{"id":4793,"date":"2021-04-12T07:24:00","date_gmt":"2021-04-12T10:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=4793"},"modified":"2021-04-16T07:28:46","modified_gmt":"2021-04-16T10:28:46","slug":"lasso-rompe-a-tendencia-dos-ultimos-14-anos-no-equador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/lasso-rompe-a-tendencia-dos-ultimos-14-anos-no-equador\/","title":{"rendered":"Lasso rompe a tend\u00eancia dos \u00faltimos 14 anos no Equador"},"content":{"rendered":"\n<p>Guillermo Lasso, candidato do partido de direita CREO, foi eleito presidente do Equador em sua terceira tentativa, competindo contra o mesmo candidato desde 2012, o correismo. Desta vez, ele n\u00e3o competiu com Rafael Correa, ex-presidente de 2007 a 2017, mas com um de seus alunos, Andr\u00e9s Arauz. Este segundo turno foi um referendo entre o correismo e o anti-correismo de diversas tend\u00eancias que, nesta ocasi\u00e3o, cerrou fileiras por sair da corrente que teve hegemonia nos \u00faltimos 14 anos e que, apesar de perder a elei\u00e7\u00e3o, \u00e9 a segunda for\u00e7a pol\u00edtica na Assembleia com 46 legisladores de um total de 137.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a vota\u00e7\u00e3o, a polariza\u00e7\u00e3o exacerbada jogou o jogo em diferentes quadras. A primeira ocorreu permanentemente nas redes sociais, onde mensagens tentavam captar o voto dos indecisos e virar a porcentagem a favor dos nulos. Cinquenta por cento da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia votado no primeiro turno em nenhum dos dois finalistas. O correismo com Arauz \u00e0 frente seguiu o mesmo roteiro desde 2007 contra os bancos, j\u00e1 que Lasso \u00e9 o maior acionista de um dos maiores bancos do Equador. Ou seja, ele n\u00e3o p\u00f4de se reinventar e Correa tamb\u00e9m n\u00e3o fez morat\u00f3ria porque continuou jogando como gerente de campanha da B\u00e9lgica.<\/p>\n\n\n\n<p>Guillermo Lasso apostou em uma mensagem que exp\u00f4s a crise humanit\u00e1ria na Venezuela e o fracasso do modelo econ\u00f4mico dos pa\u00edses que optaram pelo socialismo do s\u00e9culo XXI, al\u00e9m de enfrentar o correismo, lembrando as pessoas das acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o contra ele. Lasso n\u00e3o se reinventou completamente, no entanto, ele acrescentou \u00e0 sua campanha uma mensagem que ressoou com a maioria da popula\u00e7\u00e3o: a ideia de \u201creencontro\u201d em frases de di\u00e1logo, respeito, unidade nacional e oportunidade para segmentos da popula\u00e7\u00e3o que vivem na pobreza e na extrema pobreza. Ele sabia como se sintonizar com o cansa\u00e7o causado pela polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda partida foi jogada nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, porque eles continuam sendo os mais confi\u00e1veis e sintonizados, apesar do surgimento de iniciativas e redes digitais. A imprensa cerrou fileiras contra o correismo, devido ao estilo de confronto que Correa inaugurou desde seu primeiro mandato contra jornalistas que come\u00e7aram a investigar a corrup\u00e7\u00e3o em seu governo. Lasso aproveitou este espa\u00e7o, al\u00e9m de ter mais <em>know-how<\/em> do que o jovem candidato Arauz (35 anos), que havia sido ministro de Correa, mas sempre manteve um perfil discreto e nunca foi catapultado como o leg\u00edtimo sucessor do ex-presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira partida foi jogada no territ\u00f3rio, apesar das limita\u00e7\u00f5es de mobiliza\u00e7\u00e3o impostas pela pandemia. Os dois candidatos disputaram voto a voto em cada prov\u00edncia, mas a agenda da Lasso foi mais ampla, mais inclusiva e melhor organizada. Nesta terceira campanha, o candidato de direita acrescentou em seus passeios visitas a diferentes segmentos da popula\u00e7\u00e3o, especialmente aqueles que vivem na pobreza, em \u00e1reas rurais e camponesas. Apesar de v\u00e1rios desses setores n\u00e3o terem votado nele no primeiro turno, era importante que seus candidatos expressassem seu apoio, como no caso do socialdemocrata Xavier Hervas.<\/p>\n\n\n\n<p>O correismo tentou capturar o voto dos jovens e reproduzir em seus antigos militantes a nostalgia dos primeiros anos da Revolu\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3, em que havia uma bonan\u00e7a econ\u00f4mica que lhes havia permitido avan\u00e7ar em termos de direitos sociais e econ\u00f4micos (Buen Vivir), mas esta mensagem n\u00e3o era suficiente. Mais peso foi dado \u00e0 figura de um Rafael Correa confrontativo que nunca saiu do jogo de soma zero contra seus rivais. As pessoas j\u00e1 vivem com o medo da pandemia e, por isso, rejeitaram a ideia da reedi\u00e7\u00e3o de outro medo: a polariza\u00e7\u00e3o. Isso explica porque a mensagem de reencontro de Lasso ressoou melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu primeiro discurso como presidente eleito, o ex-banqueiro Guillermo Lasso enfatizou a ideia de um projeto de unidade nacional com \u00eanfase especial na promo\u00e7\u00e3o dos direitos da mulher, da popula\u00e7\u00e3o GLBTI, das crian\u00e7as e adolescentes. Ele tamb\u00e9m enfatizou a escuta ativa que ele assumir\u00e1 com aqueles que se juntarem a este prop\u00f3sito. Seu principal desafio \u00e9 a vacina\u00e7\u00e3o universal, uma tarefa que ser\u00e1 liderada por seu companheiro de chapa, Alfredo Borrero, que \u00e9 m\u00e9dico de profiss\u00e3o. Do outro lado, Andr\u00e9s Arauz reconheceu a derrota e enfatizou continuar construindo um pa\u00eds de unidade, uma mensagem que chegou tarde em sua campanha e n\u00e3o causou repercuss\u00e3o no eleitorado.<\/p>\n\n\n\n<p>Lasso recebe um pa\u00eds com uma crise de m\u00faltiplas dimens\u00f5es: 7 em cada 10 jovens est\u00e3o desempregados, quase 50% da popula\u00e7\u00e3o vive com dois d\u00f3lares por dia e cerca de 600 mil pessoas estavam desempregadas durante a pandemia de acordo com o Instituto Nacional de Estat\u00edstica e Censo (INEC). Por outro lado, o Equador \u00e9 o pa\u00eds com a maior taxa de desnutri\u00e7\u00e3o infantil da regi\u00e3o e o segundo maior n\u00famero de meninas e adolescentes gr\u00e1vidas. Os principais problemas s\u00e3o o desemprego, a crise sanit\u00e1ria e a inseguran\u00e7a. Politicamente, o Executivo deve negociar com uma Assembleia fragmentada e multipartid\u00e1ria. O caminho acaba de come\u00e7ar, mas com uma importante margem de votos. No fechamento deste artigo, Lasso obteve 52,41% e Andr\u00e9s Arauz, 47,59%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados das elei\u00e7\u00f5es revalidam a clivagem regional e hist\u00f3rica entre as regi\u00f5es da Costa e da Serra do Equador. No primeiro, o candidato do correismo venceu como em seus 14 anos, mas com percentuais m\u00ednimos, enquanto no segundo, Lasso triunfou com uma grande diferen\u00e7a e isso lhe permitiu chegar \u00e0 presid\u00eancia. Isto acentua a ideia de que existe uma lideran\u00e7a nacional e que o desafio ser\u00e1 construir a unidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>*Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol por Maria Isabel Santos Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guillermo Lasso, candidato do partido de direita CREO, foi eleito presidente do Equador em sua terceira tentativa, em competi\u00e7\u00e3o contra o mesmo candidato desde 2012, o Corre\u00edsmo.  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