{"id":20395,"date":"2023-11-09T09:00:00","date_gmt":"2023-11-09T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=20395"},"modified":"2023-12-13T01:37:13","modified_gmt":"2023-12-13T04:37:13","slug":"o-direito-a-nao-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-direito-a-nao-maternidade\/","title":{"rendered":"O direito \u00e0 n\u00e3o maternidade"},"content":{"rendered":"\r\n<p>A maternidade tem sido uma parte intr\u00ednseca da vida de muitas mulheres em todo o mundo ao longo da hist\u00f3ria. Na Argentina, tr\u00eas quartos das m\u00e3es, 76%, consideram que ser m\u00e3e \u00e9 a melhor experi\u00eancia que uma mulher pode ter. Al\u00e9m disso, para um ter\u00e7o das mulheres argentinas, ter filhos \u00e9 essencial para viver uma vida plena.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>V\u00e1rios s\u00e3o os gatilhos para essa cren\u00e7a. A recompensa emocional \u00e9 um deles; afinal, 8 entre 10 mulheres relatam que se sentem realizadas quando veem o progresso de seus filhos, destacando a profunda satisfa\u00e7\u00e3o que encontram no papel da maternidade. Al\u00e9m disso, as m\u00e3es argentinas t\u00eam uma autoavalia\u00e7\u00e3o muito positiva de seu desempenho. De diferentes lados, o discurso da maternidade como fonte de satisfa\u00e7\u00e3o pessoal na vida das mulheres fica evidente.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No entanto, os tempos est\u00e3o mudando, e a n\u00e3o maternidade est\u00e1 se tornando uma op\u00e7\u00e3o cada vez mais comum e aceita. Um estudo global realizado pela rede de consultoria WIN em 39 pa\u00edses lan\u00e7ou luz sobre esse fen\u00f4meno, mostrando que 18% das mulheres adultas pesquisadas a n\u00edvel global n\u00e3o t\u00eam filhos e n\u00e3o planejam t\u00ea-los no futuro. Na Argentina, o estudo mostra que essa porcentagem est\u00e1 alinhada com a tend\u00eancia global, com 16% das mulheres adultas que n\u00e3o s\u00e3o m\u00e3es e n\u00e3o t\u00eam planos de se tornarem m\u00e3es (uma propor\u00e7\u00e3o semelhante ou muito pr\u00f3xima \u00e0 de outros pa\u00edses latino-americanos: 16% no Chile e no Peru, 15% no M\u00e9xico e 12% no Brasil).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.glamour.es\/articulos\/no-a-la-maternidad\">tend\u00eancia \u00e0 n\u00e3o maternidade<\/a> se materializa al\u00e9m das prefer\u00eancias ou sentimentos individuais. A taxa de fertilidade na Am\u00e9rica Latina e no Caribe em 2022 foi estimada em 1,85 nascidos vivos por mulher, um n\u00famero que est\u00e1 abaixo do n\u00edvel de reposi\u00e7\u00e3o desde 2015. A proje\u00e7\u00e3o \u00e9 que essa taxa continue diminuindo, embora com diferen\u00e7as: no Haiti, ela permanecer\u00e1 alta, com 2,8 filhos por mulher, mas em pa\u00edses como Porto Rico, Chile e Uruguai, ela ir\u00e1 oscilar entre 1,3 e 1,5 filhos por mulher.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O decl\u00ednio global nas taxas de natalidade e mortalidade gera desafios e perguntas sobre o futuro da demografia global. O aumento da longevidade e o decl\u00ednio das taxas de natalidade est\u00e3o interconectadas e requerem uma gest\u00e3o adequada e um enfoque em uma cultura de cuidado e reciprocidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Quando analisamos os resultados por idade, fica evidente que a principal resist\u00eancia feminina \u00e0 maternidade ocorre entre as jovens de 18 a 24 anos em n\u00edvel global. Nesse grupo, a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 conven\u00e7\u00e3o materna como destino chega a 30%, um n\u00famero que na Argentina sobe para 47%, o que significa que 5 em cada 10 mulheres jovens n\u00e3o pretendem ser m\u00e3es, bem acima da m\u00e9dia global.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O desejo de n\u00e3o ser m\u00e3e est\u00e1 ligado \u00e0 crescente liberdade de escolha que as mulheres est\u00e3o experimentando atualmente. Cada vez mais, ter filhos \u00e9 visto menos como uma obriga\u00e7\u00e3o e mais como uma escolha individual. Em alguns casos, a maternidade \u00e9 vista como algo que pode limitar as oportunidades e a liberdade pessoal. Al\u00e9m disso, as preocupa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas desempenham um papel importante. A incerteza econ\u00f4mica e a falta de perspectivas podem influenciar a decis\u00e3o de n\u00e3o ter filhos. Em alguns pa\u00edses europeus, as preocupa\u00e7\u00f5es com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o influenciando a decis\u00e3o de algumas pessoas de n\u00e3o ter filhos. No caso da Argentina, isso \u00e9 agravado pelo pessimismo em rela\u00e7\u00e3o ao futuro do pa\u00eds.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A maternidade acarreta custos significativos, conforme demonstrado em v\u00e1rios estudos. Existe uma brecha em termos de desenvolvimento profissional e sal\u00e1rios igualit\u00e1rios entre homens e mulheres, e tamb\u00e9m entre mulheres com e sem filhos, em detrimento das primeiras. Al\u00e9m disso, a maioria das mulheres que trabalham considera um desafio conciliar maternidade e emprego. As m\u00e3es passam quase o dobro do tempo que os pais com seus filhos, e as atividades relacionadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos recaem, em grande medida, para as m\u00e3es, apesar de as mulheres trabalharem. A igualdade de g\u00eanero avan\u00e7ou em muitos aspectos, mas as desigualdades persistem no \u00e2mbito dom\u00e9stico e no cuidado com os filhos. Embora tenha havido mudan\u00e7as nas percep\u00e7\u00f5es e nos valores, as pr\u00e1ticas efetivas mudam lentamente, o que pode influenciar a decis\u00e3o das mulheres de se tornarem m\u00e3es ou n\u00e3o. As desigualdades no lar s\u00e3o mais vis\u00edveis e geram mais questionamentos e frustra\u00e7\u00f5es na atualidade. A decis\u00e3o de ser ou n\u00e3o ser m\u00e3e n\u00e3o deve ser um obst\u00e1culo para alcan\u00e7ar a igualdade de g\u00eanero. Abordar as desigualdades econ\u00f4micas e as diferen\u00e7as nas cargas de trabalho dom\u00e9stico \u00e9 essencial para permitir que as mulheres tomem decis\u00f5es informadas sobre seu futuro reprodutivo.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em resumo, o fen\u00f4meno da n\u00e3o maternidade est\u00e1 em ascens\u00e3o e levanta quest\u00f5es importantes sobre igualdade de g\u00eanero, economia e demografia. A n\u00e3o maternidade \u00e9 um fen\u00f4meno complexo que reflete as mudan\u00e7as culturais e as novas realidades das mulheres na sociedade moderna. As mulheres t\u00eam mais op\u00e7\u00f5es do que nunca, e essas op\u00e7\u00f5es devem ser respeitadas e apoiadas em um mundo em constante evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><sup><em>*Este texto foi escrito no marco do X Congresso da WAPOR Latam: www.waporlatinoamerica.org.<\/em><\/sup><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A n\u00e3o maternidade est\u00e1 se tornando uma op\u00e7\u00e3o cada vez mais comum: 18% das mulheres adultas entrevistadas a n\u00edvel global n\u00e3o t\u00eam filhos e n\u00e3o planejam t\u00ea-los no futuro.<\/p>\n","protected":false},"author":448,"featured_media":11420,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[17001,17002,16782,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-20395","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-legalizacion-del-aborto-en","8":"category-legalizacion-del-aborto-pt-br","9":"category-genero-pt-br","10":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/448"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20395\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20395"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=20395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}