{"id":45868,"date":"2024-12-16T10:15:18","date_gmt":"2024-12-16T13:15:18","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=45868"},"modified":"2024-12-16T12:09:22","modified_gmt":"2024-12-16T15:09:22","slug":"uma-cop16-historica-mas-com-dividas-para-com-as-comunidades-mais-vulneraveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/uma-cop16-historica-mas-com-dividas-para-com-as-comunidades-mais-vulneraveis\/","title":{"rendered":"Uma COP16 hist\u00f3rica, mas com d\u00edvidas para com as comunidades mais vulner\u00e1veis"},"content":{"rendered":"\n<p>A COP16 da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CBD), <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/es\/la-cop16-y-el-liderazgo-de-colombia-en-la-proteccion-de-la-biodiversidad\/\">realizada em Cali, Col\u00f4mbia<\/a>, de 21 de outubro a 1\u00ba de novembro, foi, sem d\u00favida, um evento hist\u00f3rico. No entanto, tamb\u00e9m exp\u00f4s desafios que, se n\u00e3o forem resolvidos, podem comprometer as ambiciosas metas de conserva\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a socioambiental que ela promove. Embora essa c\u00fapula tenha sido chamada de \u201cCOP do povo\u201d por sua abordagem inclusiva e participa\u00e7\u00e3o recorde, o caminho para a implementa\u00e7\u00e3o real desses compromissos \u00e9 \u00e1rduo, principalmente para as comunidades que deveriam estar no centro da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Progresso inclusivo, mas desigual<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das conquistas mais significativas da COP16 foi a cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o subsidi\u00e1rio permanente para o Artigo 8 da CDB, que permitir\u00e1 que os povos ind\u00edgenas e as comunidades locais (IPLCs) tenham voz direta nas negocia\u00e7\u00f5es. Esse desenvolvimento marca um reconhecimento h\u00e1 muito esperado do papel fundamental que esses grupos desempenham na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. No entanto, conforme apontado pela an\u00e1lise do <a href=\"https:\/\/periodistasporelplaneta.com\/blog\/una-cop16-historica-pero-con-grandes-retos-para-que-sea-exitosa\/\">Jornalistas pelo Planeta<\/a>, as promessas de inclus\u00e3o s\u00e3o frequentemente limitadas pela falta de financiamento efetivo e pela relut\u00e2ncia dos pa\u00edses desenvolvidos em cumprir seus compromissos financeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o reconhecimento das comunidades afrodescendentes como atores-chave representa outro importante passo adiante. No entanto, permanece a d\u00favida se essas decis\u00f5es ser\u00e3o traduzidas em a\u00e7\u00f5es concretas ou se permanecer\u00e3o presas na burocracia dos compromissos multilaterais. Para muitos l\u00edderes comunit\u00e1rios presentes em Cali, a inclus\u00e3o simb\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 suficiente se n\u00e3o for acompanhada de recursos e mecanismos claros de implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>As vozes da base: Movilizatorio e Casa Pa&#8217; Voz<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, iniciativas como a Casa Pa&#8217; Voz, liderada pelo laborat\u00f3rio de participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 Movilizatorio, com o apoio da alian\u00e7a regional Alianza Potencia Energ\u00e9tica, ofereceram um modelo de participa\u00e7\u00e3o inclusiva e um ponto de encontro para o di\u00e1logo, a criatividade e a colabora\u00e7\u00e3o durante a COP16.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse espa\u00e7o sediou 75 eventos, atraindo mais de 3.000 pessoas, e foi fundamental para articular as demandas das comunidades ind\u00edgenas, afrodescendentes e locais. De debates sobre governan\u00e7a ind\u00edgena a exposi\u00e7\u00f5es culturais, a Casa Pa&#8217; Voz destacou o impacto transformador do ativismo art\u00edstico e comunit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>As atividades inclu\u00edram exposi\u00e7\u00f5es como<em> Chagra: um cultivo de hist\u00f3rias e Paz com a Natureza<\/em>, que apresentaram potentes narrativas visuais sobre justi\u00e7a ambiental e social, bem como uma mobiliza\u00e7\u00e3o por meio de bicicletas com o projeto<em> M\u00e9tele Pedal<\/em>. A interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica nas ruas de Cali com o Projeto <em>Inside Out<\/em>, que retratou mais de 250 defensores socioambientais, foi outro exemplo de como a arte pode catalisar a mudan\u00e7a de narrativa sobre quest\u00f5es de justi\u00e7a socioambiental. O impacto dessas a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se estendeu ao \u00e2mbito digital, destacando o potencial de plataformas como o TikTok para o ativismo ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>A Alian\u00e7a Pot\u00eancia Energ\u00e9tica liderou uma campanha digital que coletou mais de 15.000 assinaturas em apoio a uma carta aos presidentes Gustavo Petro e Lula da Silva. Esse documento pedia a interrup\u00e7\u00e3o do desmatamento, a redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis e a restaura\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, com total respeito aos direitos dos povos ind\u00edgenas e das comunidades locais.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o contraste entre essas iniciativas e a din\u00e2mica das negocia\u00e7\u00f5es formais na Zona Azul &#8211; o espa\u00e7o administrado pela ONU que abriga as negocia\u00e7\u00f5es formais, os l\u00edderes mundiais e os participantes credenciados &#8211; n\u00e3o poderia ser mais n\u00edtido. Na c\u00fapula oficial, a falta de progresso significativo na mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos deixou as comunidades mais vulner\u00e1veis em uma posi\u00e7\u00e3o restrita. Enquanto os l\u00edderes internacionais debatiam a distribui\u00e7\u00e3o de fundos para a biodiversidade, os representantes das bases continuavam lutando para serem ouvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa desconex\u00e3o levanta quest\u00f5es urgentes sobre como integrar verdadeiramente as vozes das bases nos processos internacionais para garantir que as decis\u00f5es globais reflitam as necessidades daqueles que est\u00e3o na linha de frente da luta contra a crise clim\u00e1tica e de biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma agenda ambiciosa com pouca clareza operacional<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A COP16 tamb\u00e9m destacou outros desafios persistentes. Embora o \u00f3rg\u00e3o subsidi\u00e1rio permanente seja um desenvolvimento promissor, sua estrutura e funcionamento ainda precisam ser definidos, deixando quest\u00f5es cr\u00edticas sem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a ado\u00e7\u00e3o de um plano de trabalho at\u00e9 2030 para garantir o acesso a recursos para os IPLCs \u00e9 uma meta ambiciosa que, no entanto, carece de detalhes claros sobre como ser\u00e1 implementada. Essas lacunas operacionais refletem, em parte, as tens\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas que continuam dificultando o progresso dos acordos internacionais. Isso tamb\u00e9m aumenta o desafio de chegar a um acordo sobre indicadores para monitorar o conhecimento tradicional, uma quest\u00e3o cr\u00edtica que ficou pendente em Cali.<\/p>\n\n\n\n<p>Para futuras confer\u00eancias, \u00e9 essencial manter o foco nas vozes de base. O fortalecimento dos mecanismos de financiamento, a defini\u00e7\u00e3o de marcos claros de monitoramento e a promo\u00e7\u00e3o de parcerias entre movimentos locais e \u00f3rg\u00e3os internacionais ser\u00e3o fundamentais para atingir os ambiciosos objetivos da CDB.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>COP16: A \u201cCOP do povo\u201d liderando o caminho para a COP30<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Embora a COP16 tenha sido um marco em termos de participa\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o, ainda h\u00e1 muito a ser feito para garantir que as comunidades locais e vulner\u00e1veis n\u00e3o sejam apenas participantes simb\u00f3licos, mas atores com poder e recursos reais. Os resultados dessa c\u00fapula n\u00e3o devem ficar no papel. Se os pa\u00edses mais ricos n\u00e3o cumprirem suas promessas de financiamento e se as estruturas operacionais n\u00e3o forem claramente projetadas, os compromissos assumidos em Cali poder\u00e3o continuar sendo meros gestos vazios.<\/p>\n\n\n\n<p>A COP16 foi hist\u00f3rica, sim, mas agora \u00e9 hora de transformar a ret\u00f3rica em resultados tang\u00edveis. Porque, como mostram as vozes da comunidade, a verdadeira mudan\u00e7a come\u00e7a com o empoderamento daqueles que v\u00eam protegendo a biodiversidade muito antes da exist\u00eancia de f\u00f3runs internacionais. \u00c9 hora de cumprir as promessas, e n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito da biodiversidade e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a COP16 tamb\u00e9m destacou a import\u00e2ncia do nexo entre as duas crises. Essa abordagem integrada n\u00e3o apenas reflete as interconex\u00f5es entre os ecossistemas e o clima, mas tamb\u00e9m estabelece a base para estrat\u00e9gias sin\u00e9rgicas mais robustas at\u00e9 a COP30.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ainda h\u00e1 desafios. A mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos continua sendo um grande obst\u00e1culo, as discuss\u00f5es sobre um fundo de biodiversidade mais amplo foram adiadas e a estrutura de monitoramento dos indicadores de conhecimento tradicional ainda precisa ser refinada. A resolu\u00e7\u00e3o desses problemas ser\u00e1 fundamental para garantir o sucesso das metas estabelecidas na Estrutura Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imperativo que as promessas de inclus\u00e3o e sustentabilidade da COP16 n\u00e3o sejam apenas palavras. O n\u00edvel de implementa\u00e7\u00e3o e o compromisso com a a\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para determinar se estamos realmente caminhando em dire\u00e7\u00e3o a um futuro mais justo e sustent\u00e1vel para todos. A COP16 marcou o in\u00edcio, mas o verdadeiro teste ser\u00e1 o cumprimento de nossas promessas antes da COP30 sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em Bel\u00e9m, Brasil, em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Giulia Gaspar.<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das conquistas mais significativas da COP16 foi a cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o subsidi\u00e1rio permanente que permitir\u00e1 que os povos ind\u00edgenas e as comunidades locais tenham voz direta nas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":45858,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16751],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-45868","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-medioambiente-pt-br","8":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45868\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45868"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=45868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}