{"id":37817,"date":"2024-02-12T15:00:00","date_gmt":"2024-02-12T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=37817"},"modified":"2024-02-12T13:35:31","modified_gmt":"2024-02-12T16:35:31","slug":"uma-economia-a-servico-de-poucos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/uma-economia-a-servico-de-poucos\/","title":{"rendered":"Uma economia \u00e0 servi\u00e7o de poucos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em apenas tr\u00eas anos, a riqueza conjunta dos cinco homens mais ricos do mundo mais do que duplicou, passando de 405 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2020 para 869 bilh\u00f5es em 2023. Isso significa que essas cinco pessoas acumulam hoje uma riqueza semelhante \u00e0 produzida, por exemplo, por Col\u00f4mbia, Argentina e Uruguai juntos ao longo de todo o 2021. Ao mesmo tempo, esses cinco bilion\u00e1rios vivem no mesmo planeta com outros 4,8 bilh\u00f5es de pessoas que empobreceram desde 2019, ap\u00f3s a pandemia e o posterior surto inflacion\u00e1rio global. A maioria dessas pessoas tem o rosto de mulher, de menino e menina, pessoas racializadas e minorias exclu\u00eddas da sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o relat\u00f3rio de Oxfam, <\/span><a href=\"https:\/\/www.oxfam.org\/en\/research\/inequality-inc\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Inequality Inc. How corporate power divides our world and the need for a new era of public action<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, apresentado recentemente no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial em Davos, a concentra\u00e7\u00e3o de poder empresarial e de mercado, sobretudo das principais empresas globais dos pa\u00edses desenvolvidos, \u00e9 um reflexo da concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital e da riqueza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 medida que o poder dos monop\u00f3lios aumenta, os incentivos para que as empresas compitam reduzem, o que, por sua vez, aprofunda ainda mais o poder de monop\u00f3lio. Assim, o poder empresarial e os monop\u00f3lios operam como uma m\u00e1quina implac\u00e1vel geradora de desigualdades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse fen\u00f4meno revela a magnitude da consolida\u00e7\u00e3o do modelo neoliberal em grande parte do mundo por uma pequena elite bilion\u00e1ria que se beneficiou \u00e0s custas dos direitos econ\u00f4micos, sociais, ambientais e pol\u00edticos de milh\u00f5es de pessoas ao redor do mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse contexto, as atuais press\u00f5es inflacion\u00e1rias s\u00e3o o resultado do aumento na margem de lucro das empresas. Particularmente naquelas atividades econ\u00f4micas em que os confinamentos em v\u00e1rios pa\u00edses ou as interrup\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas e alimentares ao longo da cadeia de suprimentos brindaram uma oportunidade \u00fanica para maximizar as margens de lucro das empresas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A desigualdade tem m\u00faltiplas facetas. <\/span><a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/somos-uma-regiao-desigual-e-discriminatoria\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">A Am\u00e9rica Latina, por um lado, \u00e9 a regi\u00e3o com os maiores n\u00edveis de desigualdade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> de riqueza a n\u00edvel mundial. Segundo os dados compilados pelos investidores Chancel, Piketty, Saez e Zucman, em 2021, os 10% dos lares mais ricos da regi\u00e3o possuem mais de tr\u00eas quartos da riqueza total, enquanto a metade mais pobre das fam\u00edlias possui apenas 1%. H\u00e1 tamb\u00e9m outra desigualdade, que contrap\u00f5e os pa\u00edses do Sul Global com o mundo desenvolvido, onde se concentra 69% da riqueza privada global, apesar de abrigar apenas 21% da popula\u00e7\u00e3o mundial, segundo o relat\u00f3rio da Oxfam.<\/span><\/p>\n<p><b>Um voto hist\u00f3rico para come\u00e7ar a reverter a desigualdade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, uma\u00a0 grande parte dos pa\u00edses do Sul Global conseguiu, em 23 de novembro de 2023, que as Na\u00e7\u00f5es Unidas aprovassem negociar o novo marco fiscal global dentro do \u00f3rg\u00e3o, seguindo uma resolu\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada por um grupo de pa\u00edses africanos liderados pela Nig\u00e9ria. Essa resolu\u00e7\u00e3o sugere que os pa\u00edses membros devem designar um comit\u00ea intergovernamental <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ad hoc<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> para desenvolver um tratado integral sobre coopera\u00e7\u00e3o fiscal internacional, com trabalho a ser conclu\u00eddo at\u00e9 junho de 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A resolu\u00e7\u00e3o foi aprovada por 125 pa\u00edses membros e rejeitada por 48 \u2013 majoritariamente desenvolvidos \u2013 entre eles os Estados Unidos e os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, que respondem por 75% dos abusos fiscais globais, segundo a Tax Justice Network. Essa falta de apoio por parte dos pa\u00edses ricos deixa claro, segundo Susana Ruiz, respons\u00e1vel pela Justi\u00e7a Fiscal de Oxfam, que os pa\u00edses desenvolvidos \u201cquerem manter o monop\u00f3lio do espa\u00e7o em que se decide\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 outra demonstra\u00e7\u00e3o de que o debate gira em torno da defesa de uma economia \u00e0 servi\u00e7o de todas as pessoas, e n\u00e3o s\u00f3 de uma minoria privilegiada, o que se consegue com o fortalecimento do Estado, regulando de maneira efetiva o setor privado e reinventando o setor empresarial para frear e conter o poder corporativo e a concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o da riqueza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para alcan\u00e7ar esse objetivo, como destaca o relat\u00f3rio de Oxfam, \u00e9 necess\u00e1rio implementar uma estrat\u00e9gia destinada a gerar press\u00e3o sobre os respons\u00e1veis por formular pol\u00edticas a n\u00edvel mundial. Nesse contexto, considero que a pe\u00e7a que falta nesse quebra-cabe\u00e7a s\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Elas fazem um papel fundamental para conhecer, exercer e exigir o cumprimento dos direitos econ\u00f4micos, sociais, ambientais e pol\u00edticos, contribuindo assim para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais equitativa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, mais de cinquenta organiza\u00e7\u00f5es latino-americanas da sociedade civil latino-americana se reuniram em 2023 para iniciar uma campanha de incid\u00eancia em torno de um \u201cNovo Pacto Fiscal na Am\u00e9rica Latina e Caribe\u201d. O objetivo era promover a constru\u00e7\u00e3o de um sistema tribut\u00e1rio global inclusivo, sustent\u00e1vel e equitativo para apresentar aos ministros das finan\u00e7as da regi\u00e3o. O esfor\u00e7o se materializou na cria\u00e7\u00e3o de uma Plataforma Regional de Coopera\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria e no respaldo \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de uma conven\u00e7\u00e3o marco sobre impostos. O principal objetivo era transformar radicalmente a maneira em que se estabelecem as normas fiscais a n\u00edvel global, afastando-se do predom\u00ednio dos pa\u00edses desenvolvidos no centro das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os pa\u00edses do Sul Global e a sociedade civil entraram em a\u00e7\u00e3o. Agora \u00e9 o momento dos l\u00edderes globais abra\u00e7arem uma transforma\u00e7\u00e3o ousada e equitativa. No entanto, ainda n\u00e3o se sabe se realmente far\u00e3o isso.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tr\u00eas anos, a riqueza conjunta dos cinco homens mais ricos do mundo mais do que duplicou. 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