{"id":17845,"date":"2023-06-18T05:00:00","date_gmt":"2023-06-18T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=17845"},"modified":"2023-06-29T08:13:38","modified_gmt":"2023-06-29T11:13:38","slug":"como-a-popularidade-de-um-presidente-e-afetada-pela-inseguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/como-a-popularidade-de-um-presidente-e-afetada-pela-inseguranca\/","title":{"rendered":"Como a popularidade de um presidente \u00e9 afetada pela inseguran\u00e7a?"},"content":{"rendered":"\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a do cidad\u00e3o pode fazer colapsar a credibilidade de um presidente? Ou o contr\u00e1rio, a percep\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sob controle em um contexto de ordem e crescente seguran\u00e7a fortalece o prest\u00edgio de governantes? Ou s\u00f3 contam os \u00eaxitos e fracassos no terreno econ\u00f4mico para entender a popularidade ou impopularidade do Executivo em nossa regi\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo estudos de opini\u00e3o p\u00fablica, os votantes latino-americanos est\u00e3o imersos no pessimismo. O estudo Latinobar\u00f4metro mostra que a propor\u00e7\u00e3o de pessoas insatisfeitas com a democracia passou de pouco mais da metade em 2008 a tr\u00eas de cada quatro pessoas em 2020. As raz\u00f5es s\u00e3o conhecidas. Com exce\u00e7\u00e3o de 2020 e 2021, quando o mundo estava imerso na pandemia, todos os estudos mostram que para os latino-americanos, o principal problema \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, especialmente o desemprego e os baixos sal\u00e1rios, seguido de crime, delinqu\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Concretamente, no tema da <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/violencia-sem-fim-na-america-latina\/\">seguran\u00e7a cidad\u00e3<\/a>, o fato que 38% dos latino-americanos dizem viver em lugares onde h\u00e1 crime organizado, grupos armados, narcotr\u00e1fico \u00e9 alarmante, assim como o fato de que mais da metade dizem mudar seus hor\u00e1rios de chegada ou sa\u00edda de casa por medo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algum tempo, a inseguran\u00e7a e sensa\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a ou viol\u00eancia iminente se converteu em uma amea\u00e7a \u00e0 autoridade dos governantes, compar\u00e1vel \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de poder que provoca a infla\u00e7\u00e3o e outras incertezas econ\u00f4micas. Que impacto pode ter ent\u00e3o a centralidade do tema da falta de seguran\u00e7a e imprevisibilidade da integridade f\u00edsica e patrimonial na avalia\u00e7\u00e3o dos governantes?<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto que tem, tanto a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a como a experi\u00eancia objetiva do delito na opini\u00e3o p\u00fablica de presidentes latino-americanos \u00e9, segundo estudos, demolidor. Isso explica as <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-america-latina-65210034\">posturas de \u201cm\u00e3o fechada<\/a>\u201d e decisionismo controlando a percep\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a e transmitindo uma sensa\u00e7\u00e3o de ordem que os governantes procuram passar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma quest\u00e3o fundamental para determinar esse efeito \u00e9 o grau de atribui\u00e7\u00e3o constitucional da responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o da ordem e controle do crime, que pode ser exclusiva do governo nacional ou compartilhada. Seria natural esperar que a popularidade dos governos nacionais com responsabilidade exclusiva pela seguran\u00e7a fosse mais afetada por sentimentos de vulnerabilidade pessoal e pelo sentimento de vitimiza\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, os eleitores tenderiam a punir ou premiar mais aqueles que ocupam cargos em contextos onde sua responsabilidade pela seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 clara.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa hip\u00f3tese vai al\u00e9m da considera\u00e7\u00e3o acad\u00eamica na medida em que pode moldar radicalmente os destinos de um governo, pois a percep\u00e7\u00e3o de sua capacidade, ou incapacidade, de construir uma no\u00e7\u00e3o de controle pode representar a diferen\u00e7a entre sua sobreviv\u00eancia e sua queda, ou mais, entre a conformidade ou n\u00e3o com o funcionamento de uma democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas como a LAPOP realizadas antes da pandemia Covid-19 indicavam que quase a metade dos latino-americanos disseram se sentir inseguros e em alguns pa\u00edses esse contingente chegou a 67%, como no caso do Panam\u00e1 em 2016. Enquanto isso, a m\u00e9dia regional de vitimiza\u00e7\u00e3o afetou um em cada quatro latino-americanos, embora em pa\u00edses como M\u00e9xico, Honduras e Brasil esse percentual ultrapasse 30 pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>O quanto essas sensa\u00e7\u00f5es explicam a tremenda varia\u00e7\u00e3o da popularidade presidencial que encontramos no per\u00edodo pr\u00e9-pandemia entre os presidentes, capaz de ir de baix\u00edssimos 10% para o ex presidente Michel Temer no Brasil, em 2016, a um extremamente alto com aprova\u00e7\u00e3o superior a 70% para o governo liderado por AMLO no M\u00e9xico em 2018?<\/p>\n\n\n\n<p>As an\u00e1lises da rela\u00e7\u00e3o entre essas medidas mostram a forte depend\u00eancia da capacidade de governar com a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o. Os cidad\u00e3os que se sentem inseguros, mas tamb\u00e9m os que declararam ter sido v\u00edtimas de crimes nos \u00faltimos meses, tendem a apresentar avalia\u00e7\u00f5es mais negativas dos respectivos mandatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente, a inseguran\u00e7a poda os \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o presidencial em 24%, pulverizando os poderes de comando e dire\u00e7\u00e3o do presidente. A experi\u00eancia como v\u00edtima tem menor impacto (por ser menos difundida do que a percep\u00e7\u00e3o de risco e perigo), reduzindo em 13% a credibilidade dos governos no poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses resultados s\u00e3o agu\u00e7ados quando fica clara a atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidades ao presidente pela inseguran\u00e7a. A diferen\u00e7a do peso da inseguran\u00e7a na credibilidade de um governante entre um pa\u00eds onde a manuten\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica se concentra exclusivamente no Executivo Nacional e outro onde esse poder \u00e9 partilhado com as administra\u00e7\u00f5es estaduais ou municipais ou com os poderes legislativo e judici\u00e1rio, pode chegar a 15%. \u00c9 o custo pol\u00edtico da percep\u00e7\u00e3o generalizada de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>A campanha presidencial de Bill Clinton em 1992 popularizou a express\u00e3o &#8220;\u00c9 a economia, est\u00fapido!&#8221; Acreditava-se ent\u00e3o que as flutua\u00e7\u00f5es do apoio pol\u00edtico, incluindo a popularidade do presidente durante seu governo, dependiam em grande parte do sucesso ou fracasso no campo do bem-estar material e financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa suposi\u00e7\u00e3o foi logo importada para a Am\u00e9rica Latina. No entanto, os resultados dos estudos acima mencionados oferecem uma perspectiva que vai al\u00e9m. Ou seja, a atua\u00e7\u00e3o do governo em quest\u00f5es econ\u00f4micas como infla\u00e7\u00e3o e desemprego s\u00e3o fundamentais, mas insuficientes, para explicar o estado de esp\u00edrito dos eleitores. No contexto latino-americano, marcado por indicadores alarmantes de viol\u00eancia e criminalidade, n\u00e3o se pode descartar o desempenho governamental em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a p\u00fablica para compreender os rumos da sua governan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o em v\u00e3o, alguns l\u00edderes pol\u00edticos da regi\u00e3o, de Bolsonaro a Bukele, colheram altos dividendos eleitorais com seus discursos de ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Este texto foi escrito no \u00e2mbito do 10\u00ba congresso da WAPOR Latam: www.waporlatinoamerica.org.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algum tempo, a inseguran\u00e7a e sensa\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a ou viol\u00eancia iminente se converteu em uma amea\u00e7a \u00e0 autoridade dos governantes.<\/p>\n","protected":false},"author":452,"featured_media":17825,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16896,17104,17105,16719,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-17845","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-lideres-politicos-pt-br","8":"category-opinion-publica-pt-br","9":"category-seguridad-publica-pt-br","10":"category-debates-pt-br","11":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/452"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17845"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17845\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17825"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17845"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=17845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}