{"id":4650,"date":"2021-04-08T08:45:00","date_gmt":"2021-04-08T11:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=4650"},"modified":"2021-04-08T04:21:28","modified_gmt":"2021-04-08T07:21:28","slug":"colombia-os-imigrantes-e-o-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/colombia-os-imigrantes-e-o-trabalho\/","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia, os imigrantes e o trabalho"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/america-do-sul-um-espaco-migratorio-quase-perfeito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">As migra\u00e7\u00f5es geram grandes transforma\u00e7\u00f5es sociais<\/a>. Essas mudan\u00e7as, especialmente em pa\u00edses que recebem fluxos migrat\u00f3rios maci\u00e7os em curtos per\u00edodos de tempo, muitas vezes acabam levando a situa\u00e7\u00f5es complexas em torno de temas como a adapta\u00e7\u00e3o cultural ou o emprego. A migra\u00e7\u00e3o venezuelana na Col\u00f4mbia tem impactado fortemente em v\u00e1rios aspectos da sociedade colombiana e implica em grandes desafios.&nbsp; No entanto, ao contr\u00e1rio do que muitos acreditam, os n\u00fameros dispon\u00edveis n\u00e3o parecem indicar que os migrantes venezuelanos tenham afetado significativamente as oportunidades de emprego dos colombianos, exceto no setor de trabalhos informais de baixa qualifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Venezuela e Col\u00f4mbia t\u00eam uma longa hist\u00f3ria de movimentos populacionais. Na segunda metade do s\u00e9culo XX, centenas de milhares migraram para a Venezuela em busca de trabalho e de oportunidades de progresso. No final do s\u00e9culo passado, a regi\u00e3o de Norte de Santander e Santander do Sul (C\u00facuta e Bucaramanga) alcan\u00e7ou um bom desenvolvimento como fontes de alimentos e produtos manufaturados para o mercado venezuelano. A migra\u00e7\u00e3o permanente provavelmente diminuiu, mas se criou um tecido empresarial e um mercado de trabalho que atravessou fronteiras (sem que os governos intervissem, exceto em casos muito especiais). Na \u00faltima d\u00e9cada, por\u00e9m, o fluxo se inverteu e uma mar\u00e9 de venezuelanos cruzou a fronteira em busca de uma vida melhor. O movimento migrat\u00f3rio ao longo dos anos tem sido t\u00e3o significativo que hoje n\u00e3o se sabe ao certo quantos dos imigrantes recentes s\u00e3o venezuelanos e quantos s\u00e3o colombianos ou descendentes de ex-emigrantes que retornam ao pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se sabe \u00e9 que o fluxo migrat\u00f3rio tem aumentado de maneira consider\u00e1vel desde 2013. Algumas fontes dizem que, entre 2013 e 2017, o n\u00famero de venezuelanos quadruplicou, ultrapassando meio milh\u00e3o. De acordo com o Departamento Nacional de Estat\u00edsticas da Col\u00f4mbia (DANE), em 2019 j\u00e1 eram 1,77 milh\u00f5es, mais do que o tamanho de Barranquilla, a terceira maior cidade da Col\u00f4mbia (1,27 milh\u00f5es de habitantes). A pandemia, entretanto, n\u00e3o apenas freou a migra\u00e7\u00e3o, mas gerou um fluxo inverso com a redu\u00e7\u00e3o de 41.000 venezuelanos em um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O retorno dos venezuelanos devido \u00e0 falta de oportunidades devido \u00e0 pandemia parece indicar que pelo menos uma parte deles \u00e9 sens\u00edvel \u00e0s mudan\u00e7as econ\u00f4micas e\/ou pol\u00edticas nos dois pa\u00edses. As recentes <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/opini%C3%A3o-a-realista-acolhida-de-venezuelanos-pela-col%C3%B4mbia\/a-56524617\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">medidas do governo colombiano para permitir que os venezuelanos obtenham a cidadania<\/a> em um curto per\u00edodo de tempo provavelmente vai acelerar os processos migrat\u00f3rios, mas n\u00e3o necessariamente os libertar\u00e1 do status de imigrante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a popula\u00e7\u00e3o migrante \u00e9, em m\u00e9dia, significativamente mais jovem que a popula\u00e7\u00e3o colombiana. De acordo com o DANE, quase seis em cada dez venezuelanos t\u00eam menos de 25 anos, em compara\u00e7\u00e3o com pouco mais de quatro em cada dez entre os colombianos. Al\u00e9m disso, quase um quarto dos venezuelanos t\u00eam 10 anos de idade ou menos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os imigrantes e o mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O efeito da migra\u00e7\u00e3o venezuelana sobre o mercado de trabalho colombiano n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de avaliar j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 dados ou estudos suficientes. Entretanto, \u00e9 poss\u00edvel apresentar algumas hip\u00f3teses baseadas no que \u00e9 conhecido. Claramente, esta nova popula\u00e7\u00e3o constitui um aumento na oferta laboral e possivelmente ter\u00e1 efeitos econ\u00f4micos sobre os n\u00edveis de emprego e remunera\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um fator de aumento da demanda por bens e servi\u00e7os que gera expans\u00e3o de mercado e oportunidades para expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender o impacto no mercado de trabalho, \u00e9 necess\u00e1rio levar em conta o fato de que quase um quarto dos migrantes tem 10 anos de idade ou menos e, portanto, n\u00e3o participa do mercado de trabalho. Al\u00e9m disso, segundo dados da <em>Migraci\u00f3n<\/em> <em>Colombia<\/em>, apenas 44% s\u00e3o imigrantes regulares, o que implica que a grande maioria est\u00e1 nos setores informal e de baixa produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, os imigrantes venezuelanos, especialmente os recentes e pouco qualificados, t\u00eam estado localizados relativamente perto da fronteira, especialmente nas cidades de C\u00facuta, Barranquilla, Cartagena, no departamento de La Guajira e nas \u00e1reas costeiras do norte. No entanto, uma boa propor\u00e7\u00e3o chegou a Bogot\u00e1 (a quase 600 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia). Em termos de ocupa\u00e7\u00e3o, eles s\u00e3o predominantemente empregados em servi\u00e7os pessoais que requerem pouca qualifica\u00e7\u00e3o, como sal\u00f5es de beleza e cabeleireiros, entregas a domic\u00edlio e com\u00e9rcio informal.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica pesquisa estat\u00edstica econ\u00f4mica conhecida sobre o efeito dos migrantes da Venezuela foi feita no Equador, onde o peso relativo da imigra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 semelhante ao da Col\u00f4mbia (cerca de 3%) e as caracter\u00edsticas dos migrantes s\u00e3o semelhantes. O estudo &#8220;The Labor Market Effects of Venezuelan Migration in Ecuador&#8221; conclui que, no caso do Equador, n\u00e3o se pode encontrar nenhum efeito significativo da migra\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho em geral, mas se observa uma redu\u00e7\u00e3o na qualidade do emprego e da renda entre os jovens com baixos n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o. Dadas as semelhan\u00e7as, \u00e9 poss\u00edvel que algo semelhante esteja acontecendo na Col\u00f4mbia.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Foto de Carlos Felipe Pardo<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As migra\u00e7\u00f5es geram grandes transforma\u00e7\u00f5es sociais. 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