{"id":382,"date":"2018-12-27T14:42:23","date_gmt":"2018-12-27T17:42:23","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=382"},"modified":"2022-12-14T21:05:05","modified_gmt":"2022-12-15T00:05:05","slug":"2018-uma-retrospectiva-da-politica-latino-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/2018-uma-retrospectiva-da-politica-latino-americana\/","title":{"rendered":"2018: Uma retrospectiva da pol\u00edtica da A. L."},"content":{"rendered":"\n<p>Em 2018, na Am\u00e9rica Latina, houve elei\u00e7\u00f5es presidenciais no Brasil, Col\u00f4mbia, Costa Rica, Paraguai, M\u00e9xico e Venezuela. Em todos os casos, exceto o da Venezuela, houve tamb\u00e9m elei\u00e7\u00f5es legislativas. No Peru, o presidente <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/pedro-pablo-kuczynski-apresenta-renuncia-a-presidencia-do-peru-diz-imprensa.ghtml\">Pedro Pablo Kuczynski<\/a> se viu for\u00e7ado a renunciar, diante de um impeachment iminente; no Equador, foi aprovada uma reforma constitucional que revogou a possibilidade de reelei\u00e7\u00e3o ilimitada do presidente; e no Chile come\u00e7ou um novo governo de tend\u00eancia pol\u00edtica de centro-direita que levou Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era \u00e0 Presid\u00eancia pela segunda vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida os dois acontecimentos eleitorais mais\nsignificativos da regi\u00e3o, que implicaram um vendaval pol\u00edtico em seus pa\u00edses, foram\na elei\u00e7\u00e3o do esquerdista Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador, no M\u00e9xico, e do\nultradireitista Jair Bolsonaro, no Brasil. As duas maiores democracias da\nregi\u00e3o, e suas maiores economias, viraram em sentido ideol\u00f3gico oposto. Nos\ndois casos, houve uma altern\u00e2ncia pol\u00edtica de car\u00e1ter hist\u00f3rico, dada a falta\nde antecedentes similares.<\/p>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as n\u00e3o se limitam ao perfil ideol\u00f3gico dos candidatos. A coaliz\u00e3o pol\u00edtica de apoio a L\u00f3pez Obrador obteve a maioria absoluta em ambas as casas legislativas e poder\u00e1 aprovar sem maiores dificuldades as propostas de reforma, que segundo o novo presidente pretendem transformar radicalmente a sociedade e a pol\u00edtica mexicanas. Bolsonaro, que tamb\u00e9m prometeu mudar completamente a forma de fazer pol\u00edtica no Brasil, e uma transforma\u00e7\u00e3o radical em diferentes \u00e2mbitos da sociedade, n\u00e3o tem respaldo t\u00e3o seguro quanto o de seu colega mexicano, dado o alto grau de fragmenta\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico brasileiro. O partido de Bolsonaro n\u00e3o tem maioria em qualquer das duas C\u00e2maras do legislativo. Ainda que o perfil mais conservador de boa parte dos legisladores eleitos por outros partidos n\u00e3o torne imposs\u00edvel prever apoios significativos, sua tentativa de buscar antes de tudo o respaldo de bancadas espec\u00edficas de legisladores (bancada evang\u00e9lica, bancada dos produtores rurais, etc.), e n\u00e3o o de partidos, como ficou evidente na forma\u00e7\u00e3o de seu minist\u00e9rio, criou uma grande inc\u00f3gnita sobre o grau de efici\u00eancia dessa modalidade, dado seu car\u00e1ter in\u00e9dito, que exigir\u00e1, previsivelmente, amplas negocia\u00e7\u00f5es para cada proposta de governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessas diferen\u00e7as relevantes, as vit\u00f3rias de L\u00f3pez Obrador e Bolsonaro t\u00eam em comum, al\u00e9m do perfil personalista \u2013ou, na opini\u00e3o de muitos, populista\u2013 dos candidatos, a derrota eleitoral significativa dos principais partidos que vinham se alternando no poder em cada um desses pa\u00edses, nas \u00faltimas d\u00e9cadas. A incapacidade desses partidos para atender, ou continuar atendendo, as demandas da maioria da popula\u00e7\u00e3o, de manter a sintonia com amplos setores populares e, fundamentalmente, seu envolvimento em repetidos casos de corrup\u00e7\u00e3o causaram satura\u00e7\u00e3o da maioria dos eleitores com as for\u00e7as pol\u00edticas que at\u00e9 agora dominavam o cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Se os novos governantes realmente iniciar\u00e3o uma etapa mais virtuosa com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que ainda n\u00e3o se sabe<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O tema da corrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi uma das principais bandeiras\nde campanha do novo presidente colombiano Iv\u00e1n Duque, em companhia da revis\u00e3o\ndo acordo de paz com as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc). A\nexclus\u00e3o da vida p\u00fablica para os condenados por corrup\u00e7\u00e3o foi uma das seis\nreformas aprovadas no referendo constitucional do Equador.E foi por den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e compra de votos para impedir um impeachment que o presidente Kuczynski eve de renunciar, no Peru, diante da possibilidade de destitui\u00e7\u00e3o iminente por um Congresso no qual ele n\u00e3o contava com maioria e onde enfrentava f\u00e9rrea oposi\u00e7\u00e3o. Se os novos governantes realmente iniciar\u00e3o uma etapa mais virtuosa com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que ainda n\u00e3o se sabe, mas o tema continuar\u00e1 sendo acompanhado atentamente nesses pa\u00edses, tanto pelos eleitores quanto pelos partidos que agora passam \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de outras institui\u00e7\u00f5es de controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Contrastando com o clima de tsunami pol\u00edtico no Brasil e no\nM\u00e9xico temos a previsibilidade dos resultados eleitorais no Paraguai e na\nVenezuela. No primeiro caso, a continuidade no poder do Partido Colorado indica\nbaixa competitividade pol\u00edtica no pa\u00eds e amplo controle dos recursos de poder\ndo Estado por parte do principal partido pol\u00edtico. No caso da Venezuela, a\nprevis\u00edvel reelei\u00e7\u00e3o, realizada com graves irregularidades, do presidente\nNicol\u00e1s Maduro mostra um governo que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de credibilidade\ndemocr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Saindo do panorama estritamente eleitoral, na Argentina, que\nvive uma grave crise financeira e econ\u00f4mica, v\u00eam ocorrendo protestos maci\u00e7os\ncontra o governo de Mauricio Macri e suas medidas de ajuste. O clima social e\npol\u00edtico \u00e9 ainda mais grave na Nicar\u00e1gua, onde os protestos estudantis e de\ngrupos de oposi\u00e7\u00e3o foram e continuam a ser violentamente reprimidos pelo\ngoverno do presidente Daniel Ortega, cada vez mais isolado na comunidade\ninternacional, assim como a Venezuela, pa\u00eds que continua envolvido em uma crise\npol\u00edtica, econ\u00f4mica e humanit\u00e1ria sem precedentes, causadora de uma emigra\u00e7\u00e3o\nmaci\u00e7a de habitantes que se transformou em emerg\u00eancia de car\u00e1ter regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses, os protestos populares contra uma quarta candidatura de <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/br\/evo-e-a-licao-de-roosevelt\/\">Evo Morales<\/a> inclu\u00edram a Bol\u00edvia entre os pa\u00edses em que grandes mobiliza\u00e7\u00f5es populares v\u00eam ocorrendo, e estas devem se intensificar no ano que vem.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que, como visto, a preocupa\u00e7\u00e3o com a corrup\u00e7\u00e3o\npol\u00edtica venha ocupando posi\u00e7\u00e3o central na vida pol\u00edtica da regi\u00e3o, a Am\u00e9rica\nLatina n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea. Diversas altern\u00e2ncias pol\u00edticas \u00e0 direita coincidem com\na virada \u00e0 esquerda de uma das maiores democracias da regi\u00e3o. E a consolida\u00e7\u00e3o\ndas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas em diversos pa\u00edses coincide com os desafios a\nelas ou com a deteriora\u00e7\u00e3o continuada da democracia em outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2018, na Am\u00e9rica Latina, houve elei\u00e7\u00f5es presidenciais no Brasil, Col\u00f4mbia, Costa Rica, Paraguai, M\u00e9xico e Venezuela. Em todos os casos, exceto o da Venezuela, houve tamb\u00e9m elei\u00e7\u00f5es legislativas. No Peru, o presidente Kuczynski se viu for\u00e7ado a renunciar; no Equador, foi aprovada uma reforma que revogou a reelei\u00e7\u00e3o ilimitada&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":380,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16708,544],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-382","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-politica-pt-br","8":"category-politica-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/382","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=382"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/382\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=382"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}