{"id":1416,"date":"2020-01-01T13:43:04","date_gmt":"2020-01-01T16:43:04","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=1416"},"modified":"2024-07-05T09:32:23","modified_gmt":"2024-07-05T12:32:23","slug":"protestos-macicos-foram-a-sintese-da-america-latina-em-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/protestos-macicos-foram-a-sintese-da-america-latina-em-2019\/","title":{"rendered":"Protestos maci\u00e7os foram a s\u00edntese da Am\u00e9rica Latina em 2019"},"content":{"rendered":"\n<p>As maci\u00e7as manifesta\u00e7\u00f5es populares na Am\u00e9rica Latina foram a\nmarca distintiva da regi\u00e3o em 2019. Equador, Peru, Chile, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia e\nHaiti, sem esquecer Venezuela e Nicar\u00e1gua foram e, em alguns casos, continuam\nsendo cena de amplas manifesta\u00e7\u00f5es, por queixas diversas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao car\u00e1ter maci\u00e7o dessas manifesta\u00e7\u00f5es, em boa medida\npac\u00edficas, vieram se somar epis\u00f3dios de forte viol\u00eancia urbana e de repress\u00e3o\npolicial n\u00e3o menos violenta. Mas foi a quase simultaneidade da maioria desses\nfen\u00f4menos, concentrados nos \u00faltimos meses do ano, que gerou a percep\u00e7\u00e3o de que\ntoda a regi\u00e3o entrou em ebuli\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social. Ainda assim, nem todos os\npa\u00edses da Am\u00e9rica Latina presenciaram grandes manifesta\u00e7\u00f5es de protesto este\nano, e nos pa\u00edses ponde elas aconteceram, as causas n\u00e3o foram as mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Chile e Col\u00f4mbia, um profundo mal-estar com situa\u00e7\u00f5es de\ndesigualdade social que se arrastam h\u00e1 d\u00e9cadas, e uma toler\u00e2ncia menor para com\nessa desigualdade, que diminuiu mas em ritmo insatisfat\u00f3rio, somados \u00e0\ndesacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico nos \u00faltimos anos levou \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de\nprotestos de escala sem precedentes, nas \u00faltimas semanas, nos quais tamb\u00e9m\nest\u00e3o presentes demandas por transforma\u00e7\u00f5es no sistema pol\u00edtico, especialmente\nno Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Bol\u00edvia e Peru, os conflitos foram de car\u00e1ter\neminentemente pol\u00edtico. No Peru, a dissolu\u00e7\u00e3o do Legislativo, medida de exce\u00e7\u00e3o\nprevista na constitui\u00e7\u00e3o, e a convoca\u00e7\u00e3o de novas elei\u00e7\u00f5es pelo presidente\nMart\u00edn Vizcarra, diante da falta de um voto de confian\u00e7a por parte do\nLegislativo, controlado pelo fujimorismo e seus aliados, provocou manifesta\u00e7\u00f5es\na favor e contra a medida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Bol\u00edvia, a fraude eleitoral praticada pelo governo de Evo\nMorales fez explodir a indigna\u00e7\u00e3o que vinha se acumulando em grande parte da\npopula\u00e7\u00e3o, desde que o presidente decidiu desconsiderar o resultado do\nplebiscito de 2016 no qual a maioria dos eleitores rejeitou uma nova\ncandidatura presidencial de Morales. Como resultado, a Bol\u00edvia voltou a viver\nlevantes populares semelhantes aos experimentados no pa\u00eds em 2003 e 2005,\ndesembocando na ren\u00fancia do presidente e do vice-presidente e dando in\u00edcio a um\nper\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, inicialmente muito conflituoso e pol\u00eamico,\ndevido \u00e0 ren\u00fancia a seus postos de todos os integrantes da cadeia de sucess\u00e3o\npresidencial.<\/p>\n\n\n\n<p>O estouro social no Equador surgiu por conta de uma medida\necon\u00f4mica, o aumento de 100% no pre\u00e7o do combust\u00edvel, e seu forte impacto\nnegativo sobre setores da popula\u00e7\u00e3o com ampla capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, como\nos trabalhadores dos transportes e os movimentos ind\u00edgenas, estes \u00faltimos\nrepresentantes dos setores mais marginalizados da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>as elites pol\u00edticas, depois de rea\u00e7\u00f5es iniciais err\u00e1ticas, ativaram recursos pol\u00edticos e institucionais a fim de gerar acordos amplos com o objetivo de destravar os conflitos.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apesar da compreens\u00edvel preocupa\u00e7\u00e3o com a estabilidade\ndemocr\u00e1tica nesses contextos, as elites pol\u00edticas, depois de rea\u00e7\u00f5es iniciais\nerr\u00e1ticas, ativaram recursos pol\u00edticos e institucionais a fim de gerar acordos\namplos com o objetivo de destravar os conflitos, incorporando algumas das\nprincipais demandas da popula\u00e7\u00e3o, como no caso da proposta para a elabora\u00e7\u00e3o de\numa nova constitui\u00e7\u00e3o no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>No Equador, o recuo do presidente Len\u00edn Moreno quanto ao\naumento dos combust\u00edveis e o estabelecimento de um di\u00e1logo com os diferentes\nagentes sociais para abordar a grave crise econ\u00f4mica em que o pa\u00eds se encontra\nderam t\u00e9rmino a uma semana de forte rea\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p>A Bol\u00edvia j\u00e1 tra\u00e7ou um cronograma para a realiza\u00e7\u00e3o de novas\nelei\u00e7\u00f5es no ano eu vem, um processo eleitoral que contou com a aprova\u00e7\u00e3o dos\nlegisladores do Movimento al Socialismo (MAS), o partido do ex-presidente\nMorales, e do qual participaram todos os partidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Venezuela e Nicar\u00e1gua, por\u00e9m, continuam em situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\ne social ca\u00f3tica, e as manifesta\u00e7\u00f5es contra dois governos que ningu\u00e9m considera\ncomo democr\u00e1ticos, hoje, se repetem. No come\u00e7o do ano, o l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o\nvenezuelana, Juan Guaid\u00f3, se autoproclamou presidente interino, e convocou\nmanifesta\u00e7\u00f5es de apoio, na expectativa de que as for\u00e7as armadas deixassem de\nrespaldar o regime de Nicol\u00e1s Maduro, o que terminou por n\u00e3o se concretizar;\nagora, a lideran\u00e7a do oposicionista come\u00e7a a ser questionada. Enquanto isso, o\nfluxo migrat\u00f3rio de cidad\u00e3os venezuelanos para diversos pa\u00edses da regi\u00e3o\ncontinua forte.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem toda a Am\u00e9rica Latina foi palco de mobiliza\u00e7\u00f5es\npopulares em larga escala.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Argentina, Uruguai, El Salvador e Guatemala houve\nelei\u00e7\u00f5es gerais ou presidenciais pac\u00edficas, e nos tr\u00eas primeiros foram\nconfirmadas altern\u00e2ncias pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas que foram conduzidas com a\nmais completa normalidade institucional. Na Argentina, os maus resultados\necon\u00f4micos conduziram a uma derrota previs\u00edvel do governo de centro-direita de\nMauricio Macri, e \u00e0 volta do peronismo ao poder. No Uruguai, ao contr\u00e1rio, Luis\nAlberto Lacalle Pou, do Partido Nacional, de centro-direita, com o apoio de\nquatro outros partidos, obteve uma vit\u00f3ria por pequena margem sobre a coaliz\u00e3o\nde centro-esquerda Frente Amplio, que estava no poder h\u00e1 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em El Salvador, pela primeira vez desde a democratiza\u00e7\u00e3o do\npa\u00eds na d\u00e9cada de 1980, foi eleito um presidente que n\u00e3o pertence a um dos\npartidos que v\u00eam dominando a pol\u00edtica salvadorenha, ARENA (de direita) e FMLN\n(de esquerda). O empres\u00e1rio Nayib Bukele, 38, ex-prefeito da capital pela FMLN,\nfoi eleito no primeiro turno, \u00e0 frente de uma nova coaliz\u00e3o pol\u00edtica, com 53%\ndos votos.<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil e M\u00e9xico, as duas grandes economias da regi\u00e3o, que\neste ano deram posse a governos ideologicamente opostos, tampouco passaram por\neclos\u00f5es sociais, apesar dos fortes embates pol\u00edticos, da alta polariza\u00e7\u00e3o e da\ngrande desigualdade social em ambos os pa\u00edses No Brasil, as institui\u00e7\u00f5es\npol\u00edticas frearam ou limitaram diversas propostas pol\u00eamicas de Jair Bolsonaro,\num presidente com apego baixo ou nulo \u00e0 democracia e que est\u00e1 em forte queda de\npopularidade. Declara\u00e7\u00f5es de teor claramente autorit\u00e1rio por Bolsonaro e\npessoas de seu c\u00edrculo foram recha\u00e7adas publicamente por autoridades do\nLegislativo e do Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, mobiliza\u00e7\u00f5es maci\u00e7as de descontentamento, mas\ntamb\u00e9m embates institucionais e altern\u00e2ncias pol\u00edticas em contextos de\nestabilidade democr\u00e1tica. Essa parece ser a s\u00edntese mais completa do ano\npol\u00edtico latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto de Aimee&#8230; em Foter.com \/ CC BY-NC-ND<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As maci\u00e7as manifesta\u00e7\u00f5es populares na Am\u00e9rica Latina foram a marca distintiva da regi\u00e3o em 2019. 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