{"id":15024,"date":"2023-02-04T08:00:00","date_gmt":"2023-02-04T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=15024"},"modified":"2023-02-03T20:13:39","modified_gmt":"2023-02-03T23:13:39","slug":"a-crise-climatica-uma-crise-de-lideranca-e-imaginacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-crise-climatica-uma-crise-de-lideranca-e-imaginacao\/","title":{"rendered":"A crise clim\u00e1tica: uma crise de lideran\u00e7a e imagina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Co-autores Fany Ramos Quispe, Kim Portmess<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A COP27 chegou e partiu! E ao come\u00e7ar 2023, com todas as melhores inten\u00e7\u00f5es e resolu\u00e7\u00f5es, perguntamo-nos: quem ir\u00e1 apoiar e operacionalizar os acordos alcan\u00e7ados?<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos principais resultados da Confer\u00eancia das Partes (COP27) da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (UNFCCC) foi a cria\u00e7\u00e3o de um fundo espec\u00edfico para <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2022\/11\/perdas-e-danos-na-cop27.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">perdas e danos<\/a> a fim de apoiar os pa\u00edses mais vulner\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Esta \u00e9 uma <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/os-paises-afetados-pelas-mudancas-climaticas-esperam-os-fundos-do-mundo-desenvolvido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">demanda hist\u00f3rica<\/a> dos pa\u00edses do Sul global, particularmente das pequenas na\u00e7\u00f5es insulares e dos pa\u00edses menos desenvolvidos, que sofrem os efeitos dos fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos e outras cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas. De fato, a cria\u00e7\u00e3o do fundo de perdas e danos \u00e9 essencial para complementar o esfor\u00e7o de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o j\u00e1 em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s trinta anos de discuss\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, os nossos l\u00edderes pol\u00edticos em escala mundial n\u00e3o enfrentaram o problema de maneira efetiva, tamb\u00e9m n\u00e3o forneceram alternativas globais para a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica nem orientaram a mudan\u00e7a para um futuro mais justo, inclusivo e sustent\u00e1vel. Muitas pessoas em todo o mundo &#8211; <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2022\/oct\/31\/greta-thunberg-to-skip-greenwashing-cop27-climate-summit-in-egypt\">ativistas<\/a>, ambientalistas, cientistas e cidad\u00e3os &#8211; desconfiam dos resultados das reuni\u00f5es mundiais como a COP27, o que debilita sua legitimidade. No entanto, surgiram simultaneamente muitos espa\u00e7os novos para uma participa\u00e7\u00e3o comprometida e mais ampla, procurando preencher o vazio entre a ci\u00eancia, a pol\u00edtica e a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o os principais resultados que os atuais dirigentes alcan\u00e7aram na COP27?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fundo para perdas e danos \u00e9 uma das principais realiza\u00e7\u00f5es da COP27. No entanto, este \u00e9 apenas o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Zx86DF_JQ3A\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">in\u00edcio de uma conversa<\/a> que ir\u00e1 definir a agenda para os pr\u00f3ximos anos. Quais s\u00e3o os pa\u00edses que dever\u00e3o proporcionar financiamento? Como ser\u00e3o distribu\u00eddos os fundos? O que acontece quando desaparecem as formas tradicionais de habitar o planeta e as pr\u00e1ticas culturais se transformam por causa das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?&#8230;. Podemos compensar com dinheiro? Como medimos os pagamentos e as compensa\u00e7\u00f5es, devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do planeta?<\/p>\n\n\n\n<p>A conversa continua com outros <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qC8_rxLcCF4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">resultados<\/a> importantes para as Am\u00e9ricas. O Plano de Implementa\u00e7\u00e3o de Sharm el-Sheikh destaca que uma transforma\u00e7\u00e3o global para uma economia de baixo carbono exigir\u00e1 pelo menos entre 4 e 6 trilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Contudo, a meta dos pa\u00edses desenvolvidos de movimentar 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano at\u00e9 2020 n\u00e3o foi cumprida. Em 2023, os pa\u00edses submeter\u00e3o ao Secretariado da UNFCCC planos clim\u00e1ticos mais fortes e mais ambiciosos. Estes ser\u00e3o analisados para ver at\u00e9 que ponto estamos perto de manter a meta de 1,5\u00b0C. Al\u00e9m disso, foi decidido estabelecer um programa de trabalho sobre a transi\u00e7\u00e3o justa.<\/p>\n\n\n\n<p>A magnitude da crise clim\u00e1tica representa outros desafios em cascata que precisam ser enfrentados num futuro pr\u00f3ximo, mas que, se trabalhados corretamente, poderiam ser a chave para construir um mundo mais justo, democr\u00e1tico e equitativo: melhorar a participa\u00e7\u00e3o, ampliar a voz dos jovens, construir a confian\u00e7a entre pa\u00edses, e capacitar a lideran\u00e7a a todos os n\u00edveis para enfrentar os nossos complexos desafios comuns.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Construindo esperan\u00e7a para enfrentar a crise clim\u00e1tica: outro significado da lideran\u00e7a do continente americano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante as \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, dirigentes nacionais e mundiais t\u00eam vindo a discutir as repercuss\u00f5es da atividade humana no planeta e os efeitos negativos que a modernidade e o desenvolvimento exercem sobre o clima, a natureza e a biodiversidade, o que se convencionou chamar de <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/as-encruzilhadas-da-humanidade-na-epoca-do-antropoceno\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Antropoceno<\/a>. Esta \u00e9 uma \u00e9poca em que os seres humanos est\u00e3o liderando mudan\u00e7as \u00e0 escala global como uma for\u00e7a geol\u00f3gica. O sintoma proeminente do Antropoceno \u00e9 a crise clim\u00e1tica, devido ao aumento das emiss\u00f5es de gases de efeito de estufa (GEE) e uma lideran\u00e7a humana caracterizada pela aposta e defesa do crescimento econ\u00f4mico sem fim, que se baseia na domina\u00e7\u00e3o, crescimento e explora\u00e7\u00e3o, e compreende, por sua vez, s\u00e9culos de escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia tem sido clara h\u00e1 muitos anos sobre a necessidade de reduzir significativamente as emiss\u00f5es a fim de cumprir os objetivos internacionais e descarbonizar as atividades humanas. O tempo est\u00e1 acabando e, neste contexto cr\u00edtico, todas as a\u00e7\u00f5es (e ina\u00e7\u00f5es) contam. Existe ainda uma grande <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/os-desafios-globais-estao-mudando-os-paradigmas-da-ciencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">brecha para vincular a ci\u00eancia com a pol\u00edtica e com a a\u00e7\u00e3o social<\/a>, e n\u00e3o existe uma f\u00f3rmula m\u00e1gica para resolver os problemas complexos que enfrentamos, incluindo a emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Ent\u00e3o como podemos (re)construir uma nova arquitetura cient\u00edfico-pol\u00edtica e (re)ativar a imagina\u00e7\u00e3o para pensar em caminhos alternativos, a fim de fazer frente ativamente aos nossos problemas? A crise clim\u00e1tica \u00e9 tamb\u00e9m uma crise de lideran\u00e7a e imagina\u00e7\u00e3o para construir consensos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Paradoxalmente, ao mesmo tempo que ocorreu a COP27, 30 cientistas e profissionais em in\u00edcio de carreira de diferentes disciplinas, participantes do programa Ci\u00eancia, Tecnologia e Pol\u00edticas (<a href=\"https:\/\/www.iai.int\/en\/step\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">IAI-STeP<\/a>) de 14 pa\u00edses de todo o continente americano, reuniram-se no Uruguai para abordar um dos desafios mais urgentes relacionados com a crise clim\u00e1tica: como vincular eficazmente o conhecimento cient\u00edfico-t\u00e9cnico e as dimens\u00f5es sociais, pol\u00edticas e \u00e9ticas, a fim de apoiar uma pol\u00edtica ambiental inclusiva e orientada para a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os profissionais do programa IAI-STeP pretendem trabalhar no sentido de construir um tipo de lideran\u00e7a mais eficiente que cada pessoa possa exemplificar; uma lideran\u00e7a pluralista, \u00e9tica, coletiva, inclusiva e horizontal que seja tamb\u00e9m mais adequada para enfrentar os desafios do s\u00e9culo XXI. Essa lideran\u00e7a deve ser capaz de facilitar a participa\u00e7\u00e3o efetiva de todos os atores da sociedade na coprodu\u00e7\u00e3o de conhecimentos e solu\u00e7\u00f5es, e na amplifica\u00e7\u00e3o das vozes daqueles que j\u00e1 sofrem os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Trazer para a mesa uma rica diversidade de conhecimentos e experi\u00eancias requer empatia, vulnerabilidade e capacidades de escuta necess\u00e1rias para, em conjunto, reimaginar op\u00e7\u00f5es de desenvolvimento, construir resili\u00eancia e, talvez, consensos, na procura de solu\u00e7\u00f5es para a crise clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A COP27, tal como as confer\u00eancias anteriores, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/perifaconnection\/2022\/11\/cop27-terminou-sem-muitos-motivos-para-comemoracao.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">deixou muitas quest\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es por resolver<\/a>, tais como finan\u00e7as, responsabilidade, rela\u00e7\u00f5es de poder e transpar\u00eancia, que voltam a ser os aspectos pendentes. Estas quest\u00f5es fazem parte dos problemas estruturais que evolu\u00edram junto \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o; processos hist\u00f3ricos liderados por grandes grupos de poder. \u00c9 por isso que o princ\u00edpio de &#8220;responsabilidades comuns mas diferenciadas (CBDR)&#8221; foi inclu\u00eddo na UNFCCC. Contudo, a sua implementa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o avan\u00e7ou com vista \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um bom consenso entre os l\u00edderes mundiais neste momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados da COP27 s\u00e3o mais uma vez um exemplo de posi\u00e7\u00f5es opostas no nosso pr\u00f3prio continente americano, posi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o partem de uma vis\u00e3o partilhada da crise clim\u00e1tica. Os nossos pa\u00edses continuam a negociar a partir de diferentes grupos, tal como os pa\u00edses desenvolvidos, em desenvolvimento e menos desenvolvidos. Ainda precisamos assumir e conciliar os problemas de injusti\u00e7a, racismo, desigualdade e coloniza\u00e7\u00e3o. Chegar\u00e1 o dia em que o nosso continente tomar\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o comum ou consensual sobre a crise clim\u00e1tica? Voltemos \u00e0 pergunta: quem ir\u00e1 apoiar e implementar os acordos alcan\u00e7ados na COP27? Talvez sejam os profissionais do programa ci\u00eancia, tecnologia e pol\u00edtica (STeP) em todo o mundo que trabalham com governos nacionais, organiza\u00e7\u00f5es internacionais, universidades e o setor privado, que finalmente reunir\u00e3o a ci\u00eancia, a pol\u00edtica e a sociedade para uma a\u00e7\u00e3o eficaz. Estamos confiantes de que com um grupo crescente de l\u00edderes interamericanos, tais como os profissionais do STeP, uma comunidade ampla, resiliente e significativa que trabalha em posi\u00e7\u00f5es de decis\u00e3o, isto pode ser alcan\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Fany Ramos \u00e9 engenheira ambiental pelo Instituto Polit\u00e9cnico Nacional (M\u00e9xico). Possui um Mestrado em Mudan\u00e7a Ambiental e Desenvolvimento Internacional pela Universidade de Sheffield (Inglaterra). \u00c9 membro do OWSD Bol\u00edvia, e atual IAI STeP Fellow.<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><sub>Kim Portmess \u00e9 Consultora de Programas no Instituto Interamericano de Investiga\u00e7\u00e3o da Mudan\u00e7a Global (IAI).<\/sub><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CoP27 chegou e partiu! 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