{"id":37627,"date":"2024-02-08T07:00:00","date_gmt":"2024-02-08T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=37627"},"modified":"2024-02-07T15:54:02","modified_gmt":"2024-02-07T18:54:02","slug":"narcoterrorismo-e-populismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/narcoterrorismo-e-populismo\/","title":{"rendered":"Narcoterrorismo e populismo"},"content":{"rendered":"\n<p>O ex-presidente do Equador, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=nD8PwU7jWcw&amp;t=6s\">Jamil Mahuad, refletiu recentemente<\/a> em uma entrevista com o acad\u00eamico Manuel Alc\u00e1ntara, ex-vice-reitor da Universidade de Salamanca, no Latinoam\u00e9rica 21, sobre as amea\u00e7as que vivem v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o latino-americana e, em particular, o seu, que atravessa uma crise severa de viol\u00eancia que reduziu \u00e0 express\u00e3o que d\u00e1 t\u00edtulo a este artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mahuad, atualmente professor da Universidade de Harvard, mostra sua preocupa\u00e7\u00e3o com o avan\u00e7o do narcotr\u00e1fico na regi\u00e3o e ressalta, com todas as letras, que as a\u00e7\u00f5es violentas do narcotr\u00e1fico <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/crise-e-narcoterrorismo-no-equador-do-bem-viver-ao-tentar-sobreviver\/\">se parecem cada vez mais com terrorismo<\/a>. Basta olhar para o que aconteceu nas \u00faltimas semanas em seu pa\u00eds, quando grupos equatorianos de crime organizado vinculados ao Cart\u00e9is mexicanos de Sinaloa e de Jalisco Nova Gera\u00e7\u00e3o tomaram v\u00e1rias cidades de assalto, deixando um rastro de morte e temor coletivo que obrigou o governo de Daniel Noboa a tomar decis\u00f5es de emerg\u00eancia para restabelecer a governabilidade.\u202f\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, embora Noboa tenha conseguido controlar a situa\u00e7\u00e3o, especialmente nas pris\u00f5es, a amea\u00e7a segue latente e \u00e9 prov\u00e1vel que a retirada desses grupos signifique um passo atr\u00e1s para depois dois para frente.\u202fJ\u00e1 vimos a capacidade operacional para assassinar Fernando Villavicencio, um candidato presidencial e, mais recentemente, um vice-promotor, e realizar a\u00e7\u00f5es que nos remetem a situa\u00e7\u00f5es similares \u00e0s do M\u00e9xico envolvendo os cart\u00e9is de Sinaloa e Jalisco.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior diferen\u00e7a entre os presidentes Noboa e L\u00f3pez Obrador, at\u00e9 agora, \u00e9 que o equatoriano decidiu nomear esses ataques \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ao <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2024\/01\/noboa-reconhece-conflito-armado-interno-no-equador-e-declara-guerra-a-faccoes.shtml\">reconhece-los como terrorismo<\/a> e atuar de acordo, arriscando sua vida, enquanto o presidente mexicano segue vendo-o como um assunto de crime organizado.\u202fH\u00e1 uma diferen\u00e7a substantiva entre as duas categorias jur\u00eddicas, tanto na postura pol\u00edtica de quem hoje representa o Estado equatoriano quanto nas a\u00e7\u00f5es dissuasivas do sistema de seguran\u00e7a e, melhor ainda, nas penas contra os membros dessas organiza\u00e7\u00f5es internacionais.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, at\u00e9 agora, a iniciativa que considera os cart\u00e9is mexicanos como terroristas surgiu durante o mandato de Donald Trump e foi rejeitada pelo governo de L\u00f3pez Obrador por ser \u201cum atentado \u00e0 soberania nacional\u201d. Entretanto, a gravidade da situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente para que o Congresso da Uni\u00e3o ao menos discutisse a figura prevista no C\u00f3digo Penal (artigo 139) de considerar os cart\u00e9is como organiza\u00e7\u00f5es terroristas. Isso levaria a uma mudan\u00e7a fundamental na pol\u00edtica de seguran\u00e7a, a pol\u00edtica de \u201cabra\u00e7os e n\u00e3o balas\u201d, que ap\u00f3s cinco anos tem um balan\u00e7o negativo.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas voltando \u00e0s express\u00f5es do ex-presidente Mahuad, ele ressalta que o processo de avan\u00e7o do crime transnacional em nossas sociedades passa por tr\u00eas momentos:\u202f\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O crime organizado toma a iniciativa de avan\u00e7ar no processo de captura das sociedades, e os poderes p\u00fablicos n\u00e3o atuam al\u00e9m de sua capacidade reativa, o que significa n\u00e3o levar as figuras jur\u00eddicas a outro n\u00edvel de tal forma que, como no caso da jihad isl\u00e2mica, sejam consideradas um perigo n\u00e3o s\u00f3 ao pa\u00eds h\u00f3spede, mas para a comunidade internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Que, diante dessa <em>liberdade<\/em> operacional, os cart\u00e9is <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2023\/09\/narcotrafico-e-o-quinto-maior-empregador-do-mexico-diz-estudo.shtml\">ampliam sua infiltra\u00e7\u00e3o na economia<\/a> mediante a lavagem de dinheiro, na pol\u00edtica atrav\u00e9s dos governos municipais e estaduais e suas for\u00e7as de seguran\u00e7a, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e nos partidos pol\u00edticos, na representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e suas decis\u00f5es etc., o que significa um enfraquecimento gradual dos pilares do sistema democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>E que, finalmente, diante da ina\u00e7\u00e3o dos governos, esses grupos acabam por capturar toda a estrutura de governo de maneira que se configure um narcoestado.<\/p>\n\n\n\n<p>No M\u00e9xico, estamos na segunda etapa desse processo de captura do Estado. Essa situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 palpavelmente na frequente retirada das for\u00e7as de seguran\u00e7a diante as investidas de grupos armados em distintas regi\u00f5es do pa\u00eds; na elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica de aspirantes a cargos eleitos popularmente, como acaba de acontecer em Chiapas, Veracruz e Morelos, e na extors\u00e3o de produtores agr\u00edcolas (abacateiros, limoeiros etc.), vendedores de frango e at\u00e9 de neg\u00f3cios familiares de tortilhas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode descartar que esteja em marcha em diferentes regi\u00f5es uma opera\u00e7\u00e3o similar \u00e0 das elei\u00e7\u00f5es estaduais de 2021, quando os distintos cart\u00e9is inibiram e promoveram candidaturas para cargos de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sua express\u00e3o mais lament\u00e1vel foram os assassinatos de poss\u00edveis candidatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, nas chamadas \u201cmaiores elei\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria\u201d, que ocorrer\u00e3o na primavera, h\u00e1 um jogador nas sombras que est\u00e1 atuando abertamente. E \u00e9 prov\u00e1vel que isso se torne mais vis\u00edvel conforme o processo eleitoral avan\u00e7a, sem que haja uma estrat\u00e9gia \u00e0 vista, al\u00e9m de declara\u00e7\u00f5es n\u00e3o oficiais, de conten\u00e7\u00e3o e garantia de que n\u00e3o haja interfer\u00eancia desses grupos, mas que fiquem \u00e0 vontade para impor sua vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia recente do Equador deve ser a refer\u00eancia obrigat\u00f3ria para evitar uma maior deteriora\u00e7\u00e3o da vida p\u00fablica. L\u00e1, um candidato \u00e0 presid\u00eancia foi assassinado; l\u00e1, tomou-se consci\u00eancia de que n\u00e3o se pode deixar a iniciativa para os grupos do crime organizado; l\u00e1, defende-se as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e luta-se contra essa amea\u00e7a crescente \u00e0s nossas fr\u00e1geis democracias. Tomara que essa ina\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico n\u00e3o acabe nos ensinando uma li\u00e7\u00e3o e que nos aproximemos mais um passo do inferno de um narcoestado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas chamadas &#8220;maiores elei\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria&#8221; que ocorrer\u00e3o em 2 de junho, h\u00e1 um jogador nas sombras que est\u00e1 atuando abertamente. 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