{"id":15026,"date":"2023-02-05T05:00:00","date_gmt":"2023-02-05T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=15026"},"modified":"2023-02-03T14:14:00","modified_gmt":"2023-02-03T17:14:00","slug":"ucrania-divide-a-america-latina-e-a-ue-e-dificulta-uma-parceria-estrategica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/ucrania-divide-a-america-latina-e-a-ue-e-dificulta-uma-parceria-estrategica\/","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia divide a Am\u00e9rica Latina e a UE e dificulta uma parceria estrat\u00e9gica"},"content":{"rendered":"\n<p>Am\u00e9rica Latina e UE querem aprofundar de novo suas rela\u00e7\u00f5es. Em julho <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/es\/la-cumbre-de-l%C3%ADderes-ue-am%C3%A9rica-latina-se-celebrar%C3%A1-en-julio\/a-64327081\">ser\u00e1 celebrada em Bruxelas uma c\u00fapula UE-CELAC<\/a>, a primeira desde 2015, e est\u00e1 previsto que se concluam os acordos pendentes, como o da UE com o Mercosul. Neste contexto, pol\u00edticos europeus, como o chanceler alem\u00e3o Olaf Scholz, viajaram recentemente para a Am\u00e9rica Latina para explorar como aprofundar as rela\u00e7\u00f5es birregionais.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/a-guerra-na-ucrania-impacta-as-relacoes-entre-america-latina-e-a-ue\/\">o valor estrat\u00e9gico da Am\u00e9rica Latina e do Caribe aumentou para a Uni\u00e3o Europeia desde a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia<\/a>, em fevereiro de 2022. Politicamente, os governos da ALC s\u00e3o importantes na hora de votar resolu\u00e7\u00f5es sobre a R\u00fassia na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Economicamente, a Am\u00e9rica Latina tem mat\u00e9rias-primas como g\u00e1s natural e petr\u00f3leo que a R\u00fassia fornece \u00e0 UE e mat\u00e9rias-primas estrategicamente importantes j\u00e1 s\u00e3o importadas da Am\u00e9rica Latina, como o l\u00edtio. Devido a suas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e geogr\u00e1ficas, considera-se que a Am\u00e9rica Latina tem um grande potencial para produzir e exportar hidrog\u00eanio verde a pre\u00e7os competitivos entre as diferentes regi\u00f5es do mundo. E a Europa ser\u00e1, no futuro, um dos maiores mercados para o hidrog\u00eanio verde.<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira C\u00fapula Am\u00e9rica Latina-Europa, celebrada no Rio de Janeiro em 1999, foi anunciado o objetivo de desenvolver uma \u201cparceria estrat\u00e9gica\u201d. Desde ent\u00e3o, o termo tem aparecido uma ou outra vez em declara\u00e7\u00f5es oficiais e, mais recentemente, o Alto Representante da UE para Assuntos Exteriores e Pol\u00edtica de Seguran\u00e7a, Josep Borrell, chegou a falar de uma \u201calian\u00e7a estrat\u00e9gica\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao acordo pendente de associa\u00e7\u00e3o UE-Mercosul.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 coincid\u00eancias pol\u00edticas e econ\u00f4micas, mas a pergunta \u00e9: h\u00e1 interesses comuns suficientes para uma parceria estrat\u00e9gica? As reuni\u00f5es preparat\u00f3rias da c\u00fapula UE-CELAC e, mais recentemente, as conversas do Chanceler Scholz na Argentina e no Brasil mostraram que h\u00e1 um elefante, ou devo dizer, um urso na sala que a Am\u00e9rica Latina gostaria de ignorar ou, pelo menos, evitar mencionar.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/guerra-da-ucrania\/\">guerra na Ucr\u00e2nia<\/a> divide a UE e a Am\u00e9rica Latina. O que de uma perspectiva latino-americana parece uma quest\u00e3o de escolha \u2013 como se posicionar no conflito da Ucr\u00e2nia com a R\u00fassia \u2013, para a Europa \u00e9 uma quest\u00e3o de necessidade, ou seja, defender-se de uma amea\u00e7a militar genu\u00edna e de um ataque aos valores europeus fundamentais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sintom\u00e1tico que o comunicado de imprensa conjunto da III Reuni\u00e3o de Ministros das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores CELAC-UE no final de outubro de 2022 em Buenos Aires evitou citar e condenar a R\u00fassia, como esperavam os governos europeus. Pelo menos os governos participantes puderam reafirmar seu apoio aos objetivos e princ\u00edpios consagrados na Carta da ONU de defender a igualdade soberana de todos os Estados e respeitar sua integridade territorial e independ\u00eancia pol\u00edtica. No contexto desta afirma\u00e7\u00e3o, o comportamento dos pa\u00edses latino-americanos \u00e9 ainda menos compreens\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, do ponto de vista europeu, \u00e9 estranho que uma regi\u00e3o que sempre denunciou o imperialismo que emana dos Estados Unidos, e com raz\u00e3o, evite hoje condenar como imperialismo uma guerra para restaurar um imp\u00e9rio e subjugar e, se necess\u00e1rio, assimilar \u00e0 for\u00e7a outros povos.<\/p>\n\n\n\n<p>As declara\u00e7\u00f5es de alguns governos latino-americanos s\u00e3o recebidas com incompreens\u00e3o na Europa, como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2023\/01\/lula-diz-nao-ter-interesse-em-enviar-municao-a-ucrania-e-propoe-forum-de-paz.shtml\">a declara\u00e7\u00e3o de Lula sobre o conflito na Ucr\u00e2nia<\/a> de que \u201cquando um n\u00e3o quer, dois n\u00e3o brigam\u201d, que \u00e9 como culpar algu\u00e9m por ter sido atingido na cabe\u00e7a por uma pessoa que entrou \u00e0 for\u00e7a em sua casa. Com o pano de fundo das imagens que vemos diariamente na Europa de atrocidades b\u00e9licas, ataques a civis e refugiados chegando da Ucr\u00e2nia, estas declara\u00e7\u00f5es parecem insens\u00edveis, se n\u00e3o c\u00ednicas. E custaram a simpatia ao Lula na Europa, e colocam em d\u00favida que ele pode atuar como mediador no conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>E depois h\u00e1 os partid\u00e1rios a um n\u00e3o-alinhamento ativo. E aqui surge a quest\u00e3o de se uma pol\u00edtica de n\u00e3o-alinhamento ativo n\u00e3o toma partido indiretamente ao p\u00f4r o agressor em p\u00e9 de igualdade com a v\u00edtima. A quest\u00e3o \u00e9 se, em uma guerra onde o agressor \u00e9 claramente identificado e matam civis e cometem crimes de guerra, um governo tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 c\u00famplice ao n\u00e3o fazer nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos latino-americanos deveriam se perguntar se o mundo seria melhor e se \u00e9 do interesse da Am\u00e9rica Latina que a UE saia debilitada e a R\u00fassia (e indiretamente a China) se fortale\u00e7a com o conflito na Ucr\u00e2nia. Isso significaria tamb\u00e9m uma derrota dos valores que os governos latino-americanos t\u00eam defendido at\u00e9 agora na pol\u00edtica internacional, como o respeito \u00e0 soberania, \u00e0 n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o e \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de conflitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00e3o-alinhamento ativo s\u00f3 faz sentido se tamb\u00e9m se definir os valores que se defende na pol\u00edtica internacional; e, a partir desses valores, decide-se quando tomar partido. \u00c0s vezes a velha can\u00e7\u00e3o de Pete Seeger &#8220;De que lado voc\u00ea est\u00e1?&#8221; tamb\u00e9m se aplica na pol\u00edtica internacional, especialmente entre supostos parceiros estrat\u00e9gicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra na Ucr\u00e2nia divide a UE e a Am\u00e9rica Latina. 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