{"id":358,"date":"2019-01-24T12:48:28","date_gmt":"2019-01-24T15:48:28","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=358"},"modified":"2023-01-08T21:09:59","modified_gmt":"2023-01-09T00:09:59","slug":"desigualdade-e-subdesenvolvimento-humano-qual-e-a-conexao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/desigualdade-e-subdesenvolvimento-humano-qual-e-a-conexao\/","title":{"rendered":"Desigualdade e subdesenvolvimento: qual \u00e9 a conex\u00e3o?"},"content":{"rendered":"\n<p>No Latinoamerica 21, falamos muito sobre desigualdade, uma das piores m\u00e1culas da Am\u00e9rica Latina. E \u00e9 fato que nossa regi\u00e3o continua a ser uma das mais desiguais do planeta. Reduzir a pobreza e a desigualdade foi, no come\u00e7o do s\u00e9culo, uma das prioridades pol\u00edticas em alguns pa\u00edses latino-americanos, mas hoje essa tarefa parece ter sido de novo sobrepujada por outras prefer\u00eancias. Os novos governos de direita na regi\u00e3o, com suas estrat\u00e9gias populistas e com as reformas tribut\u00e1rias que encetaram, claramente n\u00e3o parecem priorizar seriamente a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade. Isso deveria nos preocupar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Uma desigualdade elevada n\u00e3o \u00e9 indesej\u00e1vel apenas por quest\u00f5es \u00e9ticas; tamb\u00e9m pode ser desastrosa em termos socioecon\u00f4micos&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Alguma desigualdade faz bem. Sem ela, os incentivos ao investimento, a acumula\u00e7\u00e3o de capital (tanto f\u00edsico quanto humano), o esfor\u00e7o e a aceita\u00e7\u00e3o de riscos necess\u00e1rios desapareceriam. Mas quando a desigualdade \u00e9 grande demais, seus custos come\u00e7am a escapar ao controle. Uma desigualdade elevada n\u00e3o \u00e9 indesej\u00e1vel apenas por quest\u00f5es \u00e9ticas; tamb\u00e9m pode ser desastrosa em <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2019\/01\/1655462\">termos socioecon\u00f4micos<\/a>. Uma desigualdade alta desmoraliza os cidad\u00e3os que dela padecem (os pobres), e pode reduzir o incentivo para que elevem sua produtividade, por exemplo por meio de estudo ou de um esfor\u00e7o maior no trabalho. E a desigualdade elevada afeta a todos. Rompe a coes\u00e3o social, gera conflitos sociais e desemboca em conflitos pol\u00edticos (que podem se tornar violentos), em populismos (tanto de direita quanto de esquerda), em corrup\u00e7\u00e3o e em pol\u00edticas incorretas. Assim, a desigualdade conduz ao subdesenvolvimento institucional, que por sua vez refor\u00e7a a din\u00e2mica de concentra\u00e7\u00e3o de renda. Um c\u00edrculo vicioso que se intensifica e vem sendo a realidade de quase todos os pa\u00edses de nossa regi\u00e3o ao longo de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os custos da desigualdade v\u00e3o ainda al\u00e9m. Hoje existe um indicador internacional muito reconhecido para avaliar o \u00edndice de desenvolvimento dos pa\u00edses nesse campo, o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), compilado e divulgado regularmente pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O IDH \u00e9 um indicador que combina informa\u00e7\u00f5es sobre produ\u00e7\u00e3o per capita, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Com base nos dados do relat\u00f3rio do PNUD em 2018, a maioria dos pa\u00edses de nossa regi\u00e3o apresenta \u00edndice de entre 0,6 e 0,85 (sendo 1 o n\u00edvel m\u00e1ximo). A m\u00e9dia da regi\u00e3o \u00e9 de 0,76, mas h\u00e1 diferen\u00e7as importantes, \u00e9 claro. Chile, Argentina e Uruguai est\u00e3o no topo da lista, com IDH superior a 0,8, o que os posiciona como pa\u00edses de desenvolvimento humano muito alto. A Bol\u00edvia e diversos pa\u00edses centro-americanos t\u00eam IDH de entre 0,6 e 0,7, o que representa desenvolvimento humano m\u00e9dio. O Haiti, o pa\u00eds latino-americano com a pior classifica\u00e7\u00e3o, tem IDH de 0,5, e \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds da regi\u00e3o com desenvolvimento humano baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Avaliando os dados dos \u00faltimos anos, por\u00e9m, nem todos os\npa\u00edses da regi\u00e3o v\u00eam evoluindo de maneira semelhante. Enquanto em alguns\npa\u00edses, como a Costa Rica e o Equador, o IDH mostra evolu\u00e7\u00e3o constante, em\noutros o progresso parou, como no Paraguai, Col\u00f4mbia, Venezuela e Brasil (que\noutrora liderava a regi\u00e3o em termos de crescimento do IDH).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao estudar a evolu\u00e7\u00e3o do IDH em todos os pa\u00edses do mundo nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, \u00e9 poss\u00edvel discernir um dos grandes custos da desigualdade. Como mostramos em uma pesquisa publicada recentemente pela revista cient\u00edfica Sustainable Development, uma an\u00e1lise detalhada dos danos revela que a desigualdade (tanto seu n\u00edvel quanto sua evolu\u00e7\u00e3o) \u00e9 fator determinante para explicar o (sub)desenvolvimento humano (tanto seu n\u00edvel quanto sua evolu\u00e7\u00e3o). Em outras palavras, desigualdade parece causar subdesenvolvimento humano. Assim, quando os pa\u00edses enfrentam desigualdade maior, isso prejudica n\u00e3o s\u00f3 o desempenho econ\u00f4mico de todo o pa\u00eds como tamb\u00e9m seus n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o e <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/a-ineficiencia-dos-sistemas-de-saude-da-america-latina\/\">sa\u00fade<\/a>. A mensagem \u00e9 clara: se desejamos uma Am\u00e9rica Latina realmente pr\u00f3spera, a luta contra a desigualdade tem que voltar a ter prioridade m\u00e1xima na agenda pol\u00edtica de nossos governos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E \u00e9 fato que nossa regi\u00e3o continua a ser uma das mais desiguais do planeta. Reduzir a pobreza e a desigualdade foi, no come\u00e7o do s\u00e9culo, uma das prioridades pol\u00edticas em alguns pa\u00edses latino-americanos, mas hoje essa tarefa parece ter sido de novo sobrepujada por outras prefer\u00eancias. <\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":356,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16716,14384],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-358","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-desigualdad-es-pt-br","8":"category-desigualdade"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=358"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}