{"id":39959,"date":"2024-04-25T09:00:00","date_gmt":"2024-04-25T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=39959"},"modified":"2024-04-25T18:51:30","modified_gmt":"2024-04-25T21:51:30","slug":"discurso-desumanizante-e-repressao-em-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/discurso-desumanizante-e-repressao-em-cuba\/","title":{"rendered":"Discurso desumanizante e repress\u00e3o em Cuba"},"content":{"rendered":"\n<p>A recente linguagem depreciativa dos meios de comunica\u00e7\u00e3o controlados pelo Estado cubano, dirigida aos <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/cuba-outra-vez-na-rua\/\">manifestantes que exigem &#8220;eletricidade, comida&#8221; e &#8220;liberdade&#8221;<\/a> em Santiago de Cuba e em outros lugares, destaca o forte v\u00ednculo entre o discurso oficial desumanizador e a repress\u00e3o no pa\u00eds. Um artigo intitulado &#8220;Ningu\u00e9m pode tirar a paz de n\u00f3s&#8221;, publicado em 23 de mar\u00e7o de 2024 pelo jornal Sierra Maestra, classificou os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2024\/03\/manifestantes-vao-as-ruas-de-cuba-contra-apagoes-e-escassez-de-alimentos.shtml\">manifestantes<\/a> como &#8220;pessoas deplor\u00e1veis&#8221; e &#8220;parasitas&#8221;, incitando o &#8220;rep\u00fadio&#8221; p\u00fablico. Essa ret\u00f3rica intolerante levou rapidamente \u00e0 repress\u00e3o, com 19 a 41 manifestantes detidos em mar\u00e7o de 2024 e 374 a\u00e7\u00f5es repressivas contra ativistas. Esse padr\u00e3o reflete uma longa tradi\u00e7\u00e3o de uso do discurso oficial para justificar as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos em Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Cuba, existe um v\u00ednculo claro entre o discurso oficial de intoler\u00e2ncia, a desumaniza\u00e7\u00e3o daqueles que s\u00e3o vistos como &#8220;outros&#8221; e a repress\u00e3o pol\u00edtica, que se baseia em eventos hist\u00f3ricos que se estendem por mais de seis d\u00e9cadas. A falta de liberdade para acessar os meios de comunica\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia de um judici\u00e1rio independente exacerbam ainda mais esse ciclo nocivo, deixando as pessoas indefesas contra os abusos do regime.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A invisibiliza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo no discurso do regime cubano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por mais de seis d\u00e9cadas, o Partido Comunista de Cuba e a elite governante negaram os direitos humanos fundamentais ao povo cubano. Ao contr\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, que coloca o indiv\u00edduo no epicentro dos direitos inalien\u00e1veis, o regime cubano enfatiza o controle estatal, exige lealdade absoluta e mant\u00e9m o controle total. Como resultado, viola os direitos fundamentais e torna os indiv\u00edduos invis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os arquitetos do totalitarismo em Cuba, como Ernesto &#8220;Che&#8221; Guevara, o conceito de &#8220;Homem Novo&#8221; ou &#8220;Homem Novo das Massas&#8221;, que seria o arqu\u00e9tipo do apoiador do novo regime, representava um indiv\u00edduo estreitamente integrado \u00e0s massas, desprovido de pensamento independente e individualidade. Fidel Castro, por meio de sua ret\u00f3rica que exigia apoio incondicional ao sistema, disse a intelectuais e artistas em 1961: &#8220;dentro da Revolu\u00e7\u00e3o, vale tudo; contra a Revolu\u00e7\u00e3o, nada&#8221;. Castro tamb\u00e9m promoveu ativamente a supress\u00e3o de qualquer voz dissidente contra seu regime. Sua declara\u00e7\u00e3o de 2 de janeiro de 1961, feita durante um discurso na Pra\u00e7a C\u00edvica, resumiu essa abordagem: &#8220;Com a Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 alternativa: ou a contrarrevolu\u00e7\u00e3o aniquila a Revolu\u00e7\u00e3o, ou a Revolu\u00e7\u00e3o aniquila a contrarrevolu\u00e7\u00e3o&#8221;. Essa declara\u00e7\u00e3o se tornaria a pedra angular da repress\u00e3o \u00e0s ideias dissidentes em Cuba nas d\u00e9cadas seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A intera\u00e7\u00e3o entre o discurso de intoler\u00e2ncia e a repress\u00e3o em Cuba<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Cuba, a linguagem desumanizadora dirigida a pessoas consideradas diferentes, com base em cren\u00e7as pol\u00edticas, religi\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o sexual ou estilos de vida, h\u00e1 muito tempo \u00e9 associada \u00e0 repress\u00e3o generalizada. Esse padr\u00e3o surgiu j\u00e1 em 1959, particularmente evidente no tratamento dado aos estudantes dissidentes da Universidade de Havana nos primeiros anos do regime. A linguagem pejorativa, dirigida a pessoas com vis\u00f5es dissidentes e rotuladas de &#8220;<em>pepillos<\/em>&#8220;, &#8220;<em>gusanos<\/em>&#8221; e &#8220;<em>contrarrevolucionarios<\/em>&#8220;, foi direcionada a jovens cat\u00f3licos e estudantes universit\u00e1rios que se levantaram em apoio \u00e0 autonomia universit\u00e1ria e se opuseram ao controle estatal da institui\u00e7\u00e3o, bem como \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o pr\u00f3-sovi\u00e9tica e totalit\u00e1ria do regime emergente.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente a essa ret\u00f3rica intolerante, a Universidade de Havana se militarizou rapidamente. A partir de outubro de 1959, brigadas universit\u00e1rias foram enviadas ao campus para monitorar a dissid\u00eancia e reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, concentrando-se na &#8220;escada universit\u00e1ria&#8221;, um local de forte simbolismo, pois foi onde come\u00e7aram as marchas de protesto contra os regimes ditatoriais durante a era republicana. \u00c9 digno de nota que, em 25 de fevereiro de 1960, brigadas universit\u00e1rias, motivadas por esse discurso, realizaram o que provavelmente foi um dos primeiros atos de rep\u00fadio ao regime, atacando violentamente estudantes que protestavam contra a lideran\u00e7a ditatorial e pr\u00f3-sovi\u00e9tica da revolu\u00e7\u00e3o, em frente \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de televis\u00e3o CMQ.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a d\u00e9cada de 1960, especialmente na &#8220;Era da Constru\u00e7\u00e3o do Socialismo e do Comunismo&#8221;, o regime promoveu uma doutrina\u00e7\u00e3o massiva para inculcar o comunismo atrav\u00e9s do trabalho agr\u00edcola. Revistas como a Mella desempenharam um papel fundamental no apoio a essa agenda e usaram linguagem homof\u00f3bica em v\u00e1rios artigos e caricaturas, rotulando depreciativamente os jovens por sua identidade sexual e estilo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas publica\u00e7\u00f5es, juntamente com os discursos de Fidel Castro, cujas palavras tiveram uma influ\u00eancia determinante devido ao seu controle absoluto do governo, levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o das Unidades Militares de Ajuda \u00e0 Produ\u00e7\u00e3o (UMAP) em outubro de 1965. Tratava-se, essencialmente, de campos de concentra\u00e7\u00e3o onde os prisioneiros enfrentavam repres\u00e1lias baseadas em sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, cren\u00e7as religiosas ou estilos de vida que se desviavam do ideal do novo homem. Ocorreram graves viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos nesses campos, denunciadas na \u00e9poca pela comunidade intelectual mundial que apoiava a revolu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, durante o cerco massivo de setembro de 1968 em Havana, milhares de jovens foram presos unicamente com base em sua apar\u00eancia e roupas e, em seguida, enviados para campos de reeduca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, onde sofreram trabalhos for\u00e7ados e diversas formas de abuso.<\/p>\n\n\n\n<p>O Noticiero ICAIC, dirigido por Santiago \u00c1lvarez e exibido nos cinemas cubanos por tr\u00eas d\u00e9cadas (1960-1990), abrangendo 1.493 edi\u00e7\u00f5es, tornou-se uma poderosa plataforma de propaganda para disseminar uma ret\u00f3rica desumanizadora. Em especial, o cinejornal de 22 de abril de 1980, intitulado &#8220;La Marcha del Pueblo Combatiente&#8221; (A Marcha do Povo Combatente), empregou t\u00e9cnicas cinematogr\u00e1ficas perturbadoras que lembravam a propaganda nazista. Retratava os solicitantes de asilo cubanos na embaixada peruana como ratos, ecoando os m\u00e9todos de desumaniza\u00e7\u00e3o usados na propaganda antijudaica mais virulenta dos nazistas, como o pseudodocument\u00e1rio &#8220;O Eterno Judeu&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atos de rep\u00fadio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a correla\u00e7\u00e3o entre o discurso desumanizador e a repress\u00e3o violenta tornou-se evidente e se intensificou por meio de atos generalizados de rep\u00fadio, manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, demonstra\u00e7\u00f5es de homofobia e humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica contra cubanos que expressaram sua inten\u00e7\u00e3o de deixar o pa\u00eds, juntamente com viol\u00eancia verbal e f\u00edsica. Orquestradas pelo regime e executadas pelos Comit\u00eas de Defesa da Revolu\u00e7\u00e3o e outros organismos repressivos do Minist\u00e9rio do Interior, essas a\u00e7\u00f5es visaram centenas de milhares de cubanos durante os eventos na Embaixada do Peru e o \u00eaxodo de Mariel em abril e maio de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia verbal e f\u00edsica dos atos de rep\u00fadio contra dissidentes destaca o estreito v\u00ednculo entre o discurso intolerante e a repress\u00e3o pol\u00edtica. As Damas de Branco, familiares de presos pol\u00edticos que exigem sua liberta\u00e7\u00e3o desde a Primavera Negra de 2003, foram sistematicamente atacadas por essas pr\u00e1ticas. Em um ataque em setembro de 2011, membros das Brigadas de A\u00e7\u00e3o R\u00e1pida cercaram sua sede gritando &#8220;Machete, s\u00e3o poucos!&#8221;. Essas express\u00f5es de \u00f3dio resultaram em v\u00e1rios incidentes de viol\u00eancia f\u00edsica, pris\u00f5es e, finalmente, na morte de sua l\u00edder, Laura Poll\u00e1n, no hospital Calixto Garc\u00eda, em circunst\u00e2ncias suspeitas, menos de um m\u00eas depois.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Difama\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A difama\u00e7\u00e3o em Cuba destaca o v\u00ednculo entre linguagem, repress\u00e3o estatal e viol\u00eancia. O regime desacredita sistematicamente os defensores dos direitos humanos, com o objetivo de manchar sua reputa\u00e7\u00e3o e alimentar a repress\u00e3o contra eles e suas fam\u00edlias. A linguagem depreciativa usada nesses ataques leva a persegui\u00e7\u00f5es, deten\u00e7\u00f5es e pris\u00f5es. Ela \u00e9 usada at\u00e9 mesmo para justificar a pris\u00e3o de l\u00edderes pr\u00f3-democracia, como Jos\u00e9 Daniel Ferrer, que tem sido submetido a torturas sistem\u00e1ticas desde sua pris\u00e3o em 11 de julho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a linguagem e a repress\u00e3o pol\u00edtica estejam intimamente relacionadas em Cuba, o impacto \u00e9 sentido mais intensamente pelos indiv\u00edduos que ficam indefesos contra as a\u00e7\u00f5es do Estado. Essa indefensabilidade priva os cidad\u00e3os de vias legais e plataformas de m\u00eddia para desafiar o poder, criticar a arbitrariedade e buscar justi\u00e7a, alimentando assim a viol\u00eancia e a repress\u00e3o estatal em todas as suas formas. Na aus\u00eancia de mecanismos para responsabilizar os membros do aparato repressivo pelas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, os abusos n\u00e3o s\u00e3o controlados. Organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos relatam que os membros do Minist\u00e9rio do Interior geralmente gozam de impunidade por suas a\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias, justificadas como &#8220;cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es&#8221;. Notavelmente, n\u00e3o h\u00e1 registro em Cuba de membros do aparato repressivo presos por tortura ou viol\u00eancia contra oponentes pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Cuba, assim como em outras ditaduras, as evid\u00eancias hist\u00f3ricas vinculam fortemente a linguagem \u00e0 repress\u00e3o. O discurso desumanizador em rela\u00e7\u00e3o aos &#8220;outros&#8221; geralmente precede os crimes de Estado mais hediondos, incluindo atos de rep\u00fadio, ataques de difama\u00e7\u00e3o, interna\u00e7\u00e3o em campos de concentra\u00e7\u00e3o, pris\u00e3o por motivos pol\u00edticos e at\u00e9 mesmo o assassinato de l\u00edderes de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A nega\u00e7\u00e3o dos direitos humanos pela elite do poder de Cuba por mais de seis d\u00e9cadas tem sido o cerne da repress\u00e3o e da viol\u00eancia politicamente motivadas no pa\u00eds. Enquanto o sistema pol\u00edtico continuar dependendo da exclus\u00e3o e da criminaliza\u00e7\u00e3o da dissid\u00eancia, com a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o terrorismo de Estado como pol\u00edticas, a viol\u00eancia e a repress\u00e3o continuar\u00e3o. At\u00e9 que a democracia prevale\u00e7a em Cuba, com o estabelecimento do Estado de Direito, institui\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas e uma cultura de respeito \u00e0 diversidade para garantir as liberdades fundamentais e os direitos humanos, persistir\u00e3o o discurso desumanizador e a repress\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Cuba, o discurso oficial de intoler\u00e2ncia est\u00e1 diretamente entrela\u00e7ado com a desumaniza\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 percebido como &#8220;outro&#8221;, alimentado assim um clima de repress\u00e3o pol\u00edtica. 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