{"id":16972,"date":"2023-05-06T08:00:00","date_gmt":"2023-05-06T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=16972"},"modified":"2023-05-06T05:32:36","modified_gmt":"2023-05-06T08:32:36","slug":"por-que-a-russia-apoia-a-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/por-que-a-russia-apoia-a-venezuela\/","title":{"rendered":"Por que a R\u00fassia apoia a Venezuela?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Coautor Ulf Thoene<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia tem sido um aliado crucial da Venezuela durante sua complexa crise, com a qual estabeleceu s\u00f3lidas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, a R\u00fassia expressou seu apoio \u00e0 Venezuela, constituindo-se como seu aliado mais forte e poderoso, embora os la\u00e7os estreitos entre Vladimir Putin e Hugo Ch\u00e1vez j\u00e1 existissem antes que a crise venezuelana se desencadeasse sob o governo de Nicol\u00e1s Maduro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que motiva o apoio da R\u00fassia \u00e0 Venezuela?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a russa na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o se limita a um \u00fanico pa\u00eds. Embora a pol\u00edtica externa russa tenha dado pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina durante a d\u00e9cada de 1990, desde 2003 sua presen\u00e7a se intensificou, especialmente em Nicar\u00e1gua, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2023\/04\/chanceler-da-russia-visitara-cuba-e-venezuela-apos-passar-pelo-brasil.shtml\">Cuba e, sobretudo, na Venezuela<\/a>, que se tornou seu aliado mais importante na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, as explica\u00e7\u00f5es estruturais predominantes destacam as considera\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas, o equil\u00edbrio de poder e as condi\u00e7\u00f5es militares como fatores-chave da pol\u00edtica externa russa. Por outro lado, as abordagens construtivistas enfatizam o papel crucial das ideias e cren\u00e7as na narrativa da pol\u00edtica externa do presidente russo Putin. De acordo com essas perspectivas, a pol\u00edtica externa russa \u00e9 afetada e debilitada pelas rela\u00e7\u00f5es com um Ocidente hostil, especialmente os Estados Unidos e os Estados membros da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), que buscam limitar e controlar os interesses russos no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ambos os enfoques apresentam dificuldades e mostram-se insuficientes ao analisar <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/putin-e-os-quatro-latinos\/\">uma pol\u00edtica externa russa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina que \u00e9 multifacetada<\/a>. Apesar de suas valiosas contribui\u00e7\u00f5es, esses estudos tendem a se concentrar em aspectos ou dimens\u00f5es espec\u00edficas de uma das seguintes \u00e1reas: diplom\u00e1tica, informativa, militar ou econ\u00f4mica. <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/issj.12424\">Um estudo recente<\/a> indica que a pol\u00edtica externa de um Estado \u00e9 caracterizada principalmente por dois elementos centrais. Essas pol\u00edticas s\u00e3o projetadas para atingir um conjunto de objetivos, mas, devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es de recursos, a gama de op\u00e7\u00f5es para a a\u00e7\u00e3o internacional depender\u00e1 dos recursos dispon\u00edveis e dos benef\u00edcios esperados. Nessa perspectiva, qualquer alian\u00e7a implica custos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que os Estados mais poderosos t\u00eam mais recursos e capacidades para promover as mudan\u00e7as desejadas no status quo e que tentar\u00e3o exercer sua influ\u00eancia sobre os Estados mais fr\u00e1geis. Entretanto, as alian\u00e7as assim\u00e9tricas &#8211; entre Estados fr\u00e1geis e fortes &#8211; podem fornecer apoio vital aos menos poderosos e apoio pol\u00edtico ou de outra natureza aos mais fortes.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia forneceu apoio diplom\u00e1tico \u00e0 Venezuela em v\u00e1rios f\u00f3runs internacionais, bloqueando em v\u00e1rias ocasi\u00f5es iniciativas multilaterais que visavam a sancionar ou impor embargos. Al\u00e9m disso, a R\u00fassia expressou grande preocupa\u00e7\u00e3o com a interfer\u00eancia externa nos assuntos internos da Venezuela, alertando contra a possibilidade de uso da for\u00e7a em detrimento da integridade territorial e da independ\u00eancia pol\u00edtica venezuelana. Em troca desse apoio claro, a R\u00fassia recebe benef\u00edcios tang\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os governos da R\u00fassia e da Venezuela compartilhem o interesse de desafiar e debilitar o poder dos Estados Unidos, esse v\u00ednculo ideol\u00f3gico est\u00e1 alinhado a interesses geoestrat\u00e9gicos espec\u00edficos. Na verdade, as duas principais \u00e1reas da pol\u00edtica externa russa na Venezuela s\u00e3o a energia e a venda de armas, que recentemente foram fortalecidas e ampliadas pelos aspectos midi\u00e1ticos e culturais da pol\u00edtica externa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas petrol\u00edferas russas est\u00e3o envolvidas em grandes projetos de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e recursos minerais na Venezuela, incluindo as valiosas terras raras. Este pa\u00eds sul-americano tornou-se um dos principais compradores de armas e sistemas de armamento russos. Al\u00e9m disso, a Venezuela forneceu apoio oficial antecipado \u00e0s a\u00e7\u00f5es da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia e se posicionou contra a resposta defensiva da OTAN.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, as significativas concess\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias destinadas ao financiamento militar na Venezuela contribu\u00edram para manter os privil\u00e9gios de sua elite militar. Ao mesmo tempo, a R\u00fassia desempenhou um papel crucial como fornecedora de bens essenciais para atender \u00e0s necessidades b\u00e1sicas do povo venezuelano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investimentos e empr\u00e9stimos da R\u00fassia foram fundamentais para manter Nicolas Maduro no poder e continuam sendo no per\u00edodo que antecede as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2024. Entretanto, a grande d\u00edvida da Venezuela com a R\u00fassia, a inadimpl\u00eancia, a instabilidade e a deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00e3o fatores negativos para o status quo e podem afetar a aloca\u00e7\u00e3o de recursos. Apesar disso, por enquanto, uma ligeira melhora nas rela\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos e a guerra na Ucr\u00e2nia parecem ter aliviado as tens\u00f5es no governo de Nicolas Maduro.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Uma vers\u00e3o mais longa desta an\u00e1lise pode ser encontrada <\/sub><\/em><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/issj.12424\"><sub><em>aqui.<\/em><\/sub><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Ulf Thoene ( @UlfThoene) \u00e9 professor associado da Universidade de La Sabana, Col\u00f4mbia. Doutor em Direito e Sociologia pela Universidade de Warwick, Reino Unido.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A R\u00fassia tem sido um aliado crucial da Venezuela ao longo de sua complexa crise, com a qual estabeleceu s\u00f3lidas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais. <\/p>\n","protected":false},"author":431,"featured_media":16960,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16976,16976,16721,16721,16762,16762,14507,544],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-16972","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-rusia-es-pt-br","9":"category-venezuela-pt-br","11":"category-relaiciones-internacionales-pt-br","13":"category-relacoes-internacionais","14":"category-politica-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/431"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16972\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16960"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16972"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=16972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}