{"id":4842,"date":"2021-04-17T18:29:00","date_gmt":"2021-04-17T21:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=4842"},"modified":"2021-04-19T18:36:23","modified_gmt":"2021-04-19T21:36:23","slug":"o-petroleo-nao-esta-mais-na-moda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-petroleo-nao-esta-mais-na-moda\/","title":{"rendered":"O petr\u00f3leo n\u00e3o est\u00e1 mais na moda"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>C-autora Daniela Carri\u00f3n\/<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria da moda \u00e9 uma das ind\u00fastrias mais lucrativas a n\u00edvel mundial. Tem um valor semelhante ao PIB da Fran\u00e7a e emprega mais de 300 milh\u00f5es de pessoas no mundo. Entretanto, <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/cuidar-da-vida-crise-ecossocial-e-horizontes-de-futuro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a moda r\u00e1pida ou <em>fast fashion<\/em> \u00e9 a segunda ind\u00fastria mais poluente do mundo<\/a> e o Banco Mundial e a <em>Fashion Alliance<\/em> estimam que ela contribui entre 8% e 10% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa a cada ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os custos de produ\u00e7\u00e3o foram reduzidos pela produ\u00e7\u00e3o em massa. Entretanto, existem outros custos menos \u00f3bvios, como externalidades negativas associadas aos impactos ambientais, como o uso de recursos naturais, a polui\u00e7\u00e3o e a contribui\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O custo ambiental da ind\u00fastria da moda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ser um trabalho intensivo, este setor requer grandes quantidades de energia para produzir. Isto aprofunda o problema da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e as consequ\u00eancias associadas ao aumento de eventos clim\u00e1ticos extremos que afetam todos os setores da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da cadeia produtiva, quantidades significativas de petr\u00f3leo s\u00e3o necess\u00e1rias para a produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas para a ind\u00fastria t\u00eaxtil, tais como fibras sint\u00e9ticas, materiais como poli\u00e9ster e acr\u00edlico, que devido \u00e0s suas caracter\u00edsticas s\u00e3o muito procurados.<\/p>\n\n\n\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Ellen McArthur estima que 342 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por ano s\u00e3o necess\u00e1rios para a fabrica\u00e7\u00e3o de fibras sint\u00e9ticas, que por acaso s\u00e3o um tipo de pl\u00e1stico. Estas fibras s\u00e3o muito solicitadas por sua resist\u00eancia, durabilidade, elasticidade e impermeabilidade. Entretanto, a mesma durabilidade das pe\u00e7as de vestu\u00e1rio n\u00e3o permite sua f\u00e1cil desintegra\u00e7\u00e3o uma vez descartadas nos aterros sanit\u00e1rios dos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Funda\u00e7\u00e3o Ellen McArthur, mais de seis em cada dez pe\u00e7as de vestu\u00e1rio t\u00eam como mat\u00e9ria-prima t\u00eaxteis de origem f\u00f3ssil. Tamb\u00e9m se estima que 35% de todos os micropl\u00e1sticos que acabam no mar prov\u00eam de roupas sint\u00e9ticas e t\u00eaxteis.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ser uma ind\u00fastria intensiva no uso de energia, ela tamb\u00e9m \u00e9 intensiva no uso de \u00e1gua. Segundo o jornal <em>The Guardian<\/em>, 1,5 trilh\u00e3o de litros s\u00e3o necess\u00e1rios anualmente pela ind\u00fastria da moda, <a href=\"https:\/\/www.eleconomista.es\/economia\/noticias\/10158909\/10\/19\/La-industria-de-la-moda-es-la-segunda-mas-contaminante-del-mundo-confeccionar-unos-vaqueros-gasta-7500-litros-de-agua.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">j\u00e1 que para fazer um \u00fanico par de jeans s\u00e3o necess\u00e1rios cerca de 7.500 litros<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, de acordo com um estudo da Universidade da Calif\u00f3rnia, o vestu\u00e1rio sint\u00e9tico derrama uma m\u00e9dia de 1,7 gramas de microfibra em cada lavagem, que acaba em fontes de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>A fabrica\u00e7\u00e3o de vestu\u00e1rio ocorre em pa\u00edses em desenvolvimento onde as condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o mais flex\u00edveis, h\u00e1 melhores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para as empresas e as regulamenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais fracas. Enquanto partes das economias da \u00cdndia, China e Bangladesh dependem do setor t\u00eaxtil, \u00e9 tamb\u00e9m uma ind\u00fastria relevante para alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ind\u00fastria na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria t\u00eaxtil foi uma das pioneiras no processo de industrializa\u00e7\u00e3o do Brasil e o pa\u00eds \u00e9 atualmente uma refer\u00eancia mundial no design de moda praia, <em>jeanswear<\/em> e <em>homewear<\/em> entre outras pe\u00e7as. Este setor \u00e9 o segundo maior empregador da ind\u00fastria de manufatura e gera cerca de um milh\u00e3o e meio de empregos diretos e quase oito milh\u00f5es de empregos indiretos em mais de 33.000 empresas em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>No M\u00e9xico, por outro lado, a ind\u00fastria t\u00eaxtil e de vestu\u00e1rio empregou 640 mil pessoas em 2018 e o setor ocupa o d\u00e9cimo lugar entre as atividades econ\u00f4micas de manufatura mais importantes do pa\u00eds. Com quase todas as pe\u00e7as de vestu\u00e1rio exportadas para os Estados Unidos, o desenvolvimento desta ind\u00fastria se deve \u00e0s m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ambiental zero.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o setor seja respons\u00e1vel por grande parte da renda dos pa\u00edses em desenvolvimento, sua reinven\u00e7\u00e3o \u00e9 vital para o planeta e sua popula\u00e7\u00e3o. Por um lado, para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos trabalhadores t\u00eaxteis e, por outro, para desenvolver uma produ\u00e7\u00e3o mais limpa com pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis em toda a cadeia produtiva que internalizem os impactos sobre o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, \u00e9 fundamental fortalecer a estrutura institucional dos pa\u00edses em desenvolvimento para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos funcion\u00e1rios do setor e para o desenvolvimento de regulamenta\u00e7\u00f5es e controles que garantam o cuidado e a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente. E, do lado do consumidor, \u00e9 essencial que estejamos mais conscientes das formas de consumo e uso das roupas que usamos todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter consci\u00eancia global se est\u00e1 na moda, assim como rever os padr\u00f5es de consumo e produ\u00e7\u00e3o para torn\u00e1-los mais sustent\u00e1veis. Devemos pensar em uma economia circular da moda e, para isso, \u00e9 fundamental tomar a\u00e7\u00f5es que envolvam o setor para realmente minimizar os impactos ambientais presentes e futuros.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Daniela Carri\u00f3n \u00e9 economista e gerente de projetos financiados pelo Global Environment Facility na Am\u00e9rica Latina. Ela \u00e9 mestre em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidad Andina Sim\u00f3n Bol\u00edvar, Equador, e em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela London School of Economics and Political Science, Reino Unido.<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Co-autora Daniela Carri\u00f3n<br \/>\nA ind\u00fastria da moda \u00e9 uma das mais lucrativas do mundo. Tem um valor semelhante ao PIB da Fran\u00e7a e emprega mais de 300 milh\u00f5es de pessoas. 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