{"id":20181,"date":"2023-10-25T15:00:00","date_gmt":"2023-10-25T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=20181"},"modified":"2023-10-25T12:17:22","modified_gmt":"2023-10-25T15:17:22","slug":"as-mudancas-climaticas-e-o-aumento-de-casos-de-dengue-na-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/as-mudancas-climaticas-e-o-aumento-de-casos-de-dengue-na-regiao\/","title":{"rendered":"As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o aumento de casos de dengue na regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Coautores Paulo L. Ortiz Bult\u00f3 e Madelaine Rivera S\u00e1nchez<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro semestre de 2023, foram registrados mais de 3 milh\u00f5es de casos de dengue nas Am\u00e9ricas, resultando na morte de 1.302 pessoas. O n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es excede os 2,8 milh\u00f5es de casos registrados no mesmo per\u00edodo em 2022, e <a href=\"https:\/\/elpais.com\/internacional\/2023-05-18\/dengue-en-america-latina-como-se-transmite-cuantos-casos-existen-en-la-region-y-como-evitarlo.html\">esse aumento pode estar associado, em grande parte, aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>, que exercem uma forte influ\u00eancia, direta ou indiretamente, na propaga\u00e7\u00e3o do mosquito.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento de fen\u00f4menos extremos, como secas e inunda\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o se tornando mais frequentes e severas, e a perda de biodiversidade que acelera as mudan\u00e7as nos habitats naturais, al\u00e9m de propiciar o aumento de inc\u00eandios florestais, aumentam o risco de epidemias na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O efeito da mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e0s vezes \u00e9 subestimado e tendemos a ignorar o fato de que se trata do problema ambiental mais grave enfrentado pela humanidade. De fato, se n\u00e3o tomarmos medidas para nos adaptarmos e\/ou mitigarmos os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, poderemos correr o risco, em um futuro n\u00e3o muito distante, da extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se recordar que a dengue gera infec\u00e7\u00f5es tanto assintom\u00e1ticas como sintom\u00e1ticas, que podem ser leves ou graves, podendo conduzir \u00e0 morte em muitas ocasi\u00f5es. Isso acontece principalmente entre grupos em condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, como crian\u00e7as, idosos e pessoas com sistema imunol\u00f3gico deprimido, especialmente em \u00e1reas com condi\u00e7\u00f5es higi\u00eanicas-sanit\u00e1rias inadequadas e baixo n\u00edvel socioecon\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/PORT_Impactos-das-mudancas-climaticas-na-America-Latina-e-no-Caribe.pdf\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"384\" src=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/L21-Impactos-mudancas-Climaticas-1024x384.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20183\" srcset=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/L21-Impactos-mudancas-Climaticas-1024x384.jpg 1024w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/L21-Impactos-mudancas-Climaticas-300x113.jpg 300w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/L21-Impactos-mudancas-Climaticas-768x288.jpg 768w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/L21-Impactos-mudancas-Climaticas-1536x576.jpg 1536w, https:\/\/latinoamerica21.com\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/L21-Impactos-mudancas-Climaticas.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A adapta\u00e7\u00e3o do mosquito a novas condi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A variabilidade clim\u00e1tica, como principal express\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, condiciona o aumento das popula\u00e7\u00f5es de mosquitos e o surgimento de v\u00edrus como o da dengue, refor\u00e7ando seu poder de mutabilidade e adapta\u00e7\u00e3o a novas condi\u00e7\u00f5es. O principal mosquito transmissor da dengue \u00e9 o Aedes aegypti, que se reproduz em ambientes urbanos e cujo ciclo evolutivo depende da temperatura, umidade, nebulosidade, precipita\u00e7\u00f5es e radia\u00e7\u00e3o, entre outras vari\u00e1veis clim\u00e1ticas, incluindo ventos que influenciam o voo do mosquito e sua dispers\u00e3o, bem como o \u00edndice de picadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A influ\u00eancia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica perturba a circula\u00e7\u00e3o geral da atmosfera, causando desequil\u00edbrios no acoplamento oceano-atmosfera. Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 prop\u00edcia para que o evento ENSO, mais conhecido como El Ni\u00f1o, ocorra em condi\u00e7\u00f5es diferentes das anteriores, com varia\u00e7\u00f5es significativas no clima previstas para o final de 2023 e in\u00edcio de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, o aumento da presen\u00e7a de centros de baixas press\u00f5es atmosf\u00e9ricas propicia que as vari\u00e1veis anteriores se exacerbam e, quando combinadas, favore\u00e7am a r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o do mosquito, encurtando seu ciclo para atingir a fase adulta em poucos dias. Isso leva a um incremento consider\u00e1vel das popula\u00e7\u00f5es adultas, o que poderia gerar um aumento das enfermidades transmitidas por mosquitos em nossa regi\u00e3o, algumas das quais j\u00e1 come\u00e7aram a se manifestar.<\/p>\n\n\n\n<p>O Caribe e a Am\u00e9rica Central, que t\u00eam climas tropicais, e a Am\u00e9rica do Sul, com climas subtropicais, apresentam o cen\u00e1rio mais desfavor\u00e1vel. De fato, foram relatados surtos de dengue que excedem significativamente o n\u00famero m\u00e9dio de casos nos \u00faltimos 5 anos. No primeiro semestre de 2023, o Brasil, o Peru e a Bol\u00edvia est\u00e3o liderando os maiores registros de casos de dengue, embora todos os pa\u00edses da regi\u00e3o estejam relatando n\u00fameros significativos de casos e at\u00e9 mesmo com uma r\u00e1pida expans\u00e3o geogr\u00e1fica para \u00e1reas onde antes n\u00e3o havia risco de transmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O monitoramento da dengue perante a mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Cuba, onde a dengue tem sido mantida sob controle, embora continue sendo um problema, o Sistema de Alerta Precoce (SAT) para a dengue foi implementado em n\u00edvel nacional em 2002. O monitoramento das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas com base em previs\u00f5es bioclim\u00e1ticas contribui para realizar a\u00e7\u00f5es de forma oportuna para fortalecer os programas de preven\u00e7\u00e3o e proteger a popula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m foram realizadas a\u00e7\u00f5es para refor\u00e7ar o controle e a vigil\u00e2ncia do mosquito, informa\u00e7\u00f5es valiosas que ajudaram a aprimorar os modelos de previs\u00e3o e a fortalecer o sistema de alerta.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses avan\u00e7os foram implementados em pa\u00edses como Paraguai, Bol\u00edvia, Costa Rica, Salvador, Honduras, Rep\u00fablica Dominicana e Panam\u00e1, levando em conta suas diversas caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas, clim\u00e1ticas, socioambientais e epidemiol\u00f3gicas, o que permitiu que as medidas de interven\u00e7\u00e3o fossem tomadas com anteced\u00eancia suficiente. Essas medidas contribu\u00edram para minimizar o impacto na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o enquanto era mantido o per\u00edodo de implementa\u00e7\u00e3o dos modelos bioclim\u00e1ticos preditivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a implanta\u00e7\u00e3o de sistemas de alerta antecipado ajuda a reduzir o n\u00famero de mortes durante os eventos do El Ni\u00f1o e outros eventos extremos associados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Outro benef\u00edcio do SAT \u00e9 a resposta proativa aos problemas e \u00e0s necessidades apresentadas pela situa\u00e7\u00e3o da dengue na regi\u00e3o. H\u00e1 uma necessidade urgente de aumentar a capacidade de resposta da popula\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os de sa\u00fade com tempo suficiente de anteced\u00eancia para tomar medidas que reduzam os riscos de adoecimento por dengue.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse prop\u00f3sito, est\u00e1 sendo desenvolvido um projeto piloto, com o apoio do Instituto Interamericano de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Globais (IAI), para implementar, em escala subnacional, um Sistema de Alerta de dengue a partir de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sup>Paulo L\u00e1zaro Ortiz Bult\u00f3 \u00e9 pesquisador do Instituto de Meteorologia. Ponto focal para a integra\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade, IV-Regi\u00e3o-OMM para Cuba. Doutor em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e consultor na Regi\u00e3o sobre modelagem espacial para a previs\u00e3o de doen\u00e7as infecciosas sens\u00edveis ao clima.<\/sup><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><sup>Madelaine Rivera S\u00e1nchez \u00e9 diretora da Dire\u00e7\u00e3o Nacional de Vigil\u00e2ncia e Controle de Vetores (DNVLA) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade P\u00fablica de Cuba. Doutora em Medicina Veterin\u00e1ria e mestre em Doen\u00e7as Infecciosas.<\/sup><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coautores: Paulo L. 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