{"id":38504,"date":"2024-03-02T15:00:00","date_gmt":"2024-03-02T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=38504"},"modified":"2024-03-02T10:36:34","modified_gmt":"2024-03-02T13:36:34","slug":"precisamos-de-mais-igualdade-de-genero-para-salvar-o-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/precisamos-de-mais-igualdade-de-genero-para-salvar-o-planeta\/","title":{"rendered":"Precisamos de mais igualdade de g\u00eanero para salvar o planeta"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde 2020, a riqueza acumulada pelos cinco homens mais ricos do mundo dobrou, enquanto a riqueza de cerca de 5 bilh\u00f5es de pessoas diminuiu. De acordo com o relat\u00f3rio anual da <a href=\"https:\/\/oi-files-d8-prod.s3.eu-west-2.amazonaws.com\/s3fs-public\/2024-01\/Davos%202024%20Report%20-%20Spanish.pdf\">OXFAM Internacional<\/a> sobre desigualdade global, apresentado no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial em Davos, a riqueza extrema se acumula geograficamente e est\u00e1 dispon\u00edvel apenas para uma pequena minoria: quase 70% da riqueza est\u00e1 concentrada no Norte global e \u00e9 masculina. Os homens possuem US$ 105 trilh\u00f5es a mais de riqueza do que as mulheres, o que representa mais de quatro vezes o tamanho da economia dos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade de g\u00eanero, que est\u00e1 ficando fora de controle, \u00e9 exacerbada no contexto da atual crise ambiental. Hoje, o poder corporativo, que \u00e9 em grande parte ocidental, dominado por homens e respons\u00e1vel pelas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, aumenta o risco de colapso clim\u00e1tico e aprofunda as injusti\u00e7as que caracterizam nossas sociedades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As mulheres s\u00e3o mais pobres do que os homens<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com as <a href=\"https:\/\/www.unwomen.org\/en\/digital-library\/publications\/2023\/09\/progress-on-the-sustainable-development-goals-the-gender-snapshot-2023\">Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a>, as mulheres em todo o mundo enfrentam v\u00e1rias formas de desigualdade e discrimina\u00e7\u00e3o: s\u00e3o mais pobres do que os homens; t\u00eam os empregos mais prec\u00e1rios e pior remunerados; sofrem explora\u00e7\u00e3o, abuso e viol\u00eancia sist\u00eamica; realizam a maior parte do trabalho dom\u00e9stico e de cuidado n\u00e3o remunerado; t\u00eam menos acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade; est\u00e3o sub-representadas em todas as esferas do poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico e, muitas vezes, s\u00e3o exclu\u00eddas da tomada de decis\u00f5es. Nesse sentido, o relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/oi-files-d8-prod.s3.eu-west-2.amazonaws.com\/s3fs-public\/2024-01\/Davos%202024%20Report%20-%20Spanish.pdf\">Desigualdades S.A da OXFAM<\/a> apresenta um quadro desolador em que a fome, as desigualdades extremas, a explora\u00e7\u00e3o e v\u00e1rias dificuldades caracterizam a vida di\u00e1ria de grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial e s\u00e3o exacerbadas com base no g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os na igualdade nos \u00faltimos anos, a <a href=\"https:\/\/www.unwomen.org\/en\/digital-library\/publications\/2023\/09\/progress-on-the-sustainable-development-goals-the-gender-snapshot-2023\">ONU Mulheres e o Departamento de Assuntos Econ\u00f4micos e Sociais das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNDESA)<\/a> estimam que, no ritmo atual, 340 milh\u00f5es de meninas e mulheres viver\u00e3o em extrema pobreza at\u00e9 2030. Al\u00e9m disso, uma em cada quatro mulheres e meninas passar\u00e1 fome ou ter\u00e1 inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, mulheres e meninas sofrem um impacto desproporcional das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, de acordo com a <a href=\"https:\/\/unfccc.int\/documents\/494455\">Secretaria da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/a>. Por exemplo, as mulheres constituem o 80% dos deslocamentos for\u00e7ados associados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e sofrem mais intensamente com a fome, a viol\u00eancia, a exclus\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o sexual em contextos de desastres.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as mulheres sejam as principais respons\u00e1veis pelo processamento de alimentos, cuidados e trabalho agr\u00edcola, as estruturas tradicionais de g\u00eanero impedem seu direito \u00e0 propriedade da terra, limitam seu acesso aos recursos naturais e <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-exclusao-das-mulheres-afrodescendentes-na-america-latina\/\">as excluem da participa\u00e7\u00e3o<\/a> e da tomada de decis\u00f5es sobre quest\u00f5es ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel de destaque das mulheres na defesa do meio ambiente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres tamb\u00e9m desempenham um papel fundamental na sustentabilidade, no cuidado com o meio ambiente, nos processos de resist\u00eancia e na luta ambiental contra o extrativismo e o desmatamento. Como consequ\u00eancia, muitas mulheres s\u00e3o censuradas, sofrem m\u00faltiplas formas de viol\u00eancia e criminaliza\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 pagam com suas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe \u00e9 a regi\u00e3o com o maior n\u00famero de ativistas e defensores ambientais assassinados no mundo, a maioria mulheres, especialmente ind\u00edgenas, negras e camponesas. De acordo com o <a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/mariavillarreal85\/Downloads\/166%20defensoras%20ambientales%20fueron%20asesinadas%20en%20Am\u00e9rica%20Latina%20y%20el%20Caribe:\">Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos<\/a>, somente entre 2015 e 2019 foram registrados 166 assassinatos de mulheres ativistas e defensoras da terra na Am\u00e9rica Latina, mas essa \u00e9 uma realidade amplamente subestimada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo em um contexto t\u00e3o violento e desigual, as mulheres pol\u00edticas, pesquisadoras e ativistas ambientais tamb\u00e9m est\u00e3o por tr\u00e1s da constru\u00e7\u00e3o de alternativas e t\u00eam sido protagonistas de importantes avan\u00e7os na agenda ambiental e clim\u00e1tica, como a assinatura do Acordo de Paris, o Acordo de Escaz\u00fa ou o <a href=\"https:\/\/pactoecosocialdelsur.com\/\">Pacto Ecossocial e Intercultural do Sul<\/a>. Em outras palavras, dentro e fora das institui\u00e7\u00f5es, as mulheres s\u00e3o agentes de mudan\u00e7a e trabalham globalmente a favor da vida e de uma transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica que permita a constru\u00e7\u00e3o de um futuro sustent\u00e1vel e justo para todos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Agenda 2030 estabelece como seu quinto Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) alcan\u00e7ar a igualdade de g\u00eanero e empoderar todas as mulheres e meninas. Portanto, na luta contra as desigualdades, a justi\u00e7a social n\u00e3o pode ser dissociada da justi\u00e7a de g\u00eanero e da justi\u00e7a ambiental. A desigualdade \u00e9 um \u00f4nus para todos, mas n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel e, como mostram as <a href=\"https:\/\/distribuciones.info\/\">evid\u00eancias cient\u00edficas<\/a>, pode e deve ser combatida com metas e pol\u00edticas espec\u00edficas, nas quais os pa\u00edses ricos t\u00eam as principais responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo, as mulheres s\u00e3o parte da solu\u00e7\u00e3o e t\u00eam um papel fundamental a desempenhar na luta contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e as desigualdades exacerbadas pela crise ambiental. Portanto, para salvar o planeta, \u00e9 priorit\u00e1rio tornar seu papel vis\u00edvel, promover a igualdade de g\u00eanero em todas as dimens\u00f5es e garantir sua representa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o plena na tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para salvar o planeta, \u00e9 priorit\u00e1rio tornar vis\u00edvel o papel das mulheres, promover a igualdade de g\u00eanero em todas as dimens\u00f5es e alcan\u00e7ar sua plena representa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o na tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":38496,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16897,16716,16782],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-38504","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cambio-climatico-pt-br","8":"category-desigualdad-es-pt-br","9":"category-genero-pt-br","10":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38504\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38504"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=38504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}