{"id":19637,"date":"2023-09-24T05:00:00","date_gmt":"2023-09-24T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=19637"},"modified":"2023-09-22T16:51:48","modified_gmt":"2023-09-22T19:51:48","slug":"cinturao-e-rota-dez-anos-depois-pouco-a-festejar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/cinturao-e-rota-dez-anos-depois-pouco-a-festejar\/","title":{"rendered":"Cintur\u00e3o e Rota dez anos depois, pouco a festejar"},"content":{"rendered":"\n<p>Este setembro comemora dez anos da apresenta\u00e7\u00e3o de Xi Jinping diante a comunidade internacional do principal projeto da diplomacia chinesa: a Iniciativa Cintur\u00e3o e Rota (BRI, sua sigla em ingl\u00eas). A <a href=\"https:\/\/www.foei.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/foe-belt-and-road-briefing-ES-WEB.pdf\">iniciativa<\/a> prop\u00f5e a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e comercial da China com o mundo atrav\u00e9s de corredores e infraestruturas terrestres e mar\u00edtimas na \u00c1sia Central, Europa, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, financiados em sua maioria por Pequim.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano \u00e9 sedutor. Na \u00faltima d\u00e9cada, ao menos 151 pa\u00edses assinaram memorandos de ades\u00e3o, incluindo <strong>22 latino-americanos e caribenhos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u201cPlano Marshall\u201d chin\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pequim encontra os argumentos de suas pol\u00edticas atuais em sua pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o. A Rota da Seda, uma rede de rotas terrestres e mar\u00edtimas que se estendia por diferentes regi\u00f5es do mundo <strong>h\u00e1 dois mil anos<\/strong>, inspira o \u201cprojeto do s\u00e9culo\u201d, como r\u00f3tulo da propaganda do regime. E acrescenta que sua voca\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cbeneficiar toda a humanidade\u201d. Mas os cr\u00edticos do projeto o assemelham a um <strong>Plano Marshall chin\u00eas<\/strong> que permite que Pequim exer\u00e7a influ\u00eancia internacional e construa sua lideran\u00e7a global. Define a agenda e estabelece as bases de uma nova ordem mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>O esquema do BRI j\u00e1 existia antes de 2013. A China lan\u00e7ou sua estrat\u00e9gia de <em>ir para fora<\/em> ap\u00f3s entrar na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio em 2001. E, devido \u00e0 sua necessidade de garantir o fornecimento de recursos naturais que deveriam alimentar a <em>f\u00e1brica do mundo<\/em> e a urbaniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, suas empresas e bancos estatais come\u00e7aram sua internacionaliza\u00e7\u00e3o. Com seu <strong>capitalismo de Estado<\/strong>, investiram em todos os tipos de projetos, constru\u00edram infraestrutura em meio mundo e financiaram em larga escala. Com a crise financeira de 2008, Pequim ganhou acesso a ativos, tecnologia e mercados estrat\u00e9gicos que antes eram vedados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Demanda chinesa na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2013, esse modelo foi diplomaticamente embalado, adornado com slogans e recebeu um nome atraente. At\u00e9 ent\u00e3o, a Am\u00e9rica Latina havia se beneficiado da demanda chinesa e dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias primas. Os fluxos comerciais cresciam exponencialmente e recebiam <strong>financiamento infinito<\/strong> em meio \u00e0 relut\u00e2ncia do Ocidente. Equador, Argentina, Venezuela e outros pa\u00edses se lan\u00e7aram nos bra\u00e7os da China. N\u00e3o s\u00f3 por ser uma fonte (quase) inesgot\u00e1vel de empr\u00e9stimos, mas pela afinidade pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, incluindo um impulso anti-estadunidense. Assim, muitos desses governos aderiram ao BRI.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tudo leva a Pequim?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo chin\u00eas anunciou em 2019 que mais de 3.100 projetos de conectividade foram realizados no \u00e2mbito do BRI. No entanto, \u00e9 dif\u00edcil saber quantos deles j\u00e1 existiam antes ou quantos teriam sido igualmente executados sem o BRI. De qualquer forma, uma d\u00e9cada ap\u00f3s o an\u00fancio de Xi Jinping, o plano parece ter <strong>perdido for\u00e7a em meio ao novo mundo geopol\u00edtico<\/strong> que emerge da pandemia, do alcance da (in)sustentabilidade da d\u00edvida e da pr\u00f3pria desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na China. J\u00e1 n\u00e3o parece que todos os caminhos levam a Pequim.<\/p>\n\n\n\n<p>Em cen\u00e1rio semelhante, surgem alternativas talvez menos ambiciosas do que o BRI. Uma das apostas \u00e9 a <em>dupla circula\u00e7\u00e3o, <\/em>na qual a China busca reduzir sua depend\u00eancia do com\u00e9rcio exterior. Ao mesmo tempo, pretende refor\u00e7ar sua economia dom\u00e9stica. Ainda assim, renova seus esfor\u00e7os no sudeste asi\u00e1tico, onde tem influ\u00eancia hist\u00f3rica. E nos pa\u00edses que comp\u00f5em a Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai, localizados em sua periferia. Embora o desenvolvimento e a prosperidade da China sejam muito dependentes do resto do mundo, e o <strong>isolamento n\u00e3o seja, em absoluto, uma op\u00e7\u00e3o<\/strong>, a Am\u00e9rica Latina poderia perder (por essas raz\u00f5es) parte de seu atrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>A desglobaliza\u00e7\u00e3o seletiva, incluindo a realoca\u00e7\u00e3o de empresas antes instaladas na China para destinos mais confi\u00e1veis, obriga todos os jogadores a reajustar suas fichas no tabuleiro. Por\u00e9m, mesmo que o BRI perca for\u00e7a economicamente, continuar\u00e1 sendo politicamente importante para Pequim dado sua pretens\u00e3o em consolidar seu papel como <strong>pot\u00eancia emergente<\/strong> e, talvez mais tarde, hegem\u00f4nica. Para isso, o BRI coexistir\u00e1 e complementar\u00e1 outras iniciativas de seguran\u00e7a e desenvolvimento global impulsionados por Xi Jinping. Seu pano de fundo \u00e9 o \u201cdestino comum para a humanidade\u201d defendido pelo presidente chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Subordina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os cr\u00edticos, isso cont\u00e9m uma pretens\u00e3o perversa: uma ordem internacional baseada em uma unidade de na\u00e7\u00f5es economicamente <strong>dependentes da China e, portanto, subordinadas a ela<\/strong>. Al\u00e9m de sua vertente econ\u00f4mica, a a\u00e7\u00e3o do BRI tem se preocupado em refor\u00e7ar a ideia da China como uma alternativa de poder. Defende o multilateralismo e busca se posicionar como o principal aliado para desenvolver o sul global, muitas vezes como um contrapeso aos interesses dos Estados Unidos. Por tr\u00e1s de tudo isso, a vontade de Xi Jinping \u00e9 atrair o sul global para sua \u00f3rbita e influenciar uma ordem mundial para torn\u00e1-la mais segura para seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Publicado originalmente no Di\u00e1logo Pol\u00edtico.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A iniciativa prev\u00ea a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e comercial da China com o mundo atrav\u00e9s de corredores e infraestruturas terrestres e mar\u00edtimas pelo mundo.<\/p>\n","protected":false},"author":488,"featured_media":19620,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16708,16761,16762,16719,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-19637","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-politica-pt-br","8":"category-china-es-pt-br","9":"category-relaiciones-internacionales-pt-br","10":"category-debates-pt-br","11":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/488"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19637"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19637\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19637"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=19637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}