{"id":17678,"date":"2023-06-10T08:00:00","date_gmt":"2023-06-10T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=17678"},"modified":"2023-06-09T12:56:09","modified_gmt":"2023-06-09T15:56:09","slug":"a-china-e-o-triangulo-do-litio-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-china-e-o-triangulo-do-litio-na-america-do-sul\/","title":{"rendered":"A China e o tri\u00e2ngulo do l\u00edtio na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Coautor Sergio Cesarin<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Tri\u00e2ngulo do L\u00edtio, formado pela Argentina, Bol\u00edvia e Chile, abriga as maiores reservas de l\u00edtio do mundo. Esse mineral \u00e9 fundamental para a <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/a-america-latina-evade-a-transicao-energetica\/\">transi\u00e7\u00e3o no setor energ\u00e9tico<\/a>, por esse motivo, as pot\u00eancias tecnol\u00f3gicas est\u00e3o em concorr\u00eancia aberta para assinar contratos de investimento para explorar essa mat\u00e9ria-prima fundamental na economia do futuro, devido \u00e0s suas m\u00faltiplas aplica\u00e7\u00f5es nas ind\u00fastrias eletr\u00f4nica e automotiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2023\/04\/a-disputa-entre-china-e-eua-por-litio-na-america-latina.shtml\">China vem explorando oportunidades<\/a> de extra\u00e7\u00e3o desse mineral h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada e, por isso, assinou acordos com os tr\u00eas pa\u00edses que comp\u00f5em o citado tri\u00e2ngulo sul-americano. Diante da press\u00e3o competitiva chinesa, pot\u00eancias tecnol\u00f3gicas como os Estados Unidos e a Alemanha est\u00e3o expressando sua preocupa\u00e7\u00e3o e querem recuperar terreno obtendo concess\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e investindo em projetos sustent\u00e1veis que modifiquem as prefer\u00eancias dos atores governamentais por empresas &#8211; estatais e\/ou privadas &#8211; chinesas em rela\u00e7\u00e3o ao cobi\u00e7ado &#8220;ouro branco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/o-que-ha-de-novo-nos-investimentos-chineses-na-america-latina-e-no-caribe\/\">investimentos<\/a> chineses em cadeias de valor de minerais essenciais em regi\u00f5es como a Am\u00e9rica Latina s\u00e3o preponderantes, especialmente na produ\u00e7\u00e3o de energia limpa (pain\u00e9is solares), no desenvolvimento de tecnologias aplicadas a novos processos de produ\u00e7\u00e3o em micro e nanoeletr\u00f4nica, telefonia celular (baterias para celulares) e na sustenta\u00e7\u00e3o de sua competitividade no contexto de uma revolu\u00e7\u00e3o em curso no setor automotivo (ve\u00edculos el\u00e9tricos). Por isso, as proje\u00e7\u00f5es indicam que a demanda global por l\u00edtio se multiplicar\u00e1 por 40 nas pr\u00f3ximas duas, de modo que ter reservas e explor\u00e1-las pode significar ganhos milion\u00e1rios. Entre 2017 e 2023, o pre\u00e7o do l\u00edtio aumentou de 10.000 para 70.000 d\u00f3lares por tonelada.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a Argentina (21,5%), a Bol\u00edvia (23,7%) e o Chile (11,1%) respondem por 60% das reservas mundiais conhecidas, portanto, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2023\/04\/litio-da-america-latina-na-mira-de-potencias-energia-solar-por-assinatura-e-o-que-importa-no-mercado.shtml\">tri\u00e2ngulo do l\u00edtio tem um alto valor geoestrat\u00e9gico<\/a>. Embora seja poss\u00edvel encontr\u00e1-lo em outras regi\u00f5es e pa\u00edses, como a Austr\u00e1lia e at\u00e9 mesmo a China, as reservas s\u00e3o de menor quantia e qualidade. Entretanto, at\u00e9 2022, embora n\u00e3o lidere o ranking de reservas de l\u00edtio, <a href=\"https:\/\/www.usgs.gov\/centers\/national-minerals-information-center\/mineral-commodity-summaries\">o maior produtor de l\u00edtio foi a Austr\u00e1lia (52%), seguida pelo Chile (25%), China (13%), Argentina (6%) e outros (4%)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, surge a &#8220;op\u00e7\u00e3o chinesa&#8221; como uma importante fonte de investimento. A Argentina e a Bol\u00edvia respondem por grande parte das reservas triangulares; no entanto, n\u00e3o possuem as tecnologias adequadas para a explora\u00e7\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o e processamento industrial, raz\u00e3o pela qual atores extrarregionais como a China, os Estados Unidos, os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e at\u00e9 mesmo a \u00cdndia est\u00e3o tentando obter acesso a esse recurso estrat\u00e9gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 o papel da China nesse jogo competitivo? Em primeiro lugar, apesar de ocupar o terceiro lugar como produtor mundial, \u00e9 l\u00edder mundial em refinamento e o principal comprador de l\u00edtio, o que \u00e9 fundamental para manter sua primazia como produtor de carros el\u00e9tricos e baterias. Em segundo lugar, em seu processo de reconvers\u00e3o tecno-industrial, o &#8220;tri\u00e2ngulo do l\u00edtio&#8221; faz parte de um plano estrat\u00e9gico que a impulsiona a se tornar l\u00edder mundial em segmentos de altas tecnologias (plano Made in China 2025) e, para isso, precisa de recursos estrat\u00e9gicos, a maioria dos quais podem ser encontrados no Cone Sul latinoamericano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa estrat\u00e9gia complexa exige a coordena\u00e7\u00e3o entre empresas privadas, o governo chin\u00eas, bancos e universidades para obter concess\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o e contratos de comercializa\u00e7\u00e3o. Completam esse quadro de interesse m\u00fatuo por parte da China e dos pa\u00edses sul-americanos os esperados aportes em capitais de investimentos, tecnologias, cr\u00e9ditos e capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses projetos impulsionados pela China, um ponto importante s\u00e3o as demandas dos governos subnacionais pelo cuidado do meio ambiente (<em>eco friendly projects<\/em>) e o respeito aos interesses das comunidades locais (povos ind\u00edgenas, camponeses, popula\u00e7\u00e3o local em geral), uma vez que os reservat\u00f3rios est\u00e3o localizados em \u00e1reas onde vivem comunidades ind\u00edgenas e de alta pobreza, como o sul da Bol\u00edvia, o norte do Chile e o norte da Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, os investimentos em unidades de explora\u00e7\u00e3o podem impulsionar o desenvolvimento de regi\u00f5es perif\u00e9ricas e atrasadas por meio de investimentos subsidi\u00e1rios em infraestrutura (usinas de energia, redes de \u00e1gua), transporte, portos, escolas e institutos de capacita\u00e7\u00e3o para o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, vale a pena ressaltar que o Chile \u00e9 o segundo maior fornecedor de l\u00edtio do mundo e 90% das exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o destinadas \u00e0 \u00c1sia, sendo a China o mercado que absorve a maior parte. Na Argentina, embora os Estados Unidos, o Jap\u00e3o e a Austr\u00e1lia estejam envolvidos em sua explora\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o, as empresas chinesas s\u00e3o as mais ativas na busca de projetos em diferentes prov\u00edncias, como Catamarca, La Rioja, Salta e Jujuy. E na Bol\u00edvia, que abriga as maiores reservas mundiais controladas pelo Estado, a China assinou recentemente o primeiro conv\u00eanio para a explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio nas salinas bolivianas, em um contexto de press\u00f5es externas e internas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante deste panorama, surge uma pergunta: o tri\u00e2ngulo do l\u00edtio ser\u00e1 capaz de romper a &#8220;maldi\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas&#8221; na Am\u00e9rica Latina? Em teoria, os atuais governos da Bol\u00edvia, do Chile e da Argentina precisam ter empresas estatais (nacionais ou provinciais) respons\u00e1veis por extrair o l\u00edtio e gerar alian\u00e7as (<em>joint ventures<\/em>) com contrapartes estatais e\/ou privadas da China, dos Estados Unidos ou pot\u00eancias europeias. Mas tamb\u00e9m devem garantir a transfer\u00eancia de tecnologia, a capacita\u00e7\u00e3o de pessoal, a comercializa\u00e7\u00e3o conjunta do recurso, a prote\u00e7\u00e3o ambiental e, fundamentalmente, a participa\u00e7\u00e3o local na gera\u00e7\u00e3o de valor por meio da produ\u00e7\u00e3o local de insumos e produtos.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>* Este texto foi publicado originalmente no site da <\/sub><\/em><a href=\"http:\/\/chinayamericalatina.com\/\"><sub><em>\u00a0REDCAEM<\/em><\/sub><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Sergio Cesarin \u00e9 Coordenador do Centro de Estudos sobre \u00c1sia-Pac\u00edfico e \u00cdndia (CEAPI) da Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF) em Buenos Aires.\u00a0 Master of Arts da Universidade de Pequim.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coautor Sergio Cesarin<br \/>\nEssa regi\u00e3o, composta por zonas de Argentina, Bol\u00edvia e Chile, abriga as maiores reservas de l\u00edtio a n\u00edvel mundial. <\/p>\n","protected":false},"author":415,"featured_media":17668,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16774,17000,16761,16719],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-17678","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-sudamerica-pt-br","8":"category-litio-es-pt-br","9":"category-china-es-pt-br","10":"category-debates-pt-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17678","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/415"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17678"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17678\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17668"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17678"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17678"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17678"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=17678"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}