{"id":17428,"date":"2023-05-28T05:00:00","date_gmt":"2023-05-28T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=17428"},"modified":"2023-05-26T13:22:39","modified_gmt":"2023-05-26T16:22:39","slug":"paralisados-diante-da-desinformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/paralisados-diante-da-desinformacao\/","title":{"rendered":"Paralisados diante da desinforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno recente, mas seu crescimento exponencial est\u00e1 relacionado ao aumento do uso da Internet e \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o das redes sociais. Nesse contexto, vale a pena esclarecer que a desinforma\u00e7\u00e3o se refere \u00e0 difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es deliberadamente falsas, enganosas ou tendenciosas, especialmente quando s\u00e3o fornecidas por um governo, suas institui\u00e7\u00f5es ou l\u00edderes com a inten\u00e7\u00e3o de influenciar a pol\u00edtica e a opini\u00e3o p\u00fablica. O termo mal informar (informa\u00e7\u00e3o err\u00f4nea ou incorreta) \u00e9 outra coisa. Este se diferencia da desinforma\u00e7\u00e3o pelo fato de ser &#8220;intencionalmente neutro&#8221;: n\u00e3o \u00e9 deliberado, \u00e9 simplesmente err\u00f4neo. E, por fim, a desinforma\u00e7\u00e3o se diferencia da propaganda pelo fato de sempre se referir a algo que n\u00e3o \u00e9 certo, mesmo que \u00e0s vezes seja usada como propaganda.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mapear como a desinforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 configurada na cabe\u00e7a dos latino-americanos, precisamos entender em que contexto suas percep\u00e7\u00f5es e atitudes se manifestam. Para isso, o \u201csocial listening\u201d permite entender <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/a-renovacao-do-twitter-e-a-desinformacao\/\">a conversa\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea que circula nas redes sociais <\/a>com base no tema e no n\u00edvel de afeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As descobertas do \u00faltimo estudo da rede de empresas WIN (Worldwide Independent Network) na Am\u00e9rica Latina sobre redes sociais indicam que a desinforma\u00e7\u00e3o cresce significativamente em \u00e9pocas de ruptura, crise ou acontecimentos com alta demanda por informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia, quando a popula\u00e7\u00e3o estava \u00e1vida por informa\u00e7\u00f5es sobre as vacinas ou medidas de biosseguran\u00e7a, ou a guerra entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia, as crises pol\u00edticas e os processos eleitorais s\u00e3o exemplos desses momentos. Quanto maior a demanda por informa\u00e7\u00f5es, menos tempo para confirmar a veracidade das informa\u00e7\u00f5es, a fonte ou at\u00e9 mesmo para desmenti-las.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo, realizado na Argentina, no Brasil, no Chile, na Col\u00f4mbia, no Equador, no M\u00e9xico, no Peru e no Paraguai, mostra que, em muitos casos, \u00e9 usada a reputa\u00e7\u00e3o das universidades ou de meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais para dar uma aura de veracidade \u00e0s not\u00edcias falsas. E estas viralizam com ainda mais rapidez quando envolvem figuras pol\u00eamicas ou quando buscam instigar medo e caos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atentos, por\u00e9m vencidos pela in\u00e9rcia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As not\u00edcias falsas est\u00e3o presentes no dia a dia das pessoas. No entanto, a maioria se sente confiante de que pode reconhec\u00ea-las, embora n\u00e3o tenham o h\u00e1bito de verificar as informa\u00e7\u00f5es que acessam. De acordo com o estudo, que consultou 6.049 pessoas nesses oito pa\u00edses, seis em cada dez brasileiros e um n\u00famero um pouco menor de equatorianos consideram que se deparam com not\u00edcias falsas todos os dias. Na Am\u00e9rica Latina, essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 geralmente alta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, pouco mais da metade dos argentinos (55%) e dos mexicanos (53%) sentem alguma confian\u00e7a na capacidade de reconhecer <em>fake news<\/em>. No entanto, apesar da alta exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, mais da metade dos latino-americanos raramente ou nunca verificam a fonte ou a precis\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es a que est\u00e3o expostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se os cidad\u00e3os se sentem incomodados pela forma tendenciosa e distorcida de relatar a realidade e se preocupam, e, por outro lado, n\u00e3o fazem um esfor\u00e7o para se protegerem, a quem eles delegam essa fun\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de lavar as m\u00e3os ou se resignar a conviver ceticamente com a desinforma\u00e7\u00e3o, os latino-americanos parecem esperar que determinados atores assumam a lideran\u00e7a e se tornem validadores e fontes confi\u00e1veis para editar ou, no m\u00ednimo, educar sobre as vers\u00f5es problem\u00e1ticas da realidade derivadas de not\u00edcias falsas. A escola \u00e9 um desses potenciais l\u00edderes, assim como as entidades de \u201cfact-checking\u201d&nbsp; que se dedicam a verificar a autenticidade das informa\u00e7\u00f5es nas redes sociais e meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O meio acad\u00eamico (escolas e universidades) \u00e9 outro aliado em potencial. Sete em cada dez entrevistados dizem confiar nas informa\u00e7\u00f5es provenientes dessa fonte e quase seis em cada dez os reconhecem como os atores que mais se esfor\u00e7am para combater a desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, embora a academia seja o ator mais confi\u00e1vel, tamb\u00e9m lhe \u00e9 atribu\u00edda alguma responsabilidade pela desinforma\u00e7\u00e3o, a certa dist\u00e2ncia da televis\u00e3o, dos meios tradicionais, dos pol\u00edticos, do governo e dos mecanismos de busca na Internet. Isso revela uma crise do sistema pol\u00edtico cujos atores fazem parte desse fen\u00f4meno da desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As autoridades pol\u00edticas como parte do problema<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os pol\u00edticos e os governos sofrem de uma profunda falta de confian\u00e7a nas informa\u00e7\u00f5es. Apenas 27% dos latino-americanos confiam nas informa\u00e7\u00f5es fornecidas por seus governos. E o tempo de gest\u00e3o parece afetar o cr\u00e9dito dado aos governantes, pois os novos governos t\u00eam mais credibilidade do que aqueles com v\u00e1rios anos de gest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O panorama \u00e9 pior para os pol\u00edticos, pois apenas 14% dos latino-americanos confiam nas informa\u00e7\u00f5es que eles divulgam. De fato, grande parte dos entrevistados apontou os pol\u00edticos e os governos como os principais respons\u00e1veis pela dissemina\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico, ficando atr\u00e1s apenas, em alguns casos, da televis\u00e3o e dos jornalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns pa\u00edses veem uma sa\u00edda na legisla\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o caso do Brasil, onde, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2023\/05\/entenda-diferencas-entre-julgamento-sobre-marco-civil-no-stf-e-pl-das-fake-news.shtml\">al\u00e9m da tentativa de regulamentar<\/a>, foram criadas comiss\u00f5es legislativas de inqu\u00e9rito. Mas enquanto aqueles que regulamentam forem vistos como os menos confi\u00e1veis e respons\u00e1veis pela desinforma\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 dif\u00edcil obter resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, al\u00e9m dos esfor\u00e7os para legislar a esse respeito, a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre essa problem\u00e1tica e os esfor\u00e7os para refor\u00e7ar condutas cidad\u00e3s que incentivem o destinat\u00e1rio da not\u00edcia a verificar a veracidade da informa\u00e7\u00e3o antes de compartilh\u00e1-la s\u00e3o fundamentais para minimizar o impacto das not\u00edcias falsas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos latino-americanos considera os pol\u00edticos, os governos, a televis\u00e3o e os jornalistas como os principais respons\u00e1veis por difundir a desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":444,"featured_media":17421,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16740,16792,16794,14386,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-17428","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-posverdad-pt-br","8":"category-fake-news-pt-br","9":"category-desinformacion-pt-br","10":"category-desinformacao","11":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/444"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17428"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17428\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17421"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17428"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=17428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}