{"id":4827,"date":"2021-03-11T17:31:00","date_gmt":"2021-03-11T20:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=4827"},"modified":"2021-04-19T17:35:12","modified_gmt":"2021-04-19T20:35:12","slug":"quem-derrotou-o-masismo-na-bolivia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/quem-derrotou-o-masismo-na-bolivia\/","title":{"rendered":"Quem derrotou o masismo na Bol\u00edvia?"},"content":{"rendered":"\n<p>Os resultados eleitorais de domingo 7 de mar\u00e7o na Bol\u00edvia representam, acima de tudo, uma redistribui\u00e7\u00e3o marcante do poder pol\u00edtico que o Movimento ao Socialismo (MAS) havia recuperado nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es gerais de novembro. Nessa elei\u00e7\u00e3o, o MAS obteve uma vit\u00f3ria de 55% nas urnas e al\u00e9m de recuperar a presid\u00eancia manteve uma maioria s\u00f3lida em ambas as casas do Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta derrota nas elei\u00e7\u00f5es sub-nacionais atualiza a queda de bra\u00e7o entre a Bol\u00edvia do poder central e a Bol\u00edvia do poder local e regional. Esclarecer alguns argumentos ajuda a apontar para um futuro cen\u00e1rio eleitoral que pode trazer novos elementos para a din\u00e2mica do poder no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro aspecto \u00e9 que o masismo est\u00e1 consolidando sua posi\u00e7\u00e3o como o \u00fanico partido pol\u00edtico de express\u00e3o nacional nos moldes tradicionais. Esta elei\u00e7\u00e3o confirmou a j\u00e1 conhecida organicidade e estrutura do MAS. Presente como for\u00e7a eleitoral em todo o territ\u00f3rio nacional, disputou nos nove departamentos e praticamente nas dez cidades mais importantes do territ\u00f3rio nacional entre os primeiros lugares; manteve sua predomin\u00e2ncia rural e participou da disputa sem alian\u00e7as com outras partes. No entanto, o masismo perdeu de forma significativa no n\u00edvel dos governos locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Parafraseando quase todos os governantes do planeta na luta contra a Covid-19, os l\u00edderes do MAS poderiam dizer: &#8220;Estamos lutando contra um inimigo invis\u00edvel&#8221; pois \u00e0 primeira vista \u00e9 dif\u00edcil identificar uma for\u00e7a pol\u00edtica convencional ou tradicional como a vencedora.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que dizem os n\u00fameros?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os nove cargos de governador em disputa, o MAS venceu na primeira rodada em tr\u00eas departamentos: Cochabamba, Oruro e Potos\u00ed. Perdeu definitivamente em Santa Cruz para o populista de extrema direita Fernando Camacho (CREEMOS, 55%) e virtualmente perder\u00e1 no departamento de Benipara para Alejandro Unzueta (MTS, 49%). Haver\u00e1 um segundo turno eleitoral em quatro departamentos no 10 de abril: La Paz, Chuquisaca, Tarija e Pando. Em todos os quatro, o MAS participar\u00e1 contra diferentes partidos rivais. Enquanto em La Paz tem um certo favoritismo, em Pando, Chuquisaca e Tarija a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 indefinida e o MAS n\u00e3o \u00e9 o favorito. Portanto, em um cen\u00e1rio otimista o partido governante poderia ganhar cinco departamentos e no pior cen\u00e1rio poderia ter tr\u00eas ou quatro.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das elei\u00e7\u00f5es municipais, a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o prev\u00ea um segundo turno. Com quase 90% dos votos contados oficialmente, o MAS perdeu em sete das nove capitais de departamento, mais a cidade de El Alto. As duas cidades que lhe deram a vit\u00f3ria foram Oruro e Sucre, e nesta \u00faltima a diferen\u00e7a \u00e9 t\u00e3o pequena que o resultado ainda pode mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>La Paz, El Alto e Cochabamba s\u00e3o talvez as derrotas mais sentidas para o MAS, pois nas tr\u00eas cidades, que t\u00eam grandes popula\u00e7\u00f5es, os candidatos da oposi\u00e7\u00e3o venceram com resultados muito expressivos. Em tr\u00eas outras cidades importantes (Potos\u00ed, Trinidad e Santa Cruz) o MAS n\u00e3o chegou nem mesmo ao segundo lugar. \u00c9 verdade que o MAS tem tido historicamente um desempenho med\u00edocre nas capitais do eixo principal (Santa Cruz, Cochabamba, La Paz), mas cidades como Potos\u00ed e El Alto sempre foram basti\u00f5es eleitorais do MAS e agora ser\u00e3o governadas pela oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem venceu o MAS?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O MAS enfrentou uma oposi\u00e7\u00e3o fragmentada e atomizada. N\u00e3o h\u00e1 praticamente nenhum v\u00ednculo org\u00e2nico ou partid\u00e1rio entre os diferentes vencedores. De leste a oeste, de norte a sul, n\u00e3o h\u00e1 uma clivagem partid\u00e1ria s\u00f3lida, muito menos ideol\u00f3gica. Por exemplo, o partido Jallalla, que venceu em El Alto e ir\u00e1 para o segundo turno no departamento de La Paz, n\u00e3o tem nenhuma correla\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica com a frente SUMATE, a vencedora na cidade de Cochabamba, que reunia os setores urbanos de classe m\u00e9dia e alta.<\/p>\n\n\n\n<p>A MAS enfrentou advers\u00e1rios totalmente diferentes com caracter\u00edsticas diferentes em cada territ\u00f3rio. Nunca foi t\u00e3o inadequado, do ponto de vista do MAS, que a lideran\u00e7a central -encabe\u00e7ada pelo ex-presidente Evo Morales- determinasse a estrat\u00e9gia e a lista de candidatos para participar em todo o pa\u00eds. Uma \u00fanica estrat\u00e9gia diante de rivais atomizados e fragmentados s\u00f3 poderia produzir este resultado.<\/p>\n\n\n\n<p>As frentes de oposi\u00e7\u00e3o nestas elei\u00e7\u00f5es foram movimentos c\u00edvicos, organiza\u00e7\u00f5es juvenis e plataformas que defendem a quest\u00e3o ambiental, a democracia e os direitos civis. Cada um deles tem padr\u00f5es diferentes em cada departamento e em cada cidade. Os partidos pol\u00edticos foram meros espectadores ou diretamente irrelevantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que o futuro nos reserva?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de geografia eleitoral, um acentuado mosaico multicolorido de frentes atomizadas e caracter\u00edsticas diversas emergiu destas elei\u00e7\u00f5es. Entretanto, no n\u00edvel das candidaturas individuais, h\u00e1 atores pol\u00edticos no campo da oposi\u00e7\u00e3o que devem se perfilar como figuras presidenci\u00e1veis para o futuro. Todos esses nomes eram figuras de peso nacional no passado. Reyes Villa (Cochabamba) foi, no in\u00edcio do per\u00edodo do MAS, uma das figuras mais not\u00e1veis da oposi\u00e7\u00e3o que acabou no ex\u00edlio por muitos anos. Arias (La Paz) foi um dos ministros mais proeminentes do governo de transi\u00e7\u00e3o de A\u00f1ez. Eva Copa (El Alto) foi presidente do Senado pelo MAS e recentemente foi expulsa do partido. Finalmente, Camacho (Santa Cruz) adquiriu renome nacional ao ser um dos protagonistas da derrubada de Morales em 2019. Ao MAS resta enfrentar a reorganiza\u00e7\u00e3o interna e a necessidade de assumir a renova\u00e7\u00e3o de sua lideran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>As elei\u00e7\u00f5es ensinaram uma li\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds: a representa\u00e7\u00e3o dos partidos pol\u00edticos no \u00e2mbito nacional n\u00e3o influenciou o eleitorado e a din\u00e2mica regional conduziu a uma l\u00f3gica completamente diferente, estabelecendo um equil\u00edbrio de for\u00e7as para os pr\u00f3ximos anos. Desde o ponto de vista democr\u00e1tico, este panorama pode ser o pre\u00e2mbulo de boas not\u00edcias para o futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os resultados eleitorais do \u00faltimo domingo representam, acima de tudo, uma redistribui\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico que o MAS havia recuperado nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es gerais de novembro, e resultaram em uma ineg\u00e1vel e importante perda eleitoral para o partido governista.<\/p>\n","protected":false},"author":197,"featured_media":4263,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16710,16843,544],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-4827","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-bolivia-pt-br","8":"category-mas-pt-br","9":"category-politica-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4827","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/197"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4827"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4827\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4827"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=4827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}