{"id":37549,"date":"2024-02-05T15:00:00","date_gmt":"2024-02-05T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=37549"},"modified":"2024-02-05T16:23:09","modified_gmt":"2024-02-05T19:23:09","slug":"37-venezuelanos-cruzaram-o-darien-a-cada-hora-em-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/37-venezuelanos-cruzaram-o-darien-a-cada-hora-em-2023\/","title":{"rendered":"37 venezuelanos cruzaram o Dari\u00e9n a cada hora em 2023"},"content":{"rendered":"\n<p>A venezuelana Carolina Jim\u00e9nez, que preside a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental <a href=\"https:\/\/www.wola.org\/es\/analisis\/crisis-economica-falta-garantias-democraticas-impide-migrantes-retornar-venezuela-entrevista-carolina-jimenez-red-forma\/\">Oficina de Washington para a Am\u00e9rica Latina<\/a> (WOLA, na sua sigla em ingl\u00eas), destacou o seguinte n\u00famero: 1% da popula\u00e7\u00e3o total da Venezuela atravessou <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-destampao-de-darien-a-outra-migracao\/\">a selva de Dari\u00e9n<\/a> em 2023. Analisando os n\u00fameros oficiais do Panam\u00e1, outro n\u00famero \u00e9 igualmente chocante: durante cada hora do ano passado, uma m\u00e9dia de 37 venezuelanos foram contabilizados cruzando esse perigoso e in\u00f3spito corredor migrat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com as cifras oficiais das autoridades panamenhas, em 2020 apenas 8.594 migrantes cruzaram a selva que separa o pa\u00eds da Col\u00f4mbia. No ano seguinte, o fen\u00f4meno se multiplicou e chegou a 133.726 pessoas, em 2022 foram 248.283 e um ano depois, em 2023, o n\u00famero, por si s\u00f3 revelador de uma grande crise, simplesmente duplicou, chegando a 520.085.<\/p>\n\n\n\n<p>328.667 venezuelanos, 57.222 equatorianos, 46.558 haitianos e 25.344 chineses foram &#8220;as nacionalidades mais recorrentes na travessia&#8221; no ano passado, de acordo com o Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica do Panam\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Jim\u00e9nez chamou a aten\u00e7\u00e3o, em particular, para o \u00eaxodo massivo proveniente da Venezuela em resposta \u00e0 crise humanit\u00e1ria &#8211; agravada em 2023 &#8211; e para a falta de solu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas em meio ao que os analistas estimam ter sido um processo de estabiliza\u00e7\u00e3o da ditadura de Nicol\u00e1s Maduro.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas revelam que os venezuelanos n\u00e3o s\u00f3 enfrentam s\u00e9rios problemas de acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos, bem como uma situa\u00e7\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00e3o em termos de sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma desesperan\u00e7a generalizada devido \u00e0 falta de perspectivas de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Jim\u00e9nez considera escandaloso o fato de que 63% do total de migrantes que cruzaram o Dari\u00e9n a p\u00e9 em 2023 eram venezuelanos. Esses 328.667 venezuelanos representam, al\u00e9m disso, 1% da popula\u00e7\u00e3o total da Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vejamos a magnitude desse dado: pouco mais de 1% de toda a popula\u00e7\u00e3o da Venezuela atravessou uma selva in\u00f3spita em um ano. Trata-se de uma migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Que trag\u00e9dia&#8221;, comentou o presidente da WOLA, conhecida ativista de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cifra total de venezuelanos que cruzaram o Dari\u00e9n em 2023 tamb\u00e9m se traduz em 900 travessias mensais e 37 por dia. Se o fluxo migrat\u00f3rio fosse uma passagem cont\u00ednua de pessoas, poder\u00edamos estabelecer que a cada 110 minutos no ano passado um cidad\u00e3o de origem venezuelana foi registrado pelas autoridades panamenhas ao deixar a selva de Dari\u00e9n.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem todos os que atravessam o Dari\u00e9n deixaram a Venezuela em tempos recentes. Com a migra\u00e7\u00e3o massiva de venezuelanos, tamb\u00e9m est\u00e1 ocorrendo um processo de <em>re-migra\u00e7\u00e3o<\/em>. Trata-se de migrantes que, tendo j\u00e1 deixado a Venezuela, decidem se mudar para outro pa\u00eds, em alguns casos passando por seu pa\u00eds natal apenas para visit\u00e1-lo, como observamos diretamente em v\u00e1rios casos. A aus\u00eancia de dados sobre entradas e sa\u00eddas por parte do governo venezuelano aumenta a dificuldade de determinar o que realmente est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se considerarmos os n\u00fameros oferecidos pela plataforma R4V, que re\u00fane os esfor\u00e7os de duas ag\u00eancias especializadas das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o ACNUR e a OIM, em agosto de 2023 havia 7,71 milh\u00f5es de venezuelanos que haviam emigrado em grande escala de seu pa\u00eds, um fen\u00f4meno que come\u00e7ou a ser registrado significativamente em 2015. A grande maioria (6,53 milh\u00f5es) est\u00e1 radicada em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima cifra de 2023 fornecida pela R4V, em 30 de novembro, praticamente apresentou n\u00fameros muito semelhantes aos de agosto. Como podemos interpretar isso? Do meu ponto de vista, h\u00e1 uma mobiliza\u00e7\u00e3o de migrantes que j\u00e1 estavam fora da Venezuela em dire\u00e7\u00e3o a um terceiro pa\u00eds e cujo objetivo, em muitos casos, \u00e9 chegar aos Estados Unidos; por outro lado, h\u00e1 literalmente fluxos de migrantes em movimento, o que gera dificuldades para cont\u00e1-los e document\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das sa\u00eddas terrestres que anos atr\u00e1s eram registradas dos &#8220;viajantes venezuelanos&#8221; para a Col\u00f4mbia e para os pa\u00edses andinos e do Cone Sul, em 2023 o destino mudou: Panam\u00e1, Am\u00e9rica Central e M\u00e9xico vieram em primeiro lugar, em uma tentativa de atravessar para os Estados Unidos. Da mesma forma, houve uma sa\u00edda a\u00e9rea significativa, mas n\u00e3o contabilizada, para a Espanha e os Estados Unidos (tanto benefici\u00e1rios da Licen\u00e7a Tempor\u00e1ria Humanit\u00e1ria quanto aqueles com vistos de turista, mas com a inten\u00e7\u00e3o de permanecer).<\/p>\n\n\n\n<p>A WOLA, assim como v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es internacionais e nacionais, insistem em seus apelos para que os governos de todo o continente implementem medidas para proteger os direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o migrante na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;M\u00faltiplos fatores interconectados, que v\u00e3o desde o acesso limitado a direitos fundamentais e servi\u00e7os essenciais at\u00e9 o impacto da viol\u00eancia e da inseguran\u00e7a, continuam a empurrar as pessoas para situa\u00e7\u00f5es de deslocamento&#8221;, disse Jos\u00e9 Samaniego, diretor da Ag\u00eancia da ONU para os Refugiados nas Am\u00e9ricas, avaliando o enorme tr\u00e2nsito migrat\u00f3rio atrav\u00e9s do Darien.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um relat\u00f3rio do Crisis Group divulgado no final de 2023, os lucros il\u00edcitos dispararam com o aumento do fluxo de migrantes, com grande parte do dinheiro indo para o crime organizado, que encontrou um neg\u00f3cio lucrativo no contrabando dessas pessoas. O fortalecimento das redes criminosas tanto no Dari\u00e9n quanto no lado colombiano, geralmente ligadas ao tr\u00e1fico il\u00edcito de drogas, acrescenta um n\u00edvel de complexidade \u00e0 situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com estimativas do Crisis Group, os grupos criminosos que controlam tanto o tr\u00e2nsito humano como o de drogas pelo Dari\u00e9n recebem entre US$ 50 e US$ 80 por migrante. O controle desse neg\u00f3cio il\u00edcito est\u00e1 nas m\u00e3os dos <em>Los Gaitanistas<\/em>, tamb\u00e9m conhecido como Clan del Golfo, que, como aponta o InSight Crime, surgiu das cinzas do movimento paramilitar colombiano e se tornou uma for\u00e7a criminosa de \u00e2mbito nacional na Col\u00f4mbia, com amplas ramifica\u00e7\u00f5es no Dari\u00e9n.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Los Gaitanistas<\/em>, de acordo com a documenta\u00e7\u00e3o da <em>think tank<\/em>, n\u00e3o est\u00e3o diretamente envolvidos no movimento de migrantes, mas coletam uma porcentagem das receitas obtidas pelos coiotes e outros prestadores de servi\u00e7os, como empresas de transporte e alojamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de um fluxo maci\u00e7o de migrantes, a falta de consenso entre os governos da regi\u00e3o e o olhar impass\u00edvel das autoridades, e essa presen\u00e7a do crime organizado, entre outros elementos, acabaram transformando a selva de Dari\u00e9n em uma esp\u00e9cie de n\u00f3 g\u00f3rdio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 agosto de 2023, 7,71 milh\u00f5es de venezuelanos haviam emigrado em massa de seu pa\u00eds, um fen\u00f4meno que come\u00e7ou a ser registrado de maneira significativa em 2015. Em sua grande maioria, eles est\u00e3o localizados em pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":286,"featured_media":37511,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16901,16968,16764],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-37549","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-crisis-social-pt-br","8":"category-tapon-del-darien-pt-br","9":"category-migracion-pt-br","10":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37549","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/286"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37549\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37511"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37549"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=37549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}