{"id":48550,"date":"2025-05-27T09:00:00","date_gmt":"2025-05-27T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=48550"},"modified":"2025-05-27T14:51:48","modified_gmt":"2025-05-27T17:51:48","slug":"o-voto-economico-preve-uma-vitoria-eleitoral-para-milei-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/o-voto-economico-preve-uma-vitoria-eleitoral-para-milei-em-2025\/","title":{"rendered":"O voto econ\u00f4mico prev\u00ea uma vit\u00f3ria eleitoral para Milei em 2025"},"content":{"rendered":"\n<p>O contrato eleitoral de grande parte dos argentinos com Javier Milei em 2023 foi baseado, por um lado, em ser o mais diferente poss\u00edvel do que estava governando e, por outro, na promessa de estabilizar a economia. Pesquisas de opini\u00e3o p\u00fablica no \u00faltimo trimestre do governo de Alberto Fern\u00e1ndez mostraram que sete em cada dez argentinos queriam mudan\u00e7as. Os grupos focais refor\u00e7aram essa tend\u00eancia, revelando que n\u00e3o se tratava de uma mudan\u00e7a superficial, mas de uma mudan\u00e7a profunda e radical. Tudo estava pronto para que um oponente de fora sa\u00edsse vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a quest\u00e3o central da campanha girava em torno da economia. A infla\u00e7\u00e3o &#8211; um dos principais term\u00f4metros para a compreens\u00e3o da sociedade sobre a estabilidade ou instabilidade econ\u00f4mica &#8211; havia oscilado entre janeiro e agosto em torno de 6,5% ao m\u00eas. Como se esses valores n\u00e3o fossem alarmantes o suficiente, depois de agosto o caos tomou conta do comando da campanha: entre agosto e novembro, a infla\u00e7\u00e3o mensal foi em m\u00e9dia de 11,5% e, em dezembro, atingiu um pico de 25,5%. Tudo parecia convergir para que um candidato com atributos associados \u00e0 economia &#8211; e, acima de tudo, projetando solu\u00e7\u00f5es &#8211; sa\u00edsse vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa perspectiva, Milei incorporou um perfil pol\u00edtico que n\u00e3o apenas canalizava o mal-estar generalizado, mas tamb\u00e9m se conectava ao desejo de uma solu\u00e7\u00e3o urgente para a deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. N\u00e3o importava tanto sua trajet\u00f3ria anterior, sua viabilidade institucional ou suas alian\u00e7as: o que mais importava era sua capacidade de representar simbolicamente uma ruptura com o passado e, ao mesmo tempo, uma aposta no futuro. Nesse sentido, sua figura funcionou como um ref\u00fagio eleitoral para aqueles que acreditavam que a \u00fanica sa\u00edda poss\u00edvel exigia uma ruptura total do modelo vigente. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que a economia tenha se tornado o centro do debate eleitoral: como resumiu o estrategista James Carville durante a campanha de Bill Clinton em 1992, &#8220;\u00c9 a economia, est\u00fapido! A frase, que resumiu o foco estrat\u00e9gico daquela campanha, parece ressoar fortemente tamb\u00e9m no caso argentino.<\/p>\n\n\n\n<p>Os influentes estudos de voto econ\u00f4mico na ci\u00eancia pol\u00edtica analisam v\u00e1rios indicadores para avaliar quais fatores os cidad\u00e3os racionalizam ao decidir como votar. Entre eles, a percep\u00e7\u00e3o de melhoria econ\u00f4mica, a infla\u00e7\u00e3o, o valor do d\u00f3lar ou o desemprego s\u00e3o os mais recorrentes. A varia\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) &#8211; ou seja, o valor total de bens e servi\u00e7os produzidos por um pa\u00eds &#8211; pode ser considerada um indicador objetivo de crescimento econ\u00f4mico e, de acordo com a teoria do voto econ\u00f4mico, uma vari\u00e1vel com capacidade preditiva dos resultados eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tomarmos o PIB da Argentina expresso em d\u00f3lares correntes para cada ano entre 1983 e 2023 e classificarmos a varia\u00e7\u00e3o anterior a cada elei\u00e7\u00e3o (seja presidencial ou legislativa) como aumento, estabilidade (entre +1% e -1%) ou queda, obteremos 20 observa\u00e7\u00f5es. A partir desses dados, foi constru\u00edda uma regress\u00e3o log\u00edstica para estimar a probabilidade de vit\u00f3ria do partido no poder com base no comportamento do PIB. A probabilidade estimada de o partido no poder vencer as elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2025, se o PIB mantiver sua tend\u00eancia de alta, \u00e9 de 86%. Se a economia desacelerar e o crescimento cair abaixo de 1% ou at\u00e9 mesmo cair para -1%, a probabilidade cair\u00e1 para 32,2%. O pior cen\u00e1rio \u00e9 uma queda de mais de -1%, em que as chances de uma vit\u00f3ria pr\u00f3-governo caem para 3,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, deve-se observar que, dadas as caracter\u00edsticas da lideran\u00e7a pol\u00edtica personalista de Milei, seus candidatos em elei\u00e7\u00f5es divididas podem <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/milei-e-a-construcao-de-um-partido-que-o-fara-perdurar\/\">n\u00e3o ter um desempenho t\u00e3o bom<\/a> quanto esse modelo prev\u00ea para o pr\u00f3prio presidente. Muito provavelmente &#8211; como visto no recente processo eleitoral na prov\u00edncia de Santa F\u00e9 &#8211; os candidatos de Milei, que n\u00e3o s\u00e3o Milei, ter\u00e3o desempenhos positivos, mas discretos. Se nas elei\u00e7\u00f5es de outubro, quando muitas prov\u00edncias renovar\u00e3o os deputados e senadores nacionais, o governo adotar uma atitude mais proativa e tornar a figura do presidente vis\u00edvel na campanha, o voto econ\u00f4mico, em <a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/economia\/2025\/05\/25\/cuanto-va-a-crecer-argentina-en-2025-los-desafios-luego-de-la-desaceleracion-de-marzo-y-cual-es-la-nueva-tendencia\/\">um ano de crescimento<\/a>, poder\u00e1 jogar a favor do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>O voto econ\u00f4mico n\u00e3o \u00e9 explicado exclusivamente por fatores objetivos, como a taxa de infla\u00e7\u00e3o, o valor do d\u00f3lar ou o n\u00edvel do PIB. Se a percep\u00e7\u00e3o do eleitorado n\u00e3o coincidir com esses indicadores, o resultado eleitoral pode n\u00e3o estar correlacionado a eles. Entretanto, a an\u00e1lise da rela\u00e7\u00e3o entre a varia\u00e7\u00e3o do PIB e os resultados eleitorais nas elei\u00e7\u00f5es nacionais entre 1983 e 2023 refor\u00e7a a validade dessa teoria. Nenhum partido governista conseguiu vencer quando a economia caiu mais de -1%. Houve casos em que, apesar do crescimento de mais de 1%, o partido no poder sofreu derrotas. Entretanto, o fato sobre o qual repousam as esperan\u00e7as do governo de Milei \u00e9 que em 84,6% das ocasi\u00f5es em que o PIB cresceu, o governo venceu. Parafraseando Craville, poderia ser a economia, est\u00fapido?<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisado por Giulia Gaspar<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se nas elei\u00e7\u00f5es de outubro, quando muitas prov\u00edncias renovar\u00e3o os deputados e senadores nacionais, o governo tornar a figura do presidente vis\u00edvel na campanha, o voto econ\u00f4mico, em um ano de crescimento, poder\u00e1 jogar a favor do governo.<\/p>\n","protected":false},"author":724,"featured_media":48532,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16960,16711,16734],"tags":[15839],"gps":[],"class_list":{"0":"post-48550","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-javier-milei-pt-br","8":"category-elecciones-pt-br","9":"category-argentina-pt-br","10":"tag-ideias-pt-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/724"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48550\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48532"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48550"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=48550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}