{"id":19512,"date":"2023-09-15T08:00:00","date_gmt":"2023-09-15T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=19512"},"modified":"2023-09-15T09:09:27","modified_gmt":"2023-09-15T12:09:27","slug":"energias-renovaveis-e-cooperacao-entre-a-china-a-america-latina-e-a-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/energias-renovaveis-e-cooperacao-entre-a-china-a-america-latina-e-a-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"Energias renov\u00e1veis e coopera\u00e7\u00e3o entre a China, a Am\u00e9rica Latina e a Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 uma d\u00e9cada, desde que a Iniciativa do Cintur\u00e3o e Rota foi proposta pela primeira vez em 2013, a China enfatizou o desenvolvimento de energias limpas como um dos principais objetivos de sua diplomacia energ\u00e9tica e de seu foco financeiro, e fez da promo\u00e7\u00e3o de empresas focadas em energia limpa uma prioridade. De acordo com essa estrat\u00e9gia, os pa\u00edses em desenvolvimento est\u00e3o se tornando os principais destinos dos investimentos chineses. Enquanto isso, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (ALC) est\u00e3o atraindo a aten\u00e7\u00e3o mundial por seu grande potencial na promo\u00e7\u00e3o das energias renov\u00e1veis. De fato, desde 2014, o investimento estrangeiro direto (IED) em energias renov\u00e1veis na ALC tem superado sistematicamente o n\u00edvel de investimento em petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s natural, tanto em volume quanto em n\u00famero de projetos, \u00e0 medida que a transi\u00e7\u00e3o para a energia verde avan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da China, de acordo com o <a href=\"https:\/\/wedocs.unep.org\/xmlui\/handle\/20.500.11822\/34532\">PNUMA<\/a>, tr\u00eas dos cinco principais pa\u00edses que mais investiram em energia sustent\u00e1vel entre 2009 e 2018 est\u00e3o na ALC, a saber, Brasil, M\u00e9xico e Chile. Pode-se reconhecer que se espera que a coopera\u00e7\u00e3o em energias limpas entre as duas regi\u00f5es n\u00e3o apenas aumente a capacidade de combater conjuntamente as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/o-papel-da-china-na-transicao-energetica-da-america-latina\/\">acelere o processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/a>, garantindo assim a solidez do fornecimento nacional de energia e alcan\u00e7ando um desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00eanfase do governo chin\u00eas na import\u00e2ncia de promover a coopera\u00e7\u00e3o internacional em mat\u00e9ria de energia limpa remonta ao 11\u00ba Plano Quinquenal de Desenvolvimento Energ\u00e9tico, publicado em 2007. Juntamente com a Iniciativa Cintur\u00e3o e Rota em 2013, a estrat\u00e9gia de coopera\u00e7\u00e3o internacional em energia sustent\u00e1vel do governo chin\u00eas concentrou-se em fomentar a colabora\u00e7\u00e3o em energias limpas e renov\u00e1veis, promover di\u00e1logos e interc\u00e2mbios sobre conserva\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e preserva\u00e7\u00e3o ambiental, oferecer capacita\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e fortalecer a constru\u00e7\u00e3o de capacidade e o suporte t\u00e9cnico para na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento no \u00e2mbito da energia verde.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, vinte e quatro dos trinta e tr\u00eas pa\u00edses da ALC estabeleceram rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a China, doze pa\u00edses estabeleceram uma &#8220;parceria estrat\u00e9gica&#8221; ou uma &#8220;parceria estrat\u00e9gica integral&#8221; com a China e vinte e dois pa\u00edses assinaram a Iniciativa do Cintur\u00e3o e Rota ou um Memorando de Entendimento (MOU) com o governo chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, a Coaliz\u00e3o Internacional para o Desenvolvimento Verde do Cintur\u00e3o e Rota foi formalmente estabelecida em 2019 com o objetivo de promover a constru\u00e7\u00e3o do desenvolvimento verde a n\u00edvel internacional, com Cuba e Guatemala entre os pa\u00edses da ALC como s\u00f3cios fundadores. Para aprofundar a coopera\u00e7\u00e3o entre os parceiros da Iniciativa do Cintur\u00e3o e Rota no campo da energia verde, a China, o Chile e a Col\u00f4mbia, juntamente com outros 26 pa\u00edses, lan\u00e7aram a Iniciativa de Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Verde do Cintur\u00e3o e Rota para impulsionar o avan\u00e7o e a ado\u00e7\u00e3o de energias limpas, assim como promover a colabora\u00e7\u00e3o a n\u00edvel internacional, uma medida que tamb\u00e9m garante simultaneamente o acesso dos pa\u00edses em desenvolvimento a uma energia acess\u00edvel e economicamente sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, uma estrat\u00e9gia de coopera\u00e7\u00e3o internacional multissetorial t\u00e3o ambiciosa consolida ainda mais a posi\u00e7\u00e3o da China como l\u00edder mundial em energias verdes e, ao mesmo tempo, a expans\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o em ind\u00fastrias emergentes relacionadas a energias limpas e a promo\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia de tecnologia entre empresas se tornaram as atuais \u00e1reas de interesse do Plano de A\u00e7\u00e3o Conjunta para Coopera\u00e7\u00e3o em \u00c1reas-Chave China &#8211; CELAC. At\u00e9 o momento, a China assinou documentos ou declara\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o governamental na \u00e1rea de energia renov\u00e1vel e energia nuclear com sete pa\u00edses da ALC, todos eles membros da Iniciativa de Associa\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento Verde do Cintur\u00e3o e Rota, exceto o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a natureza intrinsecamente politizada e potencialmente arriscada do desenvolvimento do setor energ\u00e9tico chin\u00eas, conforme evidenciado pela atual preemin\u00eancia das empresas estatais (SOEs, pelas suas siglas em ingl\u00eas) no setor de energia na esfera da coopera\u00e7\u00e3o internacional, criou-se um ambiente em que o sistema de gest\u00e3o energ\u00e9tica chin\u00eas encontra-se permeado pela interven\u00e7\u00e3o governamental no mercado energ\u00e9tico, pela opacidade na fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e a inefic\u00e1cia das normativas e regulamenta\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas. Nesse cen\u00e1rio a poderosa influ\u00eancia financeira e pol\u00edtica das SOEs gerou uma necessidade premente de abordar as apreens\u00f5es que os governos e as empresas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe experimentam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es em termos de salvaguardas comerciais e prote\u00e7\u00e3o trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, a influ\u00eancia cada vez menor da Uni\u00e3o Europeia (UE) na regi\u00e3o da ALC, apesar de ser o terceiro maior parceiro comercial da regi\u00e3o, depois dos Estados Unidos e da China, tamb\u00e9m gerou preocupa\u00e7\u00f5es. Diante do desejo urgente de promover a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e realizar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na era p\u00f3s-pandemia, a UE concebeu uma reformula\u00e7\u00e3o de suas rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses da ALC por meio da Terceira C\u00fapula UE-CELAC. Por sua vez, a coopera\u00e7\u00e3o da China na regi\u00e3o refor\u00e7a seu dom\u00ednio no \u00e2mbito energ\u00e9tico e pode exercer uma press\u00e3o competitiva sobre o mercado de energia europeu. No entanto, tamb\u00e9m \u00e9 ineg\u00e1vel que o estado atual da colabora\u00e7\u00e3o sino-ALC no \u00e2mbito das energias limpas motiva a UE a intensificar seus esfor\u00e7os de investimento, pesquisa, coopera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento nesse campo para manter sua competitividade e atingir as metas de desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A UE se encontraria em uma posi\u00e7\u00e3o prop\u00edcia para extrair valiosas li\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias do paradigma colaborativo entre a China e a ALC. Ao mesmo tempo, tem a capacidade de refinar sua abordagem de coopera\u00e7\u00e3o com a regi\u00e3o latino-americana e caribenha, mantendo um compromisso de coopera\u00e7\u00e3o ativo e sustentado ao longo do tempo. Entretanto, diante das transforma\u00e7\u00f5es que est\u00e3o moldando o cen\u00e1rio global de coopera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, a UE \u00e9 obrigada a adotar uma postura proativa para lidar com os efeitos e desafios relacionados. \u00c9 fundamental que a UE busque uma vis\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o sino-ALC caracterizada por um multilateralismo mais inclusivo, abrangente e sustentado ao longo do tempo, e se esforce para assumir um papel mais proeminente na realiza\u00e7\u00e3o dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS).<\/p>\n\n\n\n<p><em>* Este texto foi publicado originalmente na p\u00e1gina de<\/em><a href=\"http:\/\/chinayamericalatina.com\/\"><em>&nbsp;REDCAEM<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma d\u00e9cada, a China vem enfatizando o desenvolvimento de energia limpa como um objetivo fundamental de sua diplomacia energ\u00e9tica e de seu enfoque financeiro.<\/p>\n","protected":false},"author":483,"featured_media":19501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16832,17120,16761,16719,14407,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-19512","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-union-europea-es-pt-br","8":"category-energias-renovables-pt-br","9":"category-china-es-pt-br","10":"category-debates-pt-br","11":"category-energias-renovaveis","12":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/483"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19512\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19512"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=19512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}