{"id":3558,"date":"2021-01-21T08:52:50","date_gmt":"2021-01-21T11:52:50","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=3558"},"modified":"2021-01-22T07:34:34","modified_gmt":"2021-01-22T10:34:34","slug":"fronteiras-violentas-na-america-do-sul-em-tempos-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/fronteiras-violentas-na-america-do-sul-em-tempos-da-covid-19\/","title":{"rendered":"Fronteiras violentas na Am\u00e9rica do Sul em tempos da Covid-19"},"content":{"rendered":"\n<p>O fechamento das fronteiras internacionais que ocorreu em grande parte do mundo para conter a pandemia da COVID-19 trouxe consequ\u00eancias econ\u00f4micas e sociais que afetaram a popula\u00e7\u00e3o mundial de muitas maneiras. Neste marco, mulheres, meninas e migrantes s\u00e3o os grupos mais vulner\u00e1veis e, portanto, os mais expostos \u00e0 inseguran\u00e7a e \u00e0 viol\u00eancia criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora esta tenha sido uma tend\u00eancia crescente, de acordo com os \u00faltimos relat\u00f3rios anuais do Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Drogas e Crime (UNDOC), a chegada da COVID-19 levou a um aumento significativo do tr\u00e1fico de pessoas para explora\u00e7\u00e3o sexual, bem como tamb\u00e9m do tr\u00e1fico de mulheres e meninas migrantes em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos de emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, a viol\u00eancia nas fronteiras \u2013 militariza\u00e7\u00e3o, inseguran\u00e7a em zonas de travessia, ou viol\u00eancia de g\u00eanero \u2013 juntamente com a din\u00e2mica de recrutamento interno e\/ou local, \u2013 perpetrada por gangues com diferentes graus de complexidade organizacional \u2013 s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es mais evidentes da mercantiliza\u00e7\u00e3o humana atrav\u00e9s do contrabando e do tr\u00e1fico. Isto foi alimentado, por sua vez, pelo agravamento de uma crise socioecon\u00f4mica complexa pr\u00e9-existente na maioria dos pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fronteiras violentas no Cone Sul<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia em suas diversas formas \u00e9 um fen\u00f4meno estrutural na Am\u00e9rica Latina. Com 8% da popula\u00e7\u00e3o mundial, a regi\u00e3o \u00e9 uma das mais violentas do mundo, lar de 41 das 50 cidades com as mais altas taxas de homic\u00eddios a n\u00edvel global. Dentro desta estrutura, as fronteiras desempenham um papel fundamental na viol\u00eancia criminal, que na maioria dos casos \u00e9 o resultado das intera\u00e7\u00f5es do crime organizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por serem espa\u00e7os mal policiados pelos Estados, as regi\u00f5es fronteiri\u00e7as s\u00e3o pontos focais para a viol\u00eancia criminosa. Ali convergem diferentes tipos de crimes transnacionais, como o tr\u00e1fico de drogas ou o contrabando de armas, fauna ou pessoas, que tendem a ser justapostos, gerando diferentes manifesta\u00e7\u00f5es e graus de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Atlas da Viol\u00eancia (2018), a Am\u00e9rica Latina tem 36 fronteiras e 155 pontos fronteiri\u00e7os, dos quais 30% t\u00eam taxas de mortalidade epid\u00eamica. V\u00e1rios deles est\u00e3o concentrados na Am\u00e9rica Central (Guatemala-Honduras, Guatemala-El Salvador e El Salvador-Honduras) e em alguns pa\u00edses sul-americanos, como as correspondentes entre Col\u00f4mbia e Venezuela, Bol\u00edvia e Brasil, Col\u00f4mbia e Equador, Venezuela e Brasil, e Paraguai e Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos esses casos, a viol\u00eancia fronteiri\u00e7a \u00e9 frequentemente impulsionada pelo tr\u00e1fico de drogas e pela expans\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es criminosas transnacionais. Estes, por sua vez, convergem nas fronteiras, diversificando suas atividades il\u00edcitas lucrativas atrav\u00e9s de outros crimes, como o tr\u00e1fico de pessoas e o contrabando de migrantes, especialmente mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das fronteiras da Am\u00e9rica do Sul com a maior viol\u00eancia criminal, incluindo a venda de pessoas, principalmente venezuelanos, com destino a Trinidad e Tobago, s\u00e3o o Delta Amacuro, o tr\u00e1fico de pessoas de Zulia para a Col\u00f4mbia, a passagem Aguas Blancas-Bermejo na Argentina ou Rumichaca na Col\u00f4mbia. Outros casos incluem o tr\u00e1fico de mulheres na Tr\u00edplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai e as redes de contrabando de migrantes que conectam organiza\u00e7\u00f5es criminosas na Venezuela e em Trinidad e Tobago com a coniv\u00eancia policial e pol\u00edtica de ambos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, as mulheres e meninas migrantes s\u00e3o as principais v\u00edtimas de abuso f\u00edsico e psicol\u00f3gico e de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos. Entretanto, neste cen\u00e1rio, as pol\u00edticas de gerenciamento de fronteiras dos pa\u00edses envolvidos muitas vezes est\u00e3o apenas na metade do caminho, ou s\u00e3o disfuncionais ou mesmo inexistentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A brecha sul-americana<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A migra\u00e7\u00e3o irregular atrav\u00e9s das fronteiras internacionais \u00e9 um fen\u00f4meno do qual pouco se sabe. Na verdade, as estat\u00edsticas oficiais \u2013 baseadas principalmente no n\u00famero de chegadas e\/ou migrantes detidos na fronteira \u2013 s\u00e3o limitadas. Por sua natureza e din\u00e2mica (rotas, perpetradores, <em>modus operandi<\/em>), \u00e9 frequentemente justaposta ao crime de tr\u00e1fico de pessoas, quando na realidade s\u00e3o fen\u00f4menos distintos, embora relacionados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do conhecimento limitado, a maioria dos relat\u00f3rios tende a se concentrar na Am\u00e9rica Central e no M\u00e9xico, deixando o resto da regi\u00e3o em segundo plano. Portanto, o tr\u00e1fico de migrantes na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 um fen\u00f4meno latente, mas muito pouco conhecido, pois n\u00e3o se conhece o tamanho real do problema ou o n\u00edvel de letalidade envolvido na travessia por rotas clandestinas. N\u00e3o temos sequer um conhecimento confi\u00e1vel dessas rotas ou dos perfis das v\u00edtimas e dos facilitadores\/perpetradores da migra\u00e7\u00e3o irregular. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio gerar mais conhecimento sobre o tr\u00e1fico de migrantes na Am\u00e9rica do Sul, a fim de definir pol\u00edticas abrangentes que facilitem a coopera\u00e7\u00e3o em termos de seguran\u00e7a de fronteiras e interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00f5es, respeitando os direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p><sub> <em>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Maria Isabel Santos Lima<\/em><\/sub><\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Foto de la Comisi\u00f3n Interamericana de Derechos Humanos en Foter.com \/ CC BY<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, a viol\u00eancia nas fronteiras &#8211; militariza\u00e7\u00e3o, inseguran\u00e7a na travessia de \u00e1reas, ou viol\u00eancia baseada em g\u00eanero &#8211; e o recrutamento interno e\/ou local s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es mais evidentes da mercantiliza\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico e contrabando de pessoas.<\/p>\n","protected":false},"author":180,"featured_media":3557,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16785,16785,16901,16901,16903,16903,14534,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-3558","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-covid-19-es-pt-br","9":"category-crisis-social-pt-br","11":"category-fronteras-pt-br","13":"category-violencia","14":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/180"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3558\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3557"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3558"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=3558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}