{"id":4858,"date":"2021-04-20T05:45:00","date_gmt":"2021-04-20T08:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/latinoamerica21.com\/?p=4858"},"modified":"2021-04-20T03:41:54","modified_gmt":"2021-04-20T06:41:54","slug":"migracao-fronteiras-covid-e-mais-alem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/migracao-fronteiras-covid-e-mais-alem\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00e3o, fronteiras, Covid e mais al\u00e9m"},"content":{"rendered":"\n<p>O movimento de pessoas diante da Covid-19 foi drasticamente reduzido. Em 2020, <a href=\"http:\/\/latinoamerica21.com\/br\/fronteiras-violentas-na-america-do-sul-em-tempos-da-covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">governos de todo o mundo tomaram v\u00e1rias medidas para fechar suas fronteiras para regular a entrada do v\u00edrus SARS<\/a>, mas tamb\u00e9m e ainda mais a das pessoas. Esta \u00e9 a primeira vez a n\u00edvel global que, com a colabora\u00e7\u00e3o da sofistica\u00e7\u00e3o do controle biom\u00e9trico em fronteiras, quase todos os pa\u00edses do mundo compartilharam pol\u00edticas similares ao restringir a entrada de pessoas em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o ponto de inflex\u00e3o que a pandemia do coronav\u00edrus pode ter causado na imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja isenta de lucubra\u00e7\u00f5es, algumas organiza\u00e7\u00f5es internacionais, como a ONU, sugerem que a pandemia \u00e9 uma oportunidade de repensar o movimento de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o repensar em qual sentido? Para criar maiores restri\u00e7\u00f5es? Para gerar mais vulnerabilidades para as pessoas que migram? Para argumentar a favor da cria\u00e7\u00e3o de mais muros?&nbsp; S\u00e3o v\u00e1rias as perguntas que surgem e sobre as quais n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer futurologia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os que migram em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria ficou claro, ao contr\u00e1rio do que o senso comum nos diz, que a migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um evento excepcional, mas uma caracter\u00edstica intr\u00ednseca do ser humano. Como v\u00e1rios estudos t\u00eam demonstrado, a cria\u00e7\u00e3o de fronteiras a partir da organiza\u00e7\u00e3o do mundo em Estados nacionais foi o que alimentou, ainda mais, a ideia de n\u00f3s contra os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a cria\u00e7\u00e3o dos passaportes e vistos at\u00e9 os controles biom\u00e9tricos atuais, os diversos governos t\u00eam se preocupado em manter &#8220;o controle de suas popula\u00e7\u00f5es&#8221; sob sua \u00f3rbita. E se j\u00e1 era complicado atravessar fronteiras antes da pandemia de Covid-19, \u00e9 claro que com fronteiras fechadas isto \u00e9 muito mais complicado.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os n\u00fameros de <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2021\/01\/1738822\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um novo relat\u00f3rio da Divis\u00e3o de Popula\u00e7\u00e3o do Departamento de Assuntos Econ\u00f4micos e Sociais das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a>, o crescimento do n\u00famero de migrantes internacionais nas \u00faltimas d\u00e9cadas passou de 173 milh\u00f5es de pessoas vivendo fora de seu pa\u00eds de origem em 2000 para 221 milh\u00f5es no in\u00edcio da \u00faltima d\u00e9cada e atingiu 281 milh\u00f5es em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo relat\u00f3rio afirma que durante a pandemia a popula\u00e7\u00e3o mundial migrante diminuiu em cerca de 27%. Com o fechamento das fronteiras, eu entendo que deveria ser ainda mais. Um fato interessante \u00e9 que as caravanas de migrantes que come\u00e7aram em 2018 vindas da Am\u00e9rica Central com a inten\u00e7\u00e3o de entrar nos Estados Unidos n\u00e3o pararam. Embora seja imposs\u00edvel estabelecer n\u00fameros exatos, de acordo com a Secretaria de Governo do M\u00e9xico (SEGOB), quase 81.000 migrantes estrangeiros entraram no pa\u00eds entre janeiro e novembro de 2020. Estes n\u00fameros s\u00e3o consider\u00e1veis, embora sejam menos da metade do mesmo per\u00edodo do ano passado. As principais nacionalidades prov\u00eam do tri\u00e2ngulo norte da Am\u00e9rica Central, formado por Honduras, Guatemala e El Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o que est\u00e1 acontecendo atualmente com aquelas pessoas cuja \u00fanica possibilidade para sua sobreviv\u00eancia socioecon\u00f4mica \u00e9 migrar para outros pa\u00edses? Se em seus pa\u00edses de origem eles n\u00e3o encontraram nenhum tipo de oportunidade antes da pandemia, \u00e9 importante descobrir o que est\u00e1 acontecendo agora e, sobretudo, o que acontecer\u00e1 no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os que migram buscando ref\u00fagio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m daqueles considerados migrantes socioecon\u00f4micos, h\u00e1 milh\u00f5es de migrantes que s\u00e3o considerados refugiados porque t\u00eam que deixar seus pa\u00edses de origem por estarem em risco por raz\u00f5es de etnia, religi\u00e3o, nacionalidade, filia\u00e7\u00e3o a um grupo social ou opini\u00f5es pol\u00edticas, e que n\u00e3o podem ou n\u00e3o querem reivindicar a prote\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds. O que acontece com esta popula\u00e7\u00e3o? Como s\u00e3o protegidos pelos organismos internacionais?<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto de pandemia, novos riscos s\u00e3o acrescentados. Al\u00e9m da falta de assist\u00eancia m\u00e9dica ao longo de suas viagens, os campos de refugiados trazem mais complica\u00e7\u00f5es devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de manter o isolamento necess\u00e1rio para evitar a contra\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os que residem em outro pa\u00eds<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia de Covid-19 tamb\u00e9m afeta os migrantes assentados. A maioria da popula\u00e7\u00e3o migrante, seja como uma quest\u00e3o de status legal e\/ou econ\u00f4mico, tem seus direitos violados mais do que os nacionais. Como exemplo, o acesso dos migrantes aos sistemas de sa\u00fade \u00e9 muito menor do que o da popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso paradigm\u00e1tico \u00e9 o dos venezuelanos que, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM), s\u00e3o uma das popula\u00e7\u00f5es mais deslocadas do mundo, ultrapassando a barreira dos quatro milh\u00f5es de pessoas. De acordo com relat\u00f3rios do Banco Mundial, apesar de migrar para encontrar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, este grupo se tornou ainda mais pobre e tem maior probabilidade de ser infectado e sucumbir \u00e0 infec\u00e7\u00e3o da Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, metade da popula\u00e7\u00e3o migrante s\u00e3o mulheres e crian\u00e7as, o que deixa em evid\u00eancia o impacto desigual da pandemia sobre homens e mulheres, j\u00e1 que a maioria das tarefas de presta\u00e7\u00e3o de cuidados recai sobre as mulheres. Mas o movimento coletivo de pessoas continua fluindo, apesar dos riscos colocados pela pandemia. Segundo as autoridades americanas, mais de 100 mil pessoas foram detidas na fronteira sul no \u00faltimo m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia do coronav\u00edrus nos deixou algumas certezas: apesar das barreiras e dos riscos, as pessoas continuam a se mover em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Portanto, os governos devem estabelecer estrat\u00e9gias para garantir os direitos humanos fundamentais tanto daqueles que migram quanto daqueles que decidem permanecer em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Foto Thiago Dezan FARPA CIDH<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O movimento de pessoas diante do Covid-19 foi drasticamente reduzido. Em 2020, governos de todo o mundo tomaram v\u00e1rias medidas para fechar suas fronteiras para regular a entrada do v\u00edrus, mas tamb\u00e9m a entrada de pessoas. Esta \u00e9 a primeira vez que quase todos os pa\u00edses do mundo compartilham pol\u00edticas restritivas para a entrada de pessoas.<\/p>\n","protected":false},"author":100,"featured_media":29959,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16785,16785,16903,16903,16764,16764,14465,546],"tags":[],"gps":[],"class_list":{"0":"post-4858","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-covid-19-es-pt-br","9":"category-fronteras-pt-br","11":"category-migracion-pt-br","13":"category-migracao","14":"category-sociedad-br"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4858","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/100"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4858"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4858\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29959"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4858"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=4858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}