{"id":35069,"date":"2023-12-24T05:00:00","date_gmt":"2023-12-24T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=35069"},"modified":"2024-01-05T05:12:58","modified_gmt":"2024-01-05T08:12:58","slug":"a-dolarizacao-na-argentina-e-por-que-nao-se-deve-colocar-pneus-de-trator-em-seu-fusca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-dolarizacao-na-argentina-e-por-que-nao-se-deve-colocar-pneus-de-trator-em-seu-fusca\/","title":{"rendered":"A dolariza\u00e7\u00e3o na Argentina e por que n\u00e3o se deve colocar pneus de trator em seu fusca"},"content":{"rendered":"\n<p>A dolariza\u00e7\u00e3o foi o cerne da campanha de Javier Milei e, sem d\u00favida, uma das propostas pragm\u00e1ticas e sem rodeios que mais repercutiram entre o eleitorado argentino (em contraste com os estilos mais graduais de Macri e Bullrich). Com uma infla\u00e7\u00e3o anual de 148% em novembro, de acordo com o<a href=\"https:\/\/www.indec.gob.ar\/uploads\/informesdeprensa\/ipc_12_23EA48BE000C.pdf\"> Instituto Nacional de Estat\u00edsticas &#8211; INDEC<\/a> ( ficando atr\u00e1s apenas do L\u00edbano e da Venezuela), n\u00e3o \u00e9 de se surpreender que a ideia de acabar com a infla\u00e7\u00e3o &#8220;por mal&#8221;, mesmo que isso deixe mortos e feridos pelo caminho, tenha uma forte liga\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o neste momento. A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2023\/11\/dolarizacao-na-argentina-esta-adiada-com-ministro-da-economia-escolhido-por-milei-dizem-empresarios.shtml\">medidas radicais<\/a> que ignoram os efeitos colaterais raramente s\u00e3o a receita mais adequada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas daremos um pouco de cor ao assunto (com o perd\u00e3o dos mec\u00e2nicos): <strong>dolarizar a economia argentina \u00e9 como colocar pneus de trator Caterpillar em um Volkswagen Fusca<\/strong>. Se pensarmos na infla\u00e7\u00e3o como os buracos de uma estrada mal conservada, os enormes pneus instalados no pequeno ve\u00edculo (supondo que essa instala\u00e7\u00e3o seja poss\u00edvel) permitir\u00e3o que ele passe por esses obst\u00e1culos sem dificuldade. Entretanto, o motorista entusiasmado, embora satisfeito por ter superado o inconveniente da infla\u00e7\u00e3o, dificilmente conseguir\u00e1 manobrar livremente nas curvas mais acentuadas e, em geral, em qualquer situa\u00e7\u00e3o que exija agilidade no manuseio do ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, se a nuvem negra e amea\u00e7adora de uma crise internacional estiver surgindo no horizonte, um motorista sensato provavelmente decidir\u00e1 sair da estrada em que est\u00e1 para pegar um desvio que o leve para longe da tempestade ou, pelo menos, lhe d\u00ea tempo suficiente para se preparar antes de sua inevit\u00e1vel chegada. A capacidade de manobra torna-se fundamental nesse contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 exatamente isso que um Banco Central respons\u00e1vel faz quando se depara com choques externos que podem a) reduzir o crescimento econ\u00f4mico abaixo de seu potencial ou b) pressionar a infla\u00e7\u00e3o acima da meta (geralmente entre 2% e 4%). Com isso em mente, uma Argentina que use oficialmente o d\u00f3lar americano e n\u00e3o tenha sua pr\u00f3pria moeda, embora certamente resolva o problema da infla\u00e7\u00e3o descontrolada que sofre hoje, perder\u00e1 a capacidade de fazer as manobras pol\u00edticas necess\u00e1rias para amenizar os efeitos adversos na economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, assim como nosso her\u00f3ico motorista que sofre para manobrar esse quase mitol\u00f3gico b\u00f3lido que inventamos (metade fusca, metade trator), a dolariza\u00e7\u00e3o da economia argentina, embora ofere\u00e7a uma solu\u00e7\u00e3o clara para um dos problemas mais urgentes da Argentina, tamb\u00e9m coloca uma camisa de for\u00e7a na pol\u00edtica econ\u00f4mica do pa\u00eds que limita severamente sua capacidade de responder com flexibilidade \u00e0s v\u00e1rias tempestades econ\u00f4micas que inevitavelmente cair\u00e3o pelo caminho. Isso pode criar problemas de longo prazo com efeitos mais complicados de reverter, como o baixo crescimento potencial cr\u00f4nico, a baixa produtividade e os n\u00edveis perpetuamente altos de pobreza, para citar alguns.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas sejamos mais espec\u00edficos: quais s\u00e3o essas manobras dissuasivas que um banco central pode realizar e que seriam perdidas se Milei optasse por trocar os pneus da dolariza\u00e7\u00e3o? Concentremo-nos nas duas mais importantes: 1) o ajuste da taxa de juros de refer\u00eancia e 2) a capacidade de desvalorizar a moeda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A taxa de refer\u00eancia<\/strong> tem como objetivo influenciar as taxas de juros de curto prazo (e, eventualmente, de longo prazo) na dire\u00e7\u00e3o que o banco central precisa para flexibilizar ou restringir as condi\u00e7\u00f5es financeiras e, com isso, acelerar ou esfriar a economia, dependendo da prioridade do momento (geralmente baixo crescimento ou alta infla\u00e7\u00e3o, embora nos \u00faltimos anos essa dicotomia tenha assumido nuances mais complicadas).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como o banco central garante que um simples n\u00famero em um peda\u00e7o de papel (por exemplo, a ata de uma reuni\u00e3o na qual o n\u00edvel da taxa de refer\u00eancia \u00e9 decidido) tenha o efeito desejado nas taxas de mercado? O principal mecanismo se baseia em um elemento fundamental para a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria em qualquer pa\u00eds: a credibilidade do banco central. Esse \u00e9 um atributo que \u00e9 conquistado com o tempo, por meio da consist\u00eancia entre os an\u00fancios do banco central e o que ele realmente faz. Se o banco central tiver credibilidade, os agentes econ\u00f4micos esperam que ele use as v\u00e1rias ferramentas \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, como opera\u00e7\u00f5es de mercado aberto (compra e venda de instrumentos no mercado), para trazer as taxas de mercado para n\u00edveis muito pr\u00f3ximos de sua taxa de refer\u00eancia. Em outras palavras, os agentes acreditam firmemente que o banco central tem a capacidade de alinhar o mercado com suas decis\u00f5es de pol\u00edtica. Essa seguran\u00e7a e a antecipa\u00e7\u00e3o de que as condi\u00e7\u00f5es financeiras estar\u00e3o onde o banco central quer que elas estejam faz com que o mercado reaja exatamente nessa dire\u00e7\u00e3o, o que implica que o banco central n\u00e3o precisa mais intervir no mercado. Essa \u00e9 a m\u00e1gica da credibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro elemento fundamental que um banco central tem para lidar com choques externos \u00e9 a <strong>capacidade de desvalorizar sua moeda<\/strong>. Expliquemos isso abstraindo temporariamente os controles cambiais e os subs\u00eddios que existem atualmente na Argentina (mas que ser\u00e3o eliminados por meio de medidas j\u00e1 anunciadas pelo novo governo): em uma economia com uma taxa de c\u00e2mbio flex\u00edvel, o valor da moeda flutua em resposta ao equil\u00edbrio entre a oferta e a demanda por essa divisa. Esse equil\u00edbrio est\u00e1 fortemente associado \u00e0 balan\u00e7a comercial do pa\u00eds. Se houver um super\u00e1vit comercial (o pa\u00eds exporta mais do que importa), haver\u00e1 uma press\u00e3o de alta sobre a demanda por sua moeda e sobre seu valor, porque mais moeda estrangeira (digamos, d\u00f3lares) entrar\u00e1 pelas exporta\u00e7\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de d\u00f3lares que sai da economia para pagar as importa\u00e7\u00f5es. Nessa situa\u00e7\u00e3o, os d\u00f3lares ser\u00e3o convertidos pelos exportadores em moeda local (por exemplo, pesos) para pagar folhas de pagamento, impostos etc., pressionando o valor da moeda para cima. Em outras palavras, em termos muito simplificados, uma economia que exporta mais do que importa v\u00ea sua moeda se valorizar e vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que aconteceria, por exemplo, se, diante de uma nova descoberta cient\u00edfica sobre os efeitos da soja na sa\u00fade das pessoas, a demanda por esse importante produto de exporta\u00e7\u00e3o argentino ca\u00edsse drasticamente? Em tal situa\u00e7\u00e3o, a Argentina precisar\u00e1 se tornar mais competitiva internacionalmente para neutralizar parte do efeito dessa queda na demanda por soja. Isso envolver\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os da soja e de seus outros produtos de exporta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a seus principais concorrentes. O mecanismo autom\u00e1tico por meio do qual uma taxa de c\u00e2mbio flex\u00edvel &#8220;ajudaria&#8221; a Argentina a lidar com esse choque e a tornar seus produtos mais baratos no exterior segue esta sequ\u00eancia: 1) o choque negativo na demanda internacional por soja reduz as exporta\u00e7\u00f5es argentinas desse produto; 2) as menores exporta\u00e7\u00f5es implicam uma menor entrada (oferta) de d\u00f3lares na economia argentina e uma menor demanda por pesos; 3) o peso se desvaloriza como consequ\u00eancia disso; 4) a desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso implica que os produtos argentinos (com os mesmos pre\u00e7os em pesos de antes) agora est\u00e3o mais baratos (em d\u00f3lares) e em uma melhor posi\u00e7\u00e3o competitiva em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses concorrentes. Por fim, 5) isso permite que o pa\u00eds recupere, at\u00e9 certo ponto, o n\u00edvel de exporta\u00e7\u00f5es que mantinha antes do choque externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma economia dolarizada, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 mais uma moeda pr\u00f3pria que possa ser desvalorizada, esse mecanismo autom\u00e1tico de estabiliza\u00e7\u00e3o deixa de funcionar e o ajuste aos choques externos pode se dar por meio de uma queda acentuada nos pre\u00e7os e sal\u00e1rios (defla\u00e7\u00e3o). Em vez de o banco central poder regular o n\u00edvel da oferta monet\u00e1ria em sua pr\u00f3pria moeda (mais ou menos dinheiro em circula\u00e7\u00e3o), em uma economia dolarizada, a quantidade de d\u00f3lares em circula\u00e7\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia principalmente a) da quantidade de reservas que o pa\u00eds tem, b) do que acontece com os saldos externos (por exemplo, a deteriora\u00e7\u00e3o da balan\u00e7a de pagamentos em nosso exemplo anterior) e c) das decis\u00f5es de pol\u00edtica monet\u00e1ria tomadas pelo Federal Reserve nos Estados Unidos. Em outras palavras, isso depende em grande parte de fatores fora do controle do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ajuste deflacion\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o aos choques externos inevitavelmente leva a per\u00edodos de crescimento d\u00e9bil e recess\u00f5es, o que, ali\u00e1s, explica grande parte da hist\u00f3ria menos feliz do Equador, um pa\u00eds que \u00e9 constantemente mencionado como um exemplo de dolariza\u00e7\u00e3o bem-sucedida, tendo eliminado o problema da infla\u00e7\u00e3o (um efeito quase autom\u00e1tico da dolariza\u00e7\u00e3o), mas que vem crescendo, de acordo com o <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/NY.GDP.MKTP.KD.ZG?locations=EC\">Banco Mundial<\/a>, a uma taxa m\u00e9dia de 2,87% nos \u00faltimos 20 anos, um n\u00edvel muito mais baixo do que deveria ter experimentado, dado seu n\u00edvel de desenvolvimento e os superciclos de pre\u00e7os de commodities que ocorreram nesse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, l\u00e1 vai o nosso fusquinha, parecendo estranho com aqueles pneus que n\u00e3o foram feitos sob medida e que o impedem de fazer as manobras dissuasivas de que precisa para enfrentar os riscos que tem pela frente. Independentemente de a instala\u00e7\u00e3o dos pneus de dolariza\u00e7\u00e3o ser vi\u00e1vel (ser\u00e1 poss\u00edvel obter d\u00f3lares suficientes para fazer a convers\u00e3o?), est\u00e1 claro que se perde muito mais do que se ganha com essas medidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, qual \u00e9 a alternativa? A primeira \u00e9 reconhecer que nenhuma solu\u00e7\u00e3o \u00e9 simples e que todas elas implicam em altos custos. Com isso em mente, poucos economistas discordariam que o cen\u00e1rio ideal (ou <em>first best<\/em>) \u00e9 aquele em que a Argentina mant\u00e9m sua pr\u00f3pria moeda e, portanto, n\u00e3o perde sua pol\u00edtica monet\u00e1ria, nem sua capacidade de realizar desvaloriza\u00e7\u00f5es competitivas (nem seu papel de emprestador de \u00faltima inst\u00e2ncia, que tamb\u00e9m \u00e9 um ponto fundamental, mas que n\u00e3o abordaremos neste artigo).<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e do cordeiro, no entanto, est\u00e1 no consenso pol\u00edtico que Javier Milei consegue para realizar as reformas necess\u00e1rias para alcan\u00e7ar esse<em> first best<\/em>, o que significa reparar a estrada econ\u00f4mica em vez de colocar os pneus errados no carro que ele dirigir\u00e1 pelos pr\u00f3ximos quatro anos. O reparo das estradas implica um programa dr\u00e1stico de consolida\u00e7\u00e3o fiscal para fechar o d\u00e9ficit e, com ele, a necessidade de abusar da famigerada &#8220;maquinita&#8221; (imprimir pesos para financi\u00e1-lo), que \u00e9 a fonte quase exclusiva do incremento explosivo da infla\u00e7\u00e3o na Argentina. E para demonstrar um bot\u00e3o (ou dois): o Chile e o Peru fizeram isso nos anos 80 e 90. O ajuste foi duro, mas ambos os pa\u00edses conseguiram sair da crise, eliminar os controles de pre\u00e7os e manter d\u00e9cadas de infla\u00e7\u00e3o baixa e estabilidade macroecon\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, os exemplos desses dois pa\u00edses tamb\u00e9m mostram que n\u00e3o basta tapar buracos e asfaltar a estrada. As regras do caminho devem ser claras e execut\u00e1veis. &#8220;Curva Perigosa&#8221; e &#8220;Desacelere&#8221; s\u00e3o sinais que toda estrada em um pa\u00eds s\u00e9rio deve ter e que a economia deve replicar na forma de, por exemplo, regras fiscais com limites claros, independ\u00eancia do banco central e disposi\u00e7\u00f5es constitucionais que pro\u00edbam o controle de pre\u00e7os e o uso de subs\u00eddios como armas pol\u00edticas. Isso implica que as reformas estruturais devem ser acompanhadas de uma reforma constitucional completa. Obviamente, o que a Argentina n\u00e3o deve reproduzir do Peru e do Chile s\u00e3o os golpes de Estado que precederam essas reformas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, declarando-me um f\u00e3 incondicional de analogias baseadas em profiss\u00f5es sobre as quais n\u00e3o sei absolutamente nada, deixo voc\u00eas com uma met\u00e1fora alternativa (desta vez com o perd\u00e3o dos bombeiros?): Dolarizar a economia argentina \u00e9 como tentar apagar uma vela com um extintor de inc\u00eandio. Embora voc\u00ea consiga apagar a perigosa chama da infla\u00e7\u00e3o, voc\u00ea tamb\u00e9m sufoca todas as outras que s\u00e3o vitais para uma economia saud\u00e1vel, como a capacidade de afetar as condi\u00e7\u00f5es financeiras por meio da taxa de refer\u00eancia, a possibilidade de desvalorizar uma moeda nacional e o papel crucial do Banco Central como emprestador de \u00faltima inst\u00e2ncia. O resultado \u00e9 <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/argentina-ayn-rand-e-o-romance-de-milei\/\">deixar a economia na escurid\u00e3o total<\/a>, sem as ferramentas necess\u00e1rias para iluminar seu caminho e enfrentar as tempestades que est\u00e3o por vir. Deixo para voc\u00eas decidirem se a dolariza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais como manobrar um Volkswagen Fusca com um complexo de Monster Truck ou andar \u00e0s cegas em uma estrada esburacada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dolariza\u00e7\u00e3o foi o cerne da campanha de Javier Milei e, sem d\u00favida, uma das propostas pragm\u00e1ticas e sem rodeios que mais repercutiram no eleitorado argentino. Mas o que significaria dolarizar a economia argentina?<\/p>\n","protected":false},"author":417,"featured_media":35145,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16734,16750],"tags":[15839],"gps":[],"class_list":{"0":"post-35069","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-argentina-pt-br","8":"category-economia-pt-br","9":"tag-ideias-pt-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/417"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35069\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35145"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35069"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=35069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}