{"id":44794,"date":"2024-10-23T09:00:00","date_gmt":"2024-10-23T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=44794"},"modified":"2024-10-22T14:53:16","modified_gmt":"2024-10-22T17:53:16","slug":"a-pesca-chinesa-ameaca-a-soberania-maritima-do-peru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/a-pesca-chinesa-ameaca-a-soberania-maritima-do-peru\/","title":{"rendered":"A pesca chinesa amea\u00e7a a soberania mar\u00edtima do Peru"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A pota<\/strong> (lula gigante) j\u00e1 foi um recurso marinho abundante e uma fonte barata de prote\u00edna no Peru. A hist\u00f3ria \u00e9 longa, mas f\u00e1cil de entender. At\u00e9 o final do ano passado, o Peru era o pa\u00eds que desembarcava a maior quantidade desse recurso no mundo. <strong>Atr\u00e1s<\/strong> dele, por\u00e9m, vinha <strong>a China<\/strong>. Onde os chineses pescam? Principalmente na <strong>costa da Am\u00e9rica do Sul<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 acontecendo agora no Peru deveria fazer soar o alarme no resto do continente. A <strong>marinha peruana <\/strong>se colocou oficialmente aos p\u00e9s dos <strong>interesses comerciais da China<\/strong>. Em vez de proteger os <strong>recursos marinhos<\/strong> de seu pa\u00eds, decidiu se alinhar com a <strong>embaixada do regime comunista<\/strong> para liberar seus navios, que s\u00e3o conhecidos mundialmente por <strong>saquear os oceanos<\/strong> sem maiores receios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Depoimentos dos pescadores<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Antigos<strong> pescadores peruanos<\/strong> dizem que, h\u00e1 20 anos, a frota que vinha para pescar lulas era, em sua maioria, coreana. O padr\u00e3o era muito semelhante ao que vemos agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagens de sat\u00e9lite mostram uma mancha perene de embarca\u00e7\u00f5es estrangeiras posicionadas na borda das 200 milhas da zona mar\u00edtima do Peru. Uma zona que faz fronteira com \u00e1guas internacionais. Em teoria, eles pescam fora do limite, mas todos sabem que esse n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje se acumulam <strong>reclama\u00e7\u00f5es de pescadores<\/strong> peruanos contra <strong>barcos chineses<\/strong> por entrarem na zona de 200 milhas, acenderem suas luzes de pesca e soltarem suas linhas de pesca para pegar a lula. Essa \u00e9 uma atividade absolutamente <strong>ilegal<\/strong>. De acordo com essas fontes, os coreanos eram \u201cbeb\u00eas de colo\u201d ao lado da frota chinesa. Sua opera\u00e7\u00e3o era pequena em compara\u00e7\u00e3o com a do pa\u00eds comunista e a quantidade de lula que eles pegavam n\u00e3o perturbava a <strong>pesca local<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as coisas mudaram. Hoje, a China est\u00e1 deixando <strong>o Peru sem pota<\/strong>. Um quilo desse produto, que costumava custar quatro soles, subiu para mais de 24 soles nos \u00faltimos meses. Isso representa um golpe para as <strong>fam\u00edlias mais pobres<\/strong>, porque a pota costumava ser uma <strong>fonte barata de prote\u00edna<\/strong> na mesa dos peruanos. Mas quase ningu\u00e9m pode mais pagar por ela. Sai mais cara do que o frango.<\/p>\n\n\n\n<p>E tudo isso se deve \u00e0 <strong>escassez<\/strong>. H\u00e1 meses que o produto n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel nos mercados. Nas redes sociais, h\u00e1 muitos v\u00eddeos de pescadores reclamando porque foram obrigados a coletar conchas de leques para sobreviver, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 pota para pescar. Eles ficaram <strong>sem trabalho<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pelas \u00e1guas latino-americanas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os especialistas da <strong>Calamasur<\/strong> est\u00e3o muito preocupados com a <strong>sobreviv\u00eancia do recurso<\/strong> neste lado do continente. Trata-se do Comit\u00ea para a <strong>Gest\u00e3o Sustent\u00e1vel da Lula Gigante<\/strong> no Pac\u00edfico Sul, formado por pescadores do Chile, Equador, M\u00e9xico e Peru. Mas aten\u00e7\u00e3o: os barcos chineses n\u00e3o operam apenas no Pac\u00edfico. Quando a temporada termina aqui, eles contornam o <strong>Estreito de Magalh\u00e3es<\/strong> at\u00e9 o outro lado da Am\u00e9rica. E l\u00e1 eles pescam nas \u00e1guas da <strong>Argentina e<\/strong> do <strong>Uruguai<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, uma investiga\u00e7\u00e3o publicada no <em>La Contra <\/em>descobriu que o navio <strong>Hong Pu 16<\/strong> foi detectado pela <strong>marinha argentina<\/strong> pescando ilegalmente em suas \u00e1guas antes de entrar nos estaleiros da marinha peruana, de acordo com o registro do portal de jornalistas mar\u00edtimos, <em>The Outlaw Ocean Project<\/em>. L\u00e1, ele foi interceptado e escoltado at\u00e9 o porto de Bahia Blanca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aos p\u00e9s da China<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Mediante rastreo de<strong> im\u00e1genes satelitales<\/strong>, la investigaci\u00f3n ubica el ingreso de al menos una decena de barcos chinos a los astilleros de los <strong>Servicios Industriales de la Marina<\/strong> (SIMA). Es la <strong>empresa p\u00fablica<\/strong> que se encarga de dar <strong>mantenimiento<\/strong> a los barcos. Las naves chinas que recibe, que pagan muy bien, son parte de la flota que saca pota ilegalmente de aguas peruanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao rastrear<strong> imagens de sat\u00e9lite<\/strong>, a investiga\u00e7\u00e3o localizou a entrada de pelo menos uma d\u00fazia de barcos chineses nos estaleiros dos <strong>Servi\u00e7os Industriais da Marinha<\/strong> (SIMA). Essa \u00e9 a <strong>empresa p\u00fablica<\/strong> respons\u00e1vel pela <strong>manuten\u00e7\u00e3o<\/strong> dos navios. Os navios chineses que recebe, que pagam muito bem, fazem parte da frota que retira ilegalmente a pota das \u00e1guas peruanas.<\/p>\n\n\n\n<p>A marinha peruana n\u00e3o \u00e9 apenas incapaz de proteger suas 200 milhas de <strong>incurs\u00f5es estrangeiras<\/strong>. Ela tamb\u00e9m fornece <strong>servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o <\/strong>para os navios que comp\u00f5em a <strong>frota chinesa<\/strong>. E decidiu <strong>defender seus interesses<\/strong>, tanto perante o Congresso peruano quanto perante <strong>a opini\u00e3o p\u00fablica<\/strong>. No in\u00edcio de setembro, <strong>representantes da marinha<\/strong> foram ao <strong>Congresso no Peru<\/strong> para pedir que n\u00e3o fossem aprovadas novas exig\u00eancias para os navios chineses. Disseram que <strong>mais exig\u00eancias<\/strong> poderiam ser vistas como \u201cbarreiras burocr\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados de setembro, Rodolfo Sablich, diretor da Direcci\u00f3n de Capitan\u00edas y Guardacostas (Dicapi) da Marinha do Peru, viajou \u00e0 China para assinar um <strong>memorando de amizade<\/strong> com a <strong>guarda costeira da China<\/strong>. As rela\u00e7\u00f5es entre a <strong>marinha peruana e o partido comunista<\/strong> parecem estar indo de vento em popa. Tanto que, diante do esc\u00e2ndalo nacional desencadeado pelo aumento do pre\u00e7o da pota e da associa\u00e7\u00e3o com a frota chinesa, a marinha garantiu publicamente que nenhuma embarca\u00e7\u00e3o chinesa est\u00e1 pescando ilegalmente em \u00e1guas peruanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1\u00ba de outubro, o <strong>embaixador chin\u00eas no Peru<\/strong> deu uma entrevista &#8211; uma das poucas que concedeu &#8211; ao jornal <em>Gesti\u00f3n<\/em> e garantiu exatamente a mesma coisa: que n\u00e3o h\u00e1 pesca ilegal por parte da frota de seu pa\u00eds e que o que os pescadores est\u00e3o denunciando \u00e9 fruto de sua imagina\u00e7\u00e3o. Quase como se uma <strong>resposta conjunta<\/strong> tivesse sido coordenada entre dois parceiros comerciais. Ser\u00e1 que eles est\u00e3o se protegendo mutuamente?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Discurso oficial<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Ambos &#8211; a Marinha e a Embaixada da China &#8211; alegam a mesma coisa: que a <strong>escassez de pota<\/strong> se deve apenas ao <strong>fen\u00f4meno El Ni\u00f1o<\/strong>. O El Ni\u00f1o<a href=\"https:\/\/www.gob.pe\/institucion\/imarpe\/noticias\/1025114-produce-captura-del-recurso-pota-ha-sido-afectada-por-el-fenomeno-el-nino-de-febrero-2023-marzo-2024\"> <em>deste ano<\/em><\/a> foi muito mais fraco do que nos anos anteriores. Al\u00e9m disso, os pescadores se perguntam por que ele est\u00e1 afetando apenas a pesca da pota, quando <strong>outros recursos estrat\u00e9gicos<\/strong> &#8211; como a anchova &#8211; est\u00e3o registrando n\u00fameros saud\u00e1veis de descarga.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a investiga\u00e7\u00e3o de <em>La Contra <\/em>mostra uma longa lista de<strong> irregularidades detectadas na frota chinesa <\/strong>que opera na costa do Peru. Por exemplo, os navios desligam seus radares anticolis\u00e3o justamente quando est\u00e3o a cerca de 200 milhas. Tamb\u00e9m, quando saem dos portos peruanos, s\u00e3o observados se movendo a menos de dois n\u00f3s, o que \u00e9 conhecido em todo o mundo como <strong>velocidade de pesca<\/strong>. Por que a pesca ilegal chinesa \u00e9 descoberta na Argentina, mas n\u00e3o no Peru? Ser\u00e1 que \u00e9 porque eles decidiram respeitar as regras de navega\u00e7\u00e3o aqui?<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos fortes ind\u00edcios de que a <strong>frota chinesa<\/strong> \u00e9 respons\u00e1vel pela depreda\u00e7\u00e3o ilegal do recurso, a marinha peruana decidiu defend\u00ea-la. Seus navios pagam grandes taxas de manuten\u00e7\u00e3o todos os anos. Enquanto isso, os pescadores locais est\u00e3o exigindo que algu\u00e9m os defenda.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Texto publicado originalmente no Di\u00e1logo Pol\u00edtico<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A marinha peruana se colocou oficialmente aos p\u00e9s dos interesses comerciais da China.<\/p>\n","protected":false},"author":455,"featured_media":44787,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16738,16765],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-44794","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-peru-pt-br","8":"category-chile-es-pt-br","9":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/455"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44794\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44787"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44794"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=44794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}