{"id":48926,"date":"2025-06-19T09:00:00","date_gmt":"2025-06-19T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/latinoamerica21.com\/?p=48926"},"modified":"2025-06-18T14:59:02","modified_gmt":"2025-06-18T17:59:02","slug":"rumo-a-um-novo-modelo-economico-resiliente-e-inclusivo-do-grande-caribe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/rumo-a-um-novo-modelo-economico-resiliente-e-inclusivo-do-grande-caribe\/","title":{"rendered":"Rumo a um novo modelo econ\u00f4mico resiliente e inclusivo do Grande Caribe"},"content":{"rendered":"\n<p>O Grande Caribe encontra-se numa encruzilhada hist\u00f3rica. As m\u00faltiplas crises que enfrenta \u2014 desde a d\u00edvida insustent\u00e1vel e o colapso do turismo de massa at\u00e9 os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e da exclus\u00e3o social \u2014 obrigam a repensar profundamente o seu modelo econ\u00f4mico. Esta regi\u00e3o, diversa e estrat\u00e9gica, que abrange n\u00e3o s\u00f3 as ilhas do mar do Caribe, mas tamb\u00e9m os pa\u00edses continentais com costa neste mar, como M\u00e9xico, Col\u00f4mbia ou os pa\u00edses centro-americanos, tem hoje a oportunidade de construir <a href=\"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/sob-pressao-resiliencia-a-america-latina-precisa-recalibrar-seu-paradigma-de-desenvolvimento\/\">um novo paradigma de desenvolvimento<\/a> centrado na resili\u00eancia, na inclus\u00e3o e na inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa mudan\u00e7a n\u00e3o ser\u00e1 autom\u00e1tica nem isenta de tens\u00f5es: requer vontade pol\u00edtica, vis\u00e3o estrat\u00e9gica e um enfoque transformador capaz de romper com a depend\u00eancia de mercados externos e estruturas extrativistas. O Caribe n\u00e3o pode continuar apostando em uma economia baseada em monoculturas tur\u00edsticas, zonas francas vol\u00e1teis e remessas vulner\u00e1veis a fatores geopol\u00edticos. \u00c9 hora de liderar uma agenda de justi\u00e7a econ\u00f4mica global, ancorada em uma integra\u00e7\u00e3o regional que priorize seus povos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um Caribe resiliente diante das crises<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o futuros hipot\u00e9ticos no Grande Caribe: s\u00e3o uma realidade cotidiana. De furac\u00f5es mais intensos ao aumento do n\u00edvel do mar, a vulnerabilidade ecol\u00f3gica est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 fragilidade econ\u00f4mica. Por isso, falar de resili\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o ambiental, mas profundamente estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o deve avan\u00e7ar para uma diversifica\u00e7\u00e3o produtiva que supere a l\u00f3gica extrativista. Isso implica apostar em ind\u00fastrias de base local, economias criativas, bioeconomia marinha e novas formas de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. \u00c9 indispens\u00e1vel integrar o setor informal nas estrat\u00e9gias nacionais, n\u00e3o como um fardo, mas como uma express\u00e3o da capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e criatividade das comunidades caribenhas. Por sua vez, \u00e9 necess\u00e1rio acesso equitativo ao financiamento, infraestrutura p\u00fablica de qualidade e redes log\u00edsticas regionais que fortale\u00e7am o com\u00e9rcio intracaribenho, hoje ainda marginal frente ao com\u00e9rcio com pot\u00eancias externas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o desenvolvimento j\u00e1 n\u00e3o pode ser medido apenas pelo crescimento do PIB. Precisamos de indicadores que capturem a capacidade das economias caribenhas de empoderar seu povo, redistribuir com justi\u00e7a e antecipar os desafios do futuro com sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inova\u00e7\u00e3o do Sul: uma economia digital e azul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A digitaliza\u00e7\u00e3o representa uma oportunidade sem precedentes para o Grande Caribe. Com uma popula\u00e7\u00e3o jovem e universidades de alto n\u00edvel, a regi\u00e3o pode formar uma nova gera\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos, cientistas, planejadores e empreendedores com foco regional e compet\u00eancias digitais. Apostar na intelig\u00eancia artificial, na conectividade e na soberania digital n\u00e3o \u00e9 um luxo: \u00e9 uma necessidade estrat\u00e9gica para fechar lacunas estruturais e gerar empregos de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o Caribe pode liderar uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica a partir do mar. O conceito de economia azul sustent\u00e1vel oferece um caminho para utilizar de forma respons\u00e1vel os recursos marinhos, impulsionando o biocom\u00e9rcio, a pesca artesanal, a restaura\u00e7\u00e3o de recifes e o desenvolvimento da biotecnologia marinha. Mas, para isso, \u00e9 indispens\u00e1vel romper com o atual modelo de turismo de massa, que esgota os ecossistemas e precariza o trabalho. Em seu lugar, deve surgir um turismo comunit\u00e1rio, regenerativo e orientado ao conhecimento local.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrat\u00e9gias regionais devem se concentrar em projetos inovadores que fortale\u00e7am a economia azul, impulsionem plataformas digitais inclusivas e promovam alian\u00e7as Sul-Sul com outros pa\u00edses e blocos em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Justi\u00e7a econ\u00f4mica a partir da integra\u00e7\u00e3o regional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Grande Caribe \u00e9 muito mais do que um conjunto de ilhas e costas banhadas pelo mesmo mar. \u00c9 uma regi\u00e3o marcada por uma hist\u00f3ria comum de coloniza\u00e7\u00e3o, escravid\u00e3o, resist\u00eancia e migra\u00e7\u00e3o que moldou identidades compartilhadas e tecidos culturais \u00fanicos. Essa mem\u00f3ria compartilhada \u00e9 tamb\u00e9m uma fonte de poder pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas, o Caribe tem demonstrado que pode exercer influ\u00eancia em cen\u00e1rios multilaterais, onde o princ\u00edpio de \u201cum pa\u00eds, um voto\u201d lhe permite incidir al\u00e9m de seu peso econ\u00f4mico. Essa diplomacia coletiva deve ser fortalecida e traduzida em maior capacidade de negocia\u00e7\u00e3o diante de atores globais, particularmente em quest\u00f5es como acesso a financiamento clim\u00e1tico, regulamenta\u00e7\u00e3o de remessas e cadeias log\u00edsticas soberanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica regional deve priorizar o com\u00e9rcio intracaribenho, hoje limitado por barreiras aduaneiras, infraestrutura fragmentada e custos log\u00edsticos elevados. Para isso, \u00e9 necess\u00e1ria uma estrat\u00e9gia comum para consolidar cadeias de valor regionais, impulsionar empresas p\u00fablicas multinacionais e promover um com\u00e9rcio compensado baseado nas necessidades dos povos, n\u00e3o s\u00f3 do capital transnacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o, mobilidade e remessas: tr\u00eas desafios fundamentais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o do modelo econ\u00f4mico do Grande Caribe tamb\u00e9m passa por tr\u00eas temas urgentes: educa\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o e remessas. \u00c9 crucial uma reforma educacional orientada ao desenvolvimento humano, a ci\u00eancia e a integra\u00e7\u00e3o. As universidades devem se tornar centros de pensamento regional e forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para a mudan\u00e7a estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, a migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode continuar sendo gerenciada a partir da criminaliza\u00e7\u00e3o ou da diplomacia de emerg\u00eancia. O Caribe precisa de pol\u00edticas de mobilidade humana que reconhe\u00e7am a contribui\u00e7\u00e3o de suas di\u00e1sporas e protejam os direitos dos migrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por \u00faltimo, as remessas \u2014 que representam at\u00e9 20% do PIB em alguns pa\u00edses caribenhos \u2014 devem ser protegidas contra poss\u00edveis san\u00e7\u00f5es, impostos ou restri\u00e7\u00f5es externas. Plataformas digitais pr\u00f3prias, alian\u00e7as banc\u00e1rias regionais e regulamenta\u00e7\u00e3o soberana s\u00e3o passos essenciais para garantir que esses fluxos continuem sendo uma rede de seguran\u00e7a para milh\u00f5es de fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um mar compartilhado, um futuro comum<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Grande Caribe est\u00e1 chamado a desempenhar um papel de destaque na reconfigura\u00e7\u00e3o da ordem global. Sua localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, riqueza cultural e diversidade ecol\u00f3gica lhe conferem uma vantagem comparativa \u00fanica. Mas o que pode converter essa vantagem em transforma\u00e7\u00e3o real \u00e9 a capacidade de construir uma agenda comum, a partir de baixo e do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 uma ponte entre oceanos e culturas, um reservat\u00f3rio de biodiversidade e um viveiro de pensamento com impacto global. Para exercer esse papel, precisa de vontade pol\u00edtica, vis\u00e3o estrat\u00e9gica e estruturas regionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a recente Declara\u00e7\u00e3o de Monter\u00eda, assinada em 30 de maio pelos pa\u00edses do Grande Caribe, na C\u00fapula da Associa\u00e7\u00e3o de Estados do Caribe, marca um passo importante. Em seu Artigo II sobre Coopera\u00e7\u00e3o, a declara\u00e7\u00e3o reafirma que a coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 um instrumento essencial para alcan\u00e7ar o desenvolvimento sustent\u00e1vel da regi\u00e3o. Este compromisso renovado deve traduzir-se em a\u00e7\u00f5es concretas: financiamento clim\u00e1tico justo, transfer\u00eancia de tecnologia, integra\u00e7\u00e3o produtiva e pol\u00edticas p\u00fablicas centradas na equidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste mar de possibilidades, a hora de agir \u00e9 agora!<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica revisada por Isabel Lima<\/sub><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o futuros hipot\u00e9ticos no Grande Caribe: s\u00e3o uma realidade cotidiana.<\/p>\n","protected":false},"author":764,"featured_media":48904,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[16754],"tags":[17187],"gps":[],"class_list":{"0":"post-48926","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-desarrollo-pt-br","8":"tag-debates-2"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/764"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48926\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48926"},{"taxonomy":"gps","embeddable":true,"href":"https:\/\/latinoamerica21.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gps?post=48926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}