{"id":3963,"date":"2021-02-18T07:06:17","date_gmt":"2021-02-18T10:06:17","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=3963"},"modified":"2021-02-18T07:06:20","modified_gmt":"2021-02-18T10:06:20","slug":"o-conflito-ressurgira-apos-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-conflito-ressurgira-apos-a-pandemia\/","title":{"rendered":"O conflito ressurgir\u00e1 ap\u00f3s a pandemia?"},"content":{"rendered":"\n<p>No final de 2019, jovens chilenos tomaram as ruas por v\u00e1rios dias e lutaram com veem\u00eancia, apesar da forte repress\u00e3o dos carabineros. <a href=\"https:\/\/epoca.globo.com\/protestos-que-sacudiram-america-latina-da-direita-esquerda-devem-continuar-em-2020-24155440\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Em diferentes pa\u00edses da regi\u00e3o, intensificaram-se os protestos sociais<\/a><a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/es\/la-sintesis-del-2019-protestas-multitudinarias-y-mucho-mas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> <\/a>que, apesar de enquadrados em exig\u00eancias espec\u00edficas, compartilhavam um profundo descontentamento com a ordem das coisas. A maioria deles foi impulsionada por setores sociais n\u00e3o tradicionais: jovens de setores urbanos populares e de classe m\u00e9dia no Chile, ou o movimento ind\u00edgena no Equador.<\/p>\n\n\n\n<p>No Chile, o motivo das reivindica\u00e7\u00f5es era o cansa\u00e7o com o sistema econ\u00f4mico injusto mantido desde o pinochetismo e com um modelo social estruturado em torno da mercantiliza\u00e7\u00e3o de todos os benef\u00edcios sociais. No Equador, o protesto foi articulado contra o plano de ajuste do governo de Lenin Moreno a pedido de uma negocia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI).<\/p>\n\n\n\n<p>Estas duas explos\u00f5es n\u00e3o foram as \u00fanicas. No Peru houve protestos contra um sistema pol\u00edtico \u2013 especialmente o legislativo \u2013 corrupto, com vetos m\u00fatuos e a servi\u00e7o dos interesses da classe pol\u00edtica. Na Argentina, organiza\u00e7\u00f5es de desempregados e trabalhadores prec\u00e1rios protestaram contra o governo Macri pelo aprofundamento de sua j\u00e1 desfavor\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Os conflitos tamb\u00e9m surgiram na Col\u00f4mbia como resultado dos Acordos de Paz, e na Bol\u00edvia devido ao fracasso do processo eleitoral e a sa\u00edda de Evo Morales do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cansa\u00e7o da sociedade latino-americana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das diferen\u00e7as, a verdade \u00e9 que todos esses conflitos tinham caracter\u00edsticas comuns. Desde protestos contra o <em>status quo<\/em> ou rejei\u00e7\u00e3o de matrizes sociais muito desiguais, at\u00e9 o \u00f3dio aos neg\u00f3cios e ao enriquecimento das elites, e seu isolamento da sociedade. Os manifestantes tamb\u00e9m tinham certas caracter\u00edsticas comuns: jovens pertencentes a setores m\u00e9dios e populares exclu\u00eddos da economia formal e sujeitos \u00e0 repress\u00e3o cont\u00ednua das for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos problemas c\u00edclicos e estruturais da regi\u00e3o \u2013 crise econ\u00f4mica, desemprego, informalidade, pobreza, exclus\u00e3o \u2013 os diferentes conflitos apelaram para todas essas quest\u00f5es, mas n\u00e3o se debru\u00e7aram sobre nenhuma delas. Tudo se resumiu a uma manifesta\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o com o funcionamento da vida social. O problema era o sistema tal como foi institu\u00eddo. N\u00e3o s\u00f3 uma parte dela, mas o todo.<\/p>\n\n\n\n<p>O isolamento sanit\u00e1rio resultante da pandemia colocou entre par\u00eanteses as raz\u00f5es do protesto social, mas n\u00e3o as sufocou.&nbsp; Apesar do fato de que a racionalidade ocidental nos leva a ter sempre prazos definidos, a pandemia continua e n\u00e3o se sabe como vai continuar. Esta falta de certeza significou que, embora a Covid-19 n\u00e3o tenha sido extinta, as pessoas foram para as ruas novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os protestos retomaram de onde pararam e, desde o final de 2020, cidades e espa\u00e7os p\u00fablicos em v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o voltaram a encenar a express\u00e3o do descontentamento. Express\u00e3o coberta com altas doses de raiva, \u00f3dio e, portanto, de viol\u00eancia. Com esta nova emerg\u00eancia de protesto social, a repress\u00e3o e a morte tamb\u00e9m florescem. Como exemplo, o recente assassinato do malabarista no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Descontentamento que nem mesmo a pandemia conseguiu ofuscar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de 2019, houve alguns eventos relacionados aos protestos anteriores que funcionaram como amortecedores do potencial disruptivo e anti-sist\u00eamico da a\u00e7\u00e3o coletiva. Eventos que surgiram como uma resposta aos conflitos anteriores \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>No Chile, o chamado \u00e0 vota\u00e7\u00e3o de uma assembleia constituinte para reformar a constitui\u00e7\u00e3o herdada do pinochetismo acalmou os grupos no centro que protagonizavam o conflito. Tanto que a vota\u00e7\u00e3o para a assembleia constituinte, que foi amplamente aceita, foi lida pelos manifestantes como um b\u00e1lsamo para diluir o protesto. Entretanto, apesar de seu apoio \u00e0 assembleia constituinte, estes grupos se mostravam absolutamente c\u00e9ticos de que a nova constitui\u00e7\u00e3o mudaria o <em>status quo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>No Equador, o protesto de outubro de 2019 implicou a invers\u00e3o do programa de ajuste de Lenin Moreno e a imin\u00eancia das elei\u00e7\u00f5es de fevereiro de 2021 gerou uma expectativa real de mudan\u00e7a pol\u00edtica. Na Argentina, a pandemia come\u00e7ou com o retorno de um governo peronista e as expectativas de mudan\u00e7a, somadas a um apelo \u00e0 &#8220;paci\u00eancia social&#8221; derivada do contexto sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>No Peru, a mudan\u00e7a de governo promovida pelo Congresso despertou a rejei\u00e7\u00e3o violenta de parte da cidadania, a ponto de provocar a ren\u00fancia do presidente colocada pelo parlamento. O sucesso do protesto, como uma briga com o poder parlamentar, e a nomea\u00e7\u00e3o mais consensual de um novo presidente, acalmaram os \u00e2nimos. E na Bol\u00edvia, o triunfo esmagador do MAS derrubou qualquer movimento dos setores mais reacion\u00e1rios e despertou expectativas de mudan\u00e7a no pa\u00eds, simbolizadas pelo retorno de Evo Morales de seu ex\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p>O panorama pol\u00edtico da regi\u00e3o, convulsionado por fortes e violentos protestos antes da pandemia, parece ter recuperado uma certa calma devido \u00e0 erup\u00e7\u00e3o da crise do coronav\u00edrus. Entretanto, se entendermos as mobiliza\u00e7\u00f5es como uma rejei\u00e7\u00e3o das estruturas sociais e dos resultados das atuais institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas, \u00e9 dif\u00edcil pensar que os protestos n\u00e3o voltaram a se repetir.<\/p>\n\n\n\n<p>Os eventos que acalmaram as \u00e1guas n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para garantir a ordem se a estrutura econ\u00f4mica e institucional que reproduz sociedades com fortes bols\u00f5es de pobreza e exclus\u00e3o n\u00e3o for modificada.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Maria Isabel Santos Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cen\u00e1rio pol\u00edtico da regi\u00e3o, convulsionado por fortes e violentos protestos antes da pandemia, parece ter sido acalmado pela eclos\u00e3o da crise do coronav\u00edrus. 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