{"id":36175,"date":"2024-01-03T09:00:00","date_gmt":"2024-01-03T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=36175"},"modified":"2024-01-03T11:05:04","modified_gmt":"2024-01-03T14:05:04","slug":"rt-desinformacao-sem-fronteiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/rt-desinformacao-sem-fronteiras\/","title":{"rendered":"RT: desinforma\u00e7\u00e3o sem fronteiras"},"content":{"rendered":"\n<p>Recentemente, an\u00fancios com um logotipo verde e o acr\u00f4nimo &#8220;RT&#8221; apareceram em v\u00e1rias partes do M\u00e9xico &#8211; especialmente na capital &#8211; acompanhados da mensagem: &#8220;A informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem fronteiras&#8221;. Surpreendentemente, a r\u00e1pida expans\u00e3o da propaganda em formatos que v\u00e3o desde outdoors em avenidas, esta\u00e7\u00f5es de metrobus, transmiss\u00f5es de v\u00eddeo em telas em locais p\u00fablicos e shopping centers, at\u00e9 conex\u00f5es wifi no Aeroporto Internacional da Cidade do M\u00e9xico. Embora na Am\u00e9rica Latina a m\u00eddia russa possa ser vista na TV a cabo &#8211; ou em pa\u00edses como a Argentina, na televis\u00e3o p\u00fablica &#8211; uma campanha publicit\u00e1ria semelhante \u00e9 impressionante no contexto regional. Do que se trata? Por que aqui e agora?<\/p>\n\n\n\n<p>Para que desinformar?<\/p>\n\n\n\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma atividade intencional e planejada por agentes que buscam deliberadamente objetivos estrat\u00e9gicos pol\u00edticos, militares ou econ\u00f4micos. Como explicou Tomas Rid (<em>Desinforma\u00e7\u00e3o e guerra pol\u00edtica: hist\u00f3ria de um s\u00e9culo de desinforma\u00e7\u00e3o e engano<\/em>), a desinforma\u00e7\u00e3o, concebida como agenda do Estado, come\u00e7ou h\u00e1 um s\u00e9culo na R\u00fassia &#8211; a palavra tem uma express\u00e3o russa, \u0434\u0435\u0437\u0438\u043d\u0444\u043e\u0440\u043c\u0430\u0446\u0438\u044f, <em>dezinformatsiya<\/em>. Na d\u00e9cada de 1970, a poderosa KGB &#8211; a ag\u00eancia e o aparato de intelig\u00eancia da ent\u00e3o URSS &#8211; transformou-a em uma ci\u00eancia operacional, com grandes burocracias, or\u00e7amentos generosos e alcances globais. A revolu\u00e7\u00e3o digital, com a expans\u00e3o do acesso a novas tecnologias e \u00e0 Internet, tornou a desinforma\u00e7\u00e3o mais viral, mais r\u00e1pida e mais barata.<\/p>\n\n\n\n<p>As campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o atacam a ordem epist\u00eamica e pol\u00edtica liberal, baseada na discuss\u00e3o pluralista de ideias e na constru\u00e7\u00e3o deliberativa de consensos. A confus\u00e3o, o agravamento e a polariza\u00e7\u00e3o induzidos pela desinforma\u00e7\u00e3o corroem essa ordem. Entre outros, <a href=\"https:\/\/dialogopolitico.org\/documentos\/dp-enfoque\/dp-enfoque-10-kremlin\/\">os trabalhos de Johanna Cilano e Mar\u00eda Isabel Puerta<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.ned.org\/contrarrestar-las-operaciones-de-informacion-de-actores-autoritarios-en-latinoamerica\/\">de Iria Puyosa e Marivi Marin<\/a> revelam que os regimes autorit\u00e1rios intensificam seus esfor\u00e7os para manipular o ecossistema internacional de informa\u00e7\u00f5es, buscando disseminar ideias n\u00e3o liberais, minar as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas nacionais e internacionais, promover seus interesses e apoiar seus aliados locais. Veja, no caso da RT em espanhol, a presen\u00e7a na programa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de &#8220;an\u00e1lise&#8221;, como o conduzido pelo ex-presidente equatoriano Rafael Correa, um promotor do projeto bolivariano, semelhante ao &#8220;multipolarismo&#8221; promovido por Moscou. Tamb\u00e9m a constante desqualifica\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia ucraniana \u00e0 invas\u00e3o russa ou o apoio interesseiro ao atual movimento de protesto contra a minera\u00e7\u00e3o no Panam\u00e1 &#8211; um movimento, a prop\u00f3sito, que n\u00e3o poderia se desenvolver sob as condi\u00e7\u00f5es atuais de fechamento do espa\u00e7o c\u00edvico na R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental entender certas diferen\u00e7as essenciais entre os modelos de comunica\u00e7\u00e3o e seu v\u00ednculo com as respectivas ordens pol\u00edticas. N\u00e3o s\u00e3o iguais os meios p\u00fablicos das democracias &#8211; como a BBC ou a DW &#8211; com os canais estatais das autocracias. Os primeiros operam sujeitos \u00e0s regulamenta\u00e7\u00f5es do estado de direito, ao escrut\u00ednio do cidad\u00e3o, \u00e0 concorr\u00eancia sindical e \u00e0s influ\u00eancias pol\u00edticas de uma pluralidade de opini\u00f5es. Os segundos obedecem mais a uma miss\u00e3o propagand\u00edstica do que informativa, o que acomoda a diversidade e as contradi\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas a qualquer realidade aos mandatos e vis\u00f5es de um poder no qual o governo, o Estado e o regime est\u00e3o concentrados em poucas m\u00e3os e, muitas vezes, em uma \u00fanica pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 crucial entender a diferen\u00e7a entre a produ\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es segundo os padr\u00f5es das sociedades democr\u00e1ticas e a natureza e o efeito da propaganda autocr\u00e1tica. Essa diferen\u00e7a est\u00e1 em seus n\u00edveis divergentes de apego \u00e0 verdade, na possibilidade de debater ideias e na pluralidade e abertura ao di\u00e1logo do discurso promovido. Entre ambas, contrastam seus fundamentos epist\u00eamicos, deontol\u00f3gicos, pol\u00edticos e midi\u00e1ticos. As sociedades abertas, acostumadas \u00e0 transpar\u00eancia democr\u00e1tica, tendem a estar abertas ao acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cr\u00edtica de seus pr\u00f3prios problemas, mas tamb\u00e9m desconhecem as realidades e as amea\u00e7as representadas pelo comportamento autorit\u00e1rio. Dessa forma, elas se tornam presas f\u00e1ceis da desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O entorno mexicano<\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Vladimir Putin impulsionou as aspira\u00e7\u00f5es globais do Kremlin de exercer uma influ\u00eancia ativa e diversificada sobre o chamado &#8220;sul global&#8221;. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam sido fundamentais para a difus\u00e3o de ideias e valores n\u00e3o liberais, buscando influenciar governos e sociedades a partir de uma perspectiva que denuncia o legado democr\u00e1tico liberal &#8211; sociedades abertas, diversidade sexual, autonomia dos cidad\u00e3os, pluralismo pol\u00edtico &#8211; como uma mera imposi\u00e7\u00e3o colonialista de um Ocidente imperial. O discurso \u00e9 projetado com particular insist\u00eancia em pa\u00edses da \u00c1frica, \u00c1sia, Europa Oriental e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme analisamos juntamente com Vladimir Rouvinski (&#8216;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/lamp.12290\">Russia&#8217;s many wars and their effects on Latin America<\/a>&#8216;) e Claudia Gonz\u00e1lez (<a href=\"https:\/\/dialogopolitico.org\/documentos\/dp-enfoque\/dpenfoque-rusia-en-latinoamerica\/\">El poder de Rusia en Latinoam\u00e9rica<\/a>), os meios de comunica\u00e7\u00e3o Russia Today (RT) e Sputnik s\u00e3o os elementos mais vis\u00edveis, mas n\u00e3o os \u00fanicos, da guerra de informa\u00e7\u00f5es que est\u00e1 se espalhando pela televis\u00e3o, pelas redes sociais, pelo setor educacional e pelas di\u00e1sporas russas no exterior. Na Am\u00e9rica Latina, muitas pessoas agora veem essas m\u00eddias como fontes alternativas leg\u00edtimas de informa\u00e7\u00e3o, e pessoas influentes ligadas \u00e0 R\u00fassia t\u00eam milh\u00f5es de seguidores de l\u00edngua espanhola nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O M\u00e9xico abriga a maior popula\u00e7\u00e3o de l\u00edngua espanhola do mundo, uma grande parte da qual &#8211; especialmente a que vive nas \u00e1reas fronteiri\u00e7as ou a que emigrou diretamente &#8211; interage estreitamente com a sociedade dos Estados Unidos. De fato, a proximidade do M\u00e9xico com o territ\u00f3rio do inimigo jurado do Kremlin fez dele, desde a Guerra Fria, um local privilegiado para a presen\u00e7a de agentes e funcion\u00e1rios do Estado russo: a quantidade de funcion\u00e1rios da embaixada na Cidade do M\u00e9xico excede a das lega\u00e7\u00f5es de outras na\u00e7\u00f5es europeias que mant\u00eam um com\u00e9rcio muito maior com a na\u00e7\u00e3o asteca. Paralelamente, as atividades de promo\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo?fbid=672292368411408&amp;set=pcb.672292545078057\">rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=670722768568368&amp;set=a.449855337321780\">influ\u00eancia cultural<\/a> &#8211; realizadas, entre outras, pela chamada Casa Russa na capital mexicana &#8211; s\u00e3o uma tarefa distinta que fornece um terreno f\u00e9rtil para a propaganda de RT. A tudo isso deve ser acrescentada uma s\u00e9rie de afinidades parciais entre as ideologias e mentalidades das elites e dos grupos sociais que sustentam os governos de ambos os pa\u00edses, como o antiamericanismo, o iliberalismo, a lideran\u00e7a messi\u00e2nica, o nacionalismo e o estatismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, h\u00e1 claras diferen\u00e7as estruturais que separam um governo populista como o do M\u00e9xico, que opera dentro dos limites de um regime formalmente democr\u00e1tico, de uma autocracia como a da R\u00fassia, em que os controles do poder dependem da vontade e das capacidades do l\u00edder. A R\u00fassia \u00e9 dominada por um Estado de ideologia reacion\u00e1ria &#8211; disfar\u00e7ada de &#8220;tradi\u00e7\u00e3o nacional&#8221; &#8211; que criminaliza a comunidade, a agenda e o ativismo LGBT, ilegaliza formas de ativismo social independente &#8211; dos direitos humanos \u00e0 mem\u00f3ria hist\u00f3rica &#8211; e recorre a aparatos de poder policiais, religiosos e mafiosos como formas de controle social. A partir de outras coordenadas, na sociedade e na pol\u00edtica mexicana &#8211; tanto no partido governista quanto na oposi\u00e7\u00e3o &#8211; o imagin\u00e1rio liberal mant\u00e9m uma legitimidade incompar\u00e1vel, tanto em suas formas cl\u00e1ssicas ligadas \u00e0s metas e institui\u00e7\u00f5es da transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica quanto em novos movimentos e identidades, confrontados com a cultura pol\u00edtica conservadora e os costumes do antigo regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Desafios para uma opini\u00e3o p\u00fablica democr\u00e1tica<\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00edvel global, pelo menos at\u00e9 a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, a resposta \u00e0 <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/operacao-especial-na-ucrania-desinformacao-e-censura-na-america-latina\/\">desinforma\u00e7\u00e3o promovida pelo Kremlin<\/a> foi tardia, fr\u00e1gil e descoordenada. Ela se baseou principalmente em medidas reativas e defensivas, como a remo\u00e7\u00e3o do acesso aos canais russos, programas de alfabetiza\u00e7\u00e3o em comunica\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es verificadas nas redes sociais. Especialistas como T. Kent (<em>Striking Back. Overt and covert options to combat Russian disinformation<\/em>) pediram mais apoio para ativistas e jornalistas na R\u00fassia e em outras na\u00e7\u00f5es que combatem a desinforma\u00e7\u00e3o de RT, Sputnik e ve\u00edculos semelhantes, tanto no<em> mass media <\/em>tradicional quanto no ciberespa\u00e7o. Neste trabalho, s\u00e3o fundamentais as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que promovem a transpar\u00eancia e a veracidade das informa\u00e7\u00f5es, bem como o papel dos especialistas em comunica\u00e7\u00e3o social, seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o c\u00edvica, no confronto direto com<em> trolls <\/em>e propagandistas.<\/p>\n\n\n\n<p>As democracias do s\u00e9culo XXI n\u00e3o podem ignorar as li\u00e7\u00f5es das campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o da Guerra Fria, reformuladas por seus inimigos autocr\u00e1ticos na atual era digital. O compromisso da democracia significa colocar a objetividade forjada na an\u00e1lise pluralista e no debate plural de evid\u00eancias antes da influ\u00eancia das <em>medidas ativas<\/em>. Isso, entre outras coisas, contribui para a vitalidade das condi\u00e7\u00f5es socioculturais e das liberdades p\u00fablicas que sustentam as sociedades abertas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa atitude de defender a verdade n\u00e3o pode ser confundida com a russofobia, herdeira do anticomunismo vulgar da Guerra Fria, que confunde regime com sociedade e propaganda oficial com cultura nacional. Apesar dos retrocessos dos \u00faltimos anos, a R\u00fassia \u00e9 &#8211; assim como o mundo ao seu redor &#8211; socialmente mais diversa, politicamente mais plural e culturalmente menos reacion\u00e1ria do que afirmam os donos da RT. ~<\/p>\n\n\n\n<p><em><sup>*Texto publicado originalmente no Letras Libres<\/sup><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As democracias do s\u00e9culo XXI n\u00e3o podem ignorar as li\u00e7\u00f5es das campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o da Guerra Fria, reformuladas por seus inimigos autocr\u00e1ticos na atual era digital.<\/p>\n","protected":false},"author":350,"featured_media":36163,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16976,17137,16947,16794],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-36175","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-rusia-es-pt-br","8":"category-comunicacion-pt-br","9":"category-internet-es-pt-br","10":"category-desinformacion-pt-br","11":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36175"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36175\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36175"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=36175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}