{"id":47311,"date":"2025-03-15T09:00:00","date_gmt":"2025-03-15T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=47311"},"modified":"2025-03-14T10:04:29","modified_gmt":"2025-03-14T13:04:29","slug":"china-e-a-depredacao-do-atlantico-sul-ameacas-economicas-e-ambientais-para-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/china-e-a-depredacao-do-atlantico-sul-ameacas-economicas-e-ambientais-para-argentina\/","title":{"rendered":"China e a depreda\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico Sul: amea\u00e7as econ\u00f4micas e ambientais para Argentina"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos \u00faltimos anos, a pesca ilegal no Atl\u00e2ntico Sul tornou-se um problema de dimens\u00f5es alarmantes. A frota pesqueira da China, considerada a maior do mundo, intensificou sua presen\u00e7a em \u00e1guas pr\u00f3ximas \u00e0 Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (ZEE) da Argentina, extraindo recursos de maneira descontrolada e pondo em risco a sustentabilidade dos ecossistemas marinhos regionais. Apesar dos esfor\u00e7os do governo argentino para regulamentar e proteger seus recursos pesqueiros, a realidade geopol\u00edtica e a falta de um marco regulat\u00f3rio internacional mais rigoroso tornaram esse problema um desafio persistente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da China na pesca ilegal no Atl\u00e2ntico Sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A China adotou <a href=\"http:\/\/ca21.com\/pt-br\/a-pesca-chinesa-ameaca-a-soberania-maritima-do-peru\/\">uma estrat\u00e9gia agressiva de expans\u00e3o global da pesca<\/a>, o que inclui subs\u00eddios estatais para sua frota de \u00e1guas distantes e o uso de \u201cbandeiras de conveni\u00eancia\u201d para operar em regi\u00f5es estrat\u00e9gicas sem ser detectada. Segundo um artigo recente do <a href=\"https:\/\/www.expedientepublico.org\/que-hace-argentina-para-luchar-contra-la-pesca-desenfrenada\/\"><em>Expediente P\u00fablico<\/em><\/a>, na \u00faltima d\u00e9cada, as horas de pesca da frota chinesa no Atl\u00e2ntico Sul aumentaram 800%, de 59.204 horas em 2013 para quase 470.000 em 2022. Essa atividade transformou a regi\u00e3o em um epicentro de sobrepesca e concorr\u00eancia desleal com a ind\u00fastria pesqueira argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado chin\u00eas financia diretamente a expans\u00e3o de sua frota atrav\u00e9s de subs\u00eddios de cerca de US$2,4 bilh\u00f5es anuais. Gra\u00e7as a esse apoio econ\u00f4mico, os barcos chineses podem operar em alto mar por meses sem necessidade de retornar ao porto. Essa estrat\u00e9gia, combinada com o uso de navios de reabastecimento e frigor\u00edficos em alto mar, permite que as embarca\u00e7\u00f5es permane\u00e7am na zona de pesca ininterruptamente, burlando controles e regula\u00e7\u00f5es, segundo Sergio Almada, coordenador da Equipe Interdisciplinar para o Controle dos Espa\u00e7os Mar\u00edtimos e Recursos (EICEMAR).<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, muitas dessas embarca\u00e7\u00f5es navegam sob a bandeira de pa\u00edses terceiros, como o Panam\u00e1, para evitar serem identificadas como parte da frota chinesa. Investiga\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/insightcrime.org\/es\/investigaciones\/panama-presta-banderas-pesqueros-depredadores\/\">InSight Crime<\/a> revelaram que ao menos 250 navios chineses usam essa estrat\u00e9gia, o que dificulta ainda mais a tarefa das autoridades argentinas de regular e sancionar essas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O impacto ambiental e econ\u00f4mico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O dano ambiental gerado pela pesca chinesa no Atl\u00e2ntico Sul \u00e9 imenso. A superexplora\u00e7\u00e3o da lula Illex argentinus, uma das esp\u00e9cies mais importantes para a ind\u00fastria pesqueira argentina, p\u00f4s em risco sua sustentabilidade. Este cefal\u00f3pode n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um recurso chave para a economia local, mas tamb\u00e9m \u00e9 parte fundamental da cadeia alimentar de outras esp\u00e9cies marinhas, como golfinhos, pinguins e v\u00e1rias aves. A depreda\u00e7\u00e3o sem regulamenta\u00e7\u00e3o pode levar a um colapso ecol\u00f3gico com consequ\u00eancias irrevers\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista econ\u00f4mico, a pesca ilegal representa perdas anuais milion\u00e1rias para a Argentina. Estima-se que as capturas irregulares em \u00e1guas pr\u00f3ximas \u00e0 ZEE argentina geram uma perda de 2 a 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais. Enquanto a frota pesqueira argentina opera sob normas r\u00edgidas, os navios chineses extraem recursos sem pagar impostos ou gerar empregos locais, enfraquecendo assim a competitividade do setor pesqueiro nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a presen\u00e7a em massa desses barcos na regi\u00e3o levou ao aumento dos custos de vigil\u00e2ncia e patrulha. A Prefeitura Naval Argentina e a Marinha tiveram que intensificar suas opera\u00e7\u00f5es para monitorar a atividade das frotas estrangeiras, o que implica um gasto consider\u00e1vel de recursos estatais. Apesar desses esfor\u00e7os, a detec\u00e7\u00e3o e a san\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es infratoras continuam sendo um desafio complexo devido \u00e0 falta de acordos internacionais s\u00f3lidos para lidar com a pesca ilegal em alto mar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resposta da Argentina e suas limita\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo argentino tem tentado combater a pesca ilegal com v\u00e1rias medidas. Entre elas, o uso de tecnologia de sat\u00e9lite e patrulhas a\u00e9reas para detectar incurs\u00f5es na ZEE. Ademais, foi proposta a proibi\u00e7\u00e3o do reabastecimento em alto-mar, uma t\u00e1tica utilizada pelas frotas chinesas para evitar a entrada em portos onde poderiam ser inspecionadas. No entanto, essas a\u00e7\u00f5es se mostraram insuficientes para conter a escala do problema.<\/p>\n\n\n\n<p>O marco legal internacional impede que a Argentina adote a\u00e7\u00f5es coercitivas fora de sua ZEE. Al\u00e9m das 200 milhas n\u00e1uticas, as embarca\u00e7\u00f5es estrangeiras podem operar sem restri\u00e7\u00f5es, desde que n\u00e3o entrem em territ\u00f3rio soberano. Isso criou um v\u00e1cuo legal que permite que a frota chinesa explore os recursos marinhos de forma descontrolada.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos para chegar a acordos bilaterais com a China, a realidade \u00e9 que a pesca ilegal continua sendo um tema dif\u00edcil de resolver. A depend\u00eancia econ\u00f4mica da Argentina em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China, seu segundo parceiro comercial mais importante, limita a capacidade de Buenos Aires de tomar medidas mais dr\u00e1sticas sem afetar outras \u00e1reas da rela\u00e7\u00e3o bilateral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Atl\u00e2ntico Sul como um ponto de interesse geopol\u00edtico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O interesse da China no Atl\u00e2ntico Sul n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pesqueiro, mas tamb\u00e9m estrat\u00e9gico. A proximidade com o Estreito de Magalh\u00e3es e a Ant\u00e1rtica torna essa regi\u00e3o um ponto-chave para a expans\u00e3o geopol\u00edtica chinesa. Relat\u00f3rios sugerem que algumas embarca\u00e7\u00f5es chinesas podem estar envolvidas em atividades de intelig\u00eancia ou log\u00edstica militar, o que gera preocupa\u00e7\u00f5es na comunidade internacional sobre a presen\u00e7a da China nessa \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos e outras pot\u00eancias come\u00e7aram a observar com maior aten\u00e7\u00e3o o papel da China no Atl\u00e2ntico Sul, o que poderia levar a uma maior press\u00e3o diplom\u00e1tica para regular a atividade pesqueira e evitar que a regi\u00e3o se torne um foco de tens\u00e3o geopol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Propostas para uma solu\u00e7\u00e3o eficaz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para abordar o problema da pesca ilegal chinesa no Atl\u00e2ntico Sul, a Argentina precisa de uma estrat\u00e9gia integral que combine vigil\u00e2ncia, coopera\u00e7\u00e3o internacional e press\u00e3o diplom\u00e1tica, de acordo com v\u00e1rios <a href=\"https:\/\/www.expedientepublico.org\/que-hace-argentina-para-luchar-contra-la-pesca-desenfrenada\/\">especialistas<\/a> consultados pelo Expediente P\u00fablico. Entre as medidas que poderiam ser implementadas est\u00e3o o aumento da patrulha naval, melhorias na tecnologia de monitoramento por sat\u00e9lite para detectar e impedir incurs\u00f5es ilegais, bem como a implementa\u00e7\u00e3o de um regime de multas mais altas para as embarca\u00e7\u00f5es que violarem os regulamentos de pesca.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer alian\u00e7as com outros pa\u00edses afetados pela pesca ilegal, buscando fortalecer os marcos regulat\u00f3rios em \u00e1guas internacionais e promover acordos para dificultar a log\u00edstica de frotas estrangeiras que operam de forma irregular. Nesse sentido, as negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a China devem ser iniciadas com urg\u00eancia, e deve-se exigir do gigante asi\u00e1tico maior responsabilidade na explora\u00e7\u00e3o dos recursos pesqueiros no Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Isabel Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A China adotou uma estrat\u00e9gia agressiva de expans\u00e3o global da pesca, o que inclui subs\u00eddios estatais para sua frota de \u00e1guas distantes e o uso de \u201cbandeiras de conveni\u00eancia\u201d para n\u00e3o serem detectados.<\/p>\n","protected":false},"author":647,"featured_media":47304,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16761,16734],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-47311","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-china-es-pt-br","8":"category-argentina-pt-br","9":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/647"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47311"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47311\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47304"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47311"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=47311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}