{"id":38067,"date":"2024-02-19T15:00:00","date_gmt":"2024-02-19T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=38067"},"modified":"2024-02-19T15:03:06","modified_gmt":"2024-02-19T18:03:06","slug":"desinformacao-risco-global-em-2024-novidade-ou-tradicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/desinformacao-risco-global-em-2024-novidade-ou-tradicao\/","title":{"rendered":"Desinforma\u00e7\u00e3o, risco global em 2024: novidade ou tradi\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o e os fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos foram selecionados como os riscos globais a curto prazo mais destacados, segundo o <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/publications\/global-risks-report-2024\/\">Relat\u00f3rio de Riscos Globais 2024<\/a> do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (FEM). No entanto, n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade, especialmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o. Na verdade, \u00e9 coerente com as edi\u00e7\u00f5es anteriores do relat\u00f3rio que prenunciava sua relev\u00e2ncia na cena global desde sua primeira publica\u00e7\u00e3o, 18 anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, foi catalogado como uma simples amea\u00e7a. Mas, com o tempo, evoluiu at\u00e9 se tornar um risco nevr\u00e1lgico, pois sua exist\u00eancia nas redes sociais desde 2013 corroeu as democracias ocidentais e fortaleceu a influ\u00eancia virtual de governos iliberais no exterior com informa\u00e7\u00f5es imprecisas e narrativas conspirat\u00f3rias. Mais recentemente, com o <em>boom<\/em> da intelig\u00eancia artificial, surgiram novos desafios e preocupa\u00e7\u00f5es para enfrent\u00e1-la, particularmente em per\u00edodos eleitorais como o atual ano de 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno da desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9&nbsp; uma novidade. O que o distingue na atualidade \u00e9 a presen\u00e7a onipresente da internet e das redes sociais, que transformaram radicalmente a&nbsp; forma como acessamos as informa\u00e7\u00f5es. Historicamente, foram criadas diferentes estrat\u00e9gias para mitigar a manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica. Por exemplo, durante a Guerra Fria, estabeleceu-se nos Estados Unidos um grupo de trabalho conhecido como \u201c<a href=\"https:\/\/us.macmillan.com\/books\/9780374287269\/activemeasures\">medidas ativas<\/a>\u201d para combater a desinforma\u00e7\u00e3o proveniente da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Com o tempo, surgiram os \u201c<a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-crescente-luta-contra-a-desinformacao\/\">fact checkers<\/a>\u201d ou verificadores, cujo trabalho \u00e9 detectar erros e not\u00edcias falsas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, essas estrat\u00e9gias se expandiram ao \u00e2mbito da tecnologia, j\u00e1 que nas redes sociais, a dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fado malicioso tem sido realizada mediante contas falsas ou automatizadas, conhecidas como bots. Com o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial, esse fen\u00f4meno evoluiu a ponto de criar usu\u00e1rios falsos que operam em m\u00faltiplas plataformas, sendo capazes de simular intera\u00e7\u00f5es humanas na internet, ou atrav\u00e9s de \u201cdeep fakes\u201d, que s\u00e3o v\u00eddeos ou imagens falsificadas de pessoas aparentemente reais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras, defini\u00e7\u00f5es e desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde suas primeiras edi\u00e7\u00f5es, os relat\u00f3rios anuais de Riscos Globais do FEM t\u00eam destacado os desafios e as mudan\u00e7as na compreens\u00e3o desse fen\u00f4meno a n\u00edvel mundial. Embora o enfoque da desinforma\u00e7\u00e3o tenha sido certamente abordado, se caracterizou por um conjunto de sin\u00f4nimos para descrev\u00ea-lo, como: \u201c<em>massive digital misinformation, false information, fake news, <\/em><a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/viver-na-era-da-pos-verdade\/\"><em>post-truth<\/em><\/a><em>, misinformation, deep fakes, disinformation<\/em>\u201d. \u00c0 primeira vista, todas essas palavras parecem descrever o mesmo fen\u00f4meno, mas \u00e9 assim. Isso demonstra os esfor\u00e7os que foram realizados para defini-lo de forma precisa e assim poder abord\u00e1-lo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essencial recorrer \u00e0 <a href=\"https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000373349\">literatura especializada<\/a> para compreender adequadamente esses termos: \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o\u201d (<em>disinformation<\/em>) refere-se a informa\u00e7\u00f5es falsas ou hoaxes que s\u00e3o criadas e difundidas intencionalmente. \u201cInforma\u00e7\u00e3o err\u00f4nea\u201d (<em>misinformation<\/em>) refere-se \u00e0 transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o falsa que n\u00e3o t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de causar danos. O mau uso de informa\u00e7\u00e3o ou \u201cinforma\u00e7\u00e3o maliciosa\u201d (malinformation) refere-se ao uso malicioso da informa\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o seja necessariamente criada, j\u00e1 que pode vir de vazamento de dados pessoais, rumores danosos ou informa\u00e7\u00e3o privada. Por \u00faltimo, \u201c<em>Fake News<\/em>\u201d \u00e9 um termo gen\u00e9rico midi\u00e1tico e altamente politizado que tentou descrever esse fen\u00f4meno para grandes p\u00fablicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>18 anos depois: tradi\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das diferentes denomina\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas ao fen\u00f4meno, desde a primeira edi\u00e7\u00e3o em <a href=\"https:\/\/www3.weforum.org\/docs\/WEF_Global_Risks_Report_2006.pdf\">2006<\/a>, j\u00e1 existia uma compreens\u00e3o generalizada sobre a desinforma\u00e7\u00e3o como amea\u00e7a futura que poderia levar \u00e0 eros\u00e3o da confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o em seus governos. Segundo o FEM, esse fen\u00f4meno se tornaria uma preocupa\u00e7\u00e3o global nos pr\u00f3ximos 10 anos e o medo se apresentaria como um poss\u00edvel motor da dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o falsa ao redor do mundo. Em <a href=\"https:\/\/www3.weforum.org\/docs\/WEF_GlobalRisks_Report_2012.pdf\">2012<\/a>, foi classificado como parte <em>do lado sombrio da conectividade<\/em>, junto com os ataques cibern\u00e9ticos, que inclu\u00edam fraudes banc\u00e1rias, roubo de informa\u00e7\u00e3o, entre outros, que poderiam afetar seriamente a governan\u00e7a global.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <a href=\"https:\/\/www3.weforum.org\/docs\/WEF_GlobalRisks_Report_2013.pdf\">2013<\/a>, a desinforma\u00e7\u00e3o foi finalmente classificada como um risco global associado \u00e0s redes sociais, o que facilitou a propaga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o falsa atrav\u00e9s de c\u00e2maras de eco em momentos de alta tens\u00e3o pol\u00edtica, incrementando consideravelmente a polariza\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios. Apesar de <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/publications\/the-global-risks-report-2016\/\">2016<\/a> ter marcado um ponto de inflex\u00e3o com eventos como o Brexit, a elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, a revela\u00e7\u00e3o dos Panam\u00e1 Papers, entre outros, a desinforma\u00e7\u00e3o como um risco n\u00e3o foi surpreendentemente inclu\u00edda neste relat\u00f3rio anual, nem nos dois anteriores. Devido a esse descuido, em <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/publications\/the-global-risks-report-2017\/\">2017<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/publications\/the-global-risks-report-2018\/\">2018<\/a>, a desinforma\u00e7\u00e3o passou a ocupar um lugar de destaque nas publica\u00e7\u00f5es como uma das potenciais causas da crise na democracia ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, a desinforma\u00e7\u00e3o emergiu como um risco global relevante para os analistas do FEM. Esse fen\u00f4meno cobrou maior import\u00e2ncia devido \u00e0s din\u00e2micas de infodemia provocada pela pandemia da COVID-19, aos avan\u00e7os e alcances da intelig\u00eancia artificial, \u00e0 persist\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es falsas online, entre outros fatores. Abordar esse fen\u00f4meno tornou-se uma prioridade para diversos atores sociais e pol\u00edticos. Portanto, sua preponder\u00e2ncia em 2024 e nos pr\u00f3ximos dois anos n\u00e3o \u00e9 surpreendente, particularmente considerando que quase <a href=\"https:\/\/chequeado.com\/el-explicador\/calendario-electoral-mundial-2024-estas-son-las-fechas-importantes-que-tenes-que-conocer\/\">49% da popula\u00e7\u00e3o mundial ir\u00e1 \u00e0s urnas, abrangendo 18 pa\u00edses na \u00c1frica, 6 nas Am\u00e9ricas, 8 na \u00c1sia e 9 na Europa (mais a Uni\u00e3o Europeia)<\/a>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses relat\u00f3rios sobre percep\u00e7\u00e3o de riscos globais representam um exerc\u00edcio intelectual significativo dirigido a reduzir a incerteza humana sobre o futuro. No entanto, t\u00eam suas limita\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o podem antecipar tudo o que pode vir a acontecer. Ao compilar e sintetizar os fen\u00f4menos mais urgentes das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, a desinforma\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida, ganhou um espa\u00e7o preponderante no mundo por sua estreita conex\u00e3o com o uso di\u00e1rio da tecnologia. Isso a coloca n\u00e3o como uma novidade, mas como um fen\u00f4meno tradicional nesse per\u00edodo da hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fen\u00f4meno da desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novidade. 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