{"id":38615,"date":"2024-03-06T08:00:00","date_gmt":"2024-03-06T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=38615"},"modified":"2024-03-06T01:00:13","modified_gmt":"2024-03-06T04:00:13","slug":"desigualdades-violencias-e-negligencias-com-genero-definido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/desigualdades-violencias-e-negligencias-com-genero-definido\/","title":{"rendered":"Desigualdades, viol\u00eancias e neglig\u00eancias com g\u00eanero definido"},"content":{"rendered":"\n<p>Em mais uma comemora\u00e7\u00e3o do Dia Internacional da Mulher, e como todos os dias, \u00e9 importante repetir que a comunidade internacional continua em falta com milh\u00f5es de mulheres e meninas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de muitos pa\u00edses terem assinado e ratificado o Comit\u00ea das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o contra a Mulher, o mundo ainda enfrenta desafios significativos para atingir o quinto Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) sobre igualdade de g\u00eanero e empoderamento de todas as mulheres e meninas. Atualmente, 1 em cada 10 mulheres vive em extrema pobreza. Se as tend\u00eancias atuais continuarem, at\u00e9 2030, estima-se que 8% da popula\u00e7\u00e3o mundial de mulheres (342,4 milh\u00f5es de mulheres e meninas) ainda viver\u00e3o com menos de US$2,15 por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses aspectos que emergem do <a href=\"https:\/\/www.unwomen.org\/en\/digital-library\/publications\/2023\/09\/progress-on-the-sustainable-development-goals-the-gender-snapshot-2023\">informe<\/a> &#8221; Progresso em dire\u00e7\u00e3o aos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel: Panorama de G\u00eanero 2023&#8243;, apresentado pela ONU Mulheres e pelo Departamento de Assuntos Econ\u00f4micos e Sociais das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU-DAES), revelam um quadro preocupante n\u00e3o apenas porque estamos no final do caminho em dire\u00e7\u00e3o ao prazo estabelecido na Agenda 2030 para alcan\u00e7ar esses objetivos, mas principalmente porque esses objetivos est\u00e3o ainda mais distantes quando vistos sob a perspectiva de g\u00eanero. As previs\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas sugerem que, no ritmo atual, milh\u00f5es de meninas e mulheres ainda estar\u00e3o vivendo em extrema pobreza em 2030.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A desigualdade de g\u00eanero na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As desigualdades de g\u00eanero persistem na Am\u00e9rica Latina em v\u00e1rias dimens\u00f5es, incluindo educa\u00e7\u00e3o, emprego, acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade de qualidade, representa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Apesar dos avan\u00e7os em algumas \u00e1reas, o relat\u00f3rio &#8221; <a href=\"https:\/\/oi-files-d8-prod.s3.eu-west-2.amazonaws.com\/s3fs-public\/2024-01\/Davos%202024%20Report%20-%20Spanish.pdf\">Desigualdade SA<\/a>&#8220;, publicado recentemente pela Oxfam, mostra que as mulheres se encontram amplamente sobrerrepresentadas em empregos mais prec\u00e1rios e pior remunerados, e enfrentam uma diferen\u00e7a salarial de g\u00eanero persistentemente alta. Al\u00e9m disso, a viol\u00eancia contra as mulheres continua sendo um problema generalizado, com altos \u00edndices de viol\u00eancia de g\u00eanero relatados em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos tamb\u00e9m que a pobreza extrema e a falta de oportunidades econ\u00f4micas s\u00e3o fatores que impulsionam a migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada na Am\u00e9rica Latina. Para muitas mulheres e meninas, as condi\u00e7\u00f5es em seu pa\u00eds de origem s\u00e3o intoler\u00e1veis e n\u00e3o lhes deixam outra alternativa razo\u00e1vel a n\u00e3o ser fugir do pa\u00eds devido a uma amea\u00e7a direta ou potencial de inseguran\u00e7a f\u00edsica, perda de moradia e meios de subsist\u00eancia, ou porque sua capacidade de cuidar de si mesmas e de suas fam\u00edlias est\u00e1 radicalmente prejudicada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o <a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/noticias\/comunicados-de-prensa\/creciente-numero-de-mujeres-adolescentes-y-ninas-refugiadas-y#_ftn1\">ACNUR<\/a>, nas Am\u00e9ricas, h\u00e1 73,5 milh\u00f5es de migrantes e 22,1 milh\u00f5es s\u00e3o pessoas deslocadas \u00e0 for\u00e7a, que precisam de prote\u00e7\u00e3o internacional ou necessitam de assist\u00eancia humanit\u00e1ria. Desses, estima-se que 46% &#8211; quase 10 milh\u00f5es &#8211; sejam mulheres, adolescentes e meninas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, tamb\u00e9m sabemos que uma caracter\u00edstica de g\u00eanero distintiva \u00e9 o \u00eaxodo de milhares de mulheres venezuelanas gr\u00e1vidas, que fogem por raz\u00f5es de necessidade, incluindo o medo de perder seus beb\u00eas ou suas pr\u00f3prias vidas se ficarem para dar \u00e0 luz em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. De acordo com a Anistia Internacional (2018), a mortalidade materna aumentou 65% na Venezuela entre 2015 e 2016, um retrocesso de 25 anos devido \u00e0 falta de medicamentos como anticoagulantes, analg\u00e9sicos, antibi\u00f3ticos, falta de ferramentas m\u00e9dicas b\u00e1sicas, equipamentos e pessoal. Esse contexto levou muitas mulheres a fugir. Desde ent\u00e3o, quase 8 milh\u00f5es de migrantes deixaram a Venezuela. Metade deles s\u00e3o mulheres e meninas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um <a href=\"https:\/\/sotonac-my.sharepoint.com\/personal\/pr6g09_soton_ac_uk\/Documents\/Documents\/Soton\/Do%20Carmo%20Leal,%20Maria,%20Thaiza%20Gomes,%20and%20Portela%20Yamme.%202022.%20\">estudo<\/a> que incluiu entrevistas com 2.012 mulheres e adolescentes venezuelanas migrantes em Manaus e Boa Vista, Brasil, 10% relataram ter engravidado durante a travessia, 54% destacaram motivos para a migra\u00e7\u00e3o relacionados a dificuldades para obter alimentos; 38% destacaram motivos relacionados ao acesso a tratamento de sa\u00fade e 28% \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero, enquanto uma porcentagem semelhante destacou a busca por trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Central, a extors\u00e3o e a viol\u00eancia de g\u00eanero fizeram com que muitas mulheres e m\u00e3es com seus filhos n\u00e3o tivessem outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser partir. Durante o tr\u00e2nsito e nas comunidades de acolhimento, mulheres, adolescentes e meninas usam rotas frequentemente inseguras, onde seus direitos s\u00e3o condicionados pela falta de servi\u00e7os b\u00e1sicos, como sa\u00fade, sa\u00fade sexual e reprodutiva, educa\u00e7\u00e3o e cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o cruzamento de fronteiras tamb\u00e9m pode ser prejudicado pela alta militariza\u00e7\u00e3o e\/ou falta de presen\u00e7a institucional, o que aumenta as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, tr\u00e1fico para explora\u00e7\u00e3o sexual, viol\u00eancia e desaparecimento for\u00e7ado. Por exemplo, a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (2020) relatou que na fronteira sul do M\u00e9xico, onde os migrantes da Am\u00e9rica Central e do Sul viajavam a p\u00e9 para evitar os controles fronteiri\u00e7os, foram denunciados policiais e gangues, muitas vezes em colabora\u00e7\u00e3o uns com os outros, como perpetradores de abusos baseados em g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses desafios foram recentemente agravados pelo n\u00famero alarmante de centenas de milhares de pessoas cruzando o Tamp\u00e3o de Darien para o Panam\u00e1, onde entre 1\u00ba de janeiro e 31 de dezembro de 2023 <strong>mais de 520.000 pessoas<\/strong> cruzaram. O Darien \u00e9 uma das travessias mais perigosas do mundo, onde os que cruzam a fronteira relataram ter sido v\u00edtimas de roubo, agress\u00e3o e viol\u00eancia sexual. Recentemente, a organiza\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.msf.es\/noticia\/la-violencia-sexual-tapon-del-darien-cada-vez-mas-cruel-y-deshumanizante\">M\u00e9dicos Sem Fronteiras<\/a> relatou ter tratado mais de 600 casos de viol\u00eancia sexual em 2023, sendo a maioria desses atos violentos contra mulheres e meninas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A quem interessa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os desafios abordados aqui exigem estrat\u00e9gias abrangentes que abordem <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/precisamos-de-mais-igualdade-de-genero-para-salvar-o-planeta\/\">as barreiras estruturais \u00e0 igualdade de g\u00eanero<\/a>, incluindo reformas legais, pol\u00edticas e programas espec\u00edficos de integra\u00e7\u00e3o e regulariza\u00e7\u00e3o para migrantes e esfor\u00e7os para desafiar as normas e os estere\u00f3tipos de g\u00eanero que afetam a autonomia e a dignidade de muitas mulheres e meninas. Esse reconhecimento tamb\u00e9m exige a colabora\u00e7\u00e3o entre governos, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, o setor privado e ag\u00eancias internacionais para implementar solu\u00e7\u00f5es efetivas e com enfoque de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m vale a pena que aqueles que comemoram o Dia Internacional da Mulher como tal reconsiderem a responsabilidade moral de muitos de n\u00f3s que contribu\u00edmos ativamente para a reprodu\u00e7\u00e3o di\u00e1ria e a subsist\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es de desigualdade normalizadas e toleradas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de muitos pa\u00edses terem ratificado o Comit\u00ea das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o contra as Mulheres, o mundo ainda enfrenta desafios importantes para atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) sobre igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n","protected":false},"author":157,"featured_media":38594,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16741,16716,16782],"tags":[15839],"gps":[],"class_list":{"0":"post-38615","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mujeres-pt-br","8":"category-desigualdad-es-pt-br","9":"category-genero-pt-br","10":"tag-ideias-pt-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38615","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38615"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38615\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38615"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38615"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38615"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=38615"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}