do genoc\u00eddio arm\u00eanio, o Uruguai recebeu a visita do chanceler da Turquia, Mevl\u00fct \u00c7avu\u015fo\u011flu. A visita tinha como objetivo a inaugura\u00e7\u00e3o da nova embaixada turca no pa\u00eds, no contexto do aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es bilaterais e da assinatura de um acordo de livre com\u00e9rcio. Entretanto, a data escolhida e o gesto do embaixador de reproduzir com suas m\u00e3os o s\u00edmbolo de uma organiza\u00e7\u00e3o paramilitar pr\u00f3-turca diante dos manifestantes da comunidade arm\u00eania uruguaia <a href=\"https:\/\/ladiaria.com.uy\/politica\/articulo\/2022\/4\/gesto-del-canciller-turco-en-uruguay-genero-el-rechazo-de-todo-el-sistema-politico-y-hay-criticas-por-aceptar-la-visita\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">gerou numerosas cr\u00edticas e condena\u00e7\u00f5es<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a presen\u00e7a da di\u00e1spora arm\u00eania seja regional, em dois pa\u00edses latino-americanos a import\u00e2ncia desta comunidade \u00e9 mais acentuada: Argentina e Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A di\u00e1spora arm\u00eania na Argentina e no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os censos locais, a comunidade arm\u00eania na Argentina e no Brasil come\u00e7ou a se formar nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX e se consolidou entre 1930 e 1940.<\/p>\n\n\n\n<p>Argentina e Brasil se tornaram destinos para esta popula\u00e7\u00e3o devido a fatores como suas pol\u00edticas migrat\u00f3rias e as oportunidades que suas economias ofereciam, assim como a exist\u00eancia de redes e comunidades de acolhida. As comunidades arm\u00eanias se assentaram sobretudo em cidades como S\u00e3o Paulo e Buenos Aires, mas diferentes cidades do interior, como C\u00f3rdoba e Osasco, tamb\u00e9m se tornaram o lar dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o final do s\u00e9culo XX, as comunidades arm\u00eanias de Argentina e Brasil tiveram um importante crescimento econ\u00f4mico mediante o com\u00e9rcio e a ind\u00fastria de ambos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito econ\u00f4mico e comercial, a Argentina est\u00e1 atualmente entre os dez pa\u00edses com maiores fluxos de investimento para a Arm\u00eania. Neste processo, \u00e9 importante destacar o papel que desempenham os principais atores da di\u00e1spora arm\u00eania na Argentina, como Eduardo Eurnekian, <a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/profile\/eduardo-eurnekian\/?sh=4c47fbeb4fa9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">considerado pela revista <em>Forbes<\/em> como um dos homens mais ricos do pa\u00eds<\/a>, e membro ativo da comunidade arm\u00eania.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao pol\u00edtico, apesar do fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es com a Turquia nos \u00faltimos anos, a Argentina demonstrou seu apoio \u00e0 causa arm\u00eania com o reconhecimento do genoc\u00eddio pela C\u00e2mara dos Deputados e pelo Senado Federal. Ademais, a <a href=\"https:\/\/www.argentina.gob.ar\/normativa\/nacional\/ley-26199-124099\/texto\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">lei 26199 de 2007<\/a> declara 24 de abril, Dia do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, como um \u201cdia de a\u00e7\u00e3o pela toler\u00e2ncia e respeito entre os povos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, no Brasil, as primeiras fam\u00edlias que desembarcaram em S\u00e3o Paulo formaram grandes ind\u00fastrias vinculadas ao setor t\u00eaxtil e ao com\u00e9rcio de cal\u00e7ados, mas sua presen\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 importante nos \u00e2mbitos pol\u00edticos e culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>No centen\u00e1rio do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, a comunidade arm\u00eania do pa\u00eds, vinculada especialmente ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), buscou a aprova\u00e7\u00e3o de uma mo\u00e7\u00e3o de reconhecimento por parte do Senado. Apesar de, em 2015, o Senado Federal ter reconhecido unanimemente o genoc\u00eddio arm\u00eanio, nem o Poder Executivo nem o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores emitiram declara\u00e7\u00f5es apoiando esta medida. Como aponta o historiador Heitor Loureiro, durante a <a href=\"https:\/\/periodicos.unifesp.br\/index.php\/hades\/article\/view\/7968\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">d\u00e9cada de\u00a0 2000, o reconhecimento do genoc\u00eddio arm\u00eanio experimentou alguns desafios<\/a> devido a fatores como a agenda da pol\u00edtica externa do Brasil e o aprofundamento da rela\u00e7\u00e3o com a Turquia, que \u00e9 considerada estrat\u00e9gica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do ativismo da di\u00e1spora, de sua luta pela mem\u00f3ria e reconhecimento do genoc\u00eddio arm\u00eanio ou da den\u00fancia do conflito entre Arm\u00eania e Azerbaij\u00e3o, as comunidades de origem arm\u00eania e suas numerosas contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o centrais e constituem um bom exemplo da diversidade que hoje caracteriza e enriquece nossa regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>J\u00falia Tordeur, historiadora e cientista pol\u00edtica. Doutoranda em Hist\u00f3ria Social (UFRJ) e em Hist\u00f3ria, Pol\u00edtica e Patrim\u00f4nio Cultural (FGV-CPDOC). Especialista em mem\u00f3ria coletiva e direitos humanos na Am\u00e9rica Latina (Clacso). Pesquisadora da Grisul.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coautora J\u00falia Tordeur<br \/>\nA comunidade de cidad\u00e3os de origem arm\u00eania na Am\u00e9rica Latina, embora n\u00e3o seja a mais numerosa, destaca-se por ser uma das mais ativas, heterog\u00eaneas e influentes da regi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":13620,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16724,16777,16764,16719,14465,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-13639","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-historia-pt-br","8":"category-globalizacion-pt-br","9":"category-migracion-pt-br","10":"category-debates-pt-br","11":"category-migracao","12":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13639\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13639"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=13639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}