{"id":38375,"date":"2024-02-29T07:00:00","date_gmt":"2024-02-29T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=38375"},"modified":"2024-02-28T18:41:07","modified_gmt":"2024-02-28T21:41:07","slug":"javier-milei-rumo-a-3-meses-de-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/javier-milei-rumo-a-3-meses-de-governo\/","title":{"rendered":"Javier Milei, rumo a 3 meses de governo"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 10 de dezembro de 2023, Javier Milei, um economista projetado como um<em> outsider<\/em> sem uma estrutura partid\u00e1ria forte, assumiu a presid\u00eancia da Argentina. Isso tamb\u00e9m marcou o fim do ano em que a infla\u00e7\u00e3o foi a mais alta das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas. Frente \u00e0 gravidade do problema e ao fracasso dos governos anteriores em fornecer respostas por parte do Estado, n\u00e3o \u00e9 de surpreender que os eleitores tenham escolhido um economista com propostas libert\u00e1rias, que em sua campanha enfatizou a resolu\u00e7\u00e3o desse flagelo que aflige os argentinos por meio de uma proposta extraordin\u00e1ria: a dolariza\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas meses ap\u00f3s o in\u00edcio do mandato presidencial, o processo inflacion\u00e1rio se aprofunda, enquanto o novo governo enfrenta cada vez mais obst\u00e1culos (especialmente os legislativos) para garantir sua estabilidade e \u00eaxito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao iniciar seu mandato, o novo governo anunciou cerca de 10 medidas que tiveram um impacto negativo nas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. Uma delas foi a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2023\/12\/milei-desvaloriza-peso-suspende-obras-publicas-e-corta-subsidios-na-argentina.shtml\">forte desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda<\/a>, que elevou a infla\u00e7\u00e3o em dezembro para cerca de 25%. Outras medidas ganharam for\u00e7a posteriormente como resultado do diagn\u00f3stico do governo autodenominado libert\u00e1rio-liberal de que o pa\u00eds estava imerso em um emaranhado de regulamenta\u00e7\u00f5es que eram a causa da infla\u00e7\u00e3o. Assim, em 21 de dezembro, Javier Milei anunciou em rede nacional de televis\u00e3o um <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2023\/12\/os-6-pontos-mais-polemicos-do-decretaco-de-milei-na-argentina.shtml\">Decreto de Necessidade e Urg\u00eancia<\/a> (DNU) amplo e diversificado, cujo objetivo era desregulamentar a economia. Um de seus principais objetivos era implementar uma reforma trabalhista que reduziria os custos laborais e tiraria o poder dos sindicatos. Considerando os interesses afetados pela proposta, era de se esperar que o DNU fosse submetido a processos judiciais, o que ocorreu durante os dois primeiros meses do mandato do governo. De fato, o cap\u00edtulo laboral do DNU foi o que provocou o maior n\u00famero de medidas cautelares. De certa forma, pode-se dizer que esse DNU, exceto em alguns aspectos, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2024\/01\/justica-argentina-suspende-reforma-trabalhista-de-megadecreto-de-milei.shtml\">foi retido pelos tribunais<\/a>, enquanto aguarda uma discuss\u00e3o mais aprofundada no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente ao decreto, o presidente Milei enviou projetos de lei ao Congresso, pr\u00e9-anunciados antes do final de 2023, juntamente com a convoca\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es extraordin\u00e1rias. A chamada &#8220;lei omnibus&#8221; acrescentou mais desregulamenta\u00e7\u00f5es em outros setores, al\u00e9m da solicita\u00e7\u00e3o ao legislativo de uma quantidade desproporcional de poderes delegados. Com rela\u00e7\u00e3o a esses \u00faltimos, embora todos os governos da Argentina os solicitem quando tomam posse, eles o fazem com prazos mais curtos e em menor propor\u00e7\u00e3o, o que implicaria em debates acirrados no Congresso. De fato, isso aconteceu quando, durante a primeira quinzena de janeiro, os deputados se reuniram em tr\u00eas comiss\u00f5es, e essa solicita\u00e7\u00e3o de poderes delegados foi um dos aspectos que gerou mais cr\u00edticas, di\u00e1logos e negocia\u00e7\u00f5es fervorosas. Na medida em que o governo tem um n\u00famero reduzido de legisladores no Congresso, as negocia\u00e7\u00f5es foram dif\u00edceis e os resultados positivos amb\u00edguos ou question\u00e1veis. Isso mesmo que o bloco governista possa tirar proveito do apoio da Propuesta Republicana (PRO) e de parte da Uni\u00f3n C\u00edvica Radical (UCR), que j\u00e1 formaram o Juntos por el Cambio (Juntos pela Mudan\u00e7a). De fato, nas negocia\u00e7\u00f5es, tanto nas comiss\u00f5es quanto depois que o projeto de lei passou para o plen\u00e1rio para discuss\u00e3o, essas duas for\u00e7as pol\u00edticas, juntamente com outras menores, foram as \u00fanicas dispostas a dialogar e negociar, levando em conta as prov\u00edncias que governam. Ap\u00f3s longas discuss\u00f5es, na sexta-feira, 2 de fevereiro, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2024\/02\/camara-aprova-lei-onibus-de-milei-na-argentina-apos-cortes-e-30-horas-de-debate.shtml\">o projeto de lei foi aprovado<\/a> em sua vers\u00e3o geral por uma maioria de 144 contra 109 oponentes, principalmente da Uni\u00f3n por la Patria (UXP) e da Frente de Izquierda de los Trabajadores (FIT). No entanto, de forma incomum, quando na ter\u00e7a-feira, 6 de fevereiro, o projeto de lei come\u00e7ou a ser tratado <em>em particular<\/em>, e assim que percebeu que as limita\u00e7\u00f5es que estavam sendo colocadas na lei n\u00e3o pareciam pertinentes, o partido governista <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2024\/02\/lei-onibus-volta-a-estaca-zero-na-argentina-apos-entrave-na-camara.shtml\">voltou \u00e0 estaca zero em rela\u00e7\u00e3o ao projeto<\/a>. A incerteza reinou mais uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>A caminho do terceiro m\u00eas de governo, as medidas econ\u00f4micas tomadas no in\u00edcio do mandato est\u00e3o se somando a enormes <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/opinion\/tribuna-abierta\/milei-engana-estreno-impuestos-inflacion_129_10769879.html\">aumentos de impostos e tarifas<\/a>. Em um contexto em que as ferramentas legislativas do governo para desregulamentar a economia e reduzir a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o um bom press\u00e1gio para o futuro, tudo est\u00e1 se tornando mais complicado. Um dos horizontes poss\u00edveis \u00e9 nada menos que a ingovernabilidade: ser\u00e1 que um governo inexperiente conseguir\u00e1 exercer o controle em uma crise sem precedentes?<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, algumas alternativas est\u00e3o sendo consideradas, como a institucionaliza\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a com o PRO, uma especula\u00e7\u00e3o aberta por analistas e dirigentes desse partido, como Patricia Bullrich, que j\u00e1 faz parte do governo como Ministra da Seguran\u00e7a. Por outro lado, \u00e9 de se esperar que, diante dos primeiros fracassos legislativos, o governo mude sua estrat\u00e9gia e abandone seu ambicioso megaprojeto de lei &#8220;omnibus&#8221; em favor de projetos tem\u00e1ticos. Se essas alternativas n\u00e3o avan\u00e7arem, um terceiro cen\u00e1rio para os 100 dias de governo pode ser uma &#8220;bukeliza\u00e7\u00e3o \u00e0 la argentina&#8221;, em que a pedra angular do governo seja a dolariza\u00e7\u00e3o, especialmente em reconhecimento \u00e0 aus\u00eancia de um plano de estabiliza\u00e7\u00e3o. Ao fazer isso, Milei &#8211; que derrotar\u00e1 o peronismo em 2023 &#8211; estaria, paradoxalmente, repetindo a pol\u00edtica econ\u00f4mica de outro peronista que foi eleito presidente h\u00e1 35 anos, Carlos Menem.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sup>Texto apresentado no \u00e2mbito do conv\u00eanio entre a WAPOR Am\u00e9rica Latina e a Revista Mexicana de Opini\u00f3n P\u00fablica.<\/sup><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas meses ap\u00f3s a posse presidencial, o processo inflacion\u00e1rio se aprofunda, enquanto se multiplicam os obst\u00e1culos &#8211; especialmente os legislativos &#8211; que impedem os esfor\u00e7os do novo governo para desregular a economia.<\/p>\n","protected":false},"author":578,"featured_media":38366,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16960,16734],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-38375","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-javier-milei-pt-br","8":"category-argentina-pt-br","9":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/578"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38375"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38375\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38375"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=38375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}