{"id":4306,"date":"2021-03-08T04:09:00","date_gmt":"2021-03-08T07:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=4306"},"modified":"2021-03-15T04:21:55","modified_gmt":"2021-03-15T07:21:55","slug":"as-respostas-a-covid-19-nao-devem-esquecer-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/as-respostas-a-covid-19-nao-devem-esquecer-as-mulheres\/","title":{"rendered":"As respostas \u00e0 Covid-19 n\u00e3o devem esquecer as mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>A pandemia tem tido um efeito devastador na Am\u00e9rica Latina. O Brasil e o M\u00e9xico est\u00e3o entre os tr\u00eas pa\u00edses com o maior n\u00famero de mortes per capita por Covid-19 no mundo, depois dos Estados Unidos, enquanto a atividade econ\u00f4mica na regi\u00e3o diminuiu em 8% em 2020, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e Caribe (<a href=\"https:\/\/repositorio.cepal.org\/bitstream\/handle\/11362\/45784\/4\/S2000470_en.pdf\">CEPAL<\/a>). <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/o-bem-estar-que-nos-ilude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O n\u00famero de pessoas que vivem na pobreza<\/a> aumentou em mais de 45 milh\u00f5es &#8211; semelhante \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da Argentina &#8211; para 231 milh\u00f5es, e atinge agora 4 em cada 10 latino-americanos. A <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/REO\/WH\/Issues\/2020\/10\/13\/regional-economic-outlook-western-hemisphere\">pobreza extrema<\/a>, por sua vez, aumentou em quase 15 milh\u00f5es de pessoas e afeta particularmente as mulheres migrantes, afrodescendentes e ind\u00edgenas, mulheres em comunidades rurais, m\u00e3es solteiras e mulheres com defici\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o das crises econ\u00f4micas e sanit\u00e1rias \u00e9 apenas uma parte do problema. A outra parte \u00e9 a deteriora\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero e da autonomia das mulheres, como ficou demonstrado em crises anteriores como a \u00c9bola, o Zika ou a gripe avi\u00e1ria. A atual pandemia trouxe \u00e0 tona desigualdades de g\u00eanero que n\u00e3o podem ser ignoradas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Covid-19 e as injusti\u00e7as de g\u00eanero<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As emerg\u00eancias sanit\u00e1rias refor\u00e7am os pap\u00e9is sociais de g\u00eanero e exacerbam os preconceitos e pr\u00e1ticas patriarcais em torno do papel da mulher na fam\u00edlia e na sociedade. E na Am\u00e9rica Latina, isto \u00e9 particularmente problem\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da pandemia, a regi\u00e3o relatou um aumento da <a href=\"https:\/\/lac.unwomen.org\/en\/noticias-y-eventos\/articulos\/2020\/11\/impacto-de-la-pandemia-covid-en-violencia-contra-las-mujeres\">viol\u00eancia dom\u00e9stica e de g\u00eanero<\/a>, e uma diminui\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/lac\/en\/press-releases\/covid-19-effects-on-women-children-and-adolescents-health\">acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos de sa\u00fade<\/a> reprodutiva, materna e infantil, e a servi\u00e7os humanit\u00e1rios e de apoio \u00e0 quarentena. O <a href=\"https:\/\/www.unfpa.org\/es\/news\/se-prev%C3%A9n-millones-de-nuevos-de-casos-de-violencia-matrimonio-infantil-mutilaci%C3%B3n-genital\">Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a> advertiu que a pandemia poderia deixar 47 milh\u00f5es de mulheres &#8211; em pa\u00edses de renda baixa e m\u00e9dia &#8211; sem acesso a contraceptivos, resultando em um adicional de aproximadamente sete milh\u00f5es de gravidezes n\u00e3o desejadas, um n\u00famero equivalente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de El Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p>Este problema j\u00e1 era uma realidade pr\u00e9via \u00e0 pandemia. A taxa m\u00e9dia anual de gravidezes involunt\u00e1rias na regi\u00e3o entre 2015 e 2019 foi de 69 gravidezes a cada 1000 mulheres, das quais pouco menos de metade resultou em abortos clandestinos e inseguros. Houve avan\u00e7os espec\u00edficos como a <a href=\"https:\/\/blogs.lse.ac.uk\/latamcaribbean\/2021\/02\/18\/la-legalizacion-del-aborto-en-argentina-es-solo-el-comienzo-de-la-batalla-por-los-derechos-reproductivos-en-america-latina\/\">legaliza\u00e7\u00e3o do aborto na Argentina<\/a>, mas na regi\u00e3o o que prevalece \u00e9 o fracasso geral em abordar problemas de viol\u00eancia sexual, autonomia de decis\u00e3o e igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>A Covid-19 tamb\u00e9m afetou seriamente a participa\u00e7\u00e3o das mulheres em atividades econ\u00f4micas. Elas representam quase <a href=\"https:\/\/blogs.iadb.org\/igualdad\/es\/mujeres-enfrentan-mayores-riesgos-ante-coronavirus\/\">40% dos empregos no com\u00e9rcio, restaurantes e hot\u00e9is<\/a>, todos os setores duramente afetados pela crise e com elevados n\u00edveis de informalidade. De acordo com n\u00fameros da <a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/wcmsp5\/groups\/public\/---americas\/---ro-lima\/documents\/publication\/wcms_756697.pdf\">Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho<\/a>, 126 milh\u00f5es, quase metade das mulheres da regi\u00e3o, s\u00e3o trabalhadoras assalariadas informais ou aut\u00f4nomas sem um t\u00edtulo universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Bol\u00edvia, Guatemala e Peru, oito em cada dez mulheres t\u00eam trabalhos informais, o que as coloca em risco de perder o seu emprego ou adoecer, j\u00e1 que apesar das quarentenas, muitas continuam trabalhando por necessidade. Al\u00e9m disso, n\u00e3o t\u00eam a possibilidade de associar e exigir direitos laborais, o que os exp\u00f5e a abusos por parte dos seus empregadores e com acesso limitado \u00e0 seguran\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, a crise da Covid-19 tamb\u00e9m agravou a crise migrat\u00f3ria. Entre 2016 e 2020, cerca de 5,4 milh\u00f5es de venezuelanos deixaram o pa\u00eds. Ao mesmo tempo, milhares de pessoas fugiram da Guatemala, Honduras e El Salvador para o M\u00e9xico e os Estados Unidos. Para as mulheres e crian\u00e7as, que constituem cerca de metade dos migrantes e refugiados, e cujas necessidades s\u00e3o frequentemente invis\u00edveis mesmo em tempos &#8220;normais&#8221;, os riscos de seguran\u00e7a, sa\u00fade e pobreza tornaram-se mais agudos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um novo pacto social que inclua as mulheres<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos tenham assinado e ratificado a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o contra as Mulheres, a regi\u00e3o est\u00e1 longe de alcan\u00e7ar o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel n\u00famero 5, que garante a igualdade de g\u00eanero e o empoderamento das mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a crise, muitos governos introduziram <a href=\"https:\/\/eulacfoundation.org\/en\/system\/files\/blofield_giambruno_filgueira_covid_and_social_protection_in_latin_america_eclac_sept_2020.pdf\">pacotes de emerg\u00eancia<\/a>, subs\u00eddios salariais, seguro desemprego, e proibi\u00e7\u00f5es de despejo. As novas pol\u00edticas sociais centraram-se nas popula\u00e7\u00f5es desprotegidas, mas a maioria dos trabalhadores informais ainda carece de prote\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, estas medidas t\u00eam sido respostas de emerg\u00eancia a curto prazo e est\u00e3o longe de proporcionar uma abordagem transformadora em termos de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>A CEPAL tem pedido um &#8220;<a href=\"https:\/\/www.cepal.org\/es\/noticias\/cepal-aboga-la-construccion-un-nuevo-pacto-social-la-igualdad-america-latina-caribe\">novo pacto social<\/a>&#8220;, enquanto que o <a href=\"https:\/\/blogs.imf.org\/2020\/06\/26\/outlook-for-latin-america-and-the-caribbean-an-intensifying-pandemic\/\">Fundo Monet\u00e1rio Internacional<\/a> (FMI), o Banco Mundial e o <a href=\"https:\/\/www.iadb.org\/es\/noticias\/grupo-bid-aprueba-record-de-us21600-millones-en-prestamos-en-2020\">Banco Interamericano de Desenvolvimento<\/a> (BID) encorajam os governos a aumentar as despesas com a sa\u00fade e a fortalecer as redes de seguran\u00e7a social. No entanto, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental <a href=\"https:\/\/www.oxfam.org\/en\/blogs\/virus-austerity-covid-19-spending-accountability-and-recovery-measures-agreed-between-imf-and\">Oxfam<\/a> advertiu que estes organismos est\u00e3o tamb\u00e9m encorajando os pa\u00edses a retomar o caminho da consolida\u00e7\u00e3o fiscal, o que poderia conduzir a uma nova era de austeridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, os programas de financiamento n\u00e3o beneficiam necessariamente as mulheres ou grupos particulares de mulheres. De acordo com a <a href=\"https:\/\/data.undp.org\/gendertracker\/\">ONU Mulheres<\/a>, a Am\u00e9rica Latina adotou cerca de 340 medidas de prote\u00e7\u00e3o social em resposta \u00e0 pandemia, mas apenas uma fra\u00e7\u00e3o dessas medidas visam a seguran\u00e7a econ\u00f4mica das mulheres, e apenas 7% se concentram diretamente nos cuidados n\u00e3o remunerados.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do panorama sombrio, a crise provocada pela pandemia \u00e9 uma oportunidade para &#8220;reconstruir melhor&#8221;. Os governos devem garantir a seguran\u00e7a econ\u00f4mica, a subsist\u00eancia e a sa\u00fade das mulheres, bem como o seu direito e a sua capacidade de acessar oportunidades de trabalho decentes e de viver uma vida digna. Isto requer compromisso pol\u00edtico e financiamento internacional inabal\u00e1vel e solid\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Maria Isabel Santos Lima<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Foto por alice_bag em Foter.com \/ CC BY-NC<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gest\u00e3o das crises econ\u00f4micas e sanit\u00e1rias \u00e9 apenas uma parte do problema. 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