{"id":45436,"date":"2024-11-20T09:00:00","date_gmt":"2024-11-20T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=45436"},"modified":"2024-11-20T13:11:08","modified_gmt":"2024-11-20T16:11:08","slug":"investimentos-chineses-no-brasil-oportunidades-para-um-futuro-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/investimentos-chineses-no-brasil-oportunidades-para-um-futuro-sustentavel\/","title":{"rendered":"Investimentos chineses no Brasil: oportunidades para um futuro sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde os primeiros passos do processo de expans\u00e3o das empresas chinesas, iniciado em meados dos anos 2000 e intensificado no final dessa d\u00e9cada, o Brasil tem sido o principal destino dos investimentos do gigante asi\u00e1tico na Am\u00e9rica Latina e figura entre os cinco pa\u00edses que mais receberam capital chin\u00eas produtivo no mundo. Com pouco mais de uma d\u00e9cada e meia de atividade constante, os investimentos chineses j\u00e1 est\u00e3o presentes em todas as regi\u00f5es do Brasil, desde os grandes centros urbanos e capitais at\u00e9 as pequenas cidades do interior.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, houve mudan\u00e7as no perfil dos projetos que atra\u00edram o interesse chin\u00eas, seja pelas pol\u00edticas dom\u00e9sticas adotadas por Pequim, por momentos de maior ou menor abertura do mercado brasileiro ou por turbul\u00eancias no cen\u00e1rio internacional. Inicialmente, refletindo o crescimento exponencial do com\u00e9rcio bilateral, houve grande entusiasmo pelo setor de mat\u00e9rias-primas, especialmente na \u00e1rea de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Hoje, algumas das maiores empresas chinesas do setor est\u00e3o presentes no Brasil, como <em>China National Offshore Oil Corporation<\/em> (CNOOC), <em>China Petrochemical Corporation (Sinopec)<\/em> e <em>China National Petroleum Corporation<\/em> (CNPC).<\/p>\n\n\n\n<p>Em um segundo momento, a \u00e1rea de energia \u2013 especialmente gera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de eletricidade \u2013 come\u00e7ou a atrair a maior parte dos projetos, especialmente com a entrada de gigantes como <em>State Grid<\/em> e <em>China Three Gorges<\/em>, que t\u00eam no Brasil seu principal mercado fora da China. Ao mesmo tempo, o setor de manufatura ganhou espa\u00e7o, com a entrada de empresas chinesas de diversos segmentos, como automotivo, eletrodom\u00e9sticos e m\u00e1quinas e equipamentos, incluindo BYD, TCL, <em>Gree, Midea, Sanxing Electric<\/em> e <em>Xuzhou Construction Machinery Group<\/em> (XCMG).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 investimentos consolidados no setor de minera\u00e7\u00e3o, com a presen\u00e7a de grandes iniciativas da CMOC na \u00e1rea de ni\u00f3bio e fosfatos, e no segmento agr\u00edcola, com aportes de empresas como COFCO e <em>Long-Ping High-Tech<\/em>, que v\u00e3o desde a comercializa\u00e7\u00e3o e o fornecimento de produtos agr\u00edcolas at\u00e9 a fabrica\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos para a agroind\u00fastria. No segmento de infraestrutura, os investimentos de empresas estatais tamb\u00e9m se destacam, com o Terminal de Cont\u00eaineres de Paranagu\u00e1 em seu portf\u00f3lio desde 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento do com\u00e9rcio bilateral e o fluxo de investimentos, por sua vez, geraram um interesse crescente no setor banc\u00e1rio, que gradualmente come\u00e7ou a operar diretamente no pa\u00eds. Na primeira d\u00e9cada dos anos 2000, a presen\u00e7a de bancos chineses ainda era incipiente, contando basicamente com o <em>Bank of China<\/em>, pioneiro na presen\u00e7a dessas institui\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul. Em 2009, foi criado o Banco de China Brasil S.A., o primeiro banco chin\u00eas a entrar efetivamente em territ\u00f3rio nacional. Desde 2012, outros bancos come\u00e7aram a operar no pa\u00eds, como o <em>Industrial and Commercial Bank of China<\/em> (ICBC), o <em>Bank of Communications<\/em> (BOCOM) e o <em>China Construction Bank<\/em> (CCB).<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe destacar que pouco mais da metade dos projetos chineses no Brasil ingressaram ao pa\u00eds atrav\u00e9s de iniciativas <em>greenfield<\/em>, com o estabelecimento de novos neg\u00f3cios ou novas rodadas de investimento em projetos iniciados em anos anteriores. Isso gerou in\u00fameros benef\u00edcios para a economia brasileira, pois cria redes de conectividade entre cadeias de valor, al\u00e9m de impulsionar o mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, muitas empresas chinesas tamb\u00e9m optaram por entrar no pa\u00eds apostando em fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, aproveitando benef\u00edcios pontuais, como a queda relativa nos pre\u00e7os de ativos dom\u00e9sticos devido \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do real.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria dos investimentos chineses no Brasil mostra que as rela\u00e7\u00f5es nessa \u00e1rea atingiram um grau consider\u00e1vel de maturidade, com uma r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o \u2013 quantitativa e qualitativa \u2013 desses investimentos, o que preparou bases s\u00f3lidas para as novas tend\u00eancias que come\u00e7am a surgir. Hoje, os grandes projetos de investimento da China no exterior s\u00e3o menos frequentes, dando lugar a empreendimentos menores nas chamadas \u201cnovas infraestruturas\u201d, com iniciativas em \u00e1reas que est\u00e3o no centro dos planos de desenvolvimento da lideran\u00e7a chinesa, como energia renov\u00e1vel, carros el\u00e9tricos, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, infraestrutura urbana e manufatura de alto padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que surgem novas oportunidades para o Brasil. Em anos recentes, houve um entusiasmo renovado das empresas chinesas de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o para investir capital no pa\u00eds, incluindo participa\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias rodadas de investimento em startups nacionais, abrindo caminho para a expans\u00e3o de gigantes da tecnologia como <em>DiDi, Tencent<\/em> e <em>Ant Financial<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, as \u00e1reas relacionadas \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica t\u00eam atra\u00eddo o interesse das empresas chinesas, em linha com a meta da China de alcan\u00e7ar a neutralidade de carbono at\u00e9 2060, uma ambi\u00e7\u00e3o que necessariamente exigir\u00e1 a ajuda de parceiros em v\u00e1rias partes do mundo. A recente entrada de GWM e BYD no mercado nacional ilustra casos emblem\u00e1ticos. Ademais, \u00e9 cada vez mais comum a entrada de novos projetos em energia limpa, especialmente solar e e\u00f3lica, com oportunidades latentes em \u00e1reas como hidrog\u00eanio verde, biocombust\u00edveis para avia\u00e7\u00e3o e navega\u00e7\u00e3o, bem como a extra\u00e7\u00e3o e o processamento de minerais cr\u00edticos, como o l\u00edtio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os avan\u00e7os dos investimentos chineses no Brasil s\u00e3o not\u00e1veis. No marco de uma agenda comum baseada no desenvolvimento sustent\u00e1vel e tecnol\u00f3gico, Brasil e China podem dar novos passos para associa\u00e7\u00f5es que fortale\u00e7am n\u00e3o s\u00f3 as rela\u00e7\u00f5es bilaterais, mas tamb\u00e9m a posi\u00e7\u00e3o de ambos no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Este texto foi originalmente publicado no site<\/sub><\/em><a href=\"http:\/\/chinayamericalatina.com\/\"><sub><em> da REDCAEM<\/em><\/sub><\/a><em><sub>.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No marco de uma agenda comum baseada no desenvolvimento sustent\u00e1vel e tecnol\u00f3gico, Brasil e China podem dar novos passos para associa\u00e7\u00f5es que fortale\u00e7am n\u00e3o s\u00f3 as rela\u00e7\u00f5es bilaterais, mas tamb\u00e9m a posi\u00e7\u00e3o de ambos no mundo.<\/p>\n","protected":false},"author":683,"featured_media":45395,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16728,16761],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-45436","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil-pt-br","8":"category-china-es-pt-br","9":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/683"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45436\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45436"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=45436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}