{"id":41133,"date":"2024-06-07T09:00:00","date_gmt":"2024-06-07T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=41133"},"modified":"2024-06-06T16:16:17","modified_gmt":"2024-06-06T19:16:17","slug":"china-e-os-desafios-da-transicao-energetica-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/china-e-os-desafios-da-transicao-energetica-na-america-latina\/","title":{"rendered":"China e os desafios da \u201ctransi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>A agenda chinesa na Am\u00e9rica Latina diversificou-se na \u00faltima d\u00e9cada, afastando-se da chamada \u201cdiplomacia de tal\u00e3o de cheques\u201d e da elevada intensidade comercial para uma aposta, ainda pragm\u00e1tica, mas mais ancorada numa \u00e9tica civilizacional global. Como pa\u00eds emergente, que mede sua for\u00e7a num novo concerto de pot\u00eancias, o gigante asi\u00e1tico acumulou capital pol\u00edtico &#8211; especialmente no Sul em desenvolvimento &#8211; que lhe permite ditar seus pr\u00f3prios padr\u00f5es de conduta e afastar-se seletivamente da sua caracter\u00edstica neutralidade (ou indiferen\u00e7a) \u00e0 quest\u00f5es mais normativas como a sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sem contradi\u00e7\u00f5es, o apoio chin\u00eas a uma \u201cciviliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d (desde 2008) materializou-se na Am\u00e9rica Latina atrav\u00e9s do financiamento de projetos de <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-papel-da-china-na-transicao-energetica-da-america-latina\/\">infraestrutura de energias renov\u00e1veis<\/a>. Isto representou 6% do seu Investimento Estrangeiro Direto&nbsp; (IED) anunciado entre 2018 e 2023. A China identificou neste sector um ponto de equil\u00edbrio entre o desenvolvimento e o cuidado ao meio ambiente, sem contradizer a demanda de justi\u00e7a ecol\u00f3gica que tem sido defendida com maior ou menor veem\u00eancia por v\u00e1rios governos da regi\u00e3o, sobretudo do arco progressista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na regi\u00e3o entre saltos e estagna\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A vastid\u00e3o de recursos naturais dos pa\u00edses latino-americanos permitiu-lhes <a href=\"https:\/\/es.statista.com\/temas\/9522\/las-energias-renovables-en-america-latina\/#topFacts\">superar os 310 gigawatts de produ\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel<\/a> em 2022. A principal matriz do continente tem sido tradicionalmente a hidrel\u00e9trica, mas nos \u00faltimos anos, observou-se um crescimento da capacidade e\u00f3lica e fotovoltaica. De acordo com o <a href=\"https:\/\/es.weforum.org\/agenda\/2023\/10\/estos-paises-estan-logrando-avances-inesperados-en-sus-transiciones-energeticas-por-que\/\">\u00cdndice de Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial<\/a> publicado em 2023, o Brasil \u00e9 o primeiro a aparecer no ranking em 14\u00ba lugar &#8211; acima, inclusive, da China, que ficou em 17\u00ba &#8211; seguido pelo Uruguai (23\u00ba), Costa Rica (25\u00ba), Chile (30\u00ba) e Paraguai (34\u00ba). No entanto, para al\u00e9m destes casos, <a href=\"https:\/\/www.olade.org\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Estrategia-para-una-America-Latina-y-el-Caibe-mas-renovable_VF.pdf\">a percentagem de fontes renov\u00e1veis na matriz el\u00e9trica estagnou em 59%<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A geometria vari\u00e1vel do \u201cinvestimento verde\u201d chin\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O investimento chin\u00eas na regi\u00e3o n\u00e3o tem sido homog\u00eaneo nem est\u00e1tico; ao menos a cada cinco anos, tende a recalibrar-se, seja pelo c\u00e1lculo estrat\u00e9gico ou por fatores externos, como pandemia, disputas com os Estados Unidos ou mudan\u00e7a de governo na regi\u00e3o. Neste sentido, h\u00e1 uma tend\u00eancia acentuada de 2014-2019 para a estabiliza\u00e7\u00e3o do investimento verde, embora ap\u00f3s a pandemia tenha havido uma retirada geral do investimento chin\u00eas, n\u00e3o s\u00f3 na regi\u00e3o, mas no mundo, tamb\u00e9m devido \u00e0 <a href=\"https:\/\/repositorio.cepal.org\/server\/api\/core\/bitstreams\/28fbd6ab-cb1d-4b23-b4f2-36fb1080bba6\/content\">modera\u00e7\u00e3o do \u201cseu ritmo de expans\u00e3o econ\u00f4mica\u201d<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A China tem-se posicionado como l\u00edder global em investimentos em energias renov\u00e1veis e, neste marco, a regi\u00e3o tornou-se o destino de um ter\u00e7o de seus investimentos em energia e\u00f3lica e solar. De acordo com um estudo do <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.38116\/td2943-port\">Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA)<\/a> do Brasil, \u201ca IED de empresas chinesas em energia limpa triplicou desde o final de 2018, passando de US$960 milh\u00f5es para US$3,8 bilh\u00f5es at\u00e9 2022. Desse total, \u00e9 importante sublinhar que 55% foi sob a forma de IED greenfield&#8221;, um tipo de investimento destinado \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de projetos do zero. Brasil, Chile, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Argentina foram os maiores receptores de investimentos chineses em projetos de energia solar e e\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O problema da fragmenta\u00e7\u00e3o regional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar deste panorama animador, o decl\u00ednio da integra\u00e7\u00e3o regional e a fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o favorecem nem a Am\u00e9rica Latina nem a China no aprofundamento da sua alian\u00e7a verde. O f\u00f3rum China-CELAC tem tentado orientar as rela\u00e7\u00f5es inter-bloco, mas carece de uma institucionalidade permanente que garanta a execu\u00e7\u00e3o e o cumprimento de seus objetivos. Por isso, a China teve de trabalhar em seus v\u00ednculos a n\u00edvel bilaterais numa perspetiva multidimensional, incluindo uma diversidade de atores n\u00e3o-estatais.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a regi\u00e3o n\u00e3o tenha constru\u00eddo uma arquitetura institucional robusta ao redor dos problemas ambientais, relativamente o fez no energ\u00e9tico. Em 2023, a Olade publicou a \u201c<a href=\"https:\/\/www.olade.org\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Estrategia-para-una-America-Latina-y-el-Caibe-mas-renovable_VF.pdf\">Estrat\u00e9gia para uma Am\u00e9rica Latina e Caribe mais renov\u00e1veis<\/a>\u201d, que destaca, de fato, as diferen\u00e7as significativas entre os pa\u00edses, sobretudo em sua rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e no n\u00edvel de lideran\u00e7a estatal. No entanto, dentro da estrat\u00e9gia n\u00e3o h\u00e1 uma refer\u00eancia direta ao papel da China neste dom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rea\u00e7\u00e3o estadunidense<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos come\u00e7aram a se preocupar com a lideran\u00e7a da China no investimento em projetos de energias renov\u00e1veis na regi\u00e3o. Apesar de, em fevereiro do ano passado, o enviado para o clima do gigante asi\u00e1tico, Xie Zhenhua, e o seu hom\u00f3logo norte-americano, John Kerry, se comprometeram amistosamente a triplicar a energia renov\u00e1vel no mundo at\u00e9 2030. Meses depois, em novembro, a Secret\u00e1ria do Tesouro, Janet Yellen, insistiu na necessidade de implementar uma estrat\u00e9gia de cadeia de abastecimento resiliente que inclua \u00e1reas como a energia limpa e <a href=\"https:\/\/english.elpais.com\/economy-and-business\/2023-11-02\/treasury-secretary-yellen-calls-for-more-us-latin-america-trade-in-part-to-lessen-chinese-influence.html\">contenha a influ\u00eancia chinesa<\/a>. O consenso de que foi sobretudo a concorr\u00eancia pelos recursos f\u00f3sseis que aumentou os riscos de seguran\u00e7a e os conflitos interestatais, e n\u00e3o a concorr\u00eancia por recursos renov\u00e1veis, parece encontrar aqui suas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 que tanto a China como os Estados Unidos &#8211; principalmente atrav\u00e9s do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) &#8211; instrumentalizem a carta da energia limpa na regi\u00e3o. Por seu peso geopol\u00edtico, o Brasil \u00e9 um ator-chave que pode alterar a balan\u00e7a de poder entre ambos os atores e articular uma agenda continental comum, enquanto for\u00e7a motriz da CELAC e presidente do G-20. A urg\u00eancia dos pa\u00edses latino-americanos \u00e9 criar um ecossistema institucional de <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/em-que-pe-esta-a-transicao-energetica-na-regiao\/\">transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/a> que lhes permita, a longo prazo, superar o seu padr\u00e3o extrativista e, a curto e m\u00e9dio prazo, reduzir a sua tend\u00eancia para a reprimariza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>*Este texto foi originalmente publicado no s\u00edtio da <a href=\"http:\/\/chinayamericalatina.com\/\">REDCAEM<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A principal matriz do continente tem sido tradicionalmente a hidrel\u00e9trica, mas nos \u00faltimos anos, observou-se um crescimento da capacidade e\u00f3lica e fotovoltaica.<\/p>\n","protected":false},"author":620,"featured_media":41116,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[17028,16761],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-41133","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-transicion-energetica-pt-br","8":"category-china-es-pt-br","9":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/620"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41133\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41133"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=41133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}