{"id":48115,"date":"2025-05-03T09:00:00","date_gmt":"2025-05-03T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=48115"},"modified":"2025-05-02T16:54:52","modified_gmt":"2025-05-02T19:54:52","slug":"chaves-para-resistir-e-desmantelar-a-narrativa-antifeminista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/chaves-para-resistir-e-desmantelar-a-narrativa-antifeminista\/","title":{"rendered":"Chaves para resistir e desmantelar a narrativa antifeminista"},"content":{"rendered":"\n<p>O feminismo foi longe o suficiente? A igualdade j\u00e1 foi alcan\u00e7ada? As feministas est\u00e3o tentando destruir a fam\u00edlia e discriminar os homens? A desigualdade \u00e9 um mito inventado pelos progressistas? A viol\u00eancia de g\u00eanero afeta os homens igualmente? Devemos acreditar nessas e em outras afirma\u00e7\u00f5es antifeministas?<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, o feminismo sempre gerou resist\u00eancia, mas nos \u00faltimos meses estamos testemunhando uma narrativa crescente que busca desacreditar o movimento, retratando-o como desnecess\u00e1rio ou at\u00e9 mesmo prejudicial \u00e0 sociedade. Em alguns casos, est\u00e3o sendo feitas tentativas de sugerir que o feminismo \u00e9 divisivo ou extremista, ou que suas lutas est\u00e3o desconectadas das realidades cotidianas de muitas mulheres. Em outros, teorias negacionistas afirmam que a discrimina\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia machista n\u00e3o existem, levantando mitos virulentos que o pr\u00f3prio feminismo vem desmascarando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do <em>backlash <\/em>tradicional, temos evid\u00eancias suficientes para acreditar que o antifeminismo n\u00e3o surge por acaso e que ele responde a um c\u00e1lculo pol\u00edtico. Seu objetivo \u00e9 desviar a aten\u00e7\u00e3o dos problemas econ\u00f4micos, deslegitimar as lutas sociais e reinstalar uma ordem na qual o poder est\u00e1 novamente concentrado nas m\u00e3os de poucos, sem restri\u00e7\u00f5es e sem contesta\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O antifeminismo funciona como o alvo perfeito que serve como uma v\u00e1lvula de escape para o mal-estar social. Demonizar o movimento feminista como uma <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dKOf0q-hj18\">estrat\u00e9gia para redirecionar o descontentamento popular<\/a> para um inimigo facilmente identific\u00e1vel \u00e9 mais lucrativo para os que est\u00e3o no poder do que enfrentar os problemas estruturais que realmente afetam a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Se o feminismo for enfraquecido, ele facilitar\u00e1 a perpetua\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas neoliberais e autorit\u00e1rias que excluem as mulheres, as minorias sexuais e outros grupos marginalizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para proteger os direitos das mulheres, o <a href=\"https:\/\/epc.eu\/en\/\">European Policy Centre<\/a> sugere, portanto, que n\u00e3o basta combater o discurso antifeminista e denunciar a misoginia, mas tamb\u00e9m recomenda que os formuladores de pol\u00edticas encontrem solu\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para todos por meio de pol\u00edticas habitacionais e ofere\u00e7am perspectivas no mercado laboral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como um todo, o antifeminismo contempor\u00e2neo n\u00e3o \u00e9 apenas uma resposta ultraconservadora aos avan\u00e7os feministas, mas tamb\u00e9m um fen\u00f4meno complexo e global que se articula em v\u00e1rias frentes: a censura simb\u00f3lica, a desinforma\u00e7\u00e3o digital, o desmantelamento institucional e a cria\u00e7\u00e3o de redes internacionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Movimentos como a <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Conferencia_Pol%C3%ADtica_de_Acci%C3%B3n_Conservadora\">Confer\u00eancia Pol\u00edtica de A\u00e7\u00e3o Conservadora<\/a> e o financiamento de<em> think tanks <\/em>conservadores e religiosos, como o <a href=\"https:\/\/citizengo.org\/es-lat\">CitizenGo<\/a>, com a participa\u00e7\u00e3o de figuras-chave da extrema direita global, como representantes do partido espanhol Vox ou Donald Trump Jr., mostram como o antifeminismo est\u00e1 ligado a agendas neoliberais e autorit\u00e1rias. O objetivo desses movimentos \u00e9 controlar o avan\u00e7o das mulheres e consolidar lideran\u00e7as excludentes. O fato \u00e9 que essa ofensiva antifeminista p\u00f5e em risco o progresso feito at\u00e9 agora em termos de igualdade entre mulheres e homens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Censura simb\u00f3lica, polariza\u00e7\u00e3o e o aumento do discurso antifeminista nas redes sociais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2025\/03\/07\/us\/trump-federal-agencies-websites-words-dei.html\">censura de termos associados ao feminismo<\/a> n\u00e3o \u00e9 um evento isolado: ela reflete uma tentativa deliberada de apagar a linguagem relacionada aos direitos humanos, limitando a capacidade das pessoas de nomear, conversar e defender futuros mais inclusivos e equitativos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa censura simb\u00f3lica \u00e9 complementada por um ataque direto \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que promovem a igualdade de g\u00eanero. O fechamento de minist\u00e9rios da mulher (<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/es\/milei-disuelve-el-ministerio-de-la-mujer-de-argentina\/a-69296376\">como fez Milei na Argentina em 2024<\/a>), <a href=\"https:\/\/wipr.pr\/gobierno-de-trump-da-plazo-a-escuelas-para-eliminar-programas-de-diversidad-o-perder-dinero-federal\/\">cortes or\u00e7ament\u00e1rios<\/a>, a proibi\u00e7\u00e3o de linguagem inclusiva, a proposta de eliminar o reconhecimento do feminic\u00eddio, bem como a elimina\u00e7\u00e3o de programas educacionais com foco em g\u00eanero, s\u00e3o medidas que buscam reduzir a visibilidade e o impacto de pol\u00edticas progressistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os dados sobre a <a href=\"https:\/\/llyc.global\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/INFORME_IGUALDAD_SIN_FILTRO_2025_ESPANOL.pdf\">crescente polariza\u00e7\u00e3o da conversa sobre igualdade<\/a> na Ibero-Am\u00e9rica, com um aumento not\u00e1vel do discurso mis\u00f3gino, indicam que a conversa p\u00fablica est\u00e1 sendo moldada por narrativas opostas ao feminismo. Em pa\u00edses como Equador, El Salvador e M\u00e9xico, o discurso antifeminista ganhou for\u00e7a, preenchendo um v\u00e1cuo deixado pelo decl\u00ednio da relev\u00e2ncia do feminismo no debate p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ressalta a capacidade das plataformas digitais de amplificar mensagens divisivas e mis\u00f3ginas, criando um ambiente de desinforma\u00e7\u00e3o e distor\u00e7\u00e3o da realidade que assusta muitos ativistas que, em autodefesa, abandonam esses espa\u00e7os de conversa. A manosfera, um conjunto de subculturas digitais mis\u00f3ginas, est\u00e1 desempenhando um papel cada vez mais importante na propaga\u00e7\u00e3o de ideias antifeministas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um <a href=\"https:\/\/library.fes.de\/pdf-files\/bueros\/chile\/21989.pdf\">relat\u00f3rio recente da Funda\u00e7\u00e3o Friedrich-Ebert no Chile<\/a> deixa claro que o antifeminismo se tornou uma ferramenta pol\u00edtica de grande alcance. De acordo com o relat\u00f3rio, ele \u00e9 \u201cuma dobradi\u00e7a entre o neoliberalismo e o autoritarismo\u201d, o que permite que os setores conservadores unam sua base pol\u00edtica, ganhem elei\u00e7\u00f5es e legitimem modelos sociais excludentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados s\u00e3o reveladores: em El Salvador, 30,7% da popula\u00e7\u00e3o tem atitudes antifeministas; no Brasil, 29,4%; na Argentina, 29,3%. No M\u00e9xico, a narrativa antifeminista adota uma fachada de respeito e tradi\u00e7\u00e3o, com a participa\u00e7\u00e3o ativa de organiza\u00e7\u00f5es ultraconservadoras, como a Frente Nacional pela Fam\u00edlia e os Advogados Crist\u00e3os. Esses grupos, financiados principalmente pelos Estados Unidos e pela Europa, fazem campanha contra a educa\u00e7\u00e3o sexual, os direitos LGBTIQ+ e o acesso ao aborto, usando o conceito de \u201cliberdade\u201d para justificar a censura. Eles se escondem atr\u00e1s da defesa da \u201cfam\u00edlia\u201d para ocultar a viol\u00eancia de g\u00eanero e o abuso sexual infantil.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento est\u00e1 profundamente vinculado a grupos religiosos, principalmente crist\u00e3os, partidos de extrema direita e plataformas digitais que disseminam desinforma\u00e7\u00e3o sem controle. Suas mensagens s\u00e3o simples: medo, \u00f3dio e ordem, mas t\u00eam um impacto devastador na criminaliza\u00e7\u00e3o das mulheres, na persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e em n\u00e3o poucos retrocessos institucionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 importante questionar essas narrativas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias estrat\u00e9gias podem ser propostas aqui. \u00c9 fundamental identificar claramente os atores desse retrocesso. Governos que afirmam ser \u201cliberais\u201d, mas reprimem nossa liberdade de express\u00e3o; legisladores que consideram os direitos das mulheres uma amea\u00e7a; m\u00eddia que equipara o feminismo ao extremismo; igrejas e institui\u00e7\u00f5es que acobertam estupradores e promovem sociedades sexistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante defender a no\u00e7\u00e3o de que o feminismo, como um movimento pela igualdade de direitos, ainda \u00e9 totalmente relevante em muitas partes do mundo, inclusive na Am\u00e9rica Latina. Embora tenham sido feitos avan\u00e7os significativos, como o direito ao voto ou o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao trabalho, a discrimina\u00e7\u00e3o no local de trabalho, a diferen\u00e7a salarial e a garantia limitada dos direitos sexuais e reprodutivos continuam existindo. Os n\u00fameros de feminic\u00eddio, viol\u00eancia e ass\u00e9dio sexual em todo o mundo s\u00e3o alarmantes. Relat\u00f3rios recentes mostram que as mulheres continuam enfrentando obst\u00e1culos significativos no acesso a posi\u00e7\u00f5es de poder e tomada de decis\u00f5es. A narrativa de que o feminismo n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio ignora essas realidades persistentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o feminismo n\u00e3o \u00e9 exclusivo de determinadas culturas ou regi\u00f5es. Em todos os continentes, as mulheres est\u00e3o lutando por seus direitos, portanto, esse movimento tamb\u00e9m tem for\u00e7a global. Minimiz\u00e1-lo como um \u201cfen\u00f4meno ocidental\u201d ou \u201cdesnecess\u00e1rio\u201d ignora a realidade de milh\u00f5es de mulheres em todo o mundo que ainda lutam contra a opress\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, em vez de se deixar influenciar por essas narrativas que buscam distorcer o feminismo, \u00e9 essencial continuar questionando, refletindo e mantendo a luta pela igualdade. Diante da ofensiva patriarcal, o feminismo na Am\u00e9rica Latina est\u00e1 resistindo. No Chile, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Argentina e em muitos outros pa\u00edses, milhares continuam marchando com um slogan claro: \u201cNem um passo atr\u00e1s\u201d, convencidos de que est\u00e3o longe de ser um movimento minorit\u00e1rio ou marginalizado. Na pesquisa j\u00e1 mencionada da Funda\u00e7\u00e3o Friedrich-Ebert, 50% da amostra se considera pr\u00f3-feminista, o que \u00e9 uma \u00f3tima not\u00edcia para viralizar.<\/p>\n\n\n\n<p>A tarefa \u00e9 evitar ser infectado pelo pessimismo que deriva do discurso de que a mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisado por Giulia Gaspar.<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O movimento antifeminista est\u00e1 vinculado a grupos religiosos, principalmente crist\u00e3os, partidos de extrema direita e plataformas digitais que disseminam desinforma\u00e7\u00e3o sem controle. <\/p>\n","protected":false},"author":626,"featured_media":48082,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16741,16782],"tags":[15839],"gps":[],"class_list":{"0":"post-48115","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mujeres-pt-br","8":"category-genero-pt-br","9":"tag-ideias-pt-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/626"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48115"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48115\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48115"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=48115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}